sexta-feira, setembro 30, 2005

Aspectos da escravatura - 2



CHEGADA DE ESCRAVOS AO BRASIL

a bordo do navio brasileiro Paquete do Rio, em 1846* !

O texto abaixo fala por si, bem como a sua origem. Isto desmitifica o caráter nacional do racismo ou do esclavagismo. E lembra aos distraídos que o racismo e a escravatura são antes do mais aspectos da exploração humana, duma classe social sobre outra classe social. O racismo mais não é do que a ideologia do esclavagista! Nada tem a ver com pátrias. No limite, nem com a cor da pele:

Um dia, à chegada de um navio, aqui na Rocha do Conde de Óbidos, um filho de um dos passageiros, vindo pela primeira vez à Metrópole, e que assistia da amurada à descarga das malas de porão, disse ao pai: "Pai, aqui em Portugal, os pretos são brancos!"

Isto a propósito das tentativas para diabolizar todos os portugueses como se a sua índole maldosa e desapiedada tivessem inventado a escravatura ou fossem responsáveis pela sua disseminação pelo mundo fora, séculos a fio! Não foi bem assim! :


SourceArthur Thomas Quiller-Couch, ed., The Story of the Sea (London, 1895-96), vol. 2, p. 441 (Courtesy of The Mariners' Museum, Newport News, Virginia)
CommentsCaption: "They were Free." Included in a lengthy chapter on the slave trade, this scene illustrates a detailed description of Africans liberated from a Brazilian slaving vessel, the "Paqueta de Rio," by a British naval vessel, the "Cygnet," off Sherbo, in West Africa. The account initially appeared in the "Sierra Leone Watchman" (November 15, 1846) which reported that there were 547 Africans on board the slaver: "The slaves were all stowed together, perfectly naked . . . The slaves who were confined in the hold--it being utterly impossible for the whole of them to remain on deck at one time--were in profuse perspiration . . . The smell on board was dreadful . . . . the greater part of the slaves were chained together with pieces of chain, which were passed through iron collars round their necks; iron shackles were also secured round their legs and arms . . . .[After they were freed, the slaves] set to work, and, with the billets of wood which had hitherto formed their bed, knocked off each other's shackles . . . . They were branded like sheep. Letters were burnt in the skin two inches in length. Many of them, from the recent period it had been done, were in a state of ulceration . . ." (p. 442). Although this illustration is sometimes reproduced in secondary sources on slavery which erroneously give the impression it is based on an eye-witness drawing, the illustration is the late nineteenth century artist's imaginative rendering and is a complete fabrication.

In :http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/details.php?filename=mariners07

*- Notar que à data, o Brasil já era independente de Portugal ia para 25 anos!

quinta-feira, setembro 29, 2005

A novela "América" e o racismo, lá.


Legenda : Leilão de escravos, nos EUA, sec XIX, por falência do proprietário. Primeiro foram leiloados e vendidos os homens. Seguem-se as mulheres que têm de deixar os filhos. Depois será a vez das crianças.

Confesso que nunca vi realmente um episódio completo da novela "América". Mas isso não vem ao caso.O que é interessante é que as novelas brasileiras, pela sua qualidade em todos os aspectos, são normalmente, mais bem feitas que as americanas ou mexicanas.Fruto dessa qualidade, podemos ver a Escrava Isaura na Finlândia ou em Angola. Os valores humanos e a história narrada, tem tudo para se internacionalizar.Mas, quando chegam aos EUA a coisa muda de figura. E então se o enredo e as situações saltam a fronteira e falam de imigração ilegal, se os novos emigrantes são brancos e loiros, se mostram um pouco da verdadeira natureza da exploração a que estão sujeitos nos EUA, então temos a porca nas ervilhas.

É o que ressalta quer do artigo aqui, quer de alguns extraordinários comentários cujo conteúdo violento e racista mostra a verdadeira face da sociedade americana, dos seus valores e da sua arrogância versus os mais fracos, os desprotegidos, os imigrantes.Há até um que se indigna por eles serem...brancos...ou quase brancos!Deixo dois exemplos já traduzidos:"A novela mostra-os tendo sucesso na América? Sucesso em quê: roubando hospitais e batendo à luz do dia em jovens brancas que ignoram seus avanços sexuais? Sucesso em produzir grandes famílias de moreninhos, crianças cabeça-de-abóbora que não sabem falar inglês? E aquele brasileiro ilegal ”bem sucedido“ que fez notícia na Inglaterra mês passado? Ele estava roubando com sucesso passeios gratuitos no metrô de Londres, até quando se viu acuado com sucesso e então a polícia atirarou na sua cabeça com 5 tiros quando caçava os terroristas que colocaram as bombas de destruição maciça. Se qualquer um destes brasileiros for remotamente capaz de qualquer sucesso, na sua terra-natal não haveria pobreza, corrupção, violência, desigualdade social e não seria a bagunça que é.”....

