sábado, outubro 29, 2005

Memórias do Verão ou o Estado Maior


Não resisto a um momento de maior tranquilidade, uma vez desancados uns energúmenos e arrepiados uns pombos mansos.
Este Verão, na Vila da Comporta, passando uns dias de calor e de banhos, fomos atacados por milhares de moscas que ao cair da tarde nos confundiam com favos de mel.
Mata-moscas, nada! Não havia, e tive de ir uns kms adiante ao Carvalhal, vila atafulhada de lojas para turistas e de alentejanos espantados, onde procurei saber da drogaria.
Era ali na rua de trás, na esquina. Lá a encontrei. Correspondia à descrição. Nos alguidares de plástico e nos carretos de pesca. Nos bacios de esmalte com estampados chineses de paisagens bucólicas. Até no cheiro indistinto entre o DDT e o petróleo de iluminação. Pregos de 3" e tubos de todas as outras dimensões. Cortinas de nylon e redes mosquiteiras.
Em redor, cada um dos artefactos, pendurados naquela estimável ordem de "ficas já aqui que amanhã estás à mão".
Mas mata-moscas de plástico, daqueles que são temporáriamente verdes ou azuis e que depois ficam assim com meias moscas secas e mortas agarradas, nada. Nem um.
Perguntei à figura dooutro lado das mangueiras de jardim.
- Esgotados. Tem sido um ano de muita mosca! Isso é que tem!
A voz vinha detrás do balcão, com aquela entoação compreensiva para com as moscas e os veraneantes .
E não era uma voz totalmente desconhecida.
Virei-me, passei entre rolos de papel higiénico e pilhas de pratos de plástico de cores e tamanhos variados e dei de caras com o general Eanes, atrás do balcão. Palavra de honra!
- É como lhe digo, caro senhor, lá em casa tivemos que as tratar com isto. E apontava para uns pacotes amarelos, em cima do balcão.
Confesso, demorei a reagir o tempo suficiente para que ele julgasse eu duvidava da competência da informação.
Estive até para iniciar aquela frase do bom dia senhor general que lindo dia não é.
Mas não tive tempo. Insistia e explicava:
- Olhe que isto mata-as aí num raio de 30 ou 40 metros!
-Parece-me que sim senhor vou levar isso.
- Vai bem servido, digo-lhe eu
- Oh senhor general, olhe que nisto de matar o senhor deve ser uma autoridade... eu não passo dum amador!
Primeiro encheu o peito, depois sorriu. Não sei se compreendendo a franqueza irónica do que ouvira ou se para saudar a D.Manuela que entrava, desmachando um pouco o penteado e chamando-o pelo primeiro nome, como na intimidade.
-Vamos António, que ainda passo ali na farmácia.
Fiquei ali de pacote de insecticida na mão a pensar que afinal quase participara duma sessão do Estado Maior, na preparação de um ataque químico, delineado por um general, ex-presidente da República.
Tal como as moscas, o Verão acabou, e agora o general Eanes é o mandatário da campanha do Cavaco.
Fico na dúvida, se manda nas moscas ou nos venenos!
Publicado por Manuel Ferrer
A Raposa, as lebres e os tontos!
Ando a ficar saturado desta "notícia" que uns anónimos ( Porquê anónimos? Quem os não quer conhecer?) não se cansam de meter nos meus comments a ver se me intimidam, ou me retiram argumentos sobre o direito dos povos à dignidade e à liberdade:
Anonymous said...
Solicitan asilo en Canadá más de 20 coristas cubanos
EFE, Toronto, 25 de octubre de 2005.
Al menos dos decenas de miembros del Coro Nacional de Cuba, que se encontraba desde el 18 de octubre de gira en Canadá, han abandonado el grupo y han pedido asilo a las autoridades de este país.El barítono cubano Ernesto Hermes Cendoya Sotomayor declaró a la agencia EFE que en las últimas horas ''más de 20'' integrantes del coro han solicitado asilo en Canadá y que varios han decidido viajar hasta Estados Unidos para refugiarse en ese país.Ismael Zambra, presidente de la Fundación Cubana Canadiense, que está ayudando a varios de los cantantes que han decidido quedarse en Canadá, indicó que la gira del coro ha tenido que ser suspendida ante la falta de las voces necesarias para realizar sus actuaciones
.

A questão não é notícia em si.
De facto, o problema é o uso da notícia com fins de propaganda barata e irresponsável.
Eu explico:
Os coristas cubanos têm toda a minha simpatia por terem escolhido ir limpar as sanitas de Toronto. Decidiram emigrar para o Canadá. Digamos que estavam fartos de cantigas e queriam iniciar uma promissora carreira de cobaias humanas nos laboratórios ou nos sanitários públicos. Quanto a mim têm esse direito, e já por várias vezes Cuba permitiu a emigração dos que isso desejavam.
Não, a questão não é essa!
É que, os que estão ao lado dos EUA, contra Cuba, usam estas notícias como se de vitórias da democracia e da liberdade se tratassem. Como se isto representasse mais do que a emigração
v-o-l-u-n-t-á-r-i-a de uns tantos cubanos para o Canadá.
Aliás, como é habitual, estas notícias nunca contam metade da história dos aliciamentos das centenas de Agências de contra-informação e de agitação que constituem o suporte da política americana versus Cuba, Venezuela, Nicarágua, Chile...
E são esses mesmos anónimos que no mesmo dia em que me enviam estas notícias, sobre 20 cubanos, nada têm a dizer do facto de que TÊM que sair de Portugal, como emigrantes que aqui não têm emprego, 5.000 licenciados, por ano! todos os anos!
Isto, eles acham o cúmulo da liberdade, da democracia e do estado social.
Licenciados e doutorados que, aos milhares, fogem de Portugal em busca de uma oportunidade de emprego. Mas com uma grande diferença: esses licenciados e doutorados custaram ao contribuinte português milhões de euros que vão beneficiar outras economias mais desenvolvidas onde a relação entre capital fixo e variável é mais robusta.
Esta questão que reduz a zero a nossa capacidade de recuperação, não os faz corar de vergonha. Nem lhes tira uma fímbria ao envernizado patriotismo.
Não percebem que são peões de brega do imperialismo americano e que apenas reproduzem acefalamente o que o patrâo lhes indica como necessário transmitir.
São tão ignorantes que fazem parte do grupo dos que acham que a liberdade e os direitos da raposa devem ser iguais ao das lebres: A raposa tem a liberdade de comer as lebres e as lebres têm a liberdade de serem comidas.
Portanto liberdades e direitos iguais!
Haja paciência! Que tontos, temos nós para a troca!
Publicado por Manuel Ferrer

