| Cavaco ganhou e foi a todas as janelas - como prevíramos - e agradeceu a todos. Aos mais amigos e aos adversários. À Maria. Agradeceu até ao Marques Mendes e ao Ribeiro e Castro. Lívido, mas agradeceu. Só faltou agradecer a quem o financiou: Esqueceu-se do povo simples e anónimo que terá financiado quase cinco milhões de euros. Se, por um lado, percebo a fina percepção dos pobres para vislumbrar uma boa aplicação financeira, já acho mal este esquecimento, tratando-se de dinheiro emprestado a um professor de finanças... |
segunda-feira, janeiro 23, 2006
A cor do dinheiro
O desprezo da família
| O incompreendido Cavaco continua a receber os protestos da maior consideração e estima um pouco por todo o lado. O inefável jornal Le Figaro, arauto da direita, parece pouco entusiasmado com o respeitável passado construtivo de CS e, menos ainda, do papel que desempenhou na destruição da educação em Portugal, no lamentável período em que teve poder executivo : "En vingt ans, même si le niveau de vie général a bien augmenté, même si l'on a construit tous les ponts ou autoroutes possibles ici et là, on a bel et bien oublié l'investissement primordial, celui qui fait toute la différence entre le tiers-monde et le monde développé : l'école. Le réveil est brutal. La croissance portugaise, qui jusqu'en 2000 côtoyait celles de l'Espagne ou de l'Irlande, est aujourd'hui plate comme une limande. Le moral des Portugais, au plus bas, est inversement proportionnel à la montée du chômage et suit le feuilleton des délocalisations d'usines portugaises vers l'Afrique du Nord ou l'Asie" |
( Ler tudo)
Agora, em que batalhas se(nos) vai envolver?
As gargalhadas de Deus
Tornados, primeiro, no riso da Europa e depois no escárnio do Mundo aqui fica o que de nós diz a inteligência internacional. Melhor, dizia. Antes da eleição. Agora estão pelo chão de tanto se rirem:
Portugal busca salvador
Las mujeres le estrujan por la calle, los jóvenes gritan a voz en cuello "otra vez, otra vez, el pueblo portugués quiere a Cavaco otra vez" y "Cavaco ve adelante, eres nuestro presidente". Cuando llega la comitiva de los Audi y BMW, decenas de jubilados con banderitas de tela, una tuna femenina y la máquina municipal del PSD local estallan en ovaciones y cánticos de alegría. Así se vive, más o menos, el efecto Cavaco Silva en Portugal: como si de repente Dios bajara de los cielos.
( Ler tudo)
Portugal busca salvador
Las mujeres le estrujan por la calle, los jóvenes gritan a voz en cuello "otra vez, otra vez, el pueblo portugués quiere a Cavaco otra vez" y "Cavaco ve adelante, eres nuestro presidente". Cuando llega la comitiva de los Audi y BMW, decenas de jubilados con banderitas de tela, una tuna femenina y la máquina municipal del PSD local estallan en ovaciones y cánticos de alegría. Así se vive, más o menos, el efecto Cavaco Silva en Portugal: como si de repente Dios bajara de los cielos.
