quarta-feira, novembro 09, 2005

A Europa no conhecimento do Espaço

Partiu hoje de Baikonur na Rússia a nave espacial Venus Express, propulsionada por um fogetão Soyus-Fregat sob a coordenação da Starsem, uma sociedade euro-russa com a participação da Aerospacial, Ariane, a Agência Russa do Espaço e o produtor do foguetão Soyus.
Fica aqui a notícia completa sobre o referido lançador europeu e as suas características, visto que detém a mais elevada taxa de êxito nos lançamentos de satélites, tripulados ou não: 98%

Launch VehicleVenus Express will be launched by a Soyuz-Fregat launcher from the Baikonur Cosmodrome. The launch window is open from 26th October until 25th November 2005. Soyuz-Fregat rockets are procured through Starsem, a European-Russian company that markets Soyuz launchers outside Russia. Starsem has four shareholders - Aerospatiale, Arianespace, the Russian Space Agency and TsSKB Samara, the manufacturer of the Soyuz vehicle.
Cutaway diagram of Soyuz-Fregat launch vehicle (image courtesy of Starsem)
Soyuz was first launched in November 1963 and 1683 have been flown as of 13 October 2003. A manned version carries crews to the International Space Station, while unmanned versions are used to launch satellites, interplanetary spacecraft and Progress cargo vehicles. It is one of the most reliable launchers in the world, with a 98% success rate.
The Soyuz launch vehicle comprises a lower composite and upper composite. The lower composite is made up of four boosters (first stage), the central core (second stage) and the upper, third stage. The upper composite is made up of a fourth stage (Fregat) along with a payload adapter, a fairing, and the Venus Express spacecraft. The Fregat, payload adapter, and Venus Express spacecraft are all contained within the fairing.
The four side boosters and the core (second) stage ignite at the same time, shortly before liftoff. The boosters burn for slightly less than two minutes, then shut down and separate. After booster separation, the second stage continues to burn for about a further three minutes. Two seconds before second stage shutdown, the third stage ignites and then separates from the second stage. After the third stage burns out it then separates from the upper composite. All lower composite stages use liquid oxygen and kerosene as fuel.
The main engine on the fourth stage, the Fregat, is ignited twice. The first ignition moves the Fregat-Venus Express composite from the suborbital trajectory into which it is delivered by the Soyuz third stage into an almost circular parking orbit. The second injects Venus Express into its interplanetary flight trajectory. The Fregat uses unsymmetrical dimethyl hydrazine (UDMH) and nitrogen tetroxide as fuel.

PS- Estou a preparar uma lista de personalidades para serem enviadas para o Espaço e, evitando algum injusto esquecimento, aceito as vossas sugestões, desde que garantam que não vão causar poluição

aPachecações

Pacheco Pereira continua a tentar apachecar-nos.
Mas o estilo é mau e as ideias, então, são dos museus.
Vejam lá este post, que reproduzo na íntegra:

Num artigo de hoje do Libération , que se queixa de que o “Estado abandonou os bairros sociais (as “Cités”)”, percebem-se três coisas:
a enorme rede de subsídios e financiamentos estatais típicos do “modelo social europeu”. O artigo cita a crise das acções de alfabetização, financiamentos do Fasild (antigo Fundo de Acção Social), acções de prevenção com adolescentes, programa de empregos-jovem, acções com mulheres, associações subsidiadas (o exemplo é uma intitulada Sable d’Or Mediterranée) que fazem acções de inserção, acolhimento dos recém emigrados, acesso à cultura, teatro de adultos, iniciação ao cinema, vários projectos artísticos e culturais, etc., etc.;
a enorme quantidade de pessoas que trabalha nestes programas, associações, ONGs, que são elas próprias um grupo de pressão para o aumento dos subsídios e o alargamento dos apoios estatais, e que, não é por acaso, aparecem nesta crise como as principais vozes “justificando” a “revolta dos jovens”;e, por último,
o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social.
Nem vos interrompi a leitura para ver se isso ia para baixo.
Ele, o que sempre quer, é deitar abaixo a Europa e todo o seu modelo social. O homem, o dr. professor, o intelectual que fotografa bibliotecas, está contra o seguinte:
- A alfabetização dos imigrantes
- A Acção Social
- A prevenção dos comportamentos de risco dos jovens imigrantes e filhos de.
- Programa de emprego jovem
- Associações subsidiadas
- Acções de inserção com mulheres
- Acolhimento de recém emigrados
- Acesso à cultura
- Teatro de adultos
- Iniciação ao cinema
- Projectos artísticos e culturais
- As ONGs
está até contra os etc, etc.
Esqueci-me de alguma coisa? Parece que é tudo por hoje.
Só falta a cereja em cima do bolo: The american way of life. E eu acrescentaria "of life and death!"...
Para terminar a litania oferece-nos as vantagens da ausência disso tudo. Aonde? Nos EUA, onde havia de ser!
Lá, o gigantesco exército industrial de reserva constituido por índios ( totalmente subsidiados para não fazeren nada!), negros( 20% na cadeia e outros tantos nas polícias, nos bombeiros e no exército. Os restantes vivem em condições iguais às de N.Orleans), latinos( todos no limiar do desemprego ou apenas com um salário mínimo que mal dá para sobreviver, sem residência autorizada e apenas para trabalhos menores ou agrícolas).
Tudo isto numa escala de milhões de seres humanos.
Lá na pátria que tem 1% da sua população na cadeia! Mais de 2,7 milhões de pessoas!
É esse o modelo que idolatra e propõe.
Lá onde os trabalhadores da indústria se se lembrarem de se associar em sindicatos são imediatamente despedidos e que que tomam drogas para poderem continuar a suportar os ritmos de produção da indústria;
Lá, onde a Condoleeza Rice não consegue alugar um quarto na 5ª Avenue.
Onde há milhares de emigrantes sujeitos a programas de experimentação de novos medicamentos, verdadeiras "guinea pigs" de duas patas!
Onde há universidades para os ricos( cujos cursos custam mais de um miilhão de dólares) que têm empregos garantidos no final do curso, e universidades para os outros mais escuros e para os negros, onde o ensino se vai degradando à medida que a pele dos alunos escurece e que escusam de procurar empregos fora dos segmentos a eles destinados: the performing arts, the sport and the social services ( os que servem de correias transmissoras da ideologia racista e segregacionista). Depois para compor o ramalhete têm uns, mais escuros, apresentadores de TV que existem para servirem de Eusébios de lá...
Nos EUA onde não há segurança social e onde também não há lista de espera para cirurgias pela simples razão de que as listas não existem! Nem listas nem cirurgias. Ou pagas ou morres!
Lá onde há jornais para negros, rádios para latinos, revistas para coloured people, TVs para todas as minorias bem separadinhas e isoladas em guetos donde não podem sair.
Pacheco Pereira nunca percebeu o Archie Brown? Via e não entendia?
Ele precisava era duma cura Nos EUA para ver se gostava de ser discriminado e tratado de latino ou quanto muito de ibérico.
Estava-lhe garantido um lugar de taxista ou de pasteleiro.
Que os outros estão já destinados.
A menos que vá dar aulas para uma dessas universidades da reacção evangélica, tão na moda por lá. Mas aulas de quê?

