terça-feira, novembro 15, 2005

Pissarro judeu descendente de portugueses!


Da Rua da Judiaria copio, com a devida vénia, a informação que para mim é novidade!:

Pissarro, pai do Impressionismo, descendente de judeus portugueses de Trás-os-Montes.
Até há pouco tempo, quando se discutia a paternidade da pintura moderna, o consenso parecia apontar para um único nome: Paul Cézanne. Nas últimas décadas, no entanto, um número crescente de historiadores de arte começou a questionar este pressuposto, olhando antes para Camille Pissarro, amigo e mestre de Cézanne, como o verdadeiro precursor da revolução que transformaria radicalmente a pintura na última metade do século XIX. Jacob Camille Pissarro, de seu nome completo, era filho de Abraham (Frederic) Gabriel Pissarro, um judeu “marrano” português, transmontano de Bragança, que ainda criança (nos finais do século XVIII) emigrara com os pais para Bordéus, onde na altura existia uma comunidade significativa de judeus portugueses refugiados da Inquisição. Camille nasceu a 10 de Julho de 1830 em St. Thomas, nas Ilhas Virgens, para onde o pai se mudara anos antes para servir de executor do testamento de um tio.Camille Pissarro era um personagem fascinante. Amigo e mestre de Degas, Cézanne e Gauguin, Camille Pissarro era visto pelos colegas como um “patriarca” – uma figura generosa, amável e profundamente fiel às suas amizades. “Pissarro foi como um pai para mim: era o homem a quem se pediam conselhos, era como le bon Dieu”, escreveu sobre ele Cézanne. Heri Matisse chamou-lhe “o Moisés da pintura contemporânea, aquele que nos dá a Lei”; Cézanne afirmaria categoricamente: “todos nós descendemos de Pissarro.”Anarquista convicto, Camille Pissarro não era religioso em termos formais mas, mesmo assim, nunca dissimularia o judaísmo herdado dos seus antepassados portugueses. Pelo contrário, Pissarro orgulhava-se de ser judeu.

Cavaco despolitizado ou o bagaço sem álcool !

Do que eu gostava mesmo era de saber se o Cavaco nos considera a todos como débeis mentais:
Daclarou na visita que fez à Meda:
“Não vou falar nos outros candidatos. Quero fazer uma campanha com dignidade e sem insultos" Correio da Manhã Link
Portanto :
1- Se falasse dos outros candidatos seria para os insultar e os indignar!?
2- Se a política é indigna, vai discutir o quê?
3- Falar dos outros candidatos é insultá-los? Então fala de quê?
4- Não sabe que a mentira permanente da Igreja de que "não se mete em política", está mais que estafada?
Já tinhamos cerveja, agora vamos provar o bagaço de Boliqueime, sem álcool!
Mas não há ninguém que diga a este senhor que já basta de nos menorizarem?
Só pode enganar velhinhos da Meda.

Volta Américo Tomás, estás perdoado !

Os cérebros militares, está provado, observam a realidade com a acuidade apenas registada nas melhores páginas da filosofia política.
Ainda em processo digestivo, deixo-vos umas poucas mas suculentas passagens da feliz declaração de apoio a Cavaco, intitulada:

Cavaco Silva é o melhor para reconduzir o País à esperança

"A minha experiência e reflexão levam-me a concluir que um dos males endémicos da política, em Portugal, reside na inexistência de uma verdadeira e assumida Sociedade Civil.

Só com uma Sociedade Civil dinâmica, civilizada....
Uma sociedade tal conseguirá delimitar as áreas que são da sua responsabilidade - o seu espaço público - daquelas que são da responsabilidade do Estado.............. elegendo-o, questionando-o, apontando-lhe oportunidades, prestando-lhe colaboração em tudo o que contribua para a sua modernização e o seu desenvolvimento.

Na verdade, a necessidade urgente de ultrapassar a crise que o País atravessa exige o empenho concertado de todos - da Sociedade Civil e do sistema de governo (Presidente da República, Governo e Assembleia da República).Neste contexto, importante é, pois, ou deverá ser, o papel do Presidente da República (PR), quer enquanto interlocutor privilegiado da Sociedade Civil, quer enquanto líder do sistema de governo.

Poderá o PR, em concertação com o Governo e a Assembleia da República, retratar a situação do País perante a população....
...sabendo, pois, por experiência operacional, quão importante é a concertação estratégico-institucional dessas instituições para a governabilidade eficaz do País.

Em síntese, e em minha opinião, Cavaco Silva é, no actual contexto de crise, a personalidade capaz de estimular a nossa imaginação democrática e de nos fazer aceitar sacrifícios tácticos, que não sacrifiquem a solidariedade que nos confere unidade, para realizar um grande propósito estratégico nacional, expresso no desenvolvimento e na modernização, compaginável com os nossos parceiros da União Europeia. Cavaco Silva é a personalidade que melhores requisitos reúne para reconduzir o País à esperança, à mobilização, à rota de um devir melhor pelo qual aspiram todos os portugueses.
(assinado)
António Ramalho Eanes, Presidente da Comissão de Honra da Candidatura de Aníbal Cavaco Silva.Declaração de apoio publicada no Jornal Expresso de 22 de Outubro de 2005.
( Devo acrescentar que apenas cortei do texto inicial a ganga e os rabos ao bacalhau. O português fluente e casernícola é do autor. E a pontuação, senhores, também!)
As ideias, essas, têm que as descobrir. Devem lá estar.

segunda-feira, novembro 14, 2005

A Pernoita do Ícone



Descolado devagarinho do Random Precision, que admiro, fica aqui este monumento à credulidade e estupidez humanas, ( só alterei a imagem) tão bem explorada por desavergonhados e repelentes sacanas, séculos a fio:

Teve lugar este sábado o ponto alto das realizações integradas no «Congresso Internacional para a Nova Evangelização» a decorrer em Lisboa, com a consagração de algumas ruas da capital a uma procissão que entupiu o trânsito de Lisboa.De qualquer modo, e principalmente se pensarmos no número de países deste mundo onde isso não seria possível, foi bonito ver a manifestação e o pleno exercício da liberdade religiosa de tantos milhares de pessoas que acendiam velas, cantavam «avé Maria» e acenavam com lencinhos brancos à passagem de um ícone da mãe do seu Deus.A imagem passará a noite a abrilhantar uma «vigília de oração mariana» que terá lugar na igreja de São Domingos.É extremamente curiosa a escolha que a Igreja Católica faz da Igreja de São Domingos para a pernoita do ícone, integrada nas cerimónias desta «Nova Evangelização».Sabendo-se que quem organiza estas cerimónias são pessoas inteligentes e conhecedoras, que pretendem sempre atribuir ao mais pequeno gesto e atitude um grande significado místico, a escolha da Igreja de São Domingos só pode ter sido feita como uma clara forma de comparação desta «Nova Evangelização» que agora tem lugar, com uma simbólica forma de reminiscência e de apelo à «Velha Evangelização» tão querida e saudosa para a Igreja Católica Apostólica Romana.É que a igreja de São Domingos está intimamente ligada à forma de «evangelização» que a Igreja Católica sempre privilegiou ao longo da História: a eliminação pura e simples de quem não professa o mesmo tipo de rituais e cerimoniais de culto.Mas que, ao fim ao cabo e se virmos bem, não passam do singelo cumprimento das determinações do livro sagrado dos cristãos e onde está inscrita a palavra de Deus: a Bíblia.Diz assim a Bíblia no Deuteronómio (17:2-5):«Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o Senhor teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do Senhor teu Deus, transgredindo a sua aliança, que se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei... então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra».E a palavra de Deus é para cumprir, não é? Deve ter sido por isso que no dia 19 de Abril de 1506 no decorrer de uma missa, precisamente na igreja de São Domingos, alguém com alguma over-dose de misticismo interpretou como um verdadeiro milagre divino um raio de luz que incidia sobre uma imagem de um santo qualquer.Foi então que um homem mais desintoxicado do sobrenatural tentou dar uma explicação mais prosaica à coisa, e apontou para um vitral como a origem mais provável, embora miseravelmente terrena, do raio de luz que tinha escolhido tão santa figura para poisar.O pior é que o homem era, ao que parece, cristão-novo.E logo ali todos os cristãos-novos foram acusados de heresia e blasfémia.O desmanchador de milagres já não saiu dali vivo: foi imediatamente linchado mesmo no solo sagrado da igreja de São Domingos.Depois, uma turba enfurecida que foi crescendo rapidamente, resolveu pela primeira vez na História consagrar Lisboa à Virgem Maria e imbuídos de um espírito de «Nova Evangelização» levaram a cabo o maior “pogrom” de que há memória em Portugal.Foi então que a população católica de Lisboa, incitada por monges dominicanos que aproveitaram para acusar os judeus de deicídio e de serem a causa da profunda seca que assolava o país, agora em piedoso e militante cumprimento das sagradas palavras de Deus que nos são transmitidas no Deuteronómio, massacrou impiedosamente milhares e milhares de cristãos-novos: homens, mulheres e até crianças.A matança durou três dias!Este massacre e a instigação clerical que se lhe seguiu foram primordiais para o crescente sentimento de anti-semitismo em Portugal. E que veio a culminar com o estabelecimento da Inquisição, que vigorou no nosso país durante quase três séculos: de 1540 a 1821.Não há pois dúvida:
A igreja de São Domingos é, de facto, o local mais simbolicamente adequado para, nesta campanha de «Nova Evangelização», a mãe do Deus dos católicos passar a noite!
# posted by Luis Grave Rodrigues

Mas o que é que a Igreja Católica está a preparar em Portugal?
Isto nunca tinh acontecido. Nem com a queda do Império tal se viu.
Os portugueses por este caminho ainda vão ter muita cinza para varrer!

Valente Constança !