O outro lado da Lua, aquele que só alguns conseguem ver

Miguel Sousa Tavares no Público de 2005-10-28
"Democraticamente" absolvida nas urnas, como era de esperar, a D.ª Fátima Felgueiras está agora em vias de se ver alijada dos seus problemas judiciais, como também era de esperar. A senhora merece que se lhe tire o chapéu: fez uma sábia gestão dos seus trunfos e dos seus timings e, entre a demissão cívica do seu povo e a demissão institucional da justiça, descobriu o caminho para a impunidade. "Dei uma lição ao país!", exclamou ela, triunfante, na noite de 9 de Outubro. E deu mesmo. A lição foi esta: o único crime que não se perdoa é o da falta de esperteza.O Tribunal da Relação de Guimarães liquidou, de facto, o processo de Fátima Felgueiras, mandando refazer o essencial da instrução e, com isso, remetendo o julgamento para as calendas do ano vindouro. Os desembargadores de Guimarães entenderam que o Ministério Público e o juiz de instrução não fizeram senão asneiras na construção da acusação: as escutas telefónicas são ilegais porque o juiz não as foi validando dentro de "um prazo razoável", e os principais testemunhos acusatórios são nulos porque os depoentes foram ouvidos como testemunhas e não como arguidos, como o deveriam ter sido (e embora, posteriormente, ouvidos como arguidos, tenham confirmado o que haviam dito antes). Pouco importa, todavia, o conteúdo de umas e outras provas: para a justiça portuguesa, a fórmula é tudo, a substância é um estorvo.Longe de mim - valha-me Deus! - contestar a lógica irrebatível dos argumentos dos senhores desembargadores de Guimarães. Limito-me a observar que uma magistratura passou aqui um atestado de incompetência à outra e que tudo se encaminha, uma vez mais, para que os formalismos processuais conduzam à denegação de justiça. Mas, juntas e unidas nas suas lamentações, ambas as magistraturas estão em greve contra o "desprestígio" que o Governo lança sobre elas.Parece que a redução das férias de Verão dos magistrados de dois para um mês e a supressão do regime especial de saúde de que beneficiavam, em troca do regime geral, afectam gravemente as "condições de independência" da classe e indiciam mesmo uma tentativa de controlo político sobre a justiça. Ouvido pela TSF, o presidente do Sindicato dos Juízes, Baptista Coelho, esclareceu que, enquanto órgão de soberania, os magistrados se batem pela sua independência; e, enquanto "carreira profissional", estão em greve por condições privilegiadas de dependência do Estado. Fiquei esclarecido - como, aliás, fico sempre que o dr. Baptista Coelho e o dr. Cluny, do Sindicato do Ministério Público, expõem as suas razões. Talvez alguém com mais senso lhes devesse explicar que o país já não é assim tão estúpido quanto eles imaginam. "
-PS de minha autoria: E então os erros já cometidos na investigação sobre a banca, suspeita de fraude, evasão fiscal e branqueamento de capitais - PGR dixit - irão proporcionar as mesmas escapatórias? ou ainda melhores, se tivermos de os indemnizar por danos morais e perca de negócios...