Afinal as armas proibidas...


A televisão estatal italiana informa o que mais adiante se lê. Aqueles que há dois anos proclamaram a certeza da existência das WMD estavam cobertos de razão: Os habitantes de Falluja foram regados com bombas de fósforo branco.
Não sei é se lhes chegaram a dizer, na altura, que parece ter sido por erro de cálculo.
Se não os informaram na altura, fica agora dito.

US 'used' chemical weapon in Falluja
Tuesday 08 November 2005, 21:57 Makka Time, 18:57 GMT

There have been allegations the US used outlawed weapons
Italian state television has aired a documentary alleging that the US used white phosphorous shells "in a massive and indiscriminate way" against civilians during the November 2004 offensive in Falluja.
The report on Tuesday said the shells were not used to illuminate enemy fighters at night, as the US government has said, but against civilians, and that it burned their flesh had "to the bone".
The documentary by RaiNews24, the all-news channel of RAI state television, quoted ex-marine Jeff Englehart as saying he saw the bodies of burnt children and women after the bombardments.
"Burned bodies. Burned children and burned women. White phosphorous kills indiscriminately. It is a cloud that, within ... 150m of impact, will disperse and will burn every human being or animal."
There have been several allegations that the US used outlawed weapons, such as napalm, in the Falluja offensive. On 9 November 2004, the Pentagon denied that any chemical weapons, including napalm, were used in the offensive.
Reporter Abd al-Adhim Muhammad, an Aljazeera reporter in Baghdad who covered Falluja battles until the closure of Aljazeera offices in Iraq in September 2004, said there was a lot of talk inside Iraq about the use of non-conventional weapons by the US army in Iraq.

"The amount of people who used to confirm to us that the US army had been using non-conventional weapons against Falluja city was enormous, but it was impossible to confirm," he said.

Fallujans deserted their city in the November 2004 offensive "The city was sealed off and families left; so basically only the resisting fighters were inside the city. They were mostly denied admission into hospitals, so we could not verify the information from the medical fraternity, but yes everybody was saying that burnt bodies were scattered on Falluja's streets."

On its website, the US government has said it used phosphorous shells "very sparingly in Falluja, for illumination purposes". It noted that phosphorous shells were not outlawed.

"They were fired into the air to illuminate enemy positions at night, not at enemy fighters," the government statement said. Pentagon spokesman Bryan Whitman on Tuesday said white phosphorus was a conventional weapon. He said he did not know if the US army used it in Falluja in 2004.
Aljazeera + Agencies

Foi encontrado mais um anti-americano primário!

Ora aqui está mais um anti-americano primário que dá pelo nome de
The New York Times e cujo editorial de hoje se congratula com o enorme êxito conseguido por J W Bush na sua recente viagem pelas Américas:
After President Bush's disastrous visit to Latin America, it's unnerving to realize that his presidency still has more than three years to run. An administration with no agenda and no competence would be hard enough to live with on the domestic front. But the rest of the world simply can't afford an American government this bad for that long.
In Argentina, Mr. Bush, who prides himself on his ability to relate to world leaders face to face, could barely summon the energy to chat with the 33 other leaders there, almost all of whom would be considered friendly to the United States under normal circumstances. He and his delegation failed to get even a minimally face-saving outcome at the collapsed trade talks and allowed a loudmouthed opportunist like the president of Venezuela to steal the show.

Os pro Bush estão a ver reduzida a sua base de sustentação e qualquer dia são eles que se apontarão, uns aos outros, como anti-americanos.
Já não falta muito...

terça-feira, novembro 08, 2005

O Chicote e a Cenoura

Como previsto, Villepin enfrentou hoje os acontecimentos e a Assembleia Nacional, com duas ordens de medidas. O Chicote e a Cenoura:
Devant un hémicycle comble et fiévreux, le Premier ministre a précisé mardi que l'état d'urgence pourra être prorogé «si les circonstances l'exigent» • Il a par ailleurs annoncé la création d'une «agence de la cohésion sociale et de l'égalité des chances» •
LIBERATION.FR : mardi 08 novembre 2005 - 16:23
É verdade, os incendiários não pegaram só fogo aos automóveis e caixotes do lixo, às escolas e uma ou outra fábrica, não senhor.
Pegaram mesmo fogo ao stato quo. Esse já era.
E para já, a classe dominante francesa percebeu onde é que está a raiz do problema. É mesmo a falta de coesão social e a desigualdade de oportunidades!
Calem-se lá os Pachecos Pereiras e os outros comissários políticos da direita disfarçados de sociólogos de aldeia.
Até o Villepin já percebeu!

Metadiálogos de Boliqueime (VII)

Visto que já estamos em plena campanha abrimos este espaço aos inspirados diálogos do Great Portuguese Disaster 85-95 que muito estão a contribuir para a formação cívica dos jovens:

"-- Ó, avô, o que é que quer dizer "racaille"?...
-- Onde é que tu ouviste isso, meu amor?...
-- Foi na televisão...: dizem que a racaille está a conquistar Paris...
-- Querido, não se pode acreditar em tudo o que passa na televisão... Porque é que não fazes como o vovô, que não lê jornais, nem vê televisão?...
-- ... excepto a "Primeira Companhia!!!..."
-- (risos) Sim, claro, excepto a "Primeira Companhia". Portugal, OPPS, deitar, OOPs, em frente, OOPS, marchar, OOPS, ao fundo!...
-- Bilu bilu bilu bilu!...
-- ... querido, então o vovô vai explicar... Racaille são aquelas pessoas que vivem numa economia medíocre, que não querem trabalhar, que não vão à escola.... que não votam no avô, e que só saem à rua para fazer mal aos outros.
-- Ó, vô, e no tempo do avô, havia racaille?...
-- Claro que não, querido, no tempo do avô... (silêncio)... Olha, filho, uma coisa... em português, nós não dizemos "racaille", dizemos "pretos", "monhés" e "camones de leste"... No tempo do avô, vinham muitos pretos, para construirem muitas casas, muitas estradas e muitos condomínios de luxo...
-- E construíam essas coisas para eles?...
-- Não, construíam para os amigos do avô e da avó. Lembras-te daquele senhor que esteve cá ontem, o Professor Cadilhe?... O Professor Cadilhe foi dos primeiros a comprar uma casa nas Amoreiras, feita pelos pretos!... E é amigo do avô e da avó!...
-- E por que é que os pretos não moravam nas Amoreiras?...
-- Os pretos não moravam nas Amoreiras porque aquelas casas não são para pretos!...
-- Então, moram onde?...
-- No tempo do avô, moravam na Pedreira dos Húngaros, e na Cova da Moura, e no Bairro do Fim do Mundo, e no Bairro das Marianas, e no Casal Ventoso, e no Bairro da Boavista, e...
-- Em condomínios de luxo, avô?...
-- Claro que não, querido, em condomínios de preto...
-- E por que é que eles vinham para Portugal para morar em condomínios de pretos?
-- Porque os amigos do avô, dos bancos e da construção civil iam à terra deles dizer que nós precisávamos de pretos para trabalharem em Portugal, e que eles deviam vir, para ganharem mais qualquer coisinha do que na terra deles.
-- E ganhavam mais qualquer coisinha?...
-- Umas vezes sim, outras vezes... não. Geralmente... não. Os pretos são muito preguiçosos, e às vezes chegava ao fim da semana, e as pessoas que são amigas do avô olhavam para eles, e diziam "tu não trabalhaste nada esta semana, escarumba, esta semana podes já começar já a ir pôr a manta à janela, que daqui recebes népia!..."
-- E o que é que eles faziam?...
-- Faziam o que os pretos fazem todos, metiam-se no álcool, na droga, na prostituição, e começavam a roubar as pessoas que votam no avô...
-- Ó, avô, e o avô quer ser eleito para acabar com os pretos?...
-- Querido, se, como espero, for eleito, em Janeiro, Presidente da República, o avô vai obrigar os pretos a estarem sempre na casa deles, na Cova da Moura, no Bairro 2 de Maio, na Boavista, no Pica-Pau Amarelo...
-- Ó, avô, e o avô acha que assim acaba com os pretos?...
-- (suspiro) Querido, os pretos são como os funcionários públicos, não acabam nunca, o melhor que nos pode acontecer é que vão morrendo todos...(Cai o pano)
posted by Arrebenta : Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Force de frappe
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The Redoutable, the first French nuclear missile submarine