Ora tenho que, primeiro, tirar o chapéu à jornalista que há bocadinho entalou completamente Cavaco Silva ao ponto de ele ter de dizer que na "altura tinha dito na televisão, que não compreendia como os americanos se tinham enganado nas WMD e que também dissera que discordava de intervenções não autorizadas ou patrocinadas pela ONU". É que ninguém,mas ninguém sabia dessa sua opinião! ( Ai os ratos a saltarem fora...)
Não terá sido a melhor entrevista dela. Mas foi certamente a mais corajosa, e para ele foi uma miséria.
Nem uma ideiazinha. Uminha, senhores.
Eu ali com a família em atenta espera e nada. Um vazio. No ecran os pixels mexiam, os queixos moviam-se, as câmaras buscavam os ângulos mais favoráveis de um e de outro.
Mas o som da minha TV estava como o rio que não passa pela minha aldeia, que não é melhor do que...( vocês sabem!...)
Até mandei calar um mais falador a ver se percebia um som. Nada.
Um zero!
As perguntas passavam por ele como as bolas pelo Ricardo. Ela perguntava alhos e vinham bugalhos embrulhados em jactância. Que tinha sido ele que tinha feito tudo o que estava feito em Portugal.
Que o desenvolvimento alcançado era obra dele. Perceberam? Dele! Desenvolvimento! Dele!
E que vai tratar de pressionar ( esta ouvi. Baixinho, mas ouvi!) o governo que não tinha credibilidade porque prometia uma coisa e fazia outra ( abrindo os braços em cruz ), a Assembleia da República e os Sindicatos.
Ora vejam lá que belo programa se nos apresenta para começo de ano.
Votem nele, carago, e comprem já as mochilitas para mudarem de País!
Vai ser um desatino!
Vamos ter saudades - condicionais é certo - do Santana Lopes, que Deus tenha!
Valente Constança que abriu a cobra e mostrou o veneno!

O independencitómetro


Novíssimo aparelho de última geração que, segundo os melhores representantes dos magistrados, serve exactamente para avaliar da independência dos mesmos.
É assim: Quando começam as carreiras são tão independentes como qualquer outro cidadão nessa condições.
Mas depois começam a afastar-se, dos cidadãos, bem entendido!
E ao longo das carreiras, mercê das justas mordomias que percebem, vão-se afastando cada vez mais no caminho da perfeita independência.
Para trás ficam os outros, enlameados e pegajosos, agarrados às suas dependências.
Eles, os mais desenvoltos no mar das perdições, avançam a braçadas certas, rumo às reformas que segundo as listas oficiais da CGAposentações, os colocam destacados entre milhares e milhares de outros, cujas dependências não valem um vigésimo da independência que eles exibem.

Maria, reduzi o País !


Lembram-se de uma fábula que nos contaram sobre um carro, uma rodagem, um não político displicente , um secretário geral do tipo dos "espontâneos" nas garraiadas da Figueira da Foz?
Um tal que tem o dom da palavra e do raciocínio?
Com uma reputação de economista internacional?
Que, sem querer, foi parar a secretário-geral e logo de seguida, também involuntariamente, se guindou a primeiro-ministro? Que fazia o favor de nos governar?
Estão a ver a distância a que ele se coloca dos meros mortais?
Ele foi nesse dia à Figueira, não a uma garraiada, mas para fazer de lebre quando havia uma particular confusão no interior do seu partido.
Foi, e no meio da balbúrdia geral, guindou-se a secretário dessa confusão, metatransformado em homem providencial, em homem sério, que não discute política nem desce ao nosso nível.
É um bolinador de inquietudes. Um surfista das facilidades.
Cavaco Silva, tal como então, prepara-se para lanchar este País, sem fazer muita força!
Basta que o reduza à sua expressão mais simples.
Vai apelar aos atrasados. Aos habitantes das procissões. Das aldeias profundas.
Às mentalidades salazarentas e obscuras. Aos que não têm a escolaridade obrigatória. Às marchas silenciosas e, tal como então, gritar :
- "Maria, reduzi o País !", à dimensão da Figueira da Foz.

domingo, novembro 13, 2005

Mia Couto, na poesia de domingo


SAUDADE (...)
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se nas pupilas desatentas
Seja eu de novo tua sombra,
teu desejo,
tua noite sem remédio tua virtude,
tua carência eu que longe de ti sou fraco
eu que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raíz exposta
Traz de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda em mim
os animais que atormentam o meu sonho.

Mia Couto (Moçambique)

Cidades com árvores

--------Brugmansia aurea( de Dias com Árvores )

Encontrei há pouco no excelente Dias com Árvores, este texto que subscrevo e que aqui fica.
A imagem é uma chapelada (d)àquele blog!

A ler - Um monumento à autocracia
Palavras - Manuel António Pina (No JN)
«Siza Vieira e Souto Moura estão a fazer nos Aliados um monumento à autocracia. A autocracia já merecia um monumento no Porto!
Ora, um monumento à autocracia tem que ser cinzento (e, se possível, "sizento"), que é a cor do posso, quero e mando. E tem que obedecer à regra da autocracia, a uniformidade. Por isso, Siza e Souto Moura conceberam os novos passeios, a nova placa central e as novas faixas de rodagem da Avenida, onde até aqui reinava uma perigosíssima diversidade (até flores havia na placa central!), do modo mais uniforme que puderam granito cinzento, granito cinzento e granito cinzento. Coexistiam por ali, diversamente, uma Praça do General Humberto Delgado, uma Avenida dos Aliados e uma Praça da Liberdade; Siza e Souto Moura tornaram tudo numa coisa só: assim a modos que um Rolex "made in Taiwan". Dessa maneira, os portuenses sempre poderão ir a Paris sem sair de casa. E como a calçada à portuguesa é também excessivamente diversa e excessivamente portuguesa, decidiram fazer-lhe o mesmo que às árvores e às flores, arrancá-la e uniformizá-la. O Porto terá uma Avenida de uniforme "signé Siza". Para tudo ficar uniformemente perfeito, só falta obrigar os portuenses a pôr fato cinzento quando vierem os fotógrafos das revistas de arquitectura.»
# posted by manueladlramos

sábado, novembro 12, 2005

A Máquina do tempo ou Bento XVI


É espantosa a tendência da Igreja católica para o disparate e para a asneira.
Agora, confrontados com a evangelização da extrema direita americana, com quem é que o Papa da ICAR se identifica?
Já advinharam?`
É verdade!
O Papa acaba de dizer mais uma que vai ficar na História dos Idiotas:
Diz ele que ao contrário do que a mais avançada ciência ensina, o Universo foi criado segundo um plano inteligente.
E mesmo em termos puramente teológicos, é sumamente ridículo e obsceno dizer que há um determinismo pré definido nas acções do tal Deus que tem uma vasta inteligência....
Foi ele que determinou todos os crimes da Igreja Católica ao longo dos séculos? Todos os mortos das cruzadas?
Todos os escravos do comércio triangular?
Todas as vítimas das guerras de rapina das matérias-primas?
Ora aí está a notícia fornecida pela insuspeita FoxNews:

Pope Cites World's 'Intelligent Project'
Saturday, November 12, 2005
VATICAN CITY — Pope Benedict XVI has waded into the evolution debate in the United States, saying the universe was made by an "intelligent project" and criticizing those who in the name of science say its creation was without direction or order.
Benedict made the off-the-cuff comments during his general audience Wednesday. The Vatican newspaper,
L'Osservatore Romano, published the full text of his remarks in its Thursday editions.
Benedict focused his reflections for the audience on scriptural readings that said God's love was seen in the "marvels of creation."
He quoted
St. Basil the Great, a fourth century saint, as saying some people, "fooled by the atheism that they carry inside of them, imagine a universe free of direction and order, as if at the mercy of chance."
"How many of these people are there today? These people, fooled by atheism, believe and try to demonstrate that it's scientific to think that everything is free of direction and order," he said.
"With the sacred Scripture, the Lord awakens the reason that sleeps and tells us: In the beginning, there was the creative word. In the beginning, the creative word — this word that created everything and created this intelligent project that is the cosmos — is also love


Haja paciência para com estes avanços da reacção mais desavergonhada que utiliza os sentimentos religiosos para se perpetuar no poder.PQP.

Olha eles a tirarem o corpo fora !


Agora são os próprios "Bispos" da Igreja do Bush que acham que foram enganados e se enganaram no apoio que deram à invasão do Iraque.

Aqui em Portugal os JPPs, os PP sem Js, os Durões Barrosos, os Marques Mendes e mais inomináveis, ainda têm muito para se arrependerem; O tempo é que vai sendo cada vez menos...
Methodist Bishops Repent Iraq War 'Complicity'
Thursday, November 10, 2005
By Kaukab Jhumra Smith


WASHINGTON — Ninety-five bishops from President Bush's church said Thursday they repent their "complicity" in the "unjust and immoral" invasion and occupation of Iraq.
"In the face of the United States administration's rush toward military action based on misleading information, too many of us were silent," said a statement of conscience signed by more than half of the 164 retired and active United Methodist bishops worldwide.
President Bush is a member of the
United Methodist Church, according to various published biographies. The White House did not return a request for comment on the bishops' statement.
Although United Methodist leadership has opposed the Iraq war in the past, this is the first time that individual bishops have confessed to a personal failure to publicly challenge the buildup to the war.
The signatures were also an instrument for retired bishops to make their views known, said bishop Joseph H. Yeakel, who served in the Baltimore-Washington area from 1984 to 1996. The current bishop for the Baltimore-Washington area,
John R. Schol, also signed the statement.
The statement avoids making accusations, said retired Bishop Kenneth L. Carder, instructor at Duke University's divinity school and an author of the document
http://www.foxnews.com/story/0,2933,175245,00.html

Os cursos profissionais que todos pedem...


À volta de Lisboa proliferam as habitações sociais, na maioria superpovoadas de imigrantes africanos.
Aí, as escolas mais "atentas" deram início, há anos, a cursos profissionalizantes, destinados à inserção no mundo do trabalho, de jovens já fora da idade da escolaridade obrigatória, mas com várias carências nos aproveitamentos obtidos.
A realização desses cursos visa a rápida colocação dos jovens em locais de trabalho, para o que as escolas e os seus docentes se multiplicam, nas respectivas áreas, na procura de locais para que os seus alunos iniciem estágios em empresas locais.
Trabalho árduo e dedicado desses professores.
A semana passada, em Vialonga( 15 km de Lisboa), que tem há muitos anos uma forte percentagem de população negra e onde as Escolas gozam de grande respeito, o Restaurante "O Cherne" recusou qualquer estágio a miúdos negros e não teve dúvidas, nem receio, em fazê-lo explicitamente.
Professores e alunos entenderam a mensagem.
Isto numa terra onde as escolas não são assaltadas ou vandalizadas.
Onde existe uma paz social invejável, se comparada com outros bairos à volta de Lisboa!
O que torna absolutamente revoltante este racismo e esta exclusão.
Mas que um dia vai transformar desempregados em assaltantes, jovens excluídos em ondas de tumúltos, miúdos em incendiários.
Ninguém aguenta a frieza e o cinismo da sociedade que lhes deu uma casa, na periferia da grande cidade, onde estão autorizados a morrer de fome.
Todos exigem mais carpinteiros, cozinheiros, e canalizadores. Onde estão as empresas que os vão empregar?

Pessoa, aos sábados

"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."

Em TABACARIA - Álvaro de Campos, 15-1-1928

Ler o Le Monde perceber porquê

Le Monde dizia:
"Um país que se considera como pátria dos direitos do homem e santuário de um modelo social generoso, mostra-se aos olhos de todos, incapaz de assegurar condições de vida dignas a jovens franceses cujos avós imigrados contribuíram para os "trinta anos gloriosos" (da II Guerra aos anos 70), mas que não têm tido outro horizonte senão desemprego, regressão tribal e racismo."

Eles lá sabem porquê!

sexta-feira, novembro 11, 2005

A Inteligência nacional e a evangelização em curso


Recorro com grande humildade, à pesquisa de "Um homem das Cidades", para dar a este blog onde escrevo, um fresco contributo da "Inteligência nacinal", tão carente de devoção e de elevação cristãs:
O Evangelho segundo a ACEGE
A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), constituída, em 1952, sob a denominação UCIDT - União Católica de Industriais e Dirigentes de Trabalho e, ultimamente, denominada UCIDT Movimento Cristão de Empresários e Gestores, e cujos estatutos foram aprovados em Fátima a 7 de Março de 1998, esteve ontem representada no debate na RTP2, «Espiritualidade e gestão».

A ACEGE promoveu recentemente a assinatura de um Código de Ética.Na sessão pública de assinatura do Código de Ética por empresários e gestores estiveram presentes individualidades com relevo nas empresas portuguesas, tais como João Alberto Pinto Basto, Alípio Dias, Álvaro Barreto, Pedro Teixeira Duarte, Vasco de Mello, Vasco Pessanha, António Castro Henriques, José Vinagre, António Pinto Leite, Nuno Fernandes Thomaz, Henrique Bandeira Vieira, Armindo Monteiro, entre outros.
Tudo gente de primeira água, portanto.
«Neste âmbito, este documento defende uma conduta ética por parte de empresários e gestores, que não tem de ser encarada como um constrangimento para a gestão das empresas nem é incompatível com a obtenção de lucro, sendo antes pelo contrário, um factor de desenvolvimento sustentado do tecido empresarial português, de maior competitividade, e de maior riqueza e justiça social».
Ou seja, lá por serem cristãos nada de inibições quando toca a gamar o próximo.Mas vejamos algumas das intervenções de alguns dos seus ilustres membros no II Congresso desta sagrada família.

Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, Ética:
Factor de Realização e Progresso
Senhor Dom José Policarpo, Eminência Beijo, respeitosamente, o anel de Vossa Eminência, saudando o egrégio Pastor de uma das duas dioceses por onde se divide a minha faina quotidiana, mas também o Magno Chanceler da Universidade em que ensinei durante inesquecíveis 16 anos, e, sobretudo, o Mestre no Pensamento, no Magistério e no Testemunho, numa Igreja que sabe falar para o Século XXI e os seus desafios, como sempre soube conjugar a eternidade do seu horizonte como a temporalidade das suas sucessivas circunstâncias.De cortar a respiração!
Ele beija o anel do egrégio sacana do Policarpo! Numa Igreja que sempre se soube adaptar aos tempos e sem perder a sua essência!Onde é que o Marcelo foi buscar esta verve? Terá sido a algum Ministro do fascismo?!

PS- Não era este Policarpo que queria mandar a Force de Frappe contra a "racaille"?

Manuel Alegre, triste


O deputado eleito pelo PS, Manuel Alegre, esteve hoje em greve.
Declarou mesmo que era livre de ir ou não à Assembleia da República.
Engraçado que este deputado considere que não está obrigado a comparecer no seu local de trabalho especialmente, se ia votar ( acto grande da democracia ) o OGE, que regulará a vida de todos os portugueses no próximo ano.
Triste interpretação das suas actuais obrigações.

A comédia divina ou o regresso à Idade Média


O pastor evangelista e neo-con americano, Pat Robertson, ameaça a população de uma vilória americana de destruição, por acção de Deus, visto que não aceitaram o ensino da nova idiotice cristã chamada, e intraduzível, "intelligent design" que prega a anti-ciência.
É o mesmo que andou a pregar a cruzada contra o Iraque e as famosas WMD.
Aliás ELES são sempre os mesmos!
A coisa é aberrante mas não ouvimos ainda uma condenação formal do Vaticano acerca destes desvarios.
(FoxNews)
VIRGINIA BEACH, Va. — Religious broadcaster Pat Robertson warned residents of a rural Pennsylvania town Thursday that disaster may strike there because they "voted God out of your city" by ousting school board members who favored teaching intelligent design.
All eight Dover, Pa., school board members up for re-election were defeated Tuesday after trying to introduce "intelligent design" — the belief that the universe is so complex that it must have been created by a higher power — as an alternative to the theory of evolution.
"I'd like to say to the good citizens of Dover: If there is a disaster in your area, don't turn to God. You just rejected him from your city," Robertson said on the Christian Broadcasting Network's "700 Club."

VIRGINIA BEACH, Va. — Religious broadcaster Pat Robertson warned residents of a rural Pennsylvania town Thursday that disaster may strike there because they "voted God out of your city" by ousting school board members who favored teaching VIRGINIA BEACH, Va. — Religious broadcaster Pat Robertson warned residents of a rural Pennsylvania town Thursday that disaster may strike there because they "voted God out of your city" by ousting school board members who favored teaching intelligent design.
All eight Dover, Pa., school board members up for re-election were defeated Tuesday after trying to introduce "intelligent design" — the belief that the universe is so complex that it must have been created by a higher power — as an alternative to the theory of evolution.
"I'd like to say to the good citizens of Dover: If there is a disaster in your area, don't turn to God. You just rejected him from your city," Robertson said on the Christian Broadcasting Network's "700 Club."
All eight Dover, Pa., school board members up for re-election were defeated Tuesday after trying to introduce "intelligent design" — the belief that the universe is so complex that it must have been created by a higher power — as an alternative to the theory of evolution.
"I'd like to say to the good citizens of Dover: If there is a disaster in your area, don't turn to God. You just rejected him from your city," Robertson said on the Christian Broadcasting Network's "700 Club."

quinta-feira, novembro 10, 2005

http://www.lse.ac.uk/

Copio, dado a clareza do exposto, do Luis Marvão ( que não deixou link no comentário abaixo) :
Why Immigrants Don't Riot Here" é um artigo interessante, embora eivado de alguma simplicidade. Sobre a questão da mobilidade social, estudos recentes demonstram que esta é, nos Estados Unidos, bem menor do que em muitos países da Europa Ocidental. É o que nos revela por exemplo o trabalho de pesquisa da London School of Economics and Political Science(http://www.lse.ac.uk/.. Passo a citar parte das conclusões do referido estudo : “A careful comparison reveals that the USA and Britain are at the bottom with the lowest social mobility. Norway has the greatest social mobility, followed by Denmark, Sweden and Finland. Germany is around the middle of the two extremes, and Canada was found to be much more mobile than the UK.”“In a comparison of eight European and North American countries, Britain and the United States have the lowest social mobility.” É provável que no que concerne à imigração as oportunidades de ascensão social sejam maiores no lado de lá do Atlântico. Historicamente, os EUA são um país de imigração, ao contrário da maior parte da Europa, onde este fenómeno é recente. Um último apontamento sobre a imigração muçulmana, associada à livre empresa e aos negócios nos EUA por oposição ao caso francês, caracterizado pela dependência da Segurança Social. Importa saber de que populações estamos a falar, porque nem sempre as condições de partida são iguais : Jovens estudantes instruídos ou famílias tradicionalmente ligadas à actividade comercial oriundas do Golfo Pérsico não estão nas mesmas condições dos empobrecidos imigrantes do Magreb.

De Eisenhower a JPP

O falecido Presidente americano Dwight Eisenhower, republicano de gema e que nunca tirou grandes notas em sociologia política( também não sei se ele sabia o que isso seria), disse um dia esta frase que, guardada no tempo, serve a JPP que hoje, mais um avez, explica no Público as vantagens do sistema Bush, sobre os estúpidos europeus que insistem em ter uma segurança social: É ler e tirar as conclusões:

"Should any political party attempt to abolish social security, unemployment insurance, and eliminate labor laws and farm programs, you would not hear of that party again in our political history. There is a tiny splinter group, of course, that believes you can do these things.
Among them are .. a few .. Texas oil millionaires, and an occasional politician or business man from other areas. Their number is negligible and they are stupid."
--
President Dwight Eisenhower, Republican,November 8, 1954
Mas para JPP o raciocínio é simples: Agora chama aos levantamentos juvenis apenas "violência política" e pronto, compara-os de seguida com as Brigadas Vermelhas (é verdade, está no Público) e com as 25 de Abril, afirma que os que aceitam essa violência ( quem foi ? ) usam uma sociologia de pacotilha.
A fórmula é velha e gasta. Mente-se sobre o que ninguém disse e, de seguida, classifica-se o mentiroso de ignorantee perigoso.
Mas trai-se pelo caminho e deixa cair estas pérolas:
" Antes os proletários deveriam fazer a revolução violenta ( Esperem, ele tem outra)porque eram explorados e a sua "mais-valia" apropriada pelos capitalistas, agora os jovens revoltam-se porque não têm "esperança no futuro".
Portanto Dr.PP o Sr. tem uma outra análise da formação do valor e da riqueza? O trabalho realizado já não é mais valioso do que aquele que é pago?
Então Dr.! Vamos a escrever essa nova teoria que tanta falta nos faz.
Trate de explicar isso aos milhões de assalariados a quem sobra mês, e falta dinheiro!
Que aos desempregados não vale a pena. Ou atrapalha-se?
Até mesmo os patrôes, os assalariadores, os sub-empreiteiros dos sub-empreiteiros, dos sub-empreiteiros dos sub-empreiteiros, lhe agradeceriam essa maravilhosa teoria que lhes permitiria nunca pagar impostos sobre o trabalho realizado ou sobre o trabalho pago.
As mini empresas de trabalhadores precários que realizam as grandes obras para as empresas gigantes que ganham os concursos públicos por esse mundo fora estão à espera dessa sua explicação!
Não me diga que nunca ouviu falar que os portugueses dos séculos XVi e XVII autorizavam os escravos, no Brasil, a trabalhar umas horas, por dia, nas hortas para proverem ao seu sustento, e das suas famílias? Nunca percebeu a habilidaade da coisa? Marx provavelmente não sabia desta habilidade dos portugueses de então. Teria poupado tempo a explicar a formação da riqueza e o valor do trabalho.
Nem percebeu ainda o real significado do ordenado mínimo e dos subsídios de desemprego nas sociedades capitalistas avançadas?
Só mais um bocadinho, se não se importam?:
" Há desemprego, guetização, marginalidade( ou exclusão/xenofobia?), exclusão e racismo, mas há também outras causas de que se evita falar, tão sociais como as anteriores, como seja o efeito sobre populações deprimidas ( porquê deprimidas? por estarem em França sem trabalho e sem finalidade na vida?) da intensa subsidiação do providencialismo do Estado, gerando expectativas artificiais e um direito de reivindicação( já lá vamos Dr., não se moa!), cada vez mais incomportável numa Europa em declínio, da recusa do trabalho ( ora esta! ele meteu aqui a recusa do trabalho sem fazer parte da receita dos problemas! Então Dr.! Os miúdos de 13 -20 anos, os malandros, não querem trabalhar? Madraços! e querem o quê?) , por uma "vida de rua" sem controlo, nem "patrão", de discriminações sexuais de origem cultural e religiosa que têm a ver com a ideia patrimonial da mulher muçulmana, pelos homens da sua família. ( Os meus leitores são testemunhas que eu não o interrompi agora, nesta melhor tirada de sociologia do Corão e do papel da mulher na família muçulmana).
E pergunto se é preciso mais para nos fartarmos de rir?
Ou de chorar talvez. A isto chama-se um politólogo português do sec.XXI. Um analista político com página aberta nos diários que desejar e nas televisões que preferir.
Quantos anos é que andámos para trás, depois do 25 de Abril?
Tem que ser para antes de 54 visto até o Gen Eisenhower, já nessa data, chamava estúpidos aos que defendiam a ausência de apoios sociais e de factores de inclusão na sociedade.
Depois PP diz que comparado com os bidonvilles os actuais guetos são "paraísos", que "se condena a polícia(?), e acha mal a "culpabilização dos políticos".
Não escreve uma vez o nome do Sarkozy nem da repressão que aí vem.
Nem uma palavra sobre as promessas de melhores apoios, mais emprego e melhor integração dos excluídos já determinados pelo estúpido governo francês!
Só em Portugal é que ele condena os políticos, quando o partido em que milita, não está no governo, bem entendido!
Não sei a que propósito é que ele meteu na sua "receita de solução dos problemas" aquela das mulheres muçulmanas e do seu papel na família.
Querem ver que há um papel diferente , da mulher, nas famílias dos muçulmanos e que só ele conhece? Qual será? Diferente das outras mulheres, das outras famílias, das outras religiões, no mesmo estágio de desenvolvimento das sociedades?
Que papel será esse que determina que, os jovens antes de se integrarem na sociedade, devem sair à noite e queimar carros?
Valha-o Deus!
Seguem-se os perturbantes ciúmes dos neo-nazis e das "acções punitivas drásticas" contra eles voltadas, caso fossem esses os autores dos desacatos...

Evangelização também por cá!



Nestes tempos de prometida evangelização - com o patrocínio da Igreja Católica Portuguesa - sempre é bom lembrar aos incautos os benefícios históricos desse movimento espiritual cujas consequências se têm feito sentir por todo o mundo, sempre com vantagens para os mais pobres, os excluídos e os segregados.
É o que faz o Carlos Esperança no Diário Ateísta. Pra ler e meditar!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Vénus Express na órbita de Vénus

-- Antecipação artística da Vénus Express próxima do seu objectivo

The concept for control of the Venus Express mission is based on the use of a single control centre, the Venus Express Mission Operations Centre (VMOC) at ESOC, Germany, in conjunction with the ESA deep space ground station located in Cebreros (near Madrid, Spain). The baseline operations philosophy is to acquire scientific data primarily during the 95 minute pericenter planetary passes, store the data on-board and downlink it during a single eight-hour pass each day.
(Ler mais )

5...4...3...2...1... et voilá!

O momento do lançamento com êxito, hoje, de Baikonur, do Vénus Express.
Também um êxito da cooperação e da ciência europeia!

A Europa no conhecimento do Espaço

Partiu hoje de Baikonur na Rússia a nave espacial Venus Express, propulsionada por um fogetão Soyus-Fregat sob a coordenação da Starsem, uma sociedade euro-russa com a participação da Aerospacial, Ariane, a Agência Russa do Espaço e o produtor do foguetão Soyus.
Fica aqui a notícia completa sobre o referido lançador europeu e as suas características, visto que detém a mais elevada taxa de êxito nos lançamentos de satélites, tripulados ou não: 98%

Launch VehicleVenus Express will be launched by a Soyuz-Fregat launcher from the Baikonur Cosmodrome. The launch window is open from 26th October until 25th November 2005. Soyuz-Fregat rockets are procured through Starsem, a European-Russian company that markets Soyuz launchers outside Russia. Starsem has four shareholders - Aerospatiale, Arianespace, the Russian Space Agency and TsSKB Samara, the manufacturer of the Soyuz vehicle.
Cutaway diagram of Soyuz-Fregat launch vehicle (image courtesy of Starsem)
Soyuz was first launched in November 1963 and 1683 have been flown as of 13 October 2003. A manned version carries crews to the International Space Station, while unmanned versions are used to launch satellites, interplanetary spacecraft and Progress cargo vehicles. It is one of the most reliable launchers in the world, with a 98% success rate.
The Soyuz launch vehicle comprises a lower composite and upper composite. The lower composite is made up of four boosters (first stage), the central core (second stage) and the upper, third stage. The upper composite is made up of a fourth stage (Fregat) along with a payload adapter, a fairing, and the Venus Express spacecraft. The Fregat, payload adapter, and Venus Express spacecraft are all contained within the fairing.
The four side boosters and the core (second) stage ignite at the same time, shortly before liftoff. The boosters burn for slightly less than two minutes, then shut down and separate. After booster separation, the second stage continues to burn for about a further three minutes. Two seconds before second stage shutdown, the third stage ignites and then separates from the second stage. After the third stage burns out it then separates from the upper composite. All lower composite stages use liquid oxygen and kerosene as fuel.
The main engine on the fourth stage, the Fregat, is ignited twice. The first ignition moves the Fregat-Venus Express composite from the suborbital trajectory into which it is delivered by the Soyuz third stage into an almost circular parking orbit. The second injects Venus Express into its interplanetary flight trajectory. The Fregat uses unsymmetrical dimethyl hydrazine (UDMH) and nitrogen tetroxide as fuel.

PS- Estou a preparar uma lista de personalidades para serem enviadas para o Espaço e, evitando algum injusto esquecimento, aceito as vossas sugestões, desde que garantam que não vão causar poluição

aPachecações

Pacheco Pereira continua a tentar apachecar-nos.
Mas o estilo é mau e as ideias, então, são dos museus.
Vejam lá este post, que reproduzo na íntegra:

Num artigo de hoje do Libération , que se queixa de que o “Estado abandonou os bairros sociais (as “Cités”)”, percebem-se três coisas:
a enorme rede de subsídios e financiamentos estatais típicos do “modelo social europeu”. O artigo cita a crise das acções de alfabetização, financiamentos do Fasild (antigo Fundo de Acção Social), acções de prevenção com adolescentes, programa de empregos-jovem, acções com mulheres, associações subsidiadas (o exemplo é uma intitulada Sable d’Or Mediterranée) que fazem acções de inserção, acolhimento dos recém emigrados, acesso à cultura, teatro de adultos, iniciação ao cinema, vários projectos artísticos e culturais, etc., etc.;
a enorme quantidade de pessoas que trabalha nestes programas, associações, ONGs, que são elas próprias um grupo de pressão para o aumento dos subsídios e o alargamento dos apoios estatais, e que, não é por acaso, aparecem nesta crise como as principais vozes “justificando” a “revolta dos jovens”;e, por último,
o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social.
Nem vos interrompi a leitura para ver se isso ia para baixo.
Ele, o que sempre quer, é deitar abaixo a Europa e todo o seu modelo social. O homem, o dr. professor, o intelectual que fotografa bibliotecas, está contra o seguinte:
- A alfabetização dos imigrantes
- A Acção Social
- A prevenção dos comportamentos de risco dos jovens imigrantes e filhos de.
- Programa de emprego jovem
- Associações subsidiadas
- Acções de inserção com mulheres
- Acolhimento de recém emigrados
- Acesso à cultura
- Teatro de adultos
- Iniciação ao cinema
- Projectos artísticos e culturais
- As ONGs
está até contra os etc, etc.
Esqueci-me de alguma coisa? Parece que é tudo por hoje.
Só falta a cereja em cima do bolo: The american way of life. E eu acrescentaria "of life and death!"...
Para terminar a litania oferece-nos as vantagens da ausência disso tudo. Aonde? Nos EUA, onde havia de ser!
Lá, o gigantesco exército industrial de reserva constituido por índios ( totalmente subsidiados para não fazeren nada!), negros( 20% na cadeia e outros tantos nas polícias, nos bombeiros e no exército. Os restantes vivem em condições iguais às de N.Orleans), latinos( todos no limiar do desemprego ou apenas com um salário mínimo que mal dá para sobreviver, sem residência autorizada e apenas para trabalhos menores ou agrícolas).
Tudo isto numa escala de milhões de seres humanos.
Lá na pátria que tem 1% da sua população na cadeia! Mais de 2,7 milhões de pessoas!
É esse o modelo que idolatra e propõe.
Lá onde os trabalhadores da indústria se se lembrarem de se associar em sindicatos são imediatamente despedidos e que que tomam drogas para poderem continuar a suportar os ritmos de produção da indústria;
Lá, onde a Condoleeza Rice não consegue alugar um quarto na 5ª Avenue.
Onde há milhares de emigrantes sujeitos a programas de experimentação de novos medicamentos, verdadeiras "guinea pigs" de duas patas!
Onde há universidades para os ricos( cujos cursos custam mais de um miilhão de dólares) que têm empregos garantidos no final do curso, e universidades para os outros mais escuros e para os negros, onde o ensino se vai degradando à medida que a pele dos alunos escurece e que escusam de procurar empregos fora dos segmentos a eles destinados: the performing arts, the sport and the social services ( os que servem de correias transmissoras da ideologia racista e segregacionista). Depois para compor o ramalhete têm uns, mais escuros, apresentadores de TV que existem para servirem de Eusébios de lá...
Nos EUA onde não há segurança social e onde também não há lista de espera para cirurgias pela simples razão de que as listas não existem! Nem listas nem cirurgias. Ou pagas ou morres!
Lá onde há jornais para negros, rádios para latinos, revistas para coloured people, TVs para todas as minorias bem separadinhas e isoladas em guetos donde não podem sair.
Pacheco Pereira nunca percebeu o Archie Brown? Via e não entendia?
Ele precisava era duma cura Nos EUA para ver se gostava de ser discriminado e tratado de latino ou quanto muito de ibérico.
Estava-lhe garantido um lugar de taxista ou de pasteleiro.
Que os outros estão já destinados.
A menos que vá dar aulas para uma dessas universidades da reacção evangélica, tão na moda por lá. Mas aulas de quê?

Afinal as armas proibidas...


A televisão estatal italiana informa o que mais adiante se lê. Aqueles que há dois anos proclamaram a certeza da existência das WMD estavam cobertos de razão: Os habitantes de Falluja foram regados com bombas de fósforo branco.
Não sei é se lhes chegaram a dizer, na altura, que parece ter sido por erro de cálculo.
Se não os informaram na altura, fica agora dito.

US 'used' chemical weapon in Falluja
Tuesday 08 November 2005, 21:57 Makka Time, 18:57 GMT

There have been allegations the US used outlawed weapons
Italian state television has aired a documentary alleging that the US used white phosphorous shells "in a massive and indiscriminate way" against civilians during the November 2004 offensive in Falluja.
The report on Tuesday said the shells were not used to illuminate enemy fighters at night, as the US government has said, but against civilians, and that it burned their flesh had "to the bone".
The documentary by RaiNews24, the all-news channel of RAI state television, quoted ex-marine Jeff Englehart as saying he saw the bodies of burnt children and women after the bombardments.
"Burned bodies. Burned children and burned women. White phosphorous kills indiscriminately. It is a cloud that, within ... 150m of impact, will disperse and will burn every human being or animal."
There have been several allegations that the US used outlawed weapons, such as napalm, in the Falluja offensive. On 9 November 2004, the Pentagon denied that any chemical weapons, including napalm, were used in the offensive.
Reporter Abd al-Adhim Muhammad, an Aljazeera reporter in Baghdad who covered Falluja battles until the closure of Aljazeera offices in Iraq in September 2004, said there was a lot of talk inside Iraq about the use of non-conventional weapons by the US army in Iraq.

"The amount of people who used to confirm to us that the US army had been using non-conventional weapons against Falluja city was enormous, but it was impossible to confirm," he said.

Fallujans deserted their city in the November 2004 offensive "The city was sealed off and families left; so basically only the resisting fighters were inside the city. They were mostly denied admission into hospitals, so we could not verify the information from the medical fraternity, but yes everybody was saying that burnt bodies were scattered on Falluja's streets."

On its website, the US government has said it used phosphorous shells "very sparingly in Falluja, for illumination purposes". It noted that phosphorous shells were not outlawed.

"They were fired into the air to illuminate enemy positions at night, not at enemy fighters," the government statement said. Pentagon spokesman Bryan Whitman on Tuesday said white phosphorus was a conventional weapon. He said he did not know if the US army used it in Falluja in 2004.
Aljazeera + Agencies

Foi encontrado mais um anti-americano primário!

Ora aqui está mais um anti-americano primário que dá pelo nome de
The New York Times e cujo editorial de hoje se congratula com o enorme êxito conseguido por J W Bush na sua recente viagem pelas Américas:
After President Bush's disastrous visit to Latin America, it's unnerving to realize that his presidency still has more than three years to run. An administration with no agenda and no competence would be hard enough to live with on the domestic front. But the rest of the world simply can't afford an American government this bad for that long.
In Argentina, Mr. Bush, who prides himself on his ability to relate to world leaders face to face, could barely summon the energy to chat with the 33 other leaders there, almost all of whom would be considered friendly to the United States under normal circumstances. He and his delegation failed to get even a minimally face-saving outcome at the collapsed trade talks and allowed a loudmouthed opportunist like the president of Venezuela to steal the show.

Os pro Bush estão a ver reduzida a sua base de sustentação e qualquer dia são eles que se apontarão, uns aos outros, como anti-americanos.
Já não falta muito...

terça-feira, novembro 08, 2005

O Chicote e a Cenoura

Como previsto, Villepin enfrentou hoje os acontecimentos e a Assembleia Nacional, com duas ordens de medidas. O Chicote e a Cenoura:
Devant un hémicycle comble et fiévreux, le Premier ministre a précisé mardi que l'état d'urgence pourra être prorogé «si les circonstances l'exigent» • Il a par ailleurs annoncé la création d'une «agence de la cohésion sociale et de l'égalité des chances» •
LIBERATION.FR : mardi 08 novembre 2005 - 16:23
É verdade, os incendiários não pegaram só fogo aos automóveis e caixotes do lixo, às escolas e uma ou outra fábrica, não senhor.
Pegaram mesmo fogo ao stato quo. Esse já era.
E para já, a classe dominante francesa percebeu onde é que está a raiz do problema. É mesmo a falta de coesão social e a desigualdade de oportunidades!
Calem-se lá os Pachecos Pereiras e os outros comissários políticos da direita disfarçados de sociólogos de aldeia.
Até o Villepin já percebeu!

Metadiálogos de Boliqueime (VII)

Visto que já estamos em plena campanha abrimos este espaço aos inspirados diálogos do Great Portuguese Disaster 85-95 que muito estão a contribuir para a formação cívica dos jovens:

"-- Ó, avô, o que é que quer dizer "racaille"?...
-- Onde é que tu ouviste isso, meu amor?...
-- Foi na televisão...: dizem que a racaille está a conquistar Paris...
-- Querido, não se pode acreditar em tudo o que passa na televisão... Porque é que não fazes como o vovô, que não lê jornais, nem vê televisão?...
-- ... excepto a "Primeira Companhia!!!..."
-- (risos) Sim, claro, excepto a "Primeira Companhia". Portugal, OPPS, deitar, OOPs, em frente, OOPS, marchar, OOPS, ao fundo!...
-- Bilu bilu bilu bilu!...
-- ... querido, então o vovô vai explicar... Racaille são aquelas pessoas que vivem numa economia medíocre, que não querem trabalhar, que não vão à escola.... que não votam no avô, e que só saem à rua para fazer mal aos outros.
-- Ó, vô, e no tempo do avô, havia racaille?...
-- Claro que não, querido, no tempo do avô... (silêncio)... Olha, filho, uma coisa... em português, nós não dizemos "racaille", dizemos "pretos", "monhés" e "camones de leste"... No tempo do avô, vinham muitos pretos, para construirem muitas casas, muitas estradas e muitos condomínios de luxo...
-- E construíam essas coisas para eles?...
-- Não, construíam para os amigos do avô e da avó. Lembras-te daquele senhor que esteve cá ontem, o Professor Cadilhe?... O Professor Cadilhe foi dos primeiros a comprar uma casa nas Amoreiras, feita pelos pretos!... E é amigo do avô e da avó!...
-- E por que é que os pretos não moravam nas Amoreiras?...
-- Os pretos não moravam nas Amoreiras porque aquelas casas não são para pretos!...
-- Então, moram onde?...
-- No tempo do avô, moravam na Pedreira dos Húngaros, e na Cova da Moura, e no Bairro do Fim do Mundo, e no Bairro das Marianas, e no Casal Ventoso, e no Bairro da Boavista, e...
-- Em condomínios de luxo, avô?...
-- Claro que não, querido, em condomínios de preto...
-- E por que é que eles vinham para Portugal para morar em condomínios de pretos?
-- Porque os amigos do avô, dos bancos e da construção civil iam à terra deles dizer que nós precisávamos de pretos para trabalharem em Portugal, e que eles deviam vir, para ganharem mais qualquer coisinha do que na terra deles.
-- E ganhavam mais qualquer coisinha?...
-- Umas vezes sim, outras vezes... não. Geralmente... não. Os pretos são muito preguiçosos, e às vezes chegava ao fim da semana, e as pessoas que são amigas do avô olhavam para eles, e diziam "tu não trabalhaste nada esta semana, escarumba, esta semana podes já começar já a ir pôr a manta à janela, que daqui recebes népia!..."
-- E o que é que eles faziam?...
-- Faziam o que os pretos fazem todos, metiam-se no álcool, na droga, na prostituição, e começavam a roubar as pessoas que votam no avô...
-- Ó, avô, e o avô quer ser eleito para acabar com os pretos?...
-- Querido, se, como espero, for eleito, em Janeiro, Presidente da República, o avô vai obrigar os pretos a estarem sempre na casa deles, na Cova da Moura, no Bairro 2 de Maio, na Boavista, no Pica-Pau Amarelo...
-- Ó, avô, e o avô acha que assim acaba com os pretos?...
-- (suspiro) Querido, os pretos são como os funcionários públicos, não acabam nunca, o melhor que nos pode acontecer é que vão morrendo todos...(Cai o pano)
posted by Arrebenta : Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Force de frappe
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The Redoutable, the first French nuclear missile submarine

a Pluton missile mobile launcher
The Force de frappe (literally Striking Force; meant for dissuasion, i.e. Deterrence) is the designation of what used to be a triad of air, sea and land based French Nuclear Forces, part of the Military of France. France has the fourth largest nuclear force in the world after the USA, Russia and China.
( Seria isto que Sua Revendíssima Alteza queria dizer? ) !
"Ils sont fous ces romans!"

Des Experts

Uma das valiosas características nacionais é a capacidade, amplamente demonstrada, de toda a gente se pronunciar sobre qualquer assunto:
Vasco Pulido Valente é uma reconhecida autoridade sobre o Modelo Social Europeu e a sua aplicação na Polónia!
Marcelo Rebelo de Sousa brinda-nos com lustrosos momentos de crítica literária ou sobre o corte de sobreiros na península de Setúbal.
De Belmiro de Azevedo tem vindo a público a sua visão sobre a gestão laboral na Função Pública.
Quem é que perde uma análise do Gen. Loureiro dos Santos sobre as tácticas a aplicar, contra a reacção politico- militar e socio-religiosa, no Iraque, pelas forças de ocupação?
Ouvi há pouco D. José Policarpo discorrer sobre a eventualidade da aplicação da "force de frappe" sobre os insurrectos em França.
Não tenho a certeza se Sua Eminência Reverendíssima sabe do que fala.
Mas o facto de se preocupar como nível da resposta repressiva a dar ao levantamento dos excluidos em França, já de si releva de um grande espírito cristão. Sua Eminência preocupa-se seriamente com eles. Eles que se cuidem!
Aliás Sua Eminência, noutros momentos de comoção e de tragédia, já nos brindou com intervenções da maior actualidade, ofertando verdadeiros farois rompendo as brumas que nos rodeiam.
Estou pois firmemente seguro que, ao Governo Francês não faltarão vozes, muito embora preocupadas, mas cheias de soluções, que a eles, pobres franceses, não passariam pela cabeça!
Só têm que estar atentos.

segunda-feira, novembro 07, 2005

La rascaille de Sarkozy


( da natureza do mal, com muito gosto:)
Sarkozy, la rascaille c’est lui!
Os jovens magrebinos e negros da ex colónias da terceira geração que estão a incendiar França, ( a canalha) , não têm programa, nem organização, nem líderes, nem modelos conhecidos. Os cenários repetem os de 1968, com mais pirotecnia e os mesmos CRS, um episódio da grande revolução mundial que, se estão recordados, varreu o mundo desde os campus norte- americanos ao extremo oriente e que teve as suas sequelas tardias no fim das ditaduras ibéricas e na instauração da democracia. La chienlit, disse na altura o general de Gaulle.O que se está a passar tinha sido previsto. Lembrem-se de La haine de Mathieu Kasowitz, dos sucessivos avisos das pessoas que trabalham junto dessas comunidades, sociólogos, assistentes sociais, políticos, religiosos. Se a França responder com o programa dos Sarkozy- mais polícia, mais justiça cega e mais promessas de integração- vamos todos perder. Os ingredientes da revolta francesa estão em quase todas as cidades da Europa. Quantos pivots negros temos nas nossas televisões? Quantos analistas? Quantos actores de novela? Quantos professores? Quantos presidentes de junta, vereadores,membros das assembleias municipais? deputados? Quantos cantores de sucesso? Quantos filhos de emigrantes há nas Comissões de Honra?

O Mapa da Xenofobia

É preciso denunciar os que querem reescrever a História e justificar o injustificável. Os que se preparam para voltar a impor a prepotência e "superioridade" europeia sobre os outros povos do Mundo:
( In Klepsydra)
O mapa representado nesta entrada infeliz do João Miranda circula em muitas sítios de extrema-direita da mais fanática. No entanto, aquele mapa não passa de uma pobre ficção, ao contrário do mapa colonial de 1914 que aqui represento. Em 1914, os Europeus estavam mesmo instalados em África e na Ásia com os seus representantes dos reinos e dos imperiozinhos. Em 2015 a Federação Albanesa nunca existirá na península itálica, nem a Nova Turquia, nem os Emiratos Ibéricos do mapa do João Miranda, mas em 1914 nós, os Portugueses, estávamos de facto em Angola e em Moçambique e fazíamos mais estragos e mais mortes que toda a violência urbana junta da população imigrante na Europa de hoje. Obviamente, que o João Miranda não considera os ex-Impérios uma ameaça. Agora os imigrantes, cuidado com eles, vão-nos invadir. Buh!O suicídio demográfico que teme João Miranda não é novidade em Portugal. No início do sec. XVI também se temeu o "suicídio demográfico" causado pelos judeus. A solução da época foi expulsar, perseguir, converter à força e condenar à fogueira milhares de judeus que viviam no nosso país. Ganharam com isso Holandeses, Suíços, Franceses, etc.; ganharam artesãos, artistas e cientistas de qualidade.O mapa de João Miranda é particularmente infeliz sabendo que Portugal tem cerca de 5 milhões de emigrantes. Como é que é? Em 2015 no Luxemburgo e no Liechtenstein, onde a população portuguesa ronda os 10%, vamos ter uma espécie de Principado Luso Católico-Apostólico-Romano?Creio que este infeliz post do João Miranda seja fruto de alguma ingenuidade, não o tenho como xenófobo (escrevo-o sinceramente). Mas considero muito triste encontrar posts deste nível num blogue de referência português. Julgo que de certa forma funciona como um insulto aos 5 milhões de portugueses que estão espalhados pelo mundo, particularmente os nossos colegas bloguistas no estrangeiro que não lhe devem achar piada nenhuma.

Paris já está a arder!


À parte o discurso convulso e mal articulado, próprio de outros iletrados, JPP é um portento do deslize, da ideologia e instinto de classe:
Vamos lá lê-lo:
"De novo, o noticiário das 13 horas da RTP1 transformou-se numa versão "noticiosa" de um panfleto do Bloco de esquerda, a propósito dos incidentes de Paris(...)Já não basta o modo como se tratou o Katrina, nunca rectificando as informações falsas que foram dadas, coisa que "arrastão", mas que ninguém exige quanto ao Katrina."
Até aqui ficamos a saber duas coisas : Que receia uma dita informação de esquerda, preferindo outra de direita; e que já mistura as pseudo vítimas do Katrina com as pseudo vítimas do pseudo arrastão.
Digamos que o JPP está em pânico. E quanto a mim, tem razão para tal. E continua:
"Agora, é uma "interpretação" do que acontece em Paris inteiramente conducente à justificação da violência. Preto no branco, uma justificação da violência, que nada tem a ver com notícias ou com jornalismo, mas com um digest de pseudo-sociologia politizada e grosseira.
E ficámos a saber que há uma sociologia não politizada, bacteriologicamente pura!
Aqui chegado JPP já não analisa, condena, já não quer mesmo ouvir, manda salgar o mensageiro:
"Por que razão é que eu tenho como contribuinte que pagar os exercícios de propaganda política de um grupo de senhores jornalistas que são maus profissionais e que nos querem apascentar?"
Claro, claro, Dr. JPP, já percebemos a sua indignação contra a outra classe, o seu ódio. E já não esconde o facto de ser contribuinte e os “outros” o não serem! Isso sim é que é sociologia da boa! Eles têm os direitos tolhidos por serem pobres e não pagarem IRS! É isso, não é?
Direitos na razão directa do IRS. Tá bem! É como cá. Por outras palavras os excluídos têm o direito a serem isso apenas. Excluídos. Tudo o resto já foi vendido ou está reservado...
E prossegue:
"Basta haver um ar de revolta social contra o “sistema”, um ar de “multiculturalismo” revolucionário dos “deserdados da terra”
(Olhe lá as tiradas racistas Dr.!)
"contra os ricos (os que têm carro, os pequenos lojistas, os stands de automóveis, os pequenos comércios), para a velha complacência face à violência vir ao de cima."
( Ainda acredita, passados 11 noites de levantamento popular que é contra isso que lutam? E já ouviu os próprios franceses a falarem abertamente em guetos onde se acumulam e vegetam milhões de pessoas? A honestidade do Dr. JPP termina onde acaba a 2ª Circulaire de Paris!)
Mas oiçamos:
"Fossem neo-nazis os autores dos tumultos e a pátria e a civilização ficavam em perigo, mas como são jovens muçulmanos da banlieue, já podem partir tudo. Não são vândalos, são “jovens" reagindo à “violência policial”, são “vítimas” do desemprego e do racismo dos franceses, justificados na sua "revolta", e têm que ser tratados com luvas verbais e delicadeza politicamente correcta."
Uau, Dr. JPP, é isso que ensina lá na faculdade? É esse ódio interclassista que destila? Está com ciúmes dos neo-nazis? E salta-lhe a frase chave de tudo isto, no meio do discurso que ninguém fez: primeiro o ódio religioso ( já explico porquê) depois a pseudo queixa da violência policial – que ninguém sustentou- e finalmente desmascara-se ao falar de desemprego ( também terei gosto em voltar a este detalhe) e sobretudo treme de indignação com a falta de sangue nas ruas de Paris. Le sang des autres, bien entendu! Onde está a repressãozinha?
"Os maus são as forças da ordem, os governantes, os polícias, os bombeiros e todos os que mostram uma curiosidade indevida pelos seus bairros de território libertado."
( Vai-se a ver foram eles, os excluídos, que se excluíram e foram viver onde moram, nas condições, e com o nível de abandono social que lhes foi proporcionado! Engraçada a lista de “serviços públicos que enuncia: Forças da ordem, governantes, polícias, bombeiros e informadores da polícia!)