Descarrilados

Quando iniciei isto estava convencido, que havia de conhecer outros companheiros de viagem, com o mesmo destino.
Também aconteceu. Entraram, sentaram-se e ficaram a ver a paisagem. Não são muito faladores mas também não perturbam quem teve a iniciativa de escolher a carruagem...
Outros houve que aqui se meteram, certamente por engano, e cujo comportamento não é bem o do viajante normal:
É o que tem acontecido com um pequeno grupo. Assim para o rufião, e para o desbragado.
Que, na maioria das estações, nada dizem: Já passámos por algumas paragens e apeadeiros com muito interesse turístico, social, paisagístico e histórico:
Mas, nem uma palavra lhes ouvi sobre o que lhes mostrei, provavelmente porque nada pensam acerca ,
- da situação da Justiça,
- da Educação,
- dos magistrados,
- dos professores que ensinam e dos que fazem greve,
- dos polícias em greve,
- dos militares em manifs,
- da situação em África,
Até lhes apontei pontos de referência como
- As eleições autárquicas
- A próxima eleição presidencial
- O racismo nos EUA
- O # de mortos americanos no iraque
- Os apoiantes do Cavaco
- O branqueamento de capitais e as fraudes bancárias ( ou banqueiras?, já não sei!)
- A nova agência de espiões dirigida pelo José
- O CDS-PP e o Circo
- A utilização da fome como arma no Iraque
- Os abusos sobre os presos de guerra e os novos campos de concentração e de tortura
- A investigação espacial europeia
- A justificação divina da política militarista de Bush
- A Refer e a sua Administração
- A fúria construtiva de rotundas, em Portugal
- O programa de reformas do PS
- A época dos incêndios
- A liberdade de voto
- Hugo Chavez e o anti-imperialismo
- A morte de excluidos em Cascais, numa barraca
- A exclusão social nos EUA
E olha que sobre isto tudo não lhes arranquei uma palavrinha.
Nada.
Julgo até que olharam para o lado e assobiaram o "My way". Nem uma foto fizeram. Máquinas em baixo, dedos moles!
Mas tenho de confessar que há uns quantos assuntos, perdão, paragens, que os transtornam. Que os tiram do sério. Passam ao estado da maior bestialidade. Uivam. Os olhos saltam-lhes dos facies. Arrancam os cabelos às punhadas. Acredito que têm visões e que cheiram a enxofre. Aparecem-lhes chagas nos corpos. Os cabelos viram cerdas de porco. Crescem-lhes cascos onde há pouco tinham os Nikes. Babam-se. O ranho é verde e grosso. Falam entre eles em línguas esquisitas. Dizem obscenidades. Sacam das latas de tinta e picham tudo em redor. Colam cartazes com desenhos porcos. Agitam chocalhos e rilham os cornos. A viagem estremece e as luzes vão-se a baixo. Roncam!
Os pobres não aguentam ver ou ouvir falar de Che Guevara, de Fidel Castro, da R.P. da China ou da Coreia do Norte. Têm espasmos e vómitos de bilis, se vêem uma previsão metereológica de um furacão no Golfo do México. São alérgicos! Até colocam vendas e palas, à sua aproximação. Recusam o contacto mesmo visual. Ficam convulsos.
Nem quero nem pensar no que nos espera quando chegarmos a Simão Bolivar e ao Granma! A Samora Machel e ao irão! Receio pela sua saúde mental!
E não sei que faça. Se os deixe ficar no próximo apeadeiro e nós retomamos a viagem!? Ou se lhes recomende umas sacas nas cabeças, estilo Ahbu Grahib e uns coletes de forças com uns atilhos nas costas? Que me dizem?
Confesso que preferia tê-los deixado em terra! Descarrilados!
Publicado por Manuel Ferrer

sexta-feira, outubro 28, 2005

E vai seguir-se o Irão


Já oiço o rufar dos tambores da próxima guerra de pilhagem do petróleo no Médio Oriente.
As centrais de intoxicação da opinião pública abriram os compêndios da propaganda e da intolerância:
A próxima vítima chama-se Irão e, nos danos colaterais, podemos avançar com milhares de mortos e de outras tantas vítimas espalhadas pelo mundo fora!
Desta vez não vai ser um passeio no deserto e receio muito pela segurança mundial.
Pela economia, podem já mandar rezar um ofício.
Todos os ódios inter-religiosos vão ser, primeiro bem agitados, e de seguida afogados num mar de sangue.
As ondas do terrorismo vão dar várias voltas ao planeta.
Que mundo deixaremos ao nossos filhos e netos agora que está nas mãos de criminosos analfabetos e sanguinários?

quinta-feira, outubro 27, 2005

Palavras sábias ligeiramente atrasadas

"Tem de se exigir à justiça que deixe de ser um obstáculo ou um entrave ao crescimento económico." O apelo é do ex-ministro da Justiça José Pedro Aguiar-Branco, para quem "a ineficiência, e, em particular, a morosidade de que padece o sistema judicial, beneficia os agentes económicos faltosos".
As palavras de Aguiar-Branco foram proferidas ontem à noite na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, durante um jantar-debate subordinado ao tema "Desenvolvimento económico sem desenvolvimento da justiça?".

Palavra que um dia espero ser convidado, já não digo para a jantarada, mas só para poder perguntar ao Sr. ex-ministro da Justiça que diabo andou por lá a fazer, se tudo quanto agora diz ser indispensável, nunca tentou ao menos começar a por em prática, enquanto era ministro?
Ele era a reorganização regional dos tribunais, a informatização, a criação de tribunais especializados( Oops!!), a formação do pessoal e até conseguiu, sozinho!, admitir nos quadros 250 funcionários eventuais. Sim senhor! 250 funcionários !
Claro que como não passou das intenções, como convinha, nunca ouviu mais do que piropos.
E agora é convidado para expor as ideias do que devia ter feito e se esqueceu de iniciar.
Parece uma brincadeira, não é ?
E o País continuou à espera dum próximo ministro que fizesse realmente a diferença e se desse ao trabalho de justificar a sua passagem pelo cargo.

Era bondade demais ...

Descolado por inteiro de Um Homem das Cidades e com a devida vénia, aqui fica esta galinha à cafreal, perdão à Ramsfell:

Rumsfeld lucra com a gripe das aves
É impossível ganhar dinheiro a sério sem a existência de um papão, e a recente “Gripe das Aves” é última burla utilizada pelas companhias farmacêuticas para gerar lucros.“Finalmente, as peças do puzzle começam a fazer sentido,” escreve o Dr. Joseph Mercola, autor de “Programa de Saúde Total - Total Health Program." “O presidente Bush quis instalar o pânico neste país (Estados Unidos) dizendo-nos que, no mínimo, 200 mil pessoas iriam morrer com a pandemia da gripe das aves e que o número de mortes poderia chegar aos dois milhões só neste país. (EUA)”“Este embuste é então usado para justificar a compra imediata de 80 milhões de doses de Tamiflu, um remédio inútil que não trata de forma nenhuma a gripe das aves, apenas diminui o tempo de duração da doença e que pode contribuir para que o vírus sofra mutações mais letais,” continua Mercola.“Portanto os Estados Unidos fizeram um a compra de 20 milhões de doses desta droga inútil a um custo de 100 dólares por dose.” A verba atinge uns espantosos 2 mil milhões de dólares.O ministro da defesa Donald Rumsfeld, antigo presidente da Gilead, o fabricante do Tamiflu, retira também grandes lucros, já que continua a ser um dos grandes accionistas da companhia.Melhor ainda, o porta-voz do Bilderberg (o grupo Bilderberg é uma associação internacional informal de personalidades poderosas no mundo da política e da alta finança, que se encontram todos os anos.), Etienne F. Davignon (Vice-Presidente, Suez-Tractebel) e o ex-secretário de estado George Shultz, (membro honorário do Instituto Hoover e da Universidade de Stanford University) fazem também parte da direcção da Gilead.Outro Bilderberger habitual é Lodewijk J.R. de Vink, com lugar na direcção da Hoffman-La Roche, parceira da Gilead.Por outras palavras, a burla da “Gripe das Aves” vai gerar lucros escandalosos a indivíduos como Shultz, Rumsfeld, Davignon, e de Vink.
E donde é que vem o Tamiflu?Segundo o website da Gilead, “Em Setembro de 1996, a Gilead e a F. Hoffmann-La Roche Ltd.chegaram a um acordo de colaboração no desenvolvimento e comercialização de terapias para tratar e prevenir gripes virais. Segundo o acordo, a Roche teria direito exclusivo a nível mundial aos inibidores de gripe propriedade da Gilead, incluindo o Tamiflu. A Roche tem os direitos comerciais a nível mundial do Tamiflu, e a Gilead recebe pagamentos da Roche pelo cumprimento dos sucessivos estádios da investigação e prémios pelas vendas do produto.É bom lembrar que Rumsfeld adora burlas farmacêuticas. Foi ele, como director da G.D. Searle, que pressionou a FDA (Food and Drug Administration - agência governamental americana que regula e fiscaliza a fabricação de comestíveis drogas e cosméticos) para aprovar o Aspartame.A FDA bloqueou a sua aprovação durante dez anos até Rumsfeld ter conseguido a sua aprovação. Hoje, o Aspartame, um adoçante artificial tão omnipresente como tóxico, continua a e envenenar a América e o Mundo.

Para compreender a direita revanchista


Pensar eleger Cavaco para presidente da República é assim como pedir a um autómato que tenha imaginação, que conheça a História do País.
Elegê-lo é prepararmo-nos para assistir a um verdadeira derrocada política.
O desempenho de Cavaco, na qualidade de D. Sebastião, vai ser o do rei-criança: E depois dele, virá a Espanha ou a Mauritânia reclamar o País. Dele não ficará mais do que a memória vaga. Preparemo-nos, pois.
Vai ser um desatino: Ele a querer mandar no Governo.
Diz ter um programa:
Pois bem, se tem um programa concorra a primeiro-ministro. É simples.
Não pode é querer ser padeiro e vender gasolina!
Não pode é ter sido responsável por não haver médicos portugueses e chorar lágrimas de crocodilo.
Vai privatizar até os cemitérios para dar emprego à sua corte.
E o Governo à espera de ser dissolvido junto com a Assembleia da República. A que ele chama, freudianamente, de Assembleia Nacional!
Tenham calma! Que isto ainda mal começou!
Vai grassar a incompetência dos membros da corte: Santana Lopes vai ser perdoado e em breve renascerá das cinzas!
Leonor Beleza será beatificada. Cinha Jardim Será embaixadora.
Voltarão os ministros das finanças que não servem para caixas de supermercado.
É garantido!
Vai propor alterações ao Orçamento.
As poucas indústrias que por cá estão, vão daqui para fora num instante. Vai ficar ele e a banca a ver a Nação a soçobrar.
A independência a meter água, e provavelmente, acaba aqui.
Virão as comissões liquidatárias.
Os latifundiários a regarem campos de golfe com a água do Alqueva!
Os professores a não quererem fazer nenhum!
A taxa de analfabetismo será um recorde.
Os juízes a exigirem, ainda, melhores condições de vida.
A Igreja, contente com tanta miséria, desdobrar-se-á em caridades e litanias de sentido social, coisa em que são particularmente especialistas, à posteriori!
Depois, os bancos, já satisfeitos com o que daqui levaram para os paraísos, darão de ombros e desligarão a luz.
A Europa, farta de mandar milhões, fechará a torneira!
Os portugueses partirão aos milhares para qualquer sítio, a fazer qualquer trabalho não qualificado.
A Segurança Social vai dar no Canal da História.
Virão imigrantes de todo lado.
Os que ficarem, podem já a começar a juntar munições que vem aí uma Jugoslávia.
Este iluminado salvador transporta consigo os piores genes, aqueles que destroem pátrias e cegam as gentes!
Votem, votem nele e depois me dirão!

Qual a razão do estado da Justiça?

Estava farto de me perguntar qual seria a razão do estado da Justiça em Portugal;
Se as Leis e Tratados eram bons,
Se as Universidades deitavam cá para fora, anualmente, milhares de licenciados em direito ,
Se havia observatórios da Justiça
E Tribunais espalhados pelo País,
Se havia polícias, Ministério Público e funcionários,
Se cobravam taxas e custas à vontade,
Que diabo é que se passava?
Ontem ao ver aquela manif no Terreiro do Paço, os insultos ao Governo legítimo do País, ao Ministro da Justiça que tem sido de uma paciência evangélica, percebi finalmente a questão.
O despudor dos cartazes exibidos nunca antes vistos nos governos autoritários de Cavaco Silva, ou mais para trás se alguém se recordar….
O problema da Justiça são mesmo os seus actores, dos magistrados que vão apresentar queixa à ONU, cobrindo-se de ridículo, aos Juízes que fazem greves na base de reivindicações de mordomias completamente excessivas e feudais e de funcionários agitados pelos seus Sindicatos em campanha para dar apoio a Cavaco e ao revanchismo mais boçal, como se via ontem no Terreiro do Paço.
Agora que o Governo lhes retira essas mordomias excessivas é que se lembram das condições de trabalho.
Antes, respaldados por situações de excepção, nunca repararam nos milhões de processos atrasados ou na impossibilidade de um cidadão comum aceder à Justiça. Nunca repararam que há mais de 20.000 crianças em Institutos ( a que chamam “ menores institucionalizados!) à espera de serem adoptadas, há criminosos confessos libertos por prisão preventiva excedida, há arguidos em prisão preventiva, sem culpa formada, anos a fio.
Contra essas injustiças a Justiça nunca fez greve, aliás, nada fez!
Não seria caso para alguém se dirigir à ONU e apresentar queixa deste senhores?