a Pluton missile mobile launcher
The Force de frappe (literally Striking Force; meant for dissuasion, i.e. Deterrence) is the designation of what used to be a triad of air, sea and land based French Nuclear Forces, part of the Military of France. France has the fourth largest nuclear force in the world after the USA, Russia and China.
( Seria isto que Sua Revendíssima Alteza queria dizer? ) !
"Ils sont fous ces romans!"

Des Experts

Uma das valiosas características nacionais é a capacidade, amplamente demonstrada, de toda a gente se pronunciar sobre qualquer assunto:
Vasco Pulido Valente é uma reconhecida autoridade sobre o Modelo Social Europeu e a sua aplicação na Polónia!
Marcelo Rebelo de Sousa brinda-nos com lustrosos momentos de crítica literária ou sobre o corte de sobreiros na península de Setúbal.
De Belmiro de Azevedo tem vindo a público a sua visão sobre a gestão laboral na Função Pública.
Quem é que perde uma análise do Gen. Loureiro dos Santos sobre as tácticas a aplicar, contra a reacção politico- militar e socio-religiosa, no Iraque, pelas forças de ocupação?
Ouvi há pouco D. José Policarpo discorrer sobre a eventualidade da aplicação da "force de frappe" sobre os insurrectos em França.
Não tenho a certeza se Sua Eminência Reverendíssima sabe do que fala.
Mas o facto de se preocupar como nível da resposta repressiva a dar ao levantamento dos excluidos em França, já de si releva de um grande espírito cristão. Sua Eminência preocupa-se seriamente com eles. Eles que se cuidem!
Aliás Sua Eminência, noutros momentos de comoção e de tragédia, já nos brindou com intervenções da maior actualidade, ofertando verdadeiros farois rompendo as brumas que nos rodeiam.
Estou pois firmemente seguro que, ao Governo Francês não faltarão vozes, muito embora preocupadas, mas cheias de soluções, que a eles, pobres franceses, não passariam pela cabeça!
Só têm que estar atentos.

segunda-feira, novembro 07, 2005

La rascaille de Sarkozy


( da natureza do mal, com muito gosto:)
Sarkozy, la rascaille c’est lui!
Os jovens magrebinos e negros da ex colónias da terceira geração que estão a incendiar França, ( a canalha) , não têm programa, nem organização, nem líderes, nem modelos conhecidos. Os cenários repetem os de 1968, com mais pirotecnia e os mesmos CRS, um episódio da grande revolução mundial que, se estão recordados, varreu o mundo desde os campus norte- americanos ao extremo oriente e que teve as suas sequelas tardias no fim das ditaduras ibéricas e na instauração da democracia. La chienlit, disse na altura o general de Gaulle.O que se está a passar tinha sido previsto. Lembrem-se de La haine de Mathieu Kasowitz, dos sucessivos avisos das pessoas que trabalham junto dessas comunidades, sociólogos, assistentes sociais, políticos, religiosos. Se a França responder com o programa dos Sarkozy- mais polícia, mais justiça cega e mais promessas de integração- vamos todos perder. Os ingredientes da revolta francesa estão em quase todas as cidades da Europa. Quantos pivots negros temos nas nossas televisões? Quantos analistas? Quantos actores de novela? Quantos professores? Quantos presidentes de junta, vereadores,membros das assembleias municipais? deputados? Quantos cantores de sucesso? Quantos filhos de emigrantes há nas Comissões de Honra?

O Mapa da Xenofobia

É preciso denunciar os que querem reescrever a História e justificar o injustificável. Os que se preparam para voltar a impor a prepotência e "superioridade" europeia sobre os outros povos do Mundo:
( In Klepsydra)
O mapa representado nesta entrada infeliz do João Miranda circula em muitas sítios de extrema-direita da mais fanática. No entanto, aquele mapa não passa de uma pobre ficção, ao contrário do mapa colonial de 1914 que aqui represento. Em 1914, os Europeus estavam mesmo instalados em África e na Ásia com os seus representantes dos reinos e dos imperiozinhos. Em 2015 a Federação Albanesa nunca existirá na península itálica, nem a Nova Turquia, nem os Emiratos Ibéricos do mapa do João Miranda, mas em 1914 nós, os Portugueses, estávamos de facto em Angola e em Moçambique e fazíamos mais estragos e mais mortes que toda a violência urbana junta da população imigrante na Europa de hoje. Obviamente, que o João Miranda não considera os ex-Impérios uma ameaça. Agora os imigrantes, cuidado com eles, vão-nos invadir. Buh!O suicídio demográfico que teme João Miranda não é novidade em Portugal. No início do sec. XVI também se temeu o "suicídio demográfico" causado pelos judeus. A solução da época foi expulsar, perseguir, converter à força e condenar à fogueira milhares de judeus que viviam no nosso país. Ganharam com isso Holandeses, Suíços, Franceses, etc.; ganharam artesãos, artistas e cientistas de qualidade.O mapa de João Miranda é particularmente infeliz sabendo que Portugal tem cerca de 5 milhões de emigrantes. Como é que é? Em 2015 no Luxemburgo e no Liechtenstein, onde a população portuguesa ronda os 10%, vamos ter uma espécie de Principado Luso Católico-Apostólico-Romano?Creio que este infeliz post do João Miranda seja fruto de alguma ingenuidade, não o tenho como xenófobo (escrevo-o sinceramente). Mas considero muito triste encontrar posts deste nível num blogue de referência português. Julgo que de certa forma funciona como um insulto aos 5 milhões de portugueses que estão espalhados pelo mundo, particularmente os nossos colegas bloguistas no estrangeiro que não lhe devem achar piada nenhuma.