( Ler tudo)
Um traidor à janela
| Afinal, como suspeitava e escrevera, os desempregados votaram nos banqueiros, os minimamente assalariados votaram no candidato da direita, os reformados das pensões de miséria deram o voto ao representante dos pensionistas dos milhares de euros, as mulheres, senhores, foram dar o voto como outras vão a Fátima. De rastos! Por uma unha negra. Por uma mão cheia de votos. A ironia da democracia, e do estado dela nas sociedades mediatizadas, é que os descamisados correm o risco de serem levados na propaganda, no paga dois e leva três, no viaja agora e paga em prestações. E, quer queiram quer não, preparem-se para pagar as diversas facturas. A dos banqueiros, a dos industriais dos salários em atraso, a dos fundos europeus delapidados, a do tal monstro do serviço público, que tem um pai e mãe. A factura das corporações e dos media que lhe fizeram a eleição à medida. Faz lembrar a velha rábula do incendiário bombeiro. No dia 17 escrevi aqui que ele tinha escolhido o leito dos traidores e que nele se ia deitar. Não foi preciso esperar nada. Ontem à noite, depois do susto apanhado, veio reiterar o apoio ao Governo que odeia, e prometer os tais consensos alargados quando e sempre que possíveis... Assim uma espécie de corporativismo libertário. Ou a quadratura do círculo. PS- A um senhor Sousa Novais que escolheu este blog para escarrador da sua revanche, sempre lhe digo que nem a vitória foi uma cabazada, nem era a esquerda que seleccionava os eleitores. Está a tentar branquear a História. Essa é velha! Tenha vergonha, digo-lhe eu. Quem escolhia os eleitores, era o regime que desapareceu às mão da esquerda. Custe muito ou custe pouco! Eram eles que impediam o voto a quem não sabia ler ou tivesse menos do que a 4ª classe. Perdão, não era bem assim, no caso das mulheres tinham que ter mesmo o antigo 5º ano do liceu! Era assim como uma Madeira em tamanho familiar. Ou crês ou morres. Ou votas em mim e tens emprego, ou vais para a miséria. E era preciso apresentar atestado de bom comportamento civil e militar. E fazer declaração de rejeição do comunismo... Também não votavam os emigrantes nem os imigrantes. Nem os colonizados. E, se por acaso, alguém fosse conotado com outras “ideias” ficava sem emprego e sem carteira profissional. Não sabia, ou está a fazer-se de imbecil? Dono do 25 de Abril? Este blog? Valha-o Deus! Porque será que a direita trauliteira invoca o 25 de Abril só e para espernear que ele não é da esquerda? Até lhes posso dar alguma razão. Porque foi um golpe de estado feito pela classe militar e colonialista assustada com o espectro de mais derrotas militares. Mas isso é outra história que não pretendo atrapalhar mais o delicado tecido cerebral do seu Novais. Mas raras vezes têm a coragem de clamar pelo 24 de Abril que é o seu paraíso perdido |
terça-feira, janeiro 17, 2006
O traidor e as janelas
| Cavaco Silva se vier a ser eleito pela ignorância do povo e pela mais descarada demagogia e populismo de direita, depara-se com um inevitável conflito. Ou talvez não. O homem, uma vez eleito, teria que resolver a seu favor um conflito insanável consigo e com a História: Ou nega tudo quanto trejurara durante a campanha eleitoral em matéria de “estabilidade” e de “cooperação institucional” e, para salvar a face, vai enfrentar o Parlamento democraticamente eleito ou, suprema ironia, faz de morto e descompromete-se dos seus apoiantes que o subvencionam e o esperam utilizar como arma de retaliação contra a democracia, os direitos, as liberdades e a justiça. Ser pago pela alta burguesia ainda colonialista, incapaz de competir em economia aberta, e andar a cantar a Grândola Vila Morena, comporta os germes da putrefacção da democracia ou dele próprio. Em qualquer dos casos o papel que lhe está reservado é o do traidor: a uns ou a outros. Aos eleitores, caídos muitos deles no conto do vigário, ou aos insuportáveis patrocinadores, proponentes da vigarice! Dada a tradição que por aí ainda vigora sobre o tratamento a dar a traidores, quer-me parecer que seria avisado mandar pregar as janelas dos palácios... |
quarta-feira, dezembro 28, 2005
| Só uma perguntinha se fazem o favor: - Alguém poderá indagar junto do candidato Cavaco Silva o que é uma Empresa estrangeira em Portugal ? À luz da livre circulação de pessoas e de capitais dentro da UE ? Uma empresa para ser considerada estrangeira tem quanto de capital estrangeiro ? 5, 10, 15, 20, 40, 49. 51% ou tem mesmo que ser todo estrangeiro? Ou é só pelo apelido? A sede pode ser na Guiana Francesa? Ou no off-shore da Madeira? Exemplos?: a cimenteira Secil vendeu por 420m de euros a Enersis, a uma multinacional australiana; a Galp encontra-se encalhada numa participação gigantesca da ENI; A VW de Palmela que incorpora quase 60 % de produção nacional ?; O Casino Estoril é ou não propriedade de um cidadão chinês? O franchising da MacDonalds é ou não estrangeiro? A Burger King ? A Zara ? De que é que aquela luminária financeira está a falar? |

| A Subserviência do ex-colono Regressado de um período, longo, de "cooperação" com a esperança saída da derrocada do império e da sua substituição por outra "ordem", tive muitas oportunidades de observar os arrivistas que não só se tornavam subservientes, se aculturavam, e suprema ironia, passaram a reclamar do seu País de origem aquilo que ele ou não podia dar, ou nem sequer possuía.Refiro aqueles que vivendo presentemente em Moçambique ou em Angola consideram necessária à sua assimilação ao caldo da cultura dominante ( ou da classe dominante, para ser mais exacto), para o que lançam mão do descrédito de Portugal e das suas instituições. As suas vítimas preferidas são, ou a Cahora Bassa ou a TAP. É como se transportassem o colonialismo, às costas, através dos tempos, para se exibirem como seus permanentes antagonistas.Não percebem que o ridículo de andar a passear fantasmas e a insultar a sua memória - por pior que seja - não pode branquear o oportunismo dos que ali se apoderaram dos factores de produção e os colocaram ao seu serviço.Nunca encontrei um anti-português ou um anti-Portugal tão fervoroso e devotado como um branco arrivista e que pretendia tornar-se mais negro que o Kioko mais escuro ou o mais retinto dos Zulus. Vestiam, falavam e até escreviam como um dos assimilados negros. E isto só acontecia, claro, com os portugueses ou com os ex-portugueses. Os outros cooperantes, italianos, búlgaros, cubanos, chineses, ingleses, etc, esses mantinham a sua identidade e espírito crítico para com o que os rodeava.Casos houve, na Universidade em que o professor, doutra nacionalidade, interpelava os ex-portugueses sem entender o extremismo das suas posições anti-Portugal!O longo braço do colonialismo está ainda presente e a fazer das suas! |
terça-feira, dezembro 27, 2005
? É isto que os Media querem para PR ?
Ainda há poucos dias, numa visita à classe mais reaccionária de emigrantes portugueses no Brasil, Cavaco, entusiasmado com o poder que lhe vaticinam e prometem, gaguejava uma sua primeiríssima decisão tão logo fosse empossado: Um departamento, uma secretaria para o Emigrante português que fiacaria na Presidência da República, sob sua custódia e supervisão.
A sala com 300 ou 400 convivas, veio abaixo. Genial ideia, disseram!
Para que é que serviria tal estorvo? Para concorrer com o Governo e seus Departamentos legalmente em funções? Claro!
Para desautorizar o Governo e fazer constar que não tem nem atenção aos assuntos dos emigrantes, nem capacidade para lidar com tais detalhes governativos.
Foi assim como, se convidado para um jantar, desse receitas de culinária à dona da casa!
Pois não houve um só desses jornais e rádios que fazem "forums" por dá-cá-aquela-palha, que tivesse uma palavrinha de crtítica ao iluminado candidato! Não senhor! Ficaram mudos e quedos perante o ataque às instituições da República e ao atirar da Constituição para o lixo!
Mas hoje é diferente e ainda mais divertido: Agora o homem propõe descaradamente a criação duma secretaria de Estado para Acompanhar as Empresas Estrangeiras no País - acção da esfera exclusiva do Governo, diz a Constituição.
Perante a celeuma que provocou, Cavaco veio já desmentir que tivesse dito tais coisas.
É portanto ele o mentiroso, ou o jornalista do JN inventou a proposta ?
O futuro vai encarregar-se de nos esclarecer.
O episódio é apenas a parte do gato que está escondido!
A sala com 300 ou 400 convivas, veio abaixo. Genial ideia, disseram!
Para que é que serviria tal estorvo? Para concorrer com o Governo e seus Departamentos legalmente em funções? Claro!
Para desautorizar o Governo e fazer constar que não tem nem atenção aos assuntos dos emigrantes, nem capacidade para lidar com tais detalhes governativos.
Foi assim como, se convidado para um jantar, desse receitas de culinária à dona da casa!
Pois não houve um só desses jornais e rádios que fazem "forums" por dá-cá-aquela-palha, que tivesse uma palavrinha de crtítica ao iluminado candidato! Não senhor! Ficaram mudos e quedos perante o ataque às instituições da República e ao atirar da Constituição para o lixo!
Mas hoje é diferente e ainda mais divertido: Agora o homem propõe descaradamente a criação duma secretaria de Estado para Acompanhar as Empresas Estrangeiras no País - acção da esfera exclusiva do Governo, diz a Constituição.
Perante a celeuma que provocou, Cavaco veio já desmentir que tivesse dito tais coisