sexta-feira, setembro 16, 2005

Para compreender Deus

Na sua primeira intervenção depois do Katrina, melhor, passados 4 dias de o Katrina ter afogado New Orleans, o presidente Bush tomado de fervor teológico, invocou - eu ouvi em directo - invocou, várias vezes, o nome do Senhor pedindo-Lhe que continuasse a abençoar a América
Notícias acabadas de chegar dão conta de que o novíssimo furacão Ophélia acaba d aterrar na Carolina do Norte e espatifa tudo por onde passa!
Será Deus um antiamericano primário?

quinta-feira, setembro 15, 2005

Para compreender Dias Loureiro

Interessante explicação do Menina Não Entra que nos vai deixando perceber alguns dos valores por que se pautam os arautos da direita. Sempre preocupados com as finanças públicas.
São valores simples: Os do dinheiro, seja como for, venha donde vier.

Para compreender o déficit

Com a inestimável colaboração da Câmara Corporativa, e com a coragem que revela, estamos a começar a entrar na grande Avenida dos Privilégios e Mordomias que os vários agentes do Estado, saído do 25 de Abril, se outorgaram.
Não foram só as prebendas e medalhas. A cada título, a cada degrau correspondia mais uma fatia do bolo dos contribuintes.
Agora, parece, este governo abriu a caixa de Pandora! Começa a conhecer-se alguma coisa do que nunca se falou.
Vamos então aguardar os novos capítulos visto que os senhores juizes já começam a justificar as suas mordomias, reformas e pensões, com... as mordomias, benesses e pensões dos outros!
Assim, vamos todos em breve perceber o que se passa com os nossos impostos. E para onde foram. Anos a fio.
Impõe-se perguntar quanto ganha um juiz? Mas com tudo, por favor!
E quanto paga de impostos?
Quando é que se reforma? Quanto fica receber de reforma?
Qual é o saldo entre aquilo que descontou e o que vai receber de reforma, atendendo à expectativa média de vida?
Não venham dizer que é demagogia fazermos contas!
Só queremos perceber o déficit

Para compreender a imprensa

Desde há dois dias que as televisões, todas, e a TSF também toda, se multiplicam em esforços redobrados no sentido de nos fazerem compreender e acreditar que o António Vitorino, Governo e a Galp estavam conluiados no sentido de entregarem ao António Vitorino, através da firma para quem trabalha, a representação do Governo e da Galp nas negociações a haver com a EMI.
E para que dúvidas não houvesse repetiram a notícia como se desse facto dependesse a independência do País.
Mas não depende, por duas razões: primeiro porque a notícia é falsa e ainda não ouvi o desmentido e as desculpas inerentes; secundo, porque se fosse verdadeira a notícia, o qie é que estava mal?
O António Vitorino fez juramento de castidade e não pode falar de petróleo? O Governo não pode contratar firmas de advogados? A Galp não pode ter advogado?
Para que conste aqui está o desmentido da notícia, no Público, já se vê!

Para compreender os advogados

O ilustre Bastonário da Ordem dos Advogados, está a ser citado hora a hora pela não menos ilustre TSF.
Está verdadeiramente indignado com o Governo. Das razões próximas que o irritam salienta a alteração das férias judiciais e pouco mais. Clama que a justiça está em perigo e indica isso sim, o caminho para as verdadeiras reformas que o aparelho judicial "há muito aguarda".
E sem atentar no ridículo em que cai, enumera uma a uma as tais medidas que o Governo "não levou a cabo, nestes 6 meses de governação":
- A reforma Judicial
- A reforma do Código Civil
- A reforma do Código Penal
- A reforma do Código Processual
- A reforma das Custas
- A reforma territorial dos Tribunais

Perdi-me. Terei falhado alguma coisa?
Que Governo é este que em seis longos meses, incluindo as férias de Verão, os incêndios, as autárquicas, o Orçamento rectificativo para 2005 e o OEA para 2006, ainda não cuidou daquela pequena lista de tarefas?
É já conhecido o expediente de, para evitar que se faça algum acoisa, clamar que está tudo por fazer!