Paris já está a arder!


À parte o discurso convulso e mal articulado, próprio de outros iletrados, JPP é um portento do deslize, da ideologia e instinto de classe:
Vamos lá lê-lo:
"De novo, o noticiário das 13 horas da RTP1 transformou-se numa versão "noticiosa" de um panfleto do Bloco de esquerda, a propósito dos incidentes de Paris(...)Já não basta o modo como se tratou o Katrina, nunca rectificando as informações falsas que foram dadas, coisa que "arrastão", mas que ninguém exige quanto ao Katrina."
Até aqui ficamos a saber duas coisas : Que receia uma dita informação de esquerda, preferindo outra de direita; e que já mistura as pseudo vítimas do Katrina com as pseudo vítimas do pseudo arrastão.
Digamos que o JPP está em pânico. E quanto a mim, tem razão para tal. E continua:
"Agora, é uma "interpretação" do que acontece em Paris inteiramente conducente à justificação da violência. Preto no branco, uma justificação da violência, que nada tem a ver com notícias ou com jornalismo, mas com um digest de pseudo-sociologia politizada e grosseira.
E ficámos a saber que há uma sociologia não politizada, bacteriologicamente pura!
Aqui chegado JPP já não analisa, condena, já não quer mesmo ouvir, manda salgar o mensageiro:
"Por que razão é que eu tenho como contribuinte que pagar os exercícios de propaganda política de um grupo de senhores jornalistas que são maus profissionais e que nos querem apascentar?"
Claro, claro, Dr. JPP, já percebemos a sua indignação contra a outra classe, o seu ódio. E já não esconde o facto de ser contribuinte e os “outros” o não serem! Isso sim é que é sociologia da boa! Eles têm os direitos tolhidos por serem pobres e não pagarem IRS! É isso, não é?
Direitos na razão directa do IRS. Tá bem! É como cá. Por outras palavras os excluídos têm o direito a serem isso apenas. Excluídos. Tudo o resto já foi vendido ou está reservado...
E prossegue:
"Basta haver um ar de revolta social contra o “sistema”, um ar de “multiculturalismo” revolucionário dos “deserdados da terra”
(Olhe lá as tiradas racistas Dr.!)
"contra os ricos (os que têm carro, os pequenos lojistas, os stands de automóveis, os pequenos comércios), para a velha complacência face à violência vir ao de cima."
( Ainda acredita, passados 11 noites de levantamento popular que é contra isso que lutam? E já ouviu os próprios franceses a falarem abertamente em guetos onde se acumulam e vegetam milhões de pessoas? A honestidade do Dr. JPP termina onde acaba a 2ª Circulaire de Paris!)
Mas oiçamos:
"Fossem neo-nazis os autores dos tumultos e a pátria e a civilização ficavam em perigo, mas como são jovens muçulmanos da banlieue, já podem partir tudo. Não são vândalos, são “jovens" reagindo à “violência policial”, são “vítimas” do desemprego e do racismo dos franceses, justificados na sua "revolta", e têm que ser tratados com luvas verbais e delicadeza politicamente correcta."
Uau, Dr. JPP, é isso que ensina lá na faculdade? É esse ódio interclassista que destila? Está com ciúmes dos neo-nazis? E salta-lhe a frase chave de tudo isto, no meio do discurso que ninguém fez: primeiro o ódio religioso ( já explico porquê) depois a pseudo queixa da violência policial – que ninguém sustentou- e finalmente desmascara-se ao falar de desemprego ( também terei gosto em voltar a este detalhe) e sobretudo treme de indignação com a falta de sangue nas ruas de Paris. Le sang des autres, bien entendu! Onde está a repressãozinha?
"Os maus são as forças da ordem, os governantes, os polícias, os bombeiros e todos os que mostram uma curiosidade indevida pelos seus bairros de território libertado."
( Vai-se a ver foram eles, os excluídos, que se excluíram e foram viver onde moram, nas condições, e com o nível de abandono social que lhes foi proporcionado! Engraçada a lista de “serviços públicos que enuncia: Forças da ordem, governantes, polícias, bombeiros e informadores da polícia!)

"No fundo, não é novidade nenhuma. Há muitos anos que é assim, que estas questões são tratadas com imensa vénia, não vão os “jovens” zangarem-se e vingarem-se. A culpa é nossa, não é?"
Acto de contrição falso como Judas e repleto de medo subliminar e de sentimentos de culpa não superados.
Mas, como tanto faz ler directamente do Abrupto, como das cópias publicadas pelo Racosta, ficamos informados: o mau português não é exclusivo deste último mas que mutuamente se aplaudem no reaccionarismo e no excesso de instinto de classe, também conhecido pela vulgar designação de racismo puro e duro! :
Agora JPP socorre-se de um seu apoiante que, de além Atlântico, lhe parece oferecer uma tábua para flutuar. Puro engano. O que lhe parecia ser tábua é um prego!:
Desmascaram-se completamente, perdem a vergonha e atiram os véus para o chão quando encontram, nem que seja o último dos apoiantes do Bush que lhes sirva de muleta ideológica. O exemplar escolhido por eles é um primor: Nada esconde. Nem a sua devoção à máquina ideológica dos media americanos:

"Os media europeus sao horríveis. Absolutamente horríveis, quem ouvir ou ler um noticiário europeu fica com a impressão que os policias sao uns malandros, que perseguiram dois pobres inocentes desgraçados e que os encostaram aos cabos eléctricos e os mataram propositadamente…Estas são as mesmas pessoas que culpam Bush pelo atentados em Londres, que culparam Aznar e Bush pelos atentados em Madrid, que querem que os EUA negoceiem com Bin Laden (Soares e outros),
( interrompo por momentos a litania só para lembrar os incautos que foram os EUA que negociaram, financiaram e armaram Bin Laden...)
"são pessoas que passeiam as suas opiniões de “peace and love” mas que não oferecem alternativa quando algo de errado acontece. Para eles a pobreza desculpa tudo, as pessoas sao pobres por isso organizam-se em gangs, pegam em armas, roubam, saqueiam, destroem, cometem actos de terrorismo, etc. Não tem outra alternativa, são desgraçados, descriminados, e tem de cometer crimes para sobreviver." ( Toda a gente sabe que os levantamentos populares sempre foram articulados entre chefes de repartição de finanças, donas de casa nas idas ao cabeleireiro e motoristas de lords ingleses, é que está-se mesmo a ver!)
(E agora este docinho para terminar a análise concreta duma situação concreta. A não perder:
"Mas então e as pessoas que são pobres e que trabalham honestamente para que os seus filhos possam estudar e ter um futuro melhor? E os portugueses em Franca e noutros locais do mundo que abrem pequenos restaurantes, que trabalham na construção civil que comem o pão que o diabo amassou para que os seus filhos tenham um futuro melhor? Alguém os ve cometer crimes? Será’ que porque alguém faz parte de uma minoria isso e’ um bilhete directo para a violência e roubo?"
Já não é preciso mais nada, está tudo aqui: A escolha deste seu apoiante para merecer publicação no Abrupto é fantástica. O que sobra a JPP é a falta de vergonha!
Sem querer, da forma inocente e descarada, JPP e o seu apoiante mostram o que falha, e falhou, na correia de transmissão entre os exploradores e os explorados, entre os cidadãos de primeira e os de segunda.
Eles confessam que os “portugueses” e outros imigrantes “reconhecem” a sua inferioridade social e submetem-se à exclusão a que são votados. Só isso.
O que falhou em França foi exactamente a ideologia de classe dominante que foi incapaz de se infiltrar como valores imutáveis ( Hoje e sempre, haverá pobres!), como modelo a seguir, e como lei a cumprir num jogo que, mesmo viciado, não teria alternativa senão na violência e na revolta.
"Revolta-me isto que eu gosto de chamar a “cultura do pobrezinho e do desgraçadinho”. E’ revoltante! As regras de sociedade sao para cumprir, e sao para cumprir por todos, minorias inclusive’.(Carlos Carvalho, Ottawa, Canadá)"
Ao subscrever este "revoltado"Carlos Carvalho, JPP mostra a sua verdadeira face que detesta pobres e que exige o cumprimento das regras de classe, da sua classe dominante. Aquela que fez as regras, as escreveu e as impõe, manu militari!
A ausência de elementos de análise nestes seus textos de propaganda não é inocente: JPP sabe, porque já ouviu falar, de ideologia dominante, do papel da religião nessa ideologia e que, outra vez na História, a classe dominante e possidente, voltou a cometer o pecado capital da gula: Ao pretenderem ter à mão um “exército industrial de reserva”, não repararam que havia nele um substracto religioso que por diferente do seu, iria impedir a “normal” absorção das ideias do opressor e dos seus valores nas cabeças dos oprimidos e desempregados. Dos que não têm nada a perder! Erro capital tantas vezes repetido na História e pai e mãe de todas as revoltas populares. Quer o JPP goste ou os seus apoiantes chamem a polícia!
E é inevitável que, mais uma vez, de Gaza, ao Suez, do Líbano às favelas da América Latina, de Jacksonville à Somália, o Dr. JPP vá aprender uma lição quando, logo à tarde, o presidente Chirac avançar com medidas sociais e económicas agora de sentido contrário. Claro, entre ameaças e cenouras, vai dar mais do que dava. Vai prometer este mundo e o outro e ou me engano muito ou vai gabar-se que tem o apoio das autoridades religiosas do islão...

domingo, novembro 06, 2005

O Mate do Louco*


Se há coisa que nos pode destinguir daVenezuela, do Burquina-Fasso e do Butão, é a nossa conceituada estrutura judicial e a impossibilidade de haver magistrados político-complacentes. Apenas mentes perversas, irresponsáveis e provavelmente encimadas por duas orelhas pontiagudas, é que se lembrariam de tais frescuras.
Razão tem o "Jumento" para mostrar toda a indignação de que transcevo um pedaço:
"Um processo que se arrasta há anos, dá lugar a uma busca a um dirigente do PS precisamente na véspera da greve dos magistrados. E, como o PGR teve o cuidado de realçar, foi um juiz de uma qualquer terceira vara que assinou o despacho, que pelos vistos foi mais elaborado que o das buscas à banca, que mais parecia uma notícia da SIC. A busca foi no dia 24, a greve foi nos dias 25 e 26 e a notícia foi colocada na Visão online só no dia 2 deste mês. Isto é, na época das telecomunicações, o sopro levou quase dez dias do “furinho” da parede do segredo de justiça até à pena do jornalista. Conclusão, não se pode dizer que a busca cheira a vendeta, mas que foi feita, lá isso foi.
E o que foram procurar? Um valioso jogo de xadrez, foi o que supuz, a pensar em ouro, platina ou marfim de mamute apanhado nos confins do Árctico russo. Santa ignorância a minha. Não sabia que a Atlantis já tinha ultrapassado a Cartier no valor das suas peças, o que me leva a equacionar se alguns dos meus amigos não vão ser alvo de busca de alguma garrafa que eu tenha oferecido.
No entanto, a informação de que o valioso objecto era de vidro, com um tlim tlim mais suave do que o das garrafas de Coca-cola, só foi publicada no dia seguinte no Expresso, que divulgava ainda que a polícia também procura envelopes de dinheiro que constavam na lista de prendas de Natal do empresário de Cascais. Isto é, a polícia não só suspeita do crime como também de sanidade mental da pessoa, pois só um parvo é que ainda teria um envelope com dinheiro recebido há dez meses!
Conclusão, neste país, não só somos todos suspeitos, como sobram os palermas.
Posted at 11/6/2005 8:59:01 am by
Jerico"

* O "Mate do Louco" é um dos mais ridículos e rápidos mates que acontecem no Xadrez, só possível por jogadas suicidas !

sábado, novembro 05, 2005

A Cidade Judiciária de Caxias.

Sobre o anedotário compulsivo das gestões anteriores do ministério da Justiça, quantos silêncios cúmplices temos escutado?
Quantas greves e comunicados houve, a comemorar estas pérolas das mesmas gestões irresponsáveis?
Agora exige-se ao Governo em funções, há meio ano, que tudo faça, tudo altere, nada escape ao seu controlo, sem levantar a mais leve poeira.
Que se comporte como elefante em loja de cristais ...mas que tudo, mas tudo, fique na mesma.
Que faça sem fazer.
Que altere sem alterar.
Que reduza custos aumentando despesas.
Que, como outros, diga uma coisa e faça exctamante o seu contrário.
Alberto Costa pode até achar que os defensores oficiosos consideram o ofício uma chatice e um desagradável contacto classista, não pode é dizê-lo. Deve assobiar para o lado e fingir que está tudo bem.
!Quando deixar de ser Ministro da Justiça lá chegará a sua hora de dar entrevistas plenas de opiniões e parcas de oportunidade!
Pelo menos, essa tem sido a tradição:

Condomínio fechado
O processo da cidade judiciária de Caxias é um monumento de irresponsabilidade política que ninguém vai pagar
Eduardo Dâmaso: http://dn.sapo.pt/editorial/index.html