"Nós temos a maior concentração destes brasileiros no norte de Nova Jersey. Eles estão também concentrados em Boston e Miami. Dificilmente seria possível dizer que eles são os piores imigrantes. Estamos falando sobre a classe média-baixa, a classe trabalhadora, não os mais pobres. Eles não estão se envolvendo em gangues ou na criminalidade. Eles mantêm suas casas muito melhor organizadas que a maioria dos hispânicos. Eles têm a inteligência para aprender profissões que exigem perícia e para conseguir terminar a escola secundária. Estão há um passo acima dos mexicanos.Os homens geralmente trabalham na construção, e muitas das mulheres estão trabalhando como dançarinas (go-go dancers). Eles tendem a ser muito escuros e medianos, com traços moderados de índios, e algumas vezes com uma leve mistura negra. Não estamos recebendo muitos dos negros, Graças a Deus. As mulheres são, em sua maioria, muito sensuais e desesperadas para arrumar um homem americano. Prevejo uma massiva miscigenação com esta raça mista de mulheres brasileiras se esta moda continuar e se os brasileiros começarem a desembarcar nas áreas mais homogéneas do país."

As culturas de sequeiro...


Heroína às carradas para toda a gente!
Graças aos esforços americanos para correr com os talibans - simplesmente horríveis - este ano a colheita de ópio vai ser um recorde.

E já lá morreram mais americanos que no Iraque!

A causa era boa. Era justa: Ia ser a democracia.
Pelo menos é o que dizem os nossos jornais e tvs...


adopt your own virtual pet!

terça-feira, setembro 27, 2005

Para a Galeria dos grandes posts - 1

Directamente do Sarapalha para esta parede electrónica, vamos iniciar a Galeria dos grandes posts :

Explico a minha referência acima à teologia católica (cristã, parece) do matrimônio.Para começar, o matrimônio, ao contrário do batismo, entre outros, é um sacramento auto-administrável. Isto significa que, ao contrário do que muita gente pensa (e os padres não movem uma palha para acabar com essa crença popular), não é o padre que casa os nubentes, mas são eles próprios que se casam a si mesmos. De que forma? Assumindo de público o seu amor. Daí a cerimônia na igreja, diante dos convidados, isto é, da comunidade. Publicidade, para que não haja o risco de alguém estar sendo prejudicado, e para que se explicite a autenticidade do compromisso. Autenticidade, pré-requisito de qualquer ato moral e atenção à moral de Deus, isto é, à grande moral, a do Jardim, a moral da vida, a do amor, não a moral dos costumes, a moral cultural.Pois bem, com isto, com a declaração de amor diante da comunidade, metade do ritual de auto-administração do sacramento é efetivada. A outra metade não ocorre ali, na igreja, diante do público, mas no segredo da alcova nupcial, pois consiste na primeira conjunção carnal. Vale dizer, a primeira relação sexual é parte essencial da consumação do casamento, de tal forma que, se ela não se efetivar, por um motivo qualquer, simplesmente não ocorreu o consórcio.Os manuais de casuística moral, destinados aos estudantes da teologia católica, registram a hipótese de um casamento que vá se realizar numa localidade rural, uma fazenda por exemplo. Os convidados estão presentes, o banquete já está servido, a festança à espera apenas de que chegue o padre para a cerimônia na capela, já toda enfeitada. Mas o padre não chega. Uma tempestade acabou de cair, os riachos se encheram, a estrada foi obstruída, não há mais como chegar alguém da cidade mais próxima onde assiste o vigário. E aí?A solução do problema: os noivos se dirigem à capela e, diante dos convidados presentes, se recebem como marido e mulher. Depois, a festa, a comilança, a festança, e a retirada dos noivos para o seu quarto, onde o restante da autoministração sacramental irá se efetuar.Em resumo, em bons termos de teologia sacramental católica, é inteiramente verdade que "quem ama com fé, casado é". O resto é legislação burocrática da instituição, coisa da cultura, coisa dos homens. Nada a ver com Deus.Observe o leitor que o que este escriba, agnóstico convicto, acabou de fazer aqui foi simplesmente se colocar na perspectiva católica, como se um deles fosse, para que melhor se possa avaliar o que já foi e o que vai ainda ser dito sobre o episódio.
posted by Tristão at 19:31