"No fundo, não é novidade nenhuma. Há muitos anos que é assim, que estas questões são tratadas com imensa vénia, não vão os “jovens” zangarem-se e vingarem-se. A culpa é nossa, não é?"
Acto de contrição falso como Judas e repleto de medo subliminar e de sentimentos de culpa não superados.
Mas, como tanto faz ler directamente do Abrupto, como das cópias publicadas pelo Racosta, ficamos informados: o mau português não é exclusivo deste último mas que mutuamente se aplaudem no reaccionarismo e no excesso de instinto de classe, também conhecido pela vulgar designação de racismo puro e duro! :
Agora JPP socorre-se de um seu apoiante que, de além Atlântico, lhe parece oferecer uma tábua para flutuar. Puro engano. O que lhe parecia ser tábua é um prego!:
Desmascaram-se completamente, perdem a vergonha e atiram os véus para o chão quando encontram, nem que seja o último dos apoiantes do Bush que lhes sirva de muleta ideológica. O exemplar escolhido por eles é um primor: Nada esconde. Nem a sua devoção à máquina ideológica dos media americanos:

"Os media europeus sao horríveis. Absolutamente horríveis, quem ouvir ou ler um noticiário europeu fica com a impressão que os policias sao uns malandros, que perseguiram dois pobres inocentes desgraçados e que os encostaram aos cabos eléctricos e os mataram propositadamente…Estas são as mesmas pessoas que culpam Bush pelo atentados em Londres, que culparam Aznar e Bush pelos atentados em Madrid, que querem que os EUA negoceiem com Bin Laden (Soares e outros),
( interrompo por momentos a litania só para lembrar os incautos que foram os EUA que negociaram, financiaram e armaram Bin Laden...)
"são pessoas que passeiam as suas opiniões de “peace and love” mas que não oferecem alternativa quando algo de errado acontece. Para eles a pobreza desculpa tudo, as pessoas sao pobres por isso organizam-se em gangs, pegam em armas, roubam, saqueiam, destroem, cometem actos de terrorismo, etc. Não tem outra alternativa, são desgraçados, descriminados, e tem de cometer crimes para sobreviver." ( Toda a gente sabe que os levantamentos populares sempre foram articulados entre chefes de repartição de finanças, donas de casa nas idas ao cabeleireiro e motoristas de lords ingleses, é que está-se mesmo a ver!)
(E agora este docinho para terminar a análise concreta duma situação concreta. A não perder:
"Mas então e as pessoas que são pobres e que trabalham honestamente para que os seus filhos possam estudar e ter um futuro melhor? E os portugueses em Franca e noutros locais do mundo que abrem pequenos restaurantes, que trabalham na construção civil que comem o pão que o diabo amassou para que os seus filhos tenham um futuro melhor? Alguém os ve cometer crimes? Será’ que porque alguém faz parte de uma minoria isso e’ um bilhete directo para a violência e roubo?"
Já não é preciso mais nada, está tudo aqui: A escolha deste seu apoiante para merecer publicação no Abrupto é fantástica. O que sobra a JPP é a falta de vergonha!
Sem querer, da forma inocente e descarada, JPP e o seu apoiante mostram o que falha, e falhou, na correia de transmissão entre os exploradores e os explorados, entre os cidadãos de primeira e os de segunda.
Eles confessam que os “portugueses” e outros imigrantes “reconhecem” a sua inferioridade social e submetem-se à exclusão a que são votados. Só isso.
O que falhou em França foi exactamente a ideologia de classe dominante que foi incapaz de se infiltrar como valores imutáveis ( Hoje e sempre, haverá pobres!), como modelo a seguir, e como lei a cumprir num jogo que, mesmo viciado, não teria alternativa senão na violência e na revolta.
"Revolta-me isto que eu gosto de chamar a “cultura do pobrezinho e do desgraçadinho”. E’ revoltante! As regras de sociedade sao para cumprir, e sao para cumprir por todos, minorias inclusive’.(Carlos Carvalho, Ottawa, Canadá)"
Ao subscrever este "revoltado"Carlos Carvalho, JPP mostra a sua verdadeira face que detesta pobres e que exige o cumprimento das regras de classe, da sua classe dominante. Aquela que fez as regras, as escreveu e as impõe, manu militari!
A ausência de elementos de análise nestes seus textos de propaganda não é inocente: JPP sabe, porque já ouviu falar, de ideologia dominante, do papel da religião nessa ideologia e que, outra vez na História, a classe dominante e possidente, voltou a cometer o pecado capital da gula: Ao pretenderem ter à mão um “exército industrial de reserva”, não repararam que havia nele um substracto religioso que por diferente do seu, iria impedir a “normal” absorção das ideias do opressor e dos seus valores nas cabeças dos oprimidos e desempregados. Dos que não têm nada a perder! Erro capital tantas vezes repetido na História e pai e mãe de todas as revoltas populares. Quer o JPP goste ou os seus apoiantes chamem a polícia!
E é inevitável que, mais uma vez, de Gaza, ao Suez, do Líbano às favelas da América Latina, de Jacksonville à Somália, o Dr. JPP vá aprender uma lição quando, logo à tarde, o presidente Chirac avançar com medidas sociais e económicas agora de sentido contrário. Claro, entre ameaças e cenouras, vai dar mais do que dava. Vai prometer este mundo e o outro e ou me engano muito ou vai gabar-se que tem o apoio das autoridades religiosas do islão...

domingo, novembro 06, 2005

O Mate do Louco*


Se há coisa que nos pode destinguir daVenezuela, do Burquina-Fasso e do Butão, é a nossa conceituada estrutura judicial e a impossibilidade de haver magistrados político-complacentes. Apenas mentes perversas, irresponsáveis e provavelmente encimadas por duas orelhas pontiagudas, é que se lembrariam de tais frescuras.
Razão tem o "Jumento" para mostrar toda a indignação de que transcevo um pedaço:
"Um processo que se arrasta há anos, dá lugar a uma busca a um dirigente do PS precisamente na véspera da greve dos magistrados. E, como o PGR teve o cuidado de realçar, foi um juiz de uma qualquer terceira vara que assinou o despacho, que pelos vistos foi mais elaborado que o das buscas à banca, que mais parecia uma notícia da SIC. A busca foi no dia 24, a greve foi nos dias 25 e 26 e a notícia foi colocada na Visão online só no dia 2 deste mês. Isto é, na época das telecomunicações, o sopro levou quase dez dias do “furinho” da parede do segredo de justiça até à pena do jornalista. Conclusão, não se pode dizer que a busca cheira a vendeta, mas que foi feita, lá isso foi.
E o que foram procurar? Um valioso jogo de xadrez, foi o que supuz, a pensar em ouro, platina ou marfim de mamute apanhado nos confins do Árctico russo. Santa ignorância a minha. Não sabia que a Atlantis já tinha ultrapassado a Cartier no valor das suas peças, o que me leva a equacionar se alguns dos meus amigos não vão ser alvo de busca de alguma garrafa que eu tenha oferecido.
No entanto, a informação de que o valioso objecto era de vidro, com um tlim tlim mais suave do que o das garrafas de Coca-cola, só foi publicada no dia seguinte no Expresso, que divulgava ainda que a polícia também procura envelopes de dinheiro que constavam na lista de prendas de Natal do empresário de Cascais. Isto é, a polícia não só suspeita do crime como também de sanidade mental da pessoa, pois só um parvo é que ainda teria um envelope com dinheiro recebido há dez meses!
Conclusão, neste país, não só somos todos suspeitos, como sobram os palermas.
Posted at 11/6/2005 8:59:01 am by
Jerico"

* O "Mate do Louco" é um dos mais ridículos e rápidos mates que acontecem no Xadrez, só possível por jogadas suicidas !

sábado, novembro 05, 2005

A Cidade Judiciária de Caxias.

Sobre o anedotário compulsivo das gestões anteriores do ministério da Justiça, quantos silêncios cúmplices temos escutado?
Quantas greves e comunicados houve, a comemorar estas pérolas das mesmas gestões irresponsáveis?
Agora exige-se ao Governo em funções, há meio ano, que tudo faça, tudo altere, nada escape ao seu controlo, sem levantar a mais leve poeira.
Que se comporte como elefante em loja de cristais ...mas que tudo, mas tudo, fique na mesma.
Que faça sem fazer.
Que altere sem alterar.
Que reduza custos aumentando despesas.
Que, como outros, diga uma coisa e faça exctamante o seu contrário.
Alberto Costa pode até achar que os defensores oficiosos consideram o ofício uma chatice e um desagradável contacto classista, não pode é dizê-lo. Deve assobiar para o lado e fingir que está tudo bem.
!Quando deixar de ser Ministro da Justiça lá chegará a sua hora de dar entrevistas plenas de opiniões e parcas de oportunidade!
Pelo menos, essa tem sido a tradição:

Condomínio fechado
O processo da cidade judiciária de Caxias é um monumento de irresponsabilidade política que ninguém vai pagar
Eduardo Dâmaso: http://dn.sapo.pt/editorial/index.html

A obra da cidade judiciária de Caxias é um monumento à má decisão política, ao desperdício de dinheiros públicos e à irresponsabilidade que ninguém vai pagar. Começou mal e, desconfia-se, vai acabar ainda pior. Foi lançada à pressa e sem obedecer aos requisitos legais do concurso pelo Governo PSD-CDS e, em concreto, pela então ministra da Justiça, o que veio a ferir a legalidade administrativa do processo. A obra está embargada pelo Tribunal de Sintra, tem um parecer negativo da Procuradoria-Geral da República por não ter, em parte, sido lançada com concurso público e está parada há cerca de um ano.O actual Governo veio agora admitir a desistência do projecto, ficando obrigado a negociar indemnizações de milhões de euros não só com a Teixeira Duarte como com os promitentes compradores da sede da PJ na Rua Gomes Freire. Aparentemente, o Governo desiste por o processo estar muito embrulhado em termos legais e, também, por não ter dinheiro para a obra.Os adjectivos já são poucos para qualificar este duplo desastre. Não se compreenderá se este processo não vier a ser discutido na perspectiva do apuramento de responsabilidades políticas e financeiras por um tal fiasco. Em primeiro lugar, questiona-se o lançamento da obra nas circunstâncias em que ocorreu. As explicações por isso devem ser pedidas ao primeiro-ministro de então, Durão Barroso, e à ministra da Justiça do seu Governo, Celeste Cardona. Deve também ser exigida a explicação a Alberto Costa e ao primeiro-ministro sobre a desistência da obra, avaliada em 75 milhões de euros, para que se perceba tudo. Alberto Costa tem de explicar se desiste porque a obra é inviável, devido a questões legais, ou se ela teria, no caso de ser concretizada, um valor muito superior ao que o Estado terá de pagar pelas indemnizações. Terá de explicar, também, se uma das opções é mesmo a cedência do terreno da obra à empresa para ali ser construído um condomínio fechado. Poderá ser uma forma pragmática de resolver o problema, mas não deixa de ser uma insuportável metáfora do estado da política e da governação do País, ou seja, ele próprio transformado num condomínio fechado e exclusivo de grupos de interesses políticos e económicos.