A obra da cidade judiciária de Caxias é um monumento à má decisão política, ao desperdício de dinheiros públicos e à irresponsabilidade que ninguém vai pagar. Começou mal e, desconfia-se, vai acabar ainda pior. Foi lançada à pressa e sem obedecer aos requisitos legais do concurso pelo Governo PSD-CDS e, em concreto, pela então ministra da Justiça, o que veio a ferir a legalidade administrativa do processo. A obra está embargada pelo Tribunal de Sintra, tem um parecer negativo da Procuradoria-Geral da República por não ter, em parte, sido lançada com concurso público e está parada há cerca de um ano.O actual Governo veio agora admitir a desistência do projecto, ficando obrigado a negociar indemnizações de milhões de euros não só com a Teixeira Duarte como com os promitentes compradores da sede da PJ na Rua Gomes Freire. Aparentemente, o Governo desiste por o processo estar muito embrulhado em termos legais e, também, por não ter dinheiro para a obra.Os adjectivos já são poucos para qualificar este duplo desastre. Não se compreenderá se este processo não vier a ser discutido na perspectiva do apuramento de responsabilidades políticas e financeiras por um tal fiasco. Em primeiro lugar, questiona-se o lançamento da obra nas circunstâncias em que ocorreu. As explicações por isso devem ser pedidas ao primeiro-ministro de então, Durão Barroso, e à ministra da Justiça do seu Governo, Celeste Cardona. Deve também ser exigida a explicação a Alberto Costa e ao primeiro-ministro sobre a desistência da obra, avaliada em 75 milhões de euros, para que se perceba tudo. Alberto Costa tem de explicar se desiste porque a obra é inviável, devido a questões legais, ou se ela teria, no caso de ser concretizada, um valor muito superior ao que o Estado terá de pagar pelas indemnizações. Terá de explicar, também, se uma das opções é mesmo a cedência do terreno da obra à empresa para ali ser construído um condomínio fechado. Poderá ser uma forma pragmática de resolver o problema, mas não deixa de ser uma insuportável metáfora do estado da política e da governação do País, ou seja, ele próprio transformado num condomínio fechado e exclusivo de grupos de interesses políticos e económicos.

A Organização dos Silêncios

Análise imperdível de Miguel Sousa Tavares, no Público:
«Mário Soares - como ele próprio não se cansa de recordar, a título de prova de vida - passou estes dez últimos anos sem resguardo algum: fez uma fundação, foi deputado europeu, publicou dez livros (!), viajou, fez conferências, palestras, presidiu a comissões, desfilou contra a Guerra do Iraque.
"Puf!" - suspira Cavaco Silva, com desdém, ao relembrar as andanças do seu rival -, "um político profissional no seu pior!" Ele, Cavaco, fez o inverso: tratou de acabar a sua vida académica tranquilamente, publicou um livro, após sair do governo e onde inventariou as "reformas de uma década", que jura ter feito, mas que, curiosamente, são hoje universalmente reconhecidas como as mais urgentes ainda por fazer, e reservou-se para ocasionais aparições públicas, sempre devidamente publicitadas pelos inúmeros homens-de-mão que deixou semeados pela imprensa e sempre recebidas pela pátria como verdadeiros textos de referência, senão mesmo de culto.
Soares falou tanto nestes dez anos que não nos lembramos de coisa alguma marcante que tenha dito. Cavaco falou tão pouco que, para a história, ficou apenas aquela frase dos tempos de governação de Santana Lopes de que "a boa moeda deve afastar a má". Foi um pensamento profundo e corajoso: antes dele, ninguém ainda tinha pensado numa coisa dessas e ninguém ainda se tinha atrevido a questionar os méritos governativos de Santana Lopes e do seu extraordinário séquito. Disse também outra coisa (hoje convenientemente apagada dos registos pelos seus fiéis), estava a sua amiga Manuela Ferreira Leite a tentar controlar o despesismo público e os défices suicidários do Estado: disse que o que era preciso eram políticas keynesianas, de "contraciclo" e acrescidas despesas públicas.
Há dez anos que todos sabíamos que Cavaco voltaria a candidatar-se à Presidência da República, assim que Jorge Sampaio desimpedisse o caminho - porque, tirando o inevitável holocausto de 95, contra o mesmo Sampaio, e a que não tinha maneira de se furtar, ele sempre foi homem dos combates com vitória assegurada à partida. Este seu novo e ridículo tabu com as presidenciais, este patético arrastamento da notícia formal da candidatura, quando já tudo estava pensado ao pormenor e ele ainda fingia estar em reflexão, só serviu para demonstrar duas coisas: uma, que Cavaco conhece e usa todos os truques da política, que afecta desdenhar; outro, que entre os seus truques preferidos está a gestão do silêncio, até ao limite do possível.
Não há lugar mais político do que a Presidência da República. É um lugar destinado exclusivamente a fazer política, não a governar ou a fazer obra. É por isso que a candidatura de Cavaco Silva gera tanto desconforto, tanta desconfiança e tanta insegurança em tanta gente: porque quem se candidata ao cargo se afirma, pessoal e estruturalmente, contra a própria natureza dele e, por conseguinte, nos deixa a tentar adivinhar que agenda secreta será a sua, uma vez na Presidência.
Sempre foi assim, também, nos seus dez anos de governo. Cavaco Silva sempre desprezou as ideias políticas, o debate, a ideologia, a agenda, a definição de um horizonte ou de um projecto para Portugal. Quando questionado, respondia com os 1400 quilómetros de estradas novas, os 210.000 carros comprados, as 600.000 criancinhas nascidas durante os seus anos de esplendor. Nunca aceitou debates, nunca perdeu tempo com o Parlamento, nunca se submeteu a entrevistas difíceis. Quando precisava de cuidar da imagem ou da mensagem, reservava-se para entrevistas exclusivas na televisão pública com o seu conselheiro de imagem ou com a sua adida de imprensa. Assim criou o mito do homem infalível, demasiado ocupado a resolver os problemas do país para se desgastar em explicações avulsas ou na inútil encenação democrática.
Para essas tarefas menores, Cavaco contou sempre com um fiel exército de "guardas da revolução", que hoje reemergem outra vez à superfície, tal como, diga-se em abono da verdade, reemergem os cortesãos de Soares. Uma das especialidades de Cavaco Silva foi sempre a de dar homens por si. Se Cavaco nunca teve uma ideologia nem sentiu necessidade de a ter, o cavaquismo teve-a.
Para quem já esqueceu ou finge ter esquecido, convém relembrar o que era a substância intelectual e política do cavaquismo. O mesmo Cavaco Silva que hoje se afirma contra a partidarização do aparelho do Estado, foi o primeiro-ministro que inaugurou a moda recente de distribuir todos os cargos públicos (excepto os das "forças de bloqueio", que se lamentava de não conseguir controlar) pelos fiéis do partido e do chefe, enquanto ele, como escreveu o seu fiel António Pinto Leite, afectava dedicar-se unicamente ao "culto solitário e obsessivo do interesse nacional". Enquanto o próprio Cavaco Silva se vangloriava de ter "devolvido Portugal ao mundo" e se gabava de ter feito de Portugal um "oásis" de progresso no meio da decadência do mundo, os seus fiéis ocupavam, sem pudor nem temor, todos e cada um dos cargos do Estado, das empresas públicas, das sinecuras regionais. Na RTP, totalmente governamentalizada, Roberto Leal, vestido de minhoca branca, pulava e saltava, cantando o refrão "nós já temos Cavaco e maioria" - antes mesmo das eleições. E o ministro Fernando Nogueira, então "número dois" e delfim do cavaquismo, explicava candidamente que não havia ocupação alguma do aparelho de Estado, já que ele não conhecia "um génio, uma pessoa invulgarmente dotada, que não esteja ocupada". Ele, por exemplo, estava apenas "muito empenhado em dar a sua contribuição individual para um projecto colectivo protagonizado pelo Professor Cavaco Silva... numa unidade ideológica que causa inveja aos adversários". Porque tudo se resumia a essa tarefa patriótica da unidade ideológica e serviço ao chefe, como ensinava aos deputados do PSD o líder parlamentar da maioria de então, Montalvão Machado: "Uma das prioridades dos deputados sociais-democratas deve ser a promoção da imagem de Cavaco Silva." Eram os tempos, recordo, em que o primeiro-ministro, Cavaco Silva, abria o telejornal da RTP, então estação única e pública, para declarar: "Estou em condições de dizer aos portugueses que o preço da gasolina vai baixar quatro escudos por litro." E eram os tempos, também, em que o mesmo primeiro-ministro propunha uma Lei do Segredo de Estado, felizmente abandonada, em que os aumentos de preço dos combustíveis, dos impostos, das taxas de juro e "outros rendimentos do Estado", bem como a contracção de empréstimos por parte da República ou das Regiões Autónomas, passariam a constituir matéria abrangida pelo segredo de Estado. Assim ia a democracia, nos gloriosos tempos de então.
E é por isso que, lembrando-me de coisas de então, agora que, segundo as sondagens, Cavaco Silva se prepara para ser meu Presidente da República nos próximos dez anos, eu acho que chegou a altura de lhe exigir o fim do silêncio conveniente. Gostaria de saber o que pensa ele de Portugal: da justiça, da educação, da desordem territorial, da reforma da administração pública, da regionalização, do aborto, da Ota e do TGV. E o que pensa do mundo: do Iraque, do combate ao terrorismo, das relações com os regimes corruptos de África, da imigração, da adesão da Turquia à Europa, da deslocalização de empresas, da futura guerra contra o Irão. Numa palavra, gostaria de saber que ideias tem ele, o "não-político", sobre a política. Será pedir de mais a quem quer ser Presidente da República?
P.S. - Nos tempos do "Grande Ceausescu", andava em reportagem pela Roménia e pedi uma entrevista ao ministro dos Estrangeiros. Responderam-me que as perguntas só por escrito, previamente, e as respostas só por escrito, posteriormente. O mesmo sistema acaba agora de ser instaurado na Câmara do Porto pelo dr. Rui Rio. Gostavam muito da "maneira de fazer política" dele, não gostavam? Pois agora aprendam!»