quarta-feira, outubro 26, 2005

Os donos assobiam, os cachorros dão ao rabo

Não é da minha responsabilidade a qualidade do português e nada me move contra este idioma.
Tenho no entanto que o citar para que compreendam.
O castiço escreve:

China censura a Wikipedia
Terça-feira Outubro 25th 2005, 8:09 autor: Rodrigo Costa Arquivado sob: Politiquices
Na mesma semana que o Governo Chinês publica o seu "Livro Branco da Democracia" bloqueou o acesso à enciclopédia livre online Wikipedia — prática recorrente do estado Chinês. Isto porque a Wikipedia contém informações que não agradam a Pequim. Sobretudo as referentes às violações de direitos humanos por parte do governo Chinês, a independência do Tibet e Xinjiang, entre outros temas.
Põem o homem no espaço, mas não o deixam espreitar pela janela. Este livro branco está recheado de páginas negras.
Isto é o que escreve o inominável Rodrigo Costa. Embora com erros incríveis , escreve! É quase um erro por frase.
Mas, eu explico porque o classifico benignamente:
A criatura nunca leu o tal Livro Branco de que fala. Nem por sombras.
Depois, late contra a RP da China com a ignorância e o atrevimento próprios do feirante, do anão de circo.
Sobre o Tibete é um zero. Julga que lendo a Maria e as entrevistas do Dalai Lama à Time entendeu alguma coisa do que ali se passou, vai para 3000 anos!
Não percebe que esse Dalai Lama vive de dizer o que os mais reaccionários desejam ouvir?
Faz aquele papel dos tambores de criança que têm mau som mas são uma maçada!
Nunca ouviu falar que os ditadores teocráticos – vá ao dicionário ff. – proibiam a roda no Tibete até que alguém pediu de novo o envio de uma força de libertação à RPC?
É verdade, a roda esteve proibida no Tibete vários séculos, em nome dos Dalai Lamas !
Não foram outras coisas: foi a roda! E tudo o que dela dependesse.
E mantiveram o povo na mais absoluta miséria e ignorância. Assim como o salazarismo fez em Portugal e nas colónias.
Mas o Racosta é um reincidente que nada tem de inocente.
Os inocentes uma vez erram, outras vezes acertam. Esta ignara criatura a soldo dos mais ignorantes desígnios, pretende dar lições sobre a China! E nunca acerta. É de uma regularidade impressionante.
Pobre dele.
Perora sobre a RP da China. A sua cultura milenar. A sua superioridade moral e extraordinário desenvolvimento em todos os campos. A RP da China que em 50 anos passou de colónia inglesa e japonesa, da idade média, a potência mundial. A potência espacial.
Onde os mais velhos são respeitados e ouvidos e com quem Portugal manteve sempre uma relação apenas possível dada inteligência e superioridade intelectuais dos seus dirigentes!
Claro que nunca viu a China nem o seu desenvolvimento e felicidade do seu povo.
Repete apenas os slogans da reacção neo-conservadora americana.
Limita-se a dar ao rabo quando o dono assobia!
Se desejar mais, é só pedir!
E escusa de se queixar de maus tratos ou de insultos que, por enquanto, estou só a proporcionar-lhe elogios!
Devo no entanto sublinhar o seu empenho e apoio ao ilustre Cavaco Silva que destes apoiantes vai ter às carradas!
É caso para dizer que vc só tem dúvidas e nunca acerta!

O preço das coisas

Neste tempo de economistas iluminados tenho que reler os manuais, não vá dizer algum disparate.
Que isto dos preços é assunto para profs, há séculos, e depois de Marx, tem sido uma chatice contrariá-lo...
Mas, vamos ao que interessa por hoje.
Ouvi o António Cluny esta manhã, na TSF, a explicar a relação entre mordomias e verbas não sujeitas a IRS, e a independência, leia-se "incorruptibilidade" dos magistrados!
Por outras palavras o A. Cluny não fez mais do que por uma etiqueta com o preço dos magistrados. É verdade, com o preço!
Tão a ver? Assim como no super, os chouriços têm etiqueta. Os molhos de nabiças, os pezinhos de coentrada?
E garantiu também, e ao mesmo tempo, que eles não se vendem.
Percebi.
O que ele disse foi, que os que não se vendem, são ainda mais caros do que os outros.

Chamar os bois pelos nomes: Dizer a verdade!


Alguém me explica para que serve o Exército? As forças armadas?
À parte o facto de proporcionar cargos, encargos e mordomias para que servem?
Apanham contrabandistas? Prendem traficantes da droga? Recuperam presos de delito comum?
Supervisionam as fronteiras?
Alguma vez encontraram um barco, nem que fosse a remos, a pescar indevidamente nas nossas águas? Já apanharam em voo um avião da droga?
Caçaram os espanhois que caçam em portugal?
Não seria melhor e mais barato reformar quem tem direito a isso, vender os milhões de m2 de quarteis e dedicarmo-nos a trabalhar neste País?
Milhares de praças, centenas de sargentos, de oficiais e de oficiais superiores aos encontrôes para ver quem é promovido primeiro, à custa do contribuite e do emigrante, parece uma opereta. Claro que se houvesse a mais pequena ameaça à integridade nacional era vê-los a fugir como ratos, clamando por falta de meios, bombas mais bombas! A pedirem ajuda a aliados, como sempre fizeram...: F-16, 17 e por aí fora...
Países como a Suiça, Andorra e Finlândia têm uma espécie de polícia armada com poder de intervenção anti-terrorista e anti-motim e vivem bem com isso. Nós, herdeiros de Cabrais e de Henriques, temos que pagar a factura durante quantos séculos?
Parece um amaldição. Uma condenação perpétua!
Está na hora dos partidos porem lá nos programinhos o fim deste exército da treta mas que custa um balúrdio todos os anos e ainda por cima faz arruaças e manifs ordinárias à porta do primeiro-ministro eleito pelos portugueses!
Com insultos e piropos de caserna.
Acabem lá com essa coisa, sff.
Vão ver como o povo aplaude!

A propaganda e as bandeiras



Todos, mas todos, os que nada fizeram pela liberdade ou pela libertação dos povos, se enrolaram em bandeiras.
A mais desmiolada das propagandas sempre foi servida em placards a simular bandeiras.
Exemplos não faltam.
O que falta é vergonha e pudor.
Ainda havemos de ver o Cavaco Silva a perdoar dívidas, de novo, aos mais ricos.
Onde é que ele estava quando do 25 de Abril?
Só me lembro dele quando das privatizações e da devolução dos latifúndios, com a respectiva indemnização, àquela centena de famílias que manteve este País na Idade Média durante séculos a fio! Não passa de um peão de brega a fazer de conta que é um intelectual inspirado por Deus. Um iluminado destinado a salvar o País. Não sei se conseguirá salvar todos. Suspeito é que vai salvar, de novo, os poderosos e as suas mordomias...

Cluny ou o sindicalismo de rastos

Tenho que voltar ao tema, já que o Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público ao ir hoje a Genebra munido de cartas para a ONU a fazer queixa do seu próprio País, e ter proferido para a Lusa as declarações abaixo, se colocou de rastos perante os seus associados e colocou-os a eles, numa miserável posição : A de vulneráveis à corrupção.
O cavalheiro só pode estar a ser vítima de qualquer medicação malfazeja. Apenas um jet-leg mal superado permitiria tais dislates.
Diz a Lusa:
Em declarações à agência Lusa, António Cluny adiantou que as cartas, do SMMP e da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, entregues ao argentino Leandro Despouy, expõem matérias coincidentes sobre o "estado de ruptura em que chegou a Justiça em Portugal" e as preocupações com as alterações aos estatutos profissionais e com a independência dos tribunais.
De acordo com António Cluny, as cartas explicam o que levou os magistrados judiciais e do Ministério Público a fazer greve e a situação, que consideram "perigosa", em que se encontram os estatutos dos magistrados.
"Não é normal haver uma greve (do sector da Justiça) como a nossa num país europeu", afirmou o presidente do SMMP.
Segundo Cluny, o relator das Nações Unidas "pode ajudar a mediar esta situação", pedindo informações ao Governo português e emitir recomendações.
"Os magistrados queixam-se das condições materiais, isto é, das alterações aos estatutos sócio-profissionais que podem colocar em causa a independência da magistratura", disse à Lusa.
O sindicalista sublinhou que as recentes medidas governamentais provocam um desajuste e um desequilíbrio que "tem consequências no desempenho e no equilíbrio do poder da magistratura em relação aos outros poderes".
"Mercê das últimas medidas do Governo há uma desequilíbrio entre deveres e direitos dos magistrados e isso pode desequilibrar a condição profissional e a independência destes", vincou, considerando que, em última análise (e em abstracto) um estatuto sócio- profissional muito baixo "pode dar origem a fenómenos de corrupção".

Ficamos assim inteirados que o Dr. Cluny olha todos os estatutos sócio-profissionais baixos como os pedreiros, os cobradores, os caixas dos supermercados, cabeleireiros e outros que tais, como potenciais, senão inevitáveis corruptos e por via da sua condição social, inimputáveis! Curiosa jurisprudência! Tenha ela vencimento e a vida dos tribunais seria duma simplicidade cristalina: Corruptos para um lado sérios para outro. Sem dúvidas ou zonas cinzentas!
Ficamos avisados, sérios sérios, só os presidentes dos Sindicatos, banqueiros e outras profissões de alto estatuto social!

terça-feira, outubro 25, 2005

A costureira de Montgomery, Alabama


Em 1955, ano da Conferência de Bandung, da morte de Einstein, coincidindo com a libertação de Fidel Castro da prisão de Batista, e em que se inaugurou a Disneylãndia na Califórnia ou do nascimento de Kevin Kostner, uma costureira negra de Montgomery no Alabama, nascida em 4 de Feevereiro de 1913, viajando num autocarro, recusou-se a dar o seu lugar a um branco que lho exigia.
Foi imediatamente presa e condenada por desobediência aos regulamentos citadinos.
Durante 381 dias os transportes públicos foram boicotados pela população negra até que a segregação racial, verdadeiro apartheid, foi abolida nos transportes públicos da cidade.
Só um anao mais tarde o Supremo Tribunal de Justiça dos EEUU, terra das liberdades e pátria de Thomas Jefferson, foi obrigado a reconhecer a segregação racial como anticonstucional.
A costureira chamava-se Rosa Parks e morreu ontem aos 92 anos de idade.
Valeu a pena ficar sentada!