Para compreender os Juizes

As regalias excessivas falam por si. Os desmandos dos poderosos estão agora na praça pública. Por este andar o peito do Governo é pequeno para tanta medalha!

Este Post merece letra grande!:

O Estado Novo instituiu a regalia, a qual subsistiu até aos nossos dias: os magistrados judiciais e do Ministério Público têm direito a casa de habitação... mobilada. Quando não haja casas disponíveis, ou os magistrados não as habitem, estes têm direito a um subsídio de compensação, para todos os efeitos equiparado a ajudas de custo.O que demonstra de que se trata, de facto, de um complemento de vencimento é a circunstância de esta regalia ser extensiva aos magistrados jubilados, que andarão provavelmente entretidos a cuidar dos netos. E a verdade é que não estamos a falar de trocos: actualmente, o subsídio de compensação cifra-se em 700 euros mensais.Face à possibilidade de ser reduzido este tipo de regalias, não teremos de ser compreensivos para alguns excessos dos magistrados, designadamente quando não se lembram que constituem um órgão de soberania?ADENDA - Um leitor, através de e-mail, dá uma achega que faz a diferença toda: "(...) o que (...) colocou nessa entrada corresponde à realidade, mas não se refere a uma situação que é de todo em todo escandalosa. Estou a lembrar-me (e sucede com frequência) de situações em que ambos os membros do casal são juizes ou procuradores do Ministério Público. Nestes casos, o subsídio de compensação é percebido por ambos! Ou, como também sucede, é atribuída a um cônjuge a casa de função e ao outro o subsídio! É legítima uma tal situação?"

quarta-feira, setembro 14, 2005

A História, de novo?

Ao ver no que se tornou a América dos livres pensadores e dos romancistas libertários, tenho que fazer muitos flash-backs e de recorrer a muita interpretação para compreender e aceitar o McArthismo, a caça às bruxas, a brutalidade interna, os julgamentos sumários, a pena de morte, o neo-colonialismo da restante América, as intervenções militares por esse mundo fora, o nível intelectual do seus dirigentes, o estado sócio-vegetativo da maioria da sua população e o fervor religioso que completa o quadro ideológico necessário à continuidade do stato quo.
Confesso, estava até convencido que havia assim a modos que uma super agência, Think Tank do mal, onde uma data de sábios loucos preparavam as acções a levar a cabo, a prever um e mais outro cenários e a programar e reprogramar as crises, por forma a que tudo estivesse previsto e que a cada novo desafio, aliás previsto, programado e organizado, puxavam dos imensos tratados sócio-económicos e tinham um plano A, um B e mais um C e todas variáveis previstas. Como um analista de xadrez. Para cada jogada uma resposta. À escala local e à escala mundial. Temi muitas vezes que tivessem metido a História no bolso, num lap-top.
Que, armados da melhor inteligência, ao nível do planeta, estivessem sempre à frente dos factos, dos acontecimentos. Com anos de avanço. Sabendo qual a peça de xadrez a ser colocada em cada casa, em cada País. E obteriam assim um controlo que de facto pareciam ter.

Os acontecimentos como as derrotas da Coreia e no Vietnam, a queda do Atartheid, o assassinato de Allende ou a fuga da Etiópia trouxeram de novo algumas dúvidas e tive que reanalisar a eventual existência do Think Tank Global. Então se existe como é que é possível estas coisas acontecerem?
Então a História não parou? Não a tinham metida no bolso do colete?
Continuava, ou não continuava a gerar soluções para as contradições que mesmo este iluminado imperialismo vinha produzindo em todo o mundo? Contradições e anti-corpos, também eles portadores de ideologia de sinal contrário. De valores religiosos opostos e tudo.
Claro que havia sempre os rufos dos tambores da ideologia dominante, os seus valores e herois, as suas marcas comerciais e a sua opulência global. Por todo o lado, e em Portugal, as correias de transmissão estavam bem activas e multiplicavam-se em cortinas de confetis e de fantasia.
Até nos mandavam seguir as séries deTV e ir mais ao cinema para conhecer o mundo e a América em especial. Eram as pandeiretas, as castanholas, as marjoretes que seguiam na frente do cortejo imperial.
Parece que no entanto, esses animadores da festa têm pouco que festejar e ficaram sozinhos em campo. O cortejo atrasou-se visivelmente. Ficou para trás. Desde o 11 de Setembro 2001 que ficou para trás. Num verdadeiro furacão de acontecimentos que parece terem há muito abandonado os manuais do Think Tank e partido, disparados, à aventura. Produzindo contradições cada vez maiores, mais difíceis de resolver e de maior duração.
Querem ver que o marxismo e a sua análise materialista da história estão de novo em acção? Mesmo na cabeça do Imperador?
Alive and kiking?
A História, de novo?