Mar e Céu , pedaço de poesia


....Tudo o que em nós é atavicamente marítimo
Que tinge de sangue as areias
Que arremete em ginetes de espuma
Que vai morrer entre as ameias
De moventes castelos de bruma
Tudo o que estando parado avança
E fechado e às escuras é brisa
E é de si a mítica lembrança
Em terras que não vê e não pisa
Tudo o que tem íntima cordagem
Enxárcias cabos correias
Para o maquinismo das viagens
Dos ciclones que cortam as veias
Tudo o que é estrela achada
Pelo uso psíquico da balestilha
E que dos seus sonhos faz uma jangada
Os cerca de névoa e nasce uma ilha
Tudo o que fundeia no ancoradouro
Do subconsciente movediço
E que traz dessa ilha do tesouro
Feições do tempo em que se era embarcadiço
Tudo quanto é batalhas navais
O que em nós subsiste de remos e velas
Metafísicas Índias Ocidentais
Raças azuis em vez das amarelas
Tudo o que é naufrágio e deixa no mundo
Exilado em nós seu errante vulto
Tudo o que no cimo é barco e no fundo
É piloto afogado entre corais sepulto.

Natália Correia em Cântico do País Emerso.1961.

A ECONOMIA COLONIAL

- Imagem de Ouro Preto -
( encontrado por mero acaso no excelente Almanaque Mineiro, com a devida saudação, aqui fica uma pitada dos problemas coloniais portugueses, bem como da incompetência para os resolver na distância, e na distância do tempo:

Latifundia perdiderunt Italiam, já o sentenciava Plínio e os economistas romanos, com aquela clareza de visão que caracteriza o gênio latino; e o Brasil colonial tentou contornar o perigo que minou o império de César com o sistema das sesmarias, cujo fracasso não teria sido menor em terras da América. Eram extensas em excesso as glebas distribuídas em sesmarias remotas – uma, duas e mais léguas em quadra, havendo sesmeiros possuidores de mais de uma gleba dessa extensão.Os inconvenientes do sistema ainda nos subjugam até hoje, e não é necessário enumerá-los por tão conhecidos de todos.Nos tempos coloniais, como ainda em nossos dias, esses inconvenientes se manifestavam pela impossibilidade de a administração acudir às necessidades e reclamos de uma exígua população perdida na imensidade da terra, onde o transporte, o policiamento e o fisco lutavam com as mais penosas dificuldades. Nas zonas de mineração, dado o isolamento e a pobreza agrícola do solo, eram comuns os surtos de escassez de mantimentos, imperando a fome, e as epidemias com todo o quadro dramático das suas conseqüências.Depois de positivado o fracasso da experiência medieval do povoamento do Brasil pelo sistema das donatarias, é que D. João III tentou resolver o problema com a instituição das sesmarias, ainda recorrendo ao concurso da economia privada na exploração e povoamento da terra.Concediam-se as terras a quem as requeresse ao governador da Capitania, que despachava em nome de el-rei, dependendo a sua posse, entretanto, de confirmação da Mesa do Desembargo do Paço.O processo de concessão era simples e expedito. O pretendente requeria a posse das terras que indicava, e o representante de el-rei mandava passar-lhe a Carta de Sesmaria, na qual constava, depois de ouvido o procurador da Coroa, que a concedia sem interpolação de outras terras, ainda que fossem inúteis, e com a condição de demarcá-las dentro do prazo de um ano.
João Dornas Filho em Aspectos da Economia ColonialItatiaia. Belo Horizonte.2ª edição. 1959.

A lama e o jornalismo abaixo de zero

Quando escrevi há dias um post sobre o nível da lama, já previa que o Público nos queria afundar nela. O que estava era longe de prever que um dos primeiros a atolar-se fosse esse jornalismo de encomenda, de frete.
Infelizmente tinha alguma razão.
Copio do BlogoExisto com a devida vénia esta denúncia da falta de profissionalismo que por lá prospera:

Jornalismo zero
Em post-scriptum ao editorial de hoje d'O Público, Amílcar Correia indica que nas páginas 8 e 9 do jornal poderá ser encontrada "mais informação que vem confirmar que dirigentes socialistas tinham conhecimento prévio dos planos de regresso de Fátima Felgueiras e que levaram à sua libertação".Pacientemente consultadas as referidas páginas, nada encontrei senão novas insinuações carentes de fundamentação.Se O Público quer manter a sua história, a única coisa que tem a fazer é revelar quem são os dois membros do secretariado nacional do PS que terão mantido conversações com Fátima Felgueiras com vista à preparação do seu regresso. Caso não o faça, teremos que concluir que as afirmações do jornal foram gratuitas e irresponsáveis.Que me recorde, nunca O Público desceu tão baixo.
// posted by João
@ 1:13 PM