quinta-feira, novembro 03, 2005

Os penetras não estão convidados

Teria escrito tudo isto! Assim, descolei este pedaço de indignação da Câmara Corporativa, que subscrevo, e convido a vossa habitual atenção para ele:
"Até agora, o militar que tenha 20 anos de serviço, independentemente da idade, pode pedir a passagem à situação de reserva, sendo que tem “o direito a perceber remuneração de montante igual à do militar com o mesmo posto e escalão no activo, acrescida dos suplementos que a lei preveja como extensivos a esta situação.” Findos os cinco anos na situação de reserva, o militar aposenta-se.O novo regime altera esta intolerável situação. Como a aposentação é só possível aos 60 anos de idade, o tempo de serviço prestado será considerado para efeito de cálculo da pensão de reforma, mas os militares só terão direito à pensão ao atingirem 60 anos de idade. É a isto que os militares querem escapar, antecipando-se à entrada em vigor do novo regime.Convidamos os leitores a reler o post A ira dos militares é justa?, no qual poderão ainda ver outros aspectos que os militares contestam: a redução da bonificação da contagem de tempo de serviço efectivo e as regalias na assistência na saúde."
Compreendo agora a ira de certos sectores contra as reformas que este Governo considera justas e inadiáveis.
Mas os destinatários reagem e na maior parte dos casos desafiam abertamente o poder legítimo para conservar privilégios e mordomias que os outros portugueses têm de lhes pagar!
Sem pudor ou receio das consequências.
Que fazem estas Forças Armadas? e para que servem?
Quem é que está na disposição de continuar a sustentar milhares de madraços e de emproados reaccionários ?
Como suprema ironia dizem-se agora vítimas da democrracia que eles, benemeritamente instalaram em Portugal.
Ainda não perceberam que foi a guerra colonial que os obrigou a retirar e a derrubar o regime fascista em Lisboa. Ou retiravam ou eram mortos em África e ou derrubavam o governo ou presos pela Pide. Optaram pelo caminho mais fácil. Derrubar o governo do Caetano!
Sem a guerra dos povos africanos ainda teríamos o Marcelo Caetano no governo e os Melos na CUF!
Eles estão para a democracia como estiveram para aguerra colonial.
A mais!

As Efemérides e o Silêncio dos Culpados


Não sei se se lembram todos que, há um ano, os americanos, perdão, 40% dos americanos, foram a votos e que o Bush, graças a Deus, ganhou com muita contestação e por margem pouco expressiva as eleições para a Presidência dos EUA.
Em Portugal, faz agora um ano, uma enorme lista de apoiantes da direita revanchista, multiplicaram-se em festarolas comemorativas da grande vitória da extrema-direita americana e da enorme derrota imposta à "esquerda" americana, afinal, quase perigosos comunistas!
Passaram apenas doze meses e as piores previsões foram todas superadas pela realidade das acções dessa direita evangélica e protofascista:
Dentro dos EUA a situação económica não pára de se degradar para as classes mais pobres. O assalto aos centros do poder judicial está completo e foi entregue a juizes feitos à pressa e sem independência política. As polícias secretas proliferam e escondem factos aos próprios orgãos de controlo. No exterior os direitos humanos são uma caricatura e tudo serve para justificar as guerras de rapina. Os mortos e feridos graves são aos milhares entre as tropas americanas. As vítimas desse militarismo irresponsável são às centenas de milhar.
O déficit externo dos EUA é já uma das causas para a própria agressividade e expansionismo.
Mas apesar disto, e das notícias diárias de mais, e mais mortes e revezes militares, nem uma linha foi escrita por aqueles apoiantes de há um ano. Nem uma só palavra de reconhecimento do erro foi proferida. Os que aplaudiram a cimeira dos Açores e se sentiram realizados com a entrada dos tanques em Bagdade, cumprem agora um silêncio próprio dos funerais e estão todos muito ocupados a lutar pelos melhores lugares noutra lista: A Comissão de Honra de Cavaco Silva.
Estive a ver. São os mesmos que aplaudiram Bush e os seus cânticos religioso-militares. Não mudaram em nada. Continuam à espera que o tempo volte para trás e regressemos ao feudalismo, com senhores e servos e escravos! E fogueiras!