Quem é que começou o saque?




Em New Orleans quem é que começou o saque?

Os privilégios das classes dirigentes

É hoje claro, para a população em geral, que depois do 25 de Abril foi decretado o saque aos benefícios, benesses e mordomias a um tal ritmo e profundidade que limparam o "caixa". Literalmente. Foi fartar, vilanagem! Foram as negociatas sobre a carniça exposta.
A todos os níveis da administração pública foi permitida a autofixação de benefícios desde pensões vitalícias a pagamento de estudos próprios e de familiares. Nas forças militares há até disposições sobre a continuidade da assistência médica e medicamentosa para os ex-cônjuges, mesmo depois de ter havido divórcio, e ambos tenham voltado a casar! Como se duma herança se tratasse, dividiram o bolo sem cuidar que podiam um dia ser descobertos.
O dia chegou. Nada mais há nos cofres públicos e o governo vê-se obrigado a reanalisar os " direitos adquiridos". Os que pagam impostos agradecem! Os que os metiam nos bolsos reagem!

O Miguel Abrantes na sua Câmara Corporativa brinda-nos com algumas excelentes reflexões de que transcrevo, agradecido, a seguinte denúncia :

Qual destes dois magistrados defende melhor a respectiva classe: o Juiz Desembargador Alexandre Baptista Coelho, presidente da Direcção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, ou o Procurador-Geral Adjunto António Cluny, presidente (vitalício) da Direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público?
Para os indecisos, o CC dá uma ajuda. Passados à lupa os estatutos dos magistrados (judiciais e do Ministério Público), os direitos adquiridos por ambas as classes são praticamente idênticos — e de se lhes tirar o chapéu. Mas, às vezes, é nos pormenores que está a diferença.
Ora acontece que o Estatuto do Ministério Público contém uma norma que não foi comtemplada pelo Estatuto dos Magistrados Judiciais: trata-se da “isenção de quaisquer derramas lançadas pelas autarquias locais” [art. 107.º, n,º1, alínea a)].
Por sua vez, o Estatuto dos Magistrados Judiciais contém uma outra norma que não consta do Estatuto do Ministério Público (nem, de resto, aproveita a qualquer outra classe de trabalhadores por conta de outrem): trata-se da “dedução, para cálculo do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares, de quantias despendidas com a valorização profissional” [art. 17.º, n.º1, alínea h)].Com estes dados, caros juízes e procuradores, toca a decidir, enviando o voto para o e-mail indicado no cabeçalho, até ao próximo dia 23, data-limite fixada por António Cluny, segundo a imprensa, para ver satisfeitas as reivindicações do sindicato a que preside.
Os magistrados decidem!

terça-feira, setembro 13, 2005

O Estado guarda nocturno, os militares e a direita

Já todos vimos a direita a proclamar as vantagens do Estado Mínimo, do Estado guarda nocturno.
Defendem em todas as tribunas, menos estado e maior liberdade de acção para os seus actores preferidos: Defendem abertamente que o Estado se liberte do fardo da educação e do da saúde, deixando campo aberto à livre iniciativa, como na América, onde 45 milhoes de cidadãos não têm qualquer apoio na doença; Não querem o Estado com o exclusivo do poder judicial ou correccional/prisional, como na América, onde já abundam prisões privadas e torcionários pagos à hora!; defendem agora, em Portugal, o poder indescriminado das Associções militares desde que contrariem a ordem constitucional. Quer dizer, já ultrapassaram, como se vê, o limiar do Estado minimo. Já estão a "organizar" a anarquia! E a brincar com o fogo!
Para que conste, deixo este pedaço de enciclopédia cuja leitura atira a nossa direita para os fundamentalismos da anarquia e do salve-se quem puder !