Os EUA perdem o soldado 2000 no Iraque


Segundo a Fox News de há pouco, os EEUU sofreram hoje a sua baixa # 2000 no Iraque.
Dois mil mortos anunciados da forma mais brutal e com o espírito de quem estivesse a falar de pássaros mortos, de toneladas de carne.
Pena que desta vez a carne fosse viva, tivesse pais e irmãos e até filhos. Como aliás os cidadãos do Iraque, cobardemente atacados, ocupados e roubados em nome da liberdade:
Deixo aqui aquilo que a Fox diz ter ouvido do porta-voz do exército americano. Só a insensibilidade das palavras está acima da insolência:
The spokesman for the American-led multinational force called on news organizations not to look at the 2,000 death as a milestone in the conflict. Lt. Col. Steve Boylan described 2,000 figure as an "artificial mark on the wall."
"I ask that when you report on the events, take a moment to think about the effects on the families and those serving in Iraq," Boylan said in an e-mail. "The 2,000 service members killed in Iraq supporting Operation Iraqi Freedom is not a milestone. It is an artificial mark on the wall set by individuals or groups with specific agendas and ulterior motives."

A multiplicação das famílias e as rémoras

Ao contrário do que receava, as visitas ao blog de apoio ao Cavaco Silva, têm sido divertidíssimas.
Ora vejam, com a devida vénia, o que lá deixou um tal de "arrebenta", cujo sentido de humor só peca pela localização:

" Era uma vez um país maravilhoso,
onde 100 famílias se governavam,
e um dia veio um furacão horroroso,
que levou as 100 famílias pelos ares,pelos ares,pelos ares,
a rodopiar,até que caíram estilhaçadas no chão,
e toda a gente,"tadinhos, tadinhos deles, tadinhos...",
toda a gente se pôs a colar os pedacinhos,
depois de colados,
deram 300,em vez das 100 iniciais.
Então,o Homem da Gasolineira(de acordo com uma sapiente-burra jornalista,
da família dos "Silvas", portanto, já de cá, mesmo antes de isto ser"cá")
foi fazer a rodagem de um carro até à Figueira da Foz, e disse:
"Vêm aí fundos, vou-me instalar",
e o dinheiro escorreu,escorreu,escorreu,
parecia que havia um enorme ralo,porque chovia,
mas eram poucas as poças que ficavam no chão,
e cada vez mais gente se pendurava no Gasolineiro,
o chamado Princípio das Rémoras,
que não se preocupavam com andar a palitar os dentes aos tubarões,
e era a rémora Dias Loureiro, mais a rémora Leonor Beleza,
mais a rémora do irmão e da irmã e do irmão da irmã dela,uma família de rémoras ,e mais a rémora do Durão Barroso,
e a rémora do Deus Pinheiro,
e o Taveira,e o Eurico de Melo,
e o Marques Mendes,
e um dia essa porcaria acabou toda,
já nem me lembro como(vejam no RTP-Memória),
e veio o "Picareta", tentar distribuir pelos cágados

aquilo que só os tubarões e as rémoras andavam a papar,
o problema é que havia cada vez mais cágados, e rémoras e tubarões,
e o dinheiro escorreu,escorreu,escorreu,parecia que havia um ralo,
penso de que,cada vezMAIS MAIOR,e um dia essa porcaria acabou toda,
já nem me lembro como(vejam no RTP-Memória),
e ficaram a boiar no lago milhares de rémoras e cágados e restos de fundos e tubarões.
Portanto,isto já não é La Fontaine,
é o Padre António Vieira,mas ao contrário,
pelo que vou simplificar,sendo mais objectivo.
Na enorme Retrete Nacional,presentemente entupida,
e com um sarro que vinha do tempo das Cruzadas,
o Professor Gasolineiro deixou,com a maior das canduras(cof,cof,cof....)
instalar-se uma segunda camada de sarro,
o sarro cavaquista,sobre o qual,-- espantação geral!... -
-já uma terceira camada de sarro hoje se entranhou,
o Sarro do Final dos Tempos,
ou, como Píndaro diria,um sarro de um sarro.
E todo esse sarro está agora a tentar amarinhar,
por ali acima,com medo de se afogar no sanitário entupido.E é assim que eu vejo o Gasolineiro,
a quem o eclipse,e eu,
não agoiramos nada,
mas mesmo nada,de bom.
( Continuar a rir)

António Cluny

António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, tem tido uma actitude de grande coerência: Recorre aos media - os de sempre, como é óbvio! - metendo os pés pelas mãos e misturando argumentos e factos evidentemente não miscíveis;
É no Expresso, semanário que estremece cada justificação acerca da inoperância do Ministério Público (de que ele é parte integrante e grande responsável), que normalmente baba a miséria da sua argumentação. Mas agora desceu mais um degrau na escadaria do escárnio da sua profissão: está hoje expressamente em Genebra onde vai apresentar queixa do Governo ( ou do Estado ?) português por todas as maldades e tropelias de que tem sido alvo a classe dos magistrados.
Estou com ele. Sinceramente!
Tal como estive com ele e todos os outros juizes, procuradores da república e magistrados que, durante o cavaquismo, se manifestaram contra a demora processual, contra a libertação de criminosos confessos por excesso de garantias e de tropeços processuais;
Nunca lhes neguei apoio e solidariedade quando às portas da António Maria Cardoso arriscaram carreiras e benesses;
Sempre que nas escadarias do Aljube esperavam ver conduzir os presos políticos aos Tribunais Plenários de então;
Foi constante a sua presença e a dos seus pares no apoio às famílias dos presos políticos:
Não vou esquecer toda a ctividade judicial que promoveram para que os presos do Tarrafal tivessem direito a julgamentos. A julgamentos. Só isso: a julgamentos ! Com defensores, com contraditório...
Sobre as medidas de "medidas de segurança", eufemismo para designar a prisão perpétua e os trabalhos forçados, sempre os vi, gargantas abertas e, por essa Europa fora, a clamar justiça!
Toda a vez que os vi marchar, bandeiras desfraldadas, contra o imobilismo da justiça, contra os perdões fiscais dos governos da direita, estive com eles;
Quando da greve geral que mantiveram, ( quando?) com prejuizo pessoal, a favor da redução das mordomias e sobreposições de benefícios pecuniários percebidos pela classe de magistrados e ora em análise e discussão pelo governo de maioria.
Acho por isso muito bem que se dirija a orgãos supra nacionais e, como outros traidores da história, solicite a intervenção externa sobre um Orgão de Soberania: O Governo de Portugal!
O caixote do lixo da história tem uma característa dialética: Nunca o encherão!
PS - Não publico foto do Dr. porque tenho problemas de estômago!