O Expresso e a verdade

O Expresso a 14 de Maio último publicava um longo artigo intitulado " Programas sem controlo" cujo título jocoso e conteúdo vígaro lhe valeu uma queixa da Ass. para o Planeamento da família que veio agora a merecer da Alta Autoridade para aComunicação Social a seguinte Conclusão:

CONCLUSÃO
Apreciada uma queixa da Associação para o Planeamento da Família (APF) contra o “Expresso” com base na alegação de que este, referindo-a, lhe não deu voz, como deveria, no processo de elaboração do artigo publicado no dia 14 de Maio último a propósito da Educação Sexual nas Escolas, desse modo, ao que sustenta, praticando uma informação parcial, com elementos falsos e atentatórios da sua honorabilidade, a Alta Autoridade para a Comunicação Social, ao abrigo das faculdades conferidas pela Lei nº 43/98, de 6 de Agosto, entendendo que a audição e pronúncia da reclamante era, no contexto, necessária e adequada, delibera chamar a atenção do jornal para a necessidade de cumprimento do ético-juridicamente disposto em matéria de rigor informativo
.

Lembro que na altura toda a chamada comunicação social se fez eco das porcarias que o Expresso afirmava como verdades. A TSF fez um dos seus foruns democráticos onde os que ignoram os assuntos dão opinião sobre tudo, desde a maternidade medicamente assistida, o sistema de ensino, os manuais escolares, os privilégios dos magistrados, o Processo Casa-Pia, etc. Grandes momentos de jornalismo ! E de cidadania

As Feiras, os Lares de Idosos e as eleições

Colocar aqui uns versos, uma poesia, fica sempre bem. Dá assim ares de termos muita cultura e sensibilidade. Quem parece desprovido e excluido de ambas, são os secretários gerais do PPD-PSD e do CDS-PP que andam por esses sítios a desviar velhinhos e a esmolar votos. Guerra Junqueiro, vulto maior da nossa literatura, expoente da crítica social, está vivo e é moderno que se farta:

PARASITAS

No meio duma feira, uns poucos de palhaços

Andavam a mostrar, em cima dum jumento

Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,

Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,

Exploravam assim a flor do sentimento,

E o monstro arregalava os grandes olhos baços,

Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:

Deram esmola até mendigos quase nus.

E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,

Que andais pelo universo há mil e tantos anos,

Exibindo, explorando o corpo de Jesus.


Posted by Picasa

A ideologia dominante e a falta de notícias

Transcrevo em castelhano, do El Pais, a notícia da prisão de uma mãe de um dos 1900 e muitos soldados americanos mortos no Iraque:

Detenida frente a la Casa Blanca la madre que impulsa la protesta contra la guerra
Cindy Sheehan es acusada de manifestación "no autorizada", un cargo menor en EE UU
YOLANDA MONGE - Washington
EL PAÍS - Internacional - 27-09-2005
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Esposada, fotografiada de frente y de perfil con un número bajo su rostro y con sus huellas dactilares en los archivos de la policía. Cindy Sheehan, 48 años, fue arrestada ayer junto con varias decenas de activistas contra la guerra de Irak cuando realizaban una sentada en un paseo de la avenida de Pennsylvania, muy cerca de la Casa Blanca. Tres veces advirtió la policía al grupo que no podían permanecer, por razones de seguridad, manifestándose en ese lugar. Tras el tercer aviso, los agentes acusaron a los activistas de desobediencia civil y procedieron a detenerlos.
Portando un retrato de su hijo uniformado muerto en Irak, Sheehan fue levantada por los agentes, esposada y conducida al coche policial. Entonces Sheehan declaró: "El mundo entero está observando esto".

Cindy Sheehan estava lamentavelmente enganada:
Aqui em Portugal a comunicação social, completamente manipulada por forças ainda não denunciadas, não mostrou nada!
Nada daquilo é notícia.
Que importância tem um protesto de milhares de americanos contra a mais injusta das guerras de pilhagem?
Porque devemos ter uma opinião correcta sobre o que se passa no mundo para além das reuniões do Likud, dos discursos em directo do Bush?, da abertura e encerramento das bolsas de NY, de Tóquio, de Londres? Isso sim são as notícias.
Do resto encarregar-se-á a História!, com tvs e jornais portugueses ou, sem eles. Eles, sim, têm nenhuma importância.
Claro que se uma mãe fosse presa em Cuba, na Venezuela, por clamar contra a morte de inocentes numa guerra suja, isso sim seria notícia!
Haviam de fazer directos com casas degradadas, paradas militares e familiares de dissidentes que nos chorariam as vantagens da democracia.
Cada um que retire as suas conclusões acerca da honestidade destes "orgãos de informação"

O estado das contas - 2002,3 e 4

Transportado às cavalitas de toda a imprensa, Marques Mendes anda pelo País, de feira em feira, de lar de terceira idade em lar da quarta idade, em busca do Santo Graal. Perdão. Do votozinho mesmo simplório, mesmo iletrado.
Atentamente escutado pelas tvs, a encaracolada cabecinha de lado, escusado enfeite, Ribeiro e Castro mimoseia-nos com análise pura. Com a difícil justificação do passado, com o futuro. E, quase consegue convencer a jornalista, apressada em justificar a densidade dos ouvintes por m2. Entre feveras e entremeada lá nos brindam com explicações de circunstância.
Não se esforcem mais que já percebemos: A desordem das contas públicas e também das publicadas, relativas a 2002, 2003 e 2004, a sua criatividade contabilistica e falta de rigor, são da responsabilidade do actual governo, saído de eleições em Fevereiro de 2005!
É que está-se mesmo a ver!
Quem não parece ter percebido nada foram aqueles circunspectos senhores do Euroestate que vêm agora por em dúvida a sanidade daquelas águas. E lá se vai a bandeirita azul.
Que toda a encenação relativa às negociatas com CityGroups, com Hospitais SA, não foi apreciada pela UE, mesmo com o Barroso-em-Bruxelas-que-nos-vai-ajudar, está nas páginas dos jornais e, embora não tenha ainda aberto os noticiários ds tvs, mostra já ter estatura para atrapalhar as engrenagens eleitorais de autarcas da direita e, horrível perspectiva, acinzentar ainda mais o estupefacto professor de finanças.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Para compreender António Borges - 1

Outro D. Sebastião. Agarrem-me senão concorro a qualquer coisa!
Pois Alter do Chão não era terra de bastardias?
Aqui fica um delicioso texto, ainda vivo, pescado agorinha da Menina não entra:
Votem neles, carago, que isto vai!

Os jornalistas portugueses, habitualmente tão contundentes, nunca se lembraram de perguntar como é possível um vice-presidente de um grande banco internacional residente em Londres passar o tempo em Portugal a dar entrevistas e a participar em debates televisivos.Quando se zangou com António Borges, o desbocado Santana Lopes revelou publicamente que ele viera ao seu gabinete oferecer-se para trabalhar na privatização das Águas de Portugal, deixando no ar a insinuação de que, afinal, Borges andaria a angariar negócios para o seu banco.A ser verdade, isso explicaria muita coisa.Para já, o que eu sei é que Mr.Clean, que mora na capital da Inglaterra, é Presidente da Assembleia Municipal de Alter do Chão, no meio do Alentejo. E isso não parece uma coisa politicamente muito séria, não é verdade?
posted by Um gajo


Mas António Borges anda numa dubadoura, valados acima, montes abaixo, a deixar a marca da sua sabedoria banco-internacinal. Calhou a sorte a Carrazeda de Ansiães, terra honrada de rija cepa, beber daquela sabedoria, o doce fruito:
Aos meus leitores que embora poucos, eu sei providos de grande paciência, deixo um apelo: leiam-no e depois leiam-no de novo!
Quando estiverem em baixo, assim como que fartos deste País, voltem a lê-lo.
Desopila!
António Borges à conquista do Portugal profundo
O lançamento da recandidatura do actual presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães contou com a presença de António Borges. Veja-se como um blogue local (o pensar ansiães), que não esconde a sua preferência pelo candidato do PSD, viu a participação de António Borges:
"António Borges referiu alguns temas de actualidade nacional. Insistiu na necessidade de credibilizar a política nacional, insistindo em políticos impolutos e competentes para estar à frente dos destinos do país. Referiu-se, no essencial aos temas de economia, onde é especialista, para criticar o governo e na urgência de apostar nas empresas e na competitividade face a um mundo global. No nosso entender tudo demasiado óbvio. Foi um discurso sem paixão, muito monocórdico e não galvanizou, pelo contrário, aumentou o barulho de fundo nalguns sectores da assistência que mostraram total desinteresse e até falta de respeito."
Ele bem tenta… mas falta-lhe o ar condicionado

Para compreender Marques Mendes - 1

Melhor, para ele compreender o que se está a passar, aqui transcrevo a "última hora" do insuspeito Público:

Eurostat não valida contas públicas portuguesas relativas a 2004 26.09.2005 - 12h19 Lusa