A Organização dos Silêncios

Análise imperdível de Miguel Sousa Tavares, no Público:
«Mário Soares - como ele próprio não se cansa de recordar, a título de prova de vida - passou estes dez últimos anos sem resguardo algum: fez uma fundação, foi deputado europeu, publicou dez livros (!), viajou, fez conferências, palestras, presidiu a comissões, desfilou contra a Guerra do Iraque.
"Puf!" - suspira Cavaco Silva, com desdém, ao relembrar as andanças do seu rival -, "um político profissional no seu pior!" Ele, Cavaco, fez o inverso: tratou de acabar a sua vida académica tranquilamente, publicou um livro, após sair do governo e onde inventariou as "reformas de uma década", que jura ter feito, mas que, curiosamente, são hoje universalmente reconhecidas como as mais urgentes ainda por fazer, e reservou-se para ocasionais aparições públicas, sempre devidamente publicitadas pelos inúmeros homens-de-mão que deixou semeados pela imprensa e sempre recebidas pela pátria como verdadeiros textos de referência, senão mesmo de culto.
Soares falou tanto nestes dez anos que não nos lembramos de coisa alguma marcante que tenha dito. Cavaco falou tão pouco que, para a história, ficou apenas aquela frase dos tempos de governação de Santana Lopes de que "a boa moeda deve afastar a má". Foi um pensamento profundo e corajoso: antes dele, ninguém ainda tinha pensado numa coisa dessas e ninguém ainda se tinha atrevido a questionar os méritos governativos de Santana Lopes e do seu extraordinário séquito. Disse também outra coisa (hoje convenientemente apagada dos registos pelos seus fiéis), estava a sua amiga Manuela Ferreira Leite a tentar controlar o despesismo público e os défices suicidários do Estado: disse que o que era preciso eram políticas keynesianas, de "contraciclo" e acrescidas despesas públicas.
Há dez anos que todos sabíamos que Cavaco voltaria a candidatar-se à Presidência da República, assim que Jorge Sampaio desimpedisse o caminho - porque, tirando o inevitável holocausto de 95, contra o mesmo Sampaio, e a que não tinha maneira de se furtar, ele sempre foi homem dos combates com vitória assegurada à partida. Este seu novo e ridículo tabu com as presidenciais, este patético arrastamento da notícia formal da candidatura, quando já tudo estava pensado ao pormenor e ele ainda fingia estar em reflexão, só serviu para demonstrar duas coisas: uma, que Cavaco conhece e usa todos os truques da política, que afecta desdenhar; outro, que entre os seus truques preferidos está a gestão do silêncio, até ao limite do possível.
Não há lugar mais político do que a Presidência da República. É um lugar destinado exclusivamente a fazer política, não a governar ou a fazer obra. É por isso que a candidatura de Cavaco Silva gera tanto desconforto, tanta desconfiança e tanta insegurança em tanta gente: porque quem se candidata ao cargo se afirma, pessoal e estruturalmente, contra a própria natureza dele e, por conseguinte, nos deixa a tentar adivinhar que agenda secreta será a sua, uma vez na Presidência.
Sempre foi assim, também, nos seus dez anos de governo. Cavaco Silva sempre desprezou as ideias políticas, o debate, a ideologia, a agenda, a definição de um horizonte ou de um projecto para Portugal. Quando questionado, respondia com os 1400 quilómetros de estradas novas, os 210.000 carros comprados, as 600.000 criancinhas nascidas durante os seus anos de esplendor. Nunca aceitou debates, nunca perdeu tempo com o Parlamento, nunca se submeteu a entrevistas difíceis. Quando precisava de cuidar da imagem ou da mensagem, reservava-se para entrevistas exclusivas na televisão pública com o seu conselheiro de imagem ou com a sua adida de imprensa. Assim criou o mito do homem infalível, demasiado ocupado a resolver os problemas do país para se desgastar em explicações avulsas ou na inútil encenação democrática.
Para essas tarefas menores, Cavaco contou sempre com um fiel exército de "guardas da revolução", que hoje reemergem outra vez à superfície, tal como, diga-se em abono da verdade, reemergem os cortesãos de Soares. Uma das especialidades de Cavaco Silva foi sempre a de dar homens por si. Se Cavaco nunca teve uma ideologia nem sentiu necessidade de a ter, o cavaquismo teve-a.
Para quem já esqueceu ou finge ter esquecido, convém relembrar o que era a substância intelectual e política do cavaquismo. O mesmo Cavaco Silva que hoje se afirma contra a partidarização do aparelho do Estado, foi o primeiro-ministro que inaugurou a moda recente de distribuir todos os cargos públicos (excepto os das "forças de bloqueio", que se lamentava de não conseguir controlar) pelos fiéis do partido e do chefe, enquanto ele, como escreveu o seu fiel António Pinto Leite, afectava dedicar-se unicamente ao "culto solitário e obsessivo do interesse nacional". Enquanto o próprio Cavaco Silva se vangloriava de ter "devolvido Portugal ao mundo" e se gabava de ter feito de Portugal um "oásis" de progresso no meio da decadência do mundo, os seus fiéis ocupavam, sem pudor nem temor, todos e cada um dos cargos do Estado, das empresas públicas, das sinecuras regionais. Na RTP, totalmente governamentalizada, Roberto Leal, vestido de minhoca branca, pulava e saltava, cantando o refrão "nós já temos Cavaco e maioria" - antes mesmo das eleições. E o ministro Fernando Nogueira, então "número dois" e delfim do cavaquismo, explicava candidamente que não havia ocupação alguma do aparelho de Estado, já que ele não conhecia "um génio, uma pessoa invulgarmente dotada, que não esteja ocupada". Ele, por exemplo, estava apenas "muito empenhado em dar a sua contribuição individual para um projecto colectivo protagonizado pelo Professor Cavaco Silva... numa unidade ideológica que causa inveja aos adversários". Porque tudo se resumia a essa tarefa patriótica da unidade ideológica e serviço ao chefe, como ensinava aos deputados do PSD o líder parlamentar da maioria de então, Montalvão Machado: "Uma das prioridades dos deputados sociais-democratas deve ser a promoção da imagem de Cavaco Silva." Eram os tempos, recordo, em que o primeiro-ministro, Cavaco Silva, abria o telejornal da RTP, então estação única e pública, para declarar: "Estou em condições de dizer aos portugueses que o preço da gasolina vai baixar quatro escudos por litro." E eram os tempos, também, em que o mesmo primeiro-ministro propunha uma Lei do Segredo de Estado, felizmente abandonada, em que os aumentos de preço dos combustíveis, dos impostos, das taxas de juro e "outros rendimentos do Estado", bem como a contracção de empréstimos por parte da República ou das Regiões Autónomas, passariam a constituir matéria abrangida pelo segredo de Estado. Assim ia a democracia, nos gloriosos tempos de então.
E é por isso que, lembrando-me de coisas de então, agora que, segundo as sondagens, Cavaco Silva se prepara para ser meu Presidente da República nos próximos dez anos, eu acho que chegou a altura de lhe exigir o fim do silêncio conveniente. Gostaria de saber o que pensa ele de Portugal: da justiça, da educação, da desordem territorial, da reforma da administração pública, da regionalização, do aborto, da Ota e do TGV. E o que pensa do mundo: do Iraque, do combate ao terrorismo, das relações com os regimes corruptos de África, da imigração, da adesão da Turquia à Europa, da deslocalização de empresas, da futura guerra contra o Irão. Numa palavra, gostaria de saber que ideias tem ele, o "não-político", sobre a política. Será pedir de mais a quem quer ser Presidente da República?
P.S. - Nos tempos do "Grande Ceausescu", andava em reportagem pela Roménia e pedi uma entrevista ao ministro dos Estrangeiros. Responderam-me que as perguntas só por escrito, previamente, e as respostas só por escrito, posteriormente. O mesmo sistema acaba agora de ser instaurado na Câmara do Porto pelo dr. Rui Rio. Gostavam muito da "maneira de fazer política" dele, não gostavam? Pois agora aprendam!»

quinta-feira, novembro 03, 2005

Os penetras não estão convidados

Teria escrito tudo isto! Assim, descolei este pedaço de indignação da Câmara Corporativa, que subscrevo, e convido a vossa habitual atenção para ele:
"Até agora, o militar que tenha 20 anos de serviço, independentemente da idade, pode pedir a passagem à situação de reserva, sendo que tem “o direito a perceber remuneração de montante igual à do militar com o mesmo posto e escalão no activo, acrescida dos suplementos que a lei preveja como extensivos a esta situação.” Findos os cinco anos na situação de reserva, o militar aposenta-se.O novo regime altera esta intolerável situação. Como a aposentação é só possível aos 60 anos de idade, o tempo de serviço prestado será considerado para efeito de cálculo da pensão de reforma, mas os militares só terão direito à pensão ao atingirem 60 anos de idade. É a isto que os militares querem escapar, antecipando-se à entrada em vigor do novo regime.Convidamos os leitores a reler o post A ira dos militares é justa?, no qual poderão ainda ver outros aspectos que os militares contestam: a redução da bonificação da contagem de tempo de serviço efectivo e as regalias na assistência na saúde."
Compreendo agora a ira de certos sectores contra as reformas que este Governo considera justas e inadiáveis.
Mas os destinatários reagem e na maior parte dos casos desafiam abertamente o poder legítimo para conservar privilégios e mordomias que os outros portugueses têm de lhes pagar!
Sem pudor ou receio das consequências.
Que fazem estas Forças Armadas? e para que servem?
Quem é que está na disposição de continuar a sustentar milhares de madraços e de emproados reaccionários ?
Como suprema ironia dizem-se agora vítimas da democrracia que eles, benemeritamente instalaram em Portugal.
Ainda não perceberam que foi a guerra colonial que os obrigou a retirar e a derrubar o regime fascista em Lisboa. Ou retiravam ou eram mortos em África e ou derrubavam o governo ou presos pela Pide. Optaram pelo caminho mais fácil. Derrubar o governo do Caetano!
Sem a guerra dos povos africanos ainda teríamos o Marcelo Caetano no governo e os Melos na CUF!
Eles estão para a democracia como estiveram para aguerra colonial.
A mais!