Night watchman state
From Wikipedia, the free encyclopedia.
A night watchman state, or a minimal state is a form of government in political philosophy where the government's responsibilities are so minimal they cannot be reduced much further without becoming a form of anarchy. The responsibilities in a hypothetical night watchman state would include the police, judicial systems, prisons and the military, the minimum allegedly required to uphold the law, which is limited to protect individuals from coercion and theft, to remove criminals from society, and to defend the country from foreign aggression. The term night watchman state was coined in 19th century liberalism, and is a metaphor for a state that "sleeps" (i.e., refrains from getting involved in citizens' lives) until someone's civil liberties are infringed.

A democracia por procuração e os tambores da guerra

Visto o Tribunal ter recusado provimento à providência cautelar solicitada pelas Associações Militares no sentido de alterarem outra recusa de manifestação pública, esta do Governo Civil de Lisboa, os militares reunidos em plenário parece terem decidido, a quente, entre soluços e em clima de grande crispação, que no próximo dia 21 eles não se manifestariam, mas enviam as mulheres/companheiras para se manifestarem contra o Governo.
A minha qualidade de não jurista autoriza-me a considerar esta "delegação" de direitos como uma original forma de democracia por procuração.
A democracia atribui direitos e impõe deveres na exacta medida dos primeiros.
Assim sendo, não é admissível usar dos direitos e transferir, por procuração, os deveres.
Por outro lado, há direitos tão arreigados directamente a deveres, que não compete aos cidadõas poderem dispor deles. São os chamados direitos indisponíveis, como o da vida por exemplo.
Isto julgo eu.
Há também outros deveres e direitos não transmissíveis. Os códigos estão cheios deles.
Ninguém pode passar uma procuração para outrem o substituir nos seus deveres para com os filhos e mulher ou marido; tal é também impossível para o simples acto do voto em urna; ninguém pode ser eleito por procuração de outrem, etc.
Julgo assim que, mandar as mulheres ou outro familiar, participar em manifestações proibidas, constitui um arrepio da lei, um atestado de menoridade às mulheres e um abuso inadmissível da ordem democrática.
Estamos perante uma classe que não se respeita e que pretende desrespeitar também as suas famílias.
Andam mal avisados os militares! Deve ser das companhias em que andam; Das companhias e dos apoios oportunistas que recebem dos que, em pré-campanha, resolvem chicotear o Governo nem que para tanto tenham que fazer ruir um dos pilares fundamentais da ordem constitucional.
Só gostava que me explicassem o papel da chamada comunicação social que corre a reproduzir em horário nobre, os maiores dislates saídos da boca de qualquer concorrente a eleições, e a mais um lugar pago pelo contribuinte. Andam a rufar nos tambores errados.
Andam a brincar com o fogo.

A Vida gravada a Fogo




A VIDA GRAVADA A FOGO
Felizmente havia o Jorge Nhaca, artista popular e de grande modéstia que vendia, quase recolhido, a sua arte. Antes e depois da independência.
Deixou-nos em 97. Ficaram retratos de rara simplicidade do quotidiano em Moçambique. Gravados a fogo.