O departamento de estatística da Comissão Europeia não validou as contas públicas apresentadas pelo Governo português relativas a 2004. O Eurostat tem dúvidas sobre o dividendo pago por uma empresa pública e solicita a clarificação das injecções de capital nos hospitais do Estado entre 2001 e 2004.
O organismo responsável pelas estatísticas comunitárias aguarda informações sobre o dividendo pago pela Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) - uma sociedade de capitais públicos -, inscrito como receita das administrações públicas e registado em 2004. De acordo com o Eurostat, este dividendo "poderá conduzir a um aumento do défice público de cerca de 0,03 por cento do Produto Interno Bruto [PIB]".O Eurostat pede ainda a clarificação de alguns casos de injecção de capital do Estado em empresas, entre 2001 e 2004, em Portugal, na Alemanha, em Itália e na Polónia. De acordo com a agência Lusa, este caso diz respeito a transferências de capitais para os hospitais que não foram inscritos como despesa pública, desconhecendo-se o valor em causa. ( continua)

Coitado do Marques Mendes que se tem multiplicado a pedir ao governo que esclareça isto e aquilo. As actuais e as medidas futuras.
Os impostos que são, e os que vão ser.
Os dinheiros para as reformas, e para os reformados! ( é que são duas coisas distintas...)
E agora isto!:
As p.... das contas não são aceitáveis. São uma aldrabice do pior!
E ainda só estamos em Setembro.
Afinal o déficit do governo PSD/Durão/Portas/PP foi de quanto? 7 - 8 - 9 % ??
Quanto é que esbanjaram?
Não há dúvida que têm que lá por o prof que gagueja para nos pintar a realidade de outra cor. Para ver se nós nos deixamos enganar de novo.
Este País ainda vai ser notícia! Ai vai, vai!


Para compreender os sionistas - 2 Posted by Picasa

A política de terra queimada conjugada com a "retirada" de Gaza e com as provocações que constituem a construção do novo muro da vergonha e a continuada ocupação militar da Cisjordânia e de Jerusalém, são os fundamentos da política de agressão e de humilhação com que Israel diz pretender relacionar-se com os palestinianos. Mantém-se assim o que de pior Israel já perpretou contra aquele povo: De volta aos assassinatos selectivos, à infiltração de traidores, ao bombardeamento aéreo de cidades e de populações indefesas, Israel no seu pior!. E dizer que estes são os descendentes, os herdeiros, daqueles herois que lutaram contra o fascismo alemão! Dos que conseguiram fugir dos horrores do nazismo. E ver agora como se confirmam as teorias sobre a falta de cor do racismo, sobre "as grandes pátrias", sobre a "superioridade religiosa" de qualquer fanatismo. Israel, transformado em peão de brega do pior imperialismo petro-cleptomaníaco, não só escava inimigos para si próprio como promove o terrorismo internacional. Israel e a sua política no Médio Oriente é uma ameaça à Paz e à segurança internacional. Parece retórica, não e? Infelizmente não é! A pilha dos mortos inocentes terá que ser de que tamanho, para que se perceba isto?

domingo, setembro 25, 2005

Reformas, sff

Tenho que vos falar das reformas.
E quero fazê-lo num registo duma certa bonomia.
Vou ver se consigo.
Por partes:
Este governo do PS, embora de maioria absoluta, é um doce!
Quando a chamada oposição barafustava que eram necessárias, urgentes, inadiáveis, as reformas, o bom do PS, cheio de néscias intenções, pôs-se a dar à manivela das ideias e foi um ror de medidas para tão parco tempo:
> Ele foi a limitação dos mandatos dos eleitos,
> Ele era o cumprimento dos horários dos professores,
> Ele é a idade da aposentação de bombeiros, juizes, enfermeiros, professores do 1º ciclo, militares, GNRs, polícias e pescadores...,
> Ela é a média para entrar nas faculdades,
> A recuperação dos atrasos de cobranças de impostos,
> O controlo e redução das mordomias dos cargos públicos, magistrados e parlamentares!
> A regulação da multiplicação de cursos universitários, sem o menor dos sentidos,
> Foi ainda a introdução do Inglês como OPÇÃO das escolas do 1º ciclo,
> NÃO É QUE JULGAVAM POSSÍVEL APROXIMAR A HORA DA SAÍDA DA ESCOLA COM A DA HORA DA ENTRADA DOS PAIS EM CASA?,
> Ele é a racionalização do trabalhop nos Tribunais e
> Horror dos horrores, não é que se lembraram das férias graciosas dos juizes?,
> e vão rever o tecto ds pensões ?
> os manuais escolares, as despesas das autarquias?

É demais!
Não eram essas as reformas que eles queriam!
Não senhor!
As reformas que gritavam, as que almejavam, eram as suas próprias reformas.: Era o ir para casa e nós pagarmos os ordenados isentos de descontos e com direito a transportes de borla, tratamentos médicos e medicamentosos para si e para as famílias. Tudo a que têm direito após anos de esfalfado trabalho!
O PS é que não tinha percebido!