Cavaco Silva apoia os Bancos!

Copiado de fresco, e com a devida vénia do Redescobrimentos:
Cavaco Silva, para se manter no governo, concedeu ao poder financeiro nacional benesses tais que tornaram o sistema político português actual praticamente ingovernável.
Deixou que o crédito fluisse, em massa, para os particulares, em detrimento das empresas, originando nos eleitores - com acesso ilimitado ao crédito para carros, viagens, casas, etc. -, a ideia de que a economia portuguesa tinha sustentabilidade suficiente para todos os devaneios.
Deu carta branca aos bancos que actuaram, desde os seus governos, em autêntica roda livre.
E fez escola, como provam à saciedade as declarações da sua mais fiel discípula, Manuela Ferreira Leite, que mal entrou no governo da tanga, fez saber que teria de haver os maiores cuidados com os bancos 'pois é aí que temos as nossas poupanças'!
É, aliás, flagrante a reverência de Cavaco Silva aos banqueiros, quer jantando em casa deles, quer aceitando convites para públicas e notórias festas das respectivas instituições.
Este é também o Cavaco que impulsionou ficticiamente o investimento estrangeiro, através de benefícios obtidos com fundos comunitários, de tal modo que a fraqueza dos alicerces então compostos resultaram na impressionante devastação da economia produtiva nacional que está à vista de todos.
A visão de Cavaco Silva, quando comparada com os vultos que estruturaram, no decorrer da nossa longa História, a comprovada prestação dos portugueses no mundo, é muito, muito fraca.
Para aqueles que podem ter o discernimento suficiente perante o ruído comunicacional que se aproxima, quando se abate sobre nós mais uma grande ilusão, será útil reflectir sobre a vantagem de, em alternativa, dar o voto a um candidato que não carregue consigo tantas e tão falaciosas expectativas de salvação nacional.

segunda-feira, outubro 24, 2005

A Riqueza das Nações e a própria


Eu sei que não é fruto de um plano maquiavélico, com dez anos de apodrecimento, que Cavaco Silva se nos apresentou, respaldado por uma dúzia de bandeiras nacionais .
Não acredito que alguém tenha uma mente tão perversa ao ponto de, após ter deixado a casa armadilhada, a ela voltar, passados dez anos, olhando os cadáveres despedaçados dos inimigos e tirando do bolso, o mapa das bombas que, afinal, sempre tivera.
E não só diz que tem o mapa das bombas - o tal programa - como no-lo mostra em jeito de salvador do que resta: vem ajudar-nos, promete! Vem salvar-nos, garante!
E não só nada nos diz sobre a tempo em que colocava os detonadores - quando foi primeiro - como, à surrelfa se promove, na base do seu desaparecimento nas brumas do nevoeiro.
É um jogo de sombras e de enganos. Nunca lá esteve e por isso não nos podia ter ajudado. E não nos ajudou, pois andava ocupado a produzir o seu próprio nevoeiro.
Evidentemente que não é político. Melhor, ainda não é político. Ainda melhor, só será tal coisa, caso nós nos dobremos e o veneremos qb, que ele está-se nas tintas para cada um de nós. Ele só serve Pátrias. Inteiras. Family size. Nada menos!
A dimensão do problema - nisso, tem ele razão- já não permite pequenas cirurgias, requer amputações e suportes artificiais de vida. Já não cabe dentro de um Partido, ( acabou de rasgar a sua filiação), tem a dimensão do palco, é um novo manto, pós-partidos, a cobrir de esperança o povo inteiro. A Pátria.
E o tal programa é como ele próprio. Só serve para ser aplicado na chamada macro-economia. Em grandes desígnios. Urbi et orbi. No melhor dos estilos e pouco conteúdo.
De um golpe, anula a concorrência agitando um programa que ninguém tem igual. E que não se envergonha de ter produzido sozinho, de noite, na fase pupa da sua metamorfose. Num exercício sem contraditório e infinitamente inevitável.
Por outro lado, prepara já a nova caminhada em direcção ao poder absoluto, ao presidencialismo, atirando para as galés e para o desterro essa chatice chamada Constituição que consagra no primeiro-ministro os poderes que ele, O Salvador, O Iluminado, O Professor de Economia e de Finanças, tanto almeja.
Todos os iluminados da História se apresentaram quase nus e, quando sairam de cena, quem estava com uma mão atrás e outra à frente, eram os destinatários dos milagres e das aparições.
Daquele economista não sairá nunca uma ideia sobre a riqueza da Nação. Adam Smith pode dormir para sempre.
Daquele financeiro nunca se ouvirá uma ideia própria sobre finanças. James Tobin, americano e prémio Nobel em 1981, pela sua análise dos mercados financeiros e da relação com os investimentos, o emprego, a produçãso e a formação de preços, também pode continuar tranquilo.
Cavaco Silva não é ao Nobel que concorre. É ao prémio que a alta finança portuguesa lhe promete. A troco de quê?