O ridículo não mata


Aliás, pode tomar-se em doses cavalares praticamente sem contra indicações:
JPP é o exemplo vivo disto. Ele é a cobaia humana do seu próprio veneno! E está ali vivo da costa!
Para ver se infantilmente nos converte, lembrou-se de defender que o Cavaco Silva, como Presidente da República seria assim como a apólice de seguro do Governo PS.
Que seria o melhor e mais firme apoio de que o Governo tanto carece.
Este governo parece-lhe como a Cinderela e ele quer o Cavaco adesempenhar o papel da fada madrinha.
Digamos que JPP não podia estar mais preocupado com o bem estar e a felicidade do Sócrates e da maioria socialista na AR!
Mas por outro lado faz a análise freudiana da coisa e diz que o medo que alguns sentem é o de uma "presidência forte"!
Aí valente! Uma presidência que matabiche com dois bagaços de medronho!
Forte porque trepará por cima dos cacos da "hegemonia socialista".
Só falta dizer o que pensa dessa hegemonia e das suas maldades, para destapar o gato!
Mas alguém tem dúvidas de quem é o dono do rabo ? A quem pertence?

Cahora Bassa, para alguns!

Cahora Bassa ( “Acabou o trabalho”, em dialecto local) tem constituído pesado fardo para os contribuintes portugueses e excelente manancial de empregos remunerados na inversa do trabalho que exigem.
Cahora Bassa – uma das maiores cinco barragens do mundo , o 2º maior lago artificial do planeta e também a 1ª reserva de água doce da África, é um dos fantasmas do colonialismo português.
E é um fantasma por duas ordens de razões. Primeiro porque nasce no contexto da fase final do colonialismo português que já desconfiando da sorte que o esperava se aliou -segunda razão – ao Apartheid sul-africano na sua fase mais agressiva e belicista.
Fez parte dos estratagemas usados pelos boers para romper o cerco energético em que já estavam envolvidos.
Daí, esta extraordinária obra ser, ao mesmo tempo motivo de vergonha e de brio técnico e científico.
Visitei-a duas ou três vezes e continuo a não encontrar palavras para descrever a sua dimensão, a localização “ in the midle of nowhere” e o assombroso contraste entre a tecnologia instalada com o meio ambiente, e com “desenvolvimento” das forças produtivas ao seu redor.
A sala dos geradores, no interior da rocha viva, ultrapassa de longe qualquer cenário de filme de ficção científica ou de aventura à 007 .
Bom, mas hoje as notícias /Público, dão-nos conta de mais um acordo para a “transferência” da sua gestão de Portugal para a República de Moçambique, nas “condições” descritas.
Vou continuar a considerar que, se este é um bom acordo, então há muita, muita coisa, muitos custos que desconhecíamos estar a pagar.
?Então em vez deste rodriguinhos diplomatas não seria melhor que a barragem passasse na totalidade para a R.M. e, ao lado, se fizesse um bom acordo agrícola para a utilização dos milhares de kms de margens daquele lago onde moçambicanos e portugueses tivessem oportunidade de trabalhar, investir e produzir alimentos e matérias primas para a indústria?
O potencial agrícola é várias vezes o do Nilo. A Angónia é ali ao lado. O vale das Donas em Tete nada produz actualmente.
Estou a falar de potenciais alimentares e energéticas para metade da África!
E os portugueses que querem investir ou emigrar para Moçambique estão impedidos de o fazer. Os desempregados moçambicanos também não têm qualquer apoio para emigrar para Portugal.
Conheço casos de técnicos que, ao abrigo de acordos de cooperação entre grandes empresas ( e grandes empresas em Moçambique são todas do Estado ou de poderosos políticos!), ali trabalham com vistos turísticos renováveis de 3 em 3 meses!
Não seria mais razoável tentar uma emigração cruzada, uma troca de competências que interessem de facto aos dois Estados, do que a discussão de mais 15% ou menos 15% de capital numa obra que apenas serve …a África do Sul?
Moçambique, o mais pobre País do Mundo nunca solverá esta dívida. Jamais !
Assumir que Portugal vai ser o accionista de referência com responsabilidades na Central Norte da barragem é uma hipocrisia dentro duma história para tolos: Portugal não fabrica porta-chaves e está a assumir responsabilidade de vir a instalar 5 ou 6 geradores cada um dos quais deve produzir o dobro da energia de toda a barragem do Castelo do Bode…através do direito de preferência dado às Empreses portuguesas (???)…
É claro que este negócio não é para Portugal nem nunca será..
Quem é que está a preparar altas comissões? Negócios de milhares de milhões?.
Este não é um acordo, é um conto de fadas! Que, como tal, se desfaz em estrelinhas e pós dourados. Plim!
Este País não toma tino! Plim, Plim!

Então esta está mesmo a ser ganha - 4

(In Afghanistan, the largest CIA covert prison was code-named the Salt Pit, at center left above.)

Os dois perigosos media antiamericanos primários que dão pelo nome de Washington Post e FoxNews, dizem hoje o seguinte sobre o tratamento dado aos prisioneiros pela administarçaão Bush e pelos falcões do Pentágono . São eles que o dizem. Uns desavergonhados antiamericanos é o que eles são!:
Report: Terror Interrogations Held in Old Soviet Facility
Wednesday, November 02, 2005
Secret Prisons?
O'Connor Calls for Clearer Rules on Detention of Prisoners in War on Terror
Senate Bill Would Set Rules on Detainee Interrogations
NEW YORK — President Bush's directive that bans the torture of terror suspects applies to all prisoners, even important Al Qaeda captives being held by the CIA (search) at secret camps in overseas countries, U.S. and foreign officials say.
It's believed that such secret detention facilities have existed — or still exist — in Thailand, Afghanistan, Guantanamo Bay and, according to a Washington Post article, at former Soviet compounds in Eastern Europe.

Outra guerra que está a ser ganha - 3

Indonesian Officials Criticize U.S. Over Escaped Terror Suspect
Wednesday, November 02, 2005

Top Al Qaeda Operative Escaped From U.S. Detention Facility, Pentagon Says
Judge: Confession in Bush Plot Allowed Despite Torture Claims
Virginia Man Accused in Bush Plot Says Confession Forced

KABUL, Afghanistan — Security has been tightened at the U.S. military prison in Afghanistan following the escape of a suspected Al Qaeda leader, a U.S. official said Wednesday, as Indonesian terror officials accused Washington of failing to inform them of the breakout.
Omar al-Farouq (search), born in Kuwait to Iraqi parents, was considered one of Usama bin Laden's top lieutenants in Southeast Asia until Indonesian authorities captured him in 2002 and turned him over to the United States.
He was one of four suspected Arab terrorists to escape in July from the detention facility at Bagram, the main U.S. base in Afghanistan. It was not clear how long he had been held in Afghanistan.( Continuar a ler)