A Consciência do próprio


Há muito que vinha notando - no Abrupto - estremes, fortes sintomas de blogosuperficialidade, de blogonecrose e mesmo, de blogometeorismo.
Coisas aliás previsíveis e cuja dispersão vinha causando forte irritação do estrato blogosocial, com afloramentos em zonas mais sensíveis, tais como o Palácio do Governo

da Madeira, a Cãmara Municipal do Porto, de Gaia, de Felgueiras, apenas para nomear onde lhe doi mais.
Não esperava é que no meio de tanto blogodescabelo, ainda houvesse lugar para um rebate de consciência, uma crítica ao todo-poderoso, um estertor contra aquela estupefacção que lhe tolheu o verbo, o emocionou-até-ao cuspo-ao-canto-da-boca, lhe trinchou as palavras, à laia de motor-de- arranque-com-falta-de-bateria.
O ser estava estupefacto! Repetidamente estupefacto!
Não esperava, digo eu, mas tenho que me vergar ao peso da minha incredulidade, à minha hesitação pequeno-burguesa:
JPP acaba de criticar Cavaco Silva, acaba de o deixar cair após lhe ter lavado a sombra, lhe ter escovado a caspa e areado os amarelos. É verdade.
Atirou com ele ao chão. Ao professor. Ao ente superior. Ao todo-bom. Ao que-vai-ganhar-que-é -limpinho:

FONTES DE ONDE VEM O MAL QUE TODOS VEMOS À FRENTE
Há muitas, o atraso, a pobreza a ignorância, a arrogância presumida, a hipocrisia, os péssimos costumes da classe média (nome que nós damos à pequena burguesia), a corrupção, os “políticos”, a Lux, a Caras, o Herman, o “conde”, a TVI, o jornalismo de quinta, o provincianismo, os reality shows, etc, etc, etc, You name it.Mas há mais uma fonte: o cinismo dos intelectuais. O cinismo dos intelectuais que se comportam como nefelibatas e que se “espantam” porque as pessoas se indignam com o “caso” de Fátima Felgueiras. O mais espantoso é ver este cinismo coexistir com a crítica ao relativismo, mostrando como não bastam algumas leituras da moda, onde falta vida. Seja por puro formalismo jurídico, seja por não se gostar de misturar as suas opiniões com as do vulgo, seja pela irritante mania da superioridade, seja por pedantismo.Alguns portugueses indignam-se com a saga da fugitiva libertada. É só hipocrisia, dizem os cínicos do intelecto, porque para eles o sinónimo de indignação é a hipocrisia. É, pode ser tudo isso, pode ser uma indignação bacteriologicamente impura, mas é também incómodo, mal-estar, mal connosco próprios, com o país, como o “nosso Portugal”, uma das últimas sobrevivências de um sistema de valores quase de rastos, colocado de rastos também pelos cínicos, um dos últimos restos de alguma coisa a que chamávamos patriotismo. Vão viver para Felgueiras e atrevam-se a criticar a “Fatinha” em público, e não me venham com a Madeira por razões de equidistância, porque isso também mostra que não sabem nada do que estão a falar.Há alturas de facto em que os intelectuais não prestam mesmo. Há alturas em que os intelectuais não percebem nada. Bem vistas as coisas, é quase sempre assim.

(JPP)

Claro, o texto pode não ser um primor de coerência, não refulgir de sanidade.
Temos de compreender. Não é nada fácil, em meia dúzia de linhas, mesmo descuidadamente vertidas, disparar sobre os intelectuais, visar os maus hábitos da pequena burguesia ( que horrível palavreado...), coicear na arrogância(?), na pobreza(!), na corrupção( ouviram bem?) dos políticos, mofar da TVI, daqueles programas, escarnecer do Portugal dele, dos intelectuais da praça e entre soluços no funeral do patriotismo, que só o dele está em conserva, nos provoca mandando-nos viver para Felgueira ou para a Madeira! E, entretanto, mandou às malvas o promitente prof que gagueja por dentro e por fora !
Do seu valor literário, ocupar-se-á o futuro.
Nós, deixemos passar o presente, tão divertido!