Ainda o Katrina

Copiado do Ideias para Debate do Machado da Graça aqui fica um texto excelente , que subscrevo :

Nova Orleães
Esta semana publiquei no SAVANA este texto:Há dias uma amiga mandou-me o seguinte comentário:Julgava que já tinha visto tudo, estamos a habituar-nos...New Orleans vista de cima, um charco cheio de paus de fósforos. Os velhos, as crianças, os olhares vazios em grande plano. Estamos a habitur-nos, as tragédias sucedem-se a um ritmo cada vez mais rápido. Os grupos de assaltantes que partem as montras e levam as televisões, os soldados enviados para dispararem a matar sobre eles. Os discursos oficiais, as explicações, a retórica de esquerda e de direita, pois, estamos a habituar-nos. Mas quando passo pela televisão e faço um zapping rápido ouço "...preparativos para a chegada dos rfefugiados", até que enfim uma notícia boa... mas...mas que raio é isto? "Esta loja de Baton Rouge costumava vender 15 armas por dia, agora vende cerca de 1000..." Como é? E os compradores, classe média, lavadinhos e penteados: "Se eu parar num semáforo e eles me assaltarem, posso ao menos disparar". "Eles que não se aproximem, nós estamos prontos". Cartazes nas casas: " U loot, W shoot". Afinal são estes os preparativos para a chegada dos refugiados. (A própria palavra "refugiado" tem um som estranho neste contexto, mas isso são pormenores.) Não, esta cena ainda não tinha visto. Afinal é assim que nós somos?Eu próprio já tinha passado por um espanto semelhante. Depois de ter lido em muitas partes que a Guarda Nacional tinha sido enviada para Nova Orleães para apoiar os sinistrados, fui ver as fotos que o New York Times publicava e as imagens eram chocantes. Os tais soldados da Guarda Nacional eram iguais aos que estão no Iraque: Farda de combate, capacetes de aço e espingardas na mão, prontas a ser usadas.Para quem está habituado a ver os nossos militares e os dos países vizinhos a apoiar a população, durante as inundações, de mangas arregaçadas e sem quaisquer armas visiveis, as fotos do jornal falavam claramente de uma outra forma de estar e actuar. De uma outra definição das prioridades: Em Nova Orleães a protecção das propriedades esteve, aparentemente, muito acvima da protecção das vidas.E tudo aquilo com o tempero desagradável de uma divisão de classes paralela à divisão racial, a lembrar demasiadamente o que se passava por cá antes da independência.Dizia alguém que os Estados Unidos são muitas coisas diferentes, umas boas e outras más.Estes Estados Unidos que estamos a descobrir por causa desta tragédia são a parte terceiro-mundista daquele potentado económico. São o quintal miserável, por trás das mansões ricas, são os que não merecem grande apoio nem apreço porque são pobres. E, sendo pobres, isso quer dizer que não foram capazes de cumprir o sonho americano de ficar ricos a partir do nada. São, por conseguinte, menos americanos que os outros, os que venceram na vida.A minha amiga pergunta: Afinal é assim que somos?Eu, partindo do que tenho visto por cá, em situações semelhantes, acho que não. Que não somos.Mas, aparentemente, eles são.

A Noruega, outra vez!

Eu não dizia, há dois dias, que a Noruega era um País como os outros?
Os noruegueses, uns calmeirões vermelhuscos perfeitamente normais?
Pois aí está a confirmação:
Foram a votos e zás votaram na esquerda trabalhista e nos verdes. É verdade. Querem fazer uma experiência de políticas menos liberais. Talvez até um bocadinho mais de Estado!
E a grande alteração teria de vir do compromisso com a Nato. Para arrepio de muitos, vão retirar as tropas do Iraque e do Afeganistão.
Deve haver agora uns mal intencionados a fazer a ligação entre os rankings publicados na véspera das eleições e a tentativa de condicionar a decisão do eleitor norueguês.
Ou não leram os rankings, ou não se preocupam com a esquerda no governo do reino!
São mesmo normais estes noruegueses!
Qualquer dia até pedem o desmantelamento das bases atómicas americanas em solo norueguês!
PS- Os derrotados aguardam o banho gelado que lhes reservamos.

segunda-feira, setembro 12, 2005

O Aquecimento e a Discussão Global

Já não bastava o Sócrates, o Katrina e os antiamericanos primários , vêm agora os secundários e os terciários, nas vozes mais autorizadas dos comentadores americanos, encher o saco do Pacheco Pereira: Ler e meditar.
O resto são diques derrubados, corpos a boiar e New Orleans semi destruída:

Jeremy Rifkin: The Controversy After the Storm
From: <http://www.commondreams.org/>Published on Tuesday, September 6, 2005 by The Chosun (Korea)
Global Warming Hits New Orleans: The Controversy After the Storm
by Jeremy Rifkin
First the deafening roar of Katrina bearing down at 145 miles per hour on the gulf coast of the United States. Now the eerie silence, as victims wash ashore and out to sea. And in the aftermath, it seems that all of official Washington is holding its breath, less the dirty little secret gets out: that Katrina is the entropy bill for increasing CO2 emissions and global warming. The scientists have been warning us for years. They said to keep our eyes on the Caribbean where the dramatic effects of climate change are first likely to show up in the form of more severe and even catastrophic hurricanes. Indeed. Over the course of the past several years, hurricane activity and intensity has picked up in the Caribbean basin. Now the killer storm Katrina has hit with a vengeance, exacting incomprehensible devastation on a wide swath of the southeastern portion of the United States.
( Continua)

Carta do Michael Moore a todos os eleitores Bush

Sunday, September 11th, 2005A Letter to All Who Voted for George W. Bush from Michael Moore
To All My Fellow Americans Who Voted for George W. Bush:
On this, the fourth anniversary of 9/11, I'm just curious, how does it feel?
How does it feel to know that the man you elected to lead us after we were attacked went ahead and put a guy in charge of FEMA whose main qualification was that he ran horse shows?
That's right. Horse shows.
I really want to know -- and I ask you this in all sincerity and with all due respect -- how do you feel about the utter contempt Mr. Bush has shown for your safety? C'mon, give me just a moment of honesty. Don't start ranting on about how this disaster in New Orleans was the fault of one of the poorest cities in America. Put aside your hatred of Democrats and liberals and anyone with the last name of Clinton. Just look me in the eye and tell me our President did the right thing after 9/11 by naming a horse show runner as the top man to protect us in case of an emergency or catastrophe.
I want you to put aside your self-affixed label of Republican/conservative/born-again/capitalist/ditto-head/right-winger and just talk to me as an American, on the common ground we both call America.
Are we safer now than before 9/11? When you learn that behind the horse show runner, the #2 and #3 men in charge of emergency preparedness have zero experience in emergency preparedness, do you think we are safer?
When you look at Michael Chertoff, the head of Homeland Security, a man with little experience in national security, do you feel secure?
When men who never served in the military and have never seen young men die in battle send our young people off to war, do you think they know how to conduct a war? Do they know what it means to have your legs blown off for a threat that was never there?
Do you really believe that turning over important government services to private corporations has resulted in better services for the people?
Why do you hate our federal government so much? You have voted for politicians for the past 25 years whose main goal has been to de-fund the federal government. Do you think that cutting federal programs like FEMA and the Army Corps of Engineers has been good or bad for America? GOOD OR BAD?
With the nation's debt at an all-time high, do you think tax cuts for the rich are still a good idea? Will you give yours back so hundreds of thousands of homeless in New Orleans can have a home?
Do you believe in Jesus? Really? Didn't he say that we would be judged by how we treat the least among us? Hurricane Katrina came in and blew off the facade that we were a nation with liberty and justice for all. The wind howled and the water rose and what was revealed was that the poor in America shall be left to suffer and die while the President of the United States fiddles and tells them to eat cake.
That's not a joke. The day the hurricane hit and the levees broke, Mr. Bush, John McCain and their rich pals were stuffing themselves with cake. A full day after the levees broke (the same levees whose repair funding he had cut), Mr. Bush was playing a guitar some country singer gave him. All this while New Orleans sank under water.
It would take ANOTHER day before the President would do a flyover in his jumbo jet, peeking out the window at the misery 2500 feet below him as he flew back to his second home in DC. It would then be TWO MORE DAYS before a trickle of federal aid and troops would arrive. This was no seven minutes in a sitting trance while children read "My Pet Goat" to him. This was FOUR DAYS of doing nothing other than saying "Brownie (FEMA director Michael Brown), you're doing a heck of a job!"
My Republican friends, does it bother you that we are the laughing stock of the world?
And on this sacred day of remembrance, do you think we honor or shame those who died on 9/11/01? If we learned nothing and find ourselves today every bit as vulnerable and unprepared as we were on that bright sunny morning, then did the 3,000 die in vain?
Our vulnerability is not just about dealing with terrorists or natural disasters. We are vulnerable and unsafe because we allow one in eight Americans to live in horrible poverty. We accept an education system where one in six children never graduate and most of those who do can't string a coherent sentence together. The middle class can't pay the mortgage or the hospital bills and 45 million have no health coverage whatsoever.
Are we safe? Do you really feel safe? You can only move so far out and build so many gated communities before the fruit of what you've sown will be crashing through your walls and demanding retribution. Do you really want to wait until that happens? Or is it your hope that if they are left alone long enough to soil themselves and shoot themselves and drown in the filth that fills the street that maybe the problem will somehow go away?
I know you know better. You gave the country and the world a man who wasn't up for the job and all he does is hire people who aren't up for the job. You did this to us, to the world, to the people of New Orleans. Please fix it. Bush is yours. And you know, for our peace and safety and security, this has to be fixed. What do you propose?
I have an idea, and it isn't a horse show.
Yours,
Michael Moore
www.michaelmoore.commmflint@aol.com

O Afeganistão - Iraque 2

Não é que a RTP no Telejornal de hoje nos informa que os americanos estão cercados nas suas bases no Afeganistão, que não controlam o terreno, que só os meios aéreos lhes permitem sobreviver ao inferno que os rodeia?
Que apenas existe um simulacro de administração na capital, Kabul? Estando todo o resto nas mãos dos talibans?
E que já morreram mais soldados americanos no Afeganistão que no Iraque?
Salvo erro os americanos são o terceiro invasor nos últimos cem anos a ser ali derrotado: Ingleses, russos e agora americanos. É obra!
Para comemorar o 11 de Setembro até parece uma crítica às invasões reactivas!

Correio dos leitores: As reformas de Cavaco

Como é prazeirosa a pesca à linha no vasto lago do Vital Moreira! :

«Ao acabar de ler o artigo no PÚBLICO sobre o valor das várias reformas que Cavaco Silva foi acumulando fiquei surpreendido. É que, se bem fizermos o somatório dos anos de trabalho, verificamos que o ex-primeiro ministro já trabalhou cerca de 75,5 anos, que, se adicionarmos à idade com que provavelmente se iniciou no mundo do trabalho (suponhamos aí uns 23 anos), já perfaria hoje a bonita idade de 98,5 anos. Não está mal para quem se presta a ser candidato presidencial. E falam da idade de Mário Soares!Mas passando por cima desta forma muito peculiar de determinar a idade das pessoas muito eu folgaria em saber a forma como Prof. CS conseguiu trabalhar no Banco de Portugal como Técnico (o que pressuporia um trabalho a tempo integral como funcionário do banco) e ao mesmo tempo como funcionário docente da universidade onde é suposto que praticasse o seu horário normal. Este dom de ubiquidade é de salientar e pode ser que até constitua um estímulo para a sua candidatura.»Fernando Barros
[Publicado por vital moreira]
12.9.05

Pessoal! Reduzimos o País!