quinta-feira, setembro 22, 2005

O nível da lama continua a subir

Uma cidadã foge à justiça há quase três anos.
Regressa ontem no meio do circo mediático proporcionado pela chamada comunicação social.
Finalmente é detida ainda a bordo do avião, no Aeroporto de Lisboa, e presente a um juiz que do alto do seu critério considera não haver qualquer motivo para outra medida de coação, salvo a mínima, o TIR.
Pelo menos um dos canais montou e levou a cabo a mais descarada lavagem de imagem e de campanha política gratuita, jamais vista em Portugal.
O juiz lixivou a lei e o entendimento que dela faz a população; branqueou tudo o que ela fez e disse sobre a justiça em Portugal: Tratou como um cidadão cumpridor e obediente aos tribunais quem acabava de se orgulhar de ter deixado Portugal, em fuga, para evitar ser presa preventivamente às ordens de um Tribunal da Relação!
Coisa pouca, e de somenos importância!
A C. social e o juiz trataram com a maior benevolência quem, a partir do Brasil, nestes quase três anos, se multiplicou em declarações cada vez mais insultuosas e comprometedoras sobre o andamento da justiça em Portugal, a idoineidade dos magistrados e de todos os demais que com ela colaboram.
Detalhes! Peanuts!
Desrespeito aos Tribunais? O que é isso?
Obstrução à justiça e ao bom andamento processual? Foi só durante dois anos e nove meses!
Deu acolhimento às teses dos que, sempre disseram à boca cheia, que os tribunais e os juizes são manipuláveis ao sabor das vontades do poder político.
Não , nada disto é motivo de notícia. De caixa noticiosa. Não senhor!
O que o Público fez foi colocar na 1º página a toda a largura, que a tal senhora tinha contactado previamente o cúpula do PS antes de regressar.
É muita lama num só título! E sobre uma data de pessoas, indescriminadamente.
Das duas uma, ou o Público concorda com o juiz que mandou FF para casa, em paz, e é conivente com os seus inúmeros crimes, ou o Público envolve este juiz numa campanha de descrédito da justiça e de manipulação da justiça por parte do poder executivo.
O Público que escolha!
A lama que atirou para o ventilador vai acabar por cair e por elevar o nível da porcaria em que apostou vir a enterrar-se!
Claro que perante esta extraordinária oportunidade de marcar um ponto a seu favor e de aumentar a confusão - pois é disso que se alimentam os cobardes - a própria FF fez hoje um desmentido à "notícia" do Público.
Mentiroso já sabíamos que era. Estúpido, julgávamos que nunca se descobriria!

quarta-feira, setembro 21, 2005

Oh da Guarda!

Rodeado por criados, auxiliares de limpeza e varredores da Câmara, Pedro Santana Lopes, ainda Presidente da Câmara de Lisboa, surge na Lista de aposentados agora publicada.
Podem conferir. Esfreguem bem os olhos. Está na última página.
Os demais reformaram-se com +/- 250.00 Euros. Varriam mal...Limpavam pouco...
Mas quando votavam...
Fico dividido: Por um lado acho barato pagarmos €3.178,47 /mês e deixarmos de o ver por aí. Por outro lado, receio que o magano vá acumulando reforma com pensão, e as duas, com ordenados.
Leis e despachos não faltam que se lhe apliquem.
O que falta é avisar a malta!
Um governo só, não chega para estancar a hemorragia. São como 7 cães a um osso!

Afinal quem perdeu as eleições na Alemanha ?

Nem me atrevo a acrescentar uma só linha: O texto foi pescado agorinha no Blogo Existo :

Desventuras da verdade
José Manuel Fernandes perdeu as eleições na Alemanha. Inconformado, escreveu isto n'O Público de hoje:
O resultado das eleições alemãs de ontem - o mais inconclusivo do pós-guerra - mostra até que ponto é difícil conquistar o eleitorado com base num plataforma reformista e falando verdade, designadamente sobre os impostos.Notem bem: as opiniões de JMF e das pessoas que pensam como ele sobre uma dada situação político-económica não são apenas opiniões a ter em conta. São "a verdade".Por conseguinte, as eleições não servem para os eleitores escolherem o rumo que entendem ser o melhor para o seu país. Servem para sufragar ou contraditar a verdade.Este reiterado recurso à expressão "política de verdade" traz água no bico. No fundo, o que quer sugerir é que as restantes opiniões e políticas não são, no fundo, legítimas. São "políticas de mentira".Se estivesse menos irritado, JMF teria notado que, ao contrário do que pretende, o programa eleitoral da CDU não era de forma alguma reformista. E que, pelo contrário, o FDP, o único partido que de facto propôs reformas liberais, foi aquele cuja votação mais cresceu.

A democracia não é tão má como a pintam.

Mas no fim do post já posso dizer que andava intrigado com a campanha , em Portugal, de certos orgãos de informação, assim como que chegados à direitinha, tipo TSF e DN que parecia estarem não só na Alemanha como inscritos no partido da tal senhora candidata.
São uns catitas estes jornalistas independentes !