Aproveito o mote do Pacheco Pereira – grande ideólogo da direita – que atravessa uma fase cinematográfica e espera da sétima arte a resposta à famosa dúvida “Que fazer?”
Mas, basta ir lendo a imprensa escrita e evitar cochilar às horas dos noticiários.
Está lá quase tudo o que lhe interessa: Todos os apoios de que goza este Governo de maioria. Querem ver?
- A Associação Nacional dos Sargentos já manifestou a sua completa concordância contra as medidas do Governo
- Os militares no activo, na reserva e na reforma saúdam o acordo que lhes permite contrariar liminarmente as propostas do Governo para o seu sector.
- A GNR e a Polícia deram já conhecer a sua intenção de unanimemente estarem organizados para se opor às medidas do Governo.
- Os professores depois de alguns momentos de hesitação, felizmente ultrapassados, estão reunidos à volta de posições opostas às do governo no que diz respeito ao cumprimento do horário laboral! Não queriam lá ver a Ministra mandou que estivessem presentes nas escolas e dessem apoio aos alunos carenciados, no decurso de 35h semanais? Isto não são as galeras!
- Os Sindicatos de professores já andaram hoje nas escolas a impor que as aulas de substituição (quando os outros faltam ), sejam consideradas horas extraordinárias e pagas em conformidade.
- Também hoje a FNE se colocou ao lado da FENPROF na defesa do incumprimento do que estava determinado quanto à presença dos professores nas escolas, para além das 22h de trabalho semanal lectivo. Uma exploração!
- Alguém ouviu uma só palavra de apoio ou de estímulo às medidas capazes de contrariar a vergonha que é a reprovação de 15% no 2ºano de escolaridade ou o abandono escolar de 45% até ao 9º ano?
- Felizmente os magistrados estão de greve marcada caso o Governo não ceda às suas reivindicações corporativas. E exigem de volta as antigas férias judiciais de 3 meses!
- A função pública está determinada em contrariar as medidas referentes a reformas e de progressão automática de carreiras.
- A Associação Nacional de Farmácias apoia claramente qualquer coisa que impeça este Governo de levar por diante a mais tímida das reformas do sector.
- Os professores do 1ºciclo do Básico mostraram disponibilidade para se oporem ferozmente à alteração da idade de reforma aos 52 anos. É verdade 52 aninhos! Profissão de alto desgaste, sim senhor! Tal como os bombeiros, homens do lixo, mineiros, pilotos de caça e astronautas.
- E então que dizer dos aplausos que vieram do lado dos enfermeiros ao acordo a que chegaram de, por todos os meios, contrariar as reformas do seu sector. Outra profissão de alto desgaste dado o facto de terem TODOS vários empregos.
- Que dizer então do entusiasmo suscitado pela reacção contra as medidas de encerramento de escolas com poucos alunos? Aqui mesmo em Lisboa temos uma, a Marquês de Pombal, onde os mais de 100 professores são obrigados a dar aulas a menos de 200 alunos.

Isto é o País mínimo. Reduzido! a infinitamente pequeno. É a realidade a copiar o cinema. Como ensina o Pacheco Pereira.
Cá por mim fico feliz. A capacidade da minha prancha é inversamente proporcional ao tamanho dos personagens a afogar!

A TSF ou a informação orientada

A TSF, badalo maior da nossa imprensa falada, tamborete dos poderosos, esteve hoje particularmente preocupada desde as 6:00h da manhã com três principais assuntos:
O início do ano lectivo, e tudo tentaram para descredibilizar os esforços do governo no sentido de organizar, organizar e organizar o que estava como todos sabiam. Até descobriram que em Lisboa apenas 30% das escolas vão cumprir a directiva de alargar o horário até às 17.30h
Porque será que em Lisboa onde há mais professores por m2 é que a medida não se pode aplicar?
A retirada israelita, de Gaza e tudo tentaram para fazer esquecer o nome do agressor e do invasor. Não houve habilidade que não usassem para lançar o odioso sobre os brutais palestinianos que já estavam, diziam, a destruir as sinagogas agora abandonadas e indefesas.
São uns ingratos esses palestinianos!
Os comentários do prof Marcelo, a que deram um ênfase especial e até contraditório com o que ele realmente disse e que era só uma embrulhada de opiniões sobre as manifs da tropa. De facto, e honra lhe seja feita, o prof tão depressa achava bem as manifs, como de seguida as considerava um erro. Uma trapalhada a fazer lembrar o que tem de melhor o partido do prof .
Mas que ninguém considere que a TSF está ao serviço da desinformação e da especulação noticiosa! Não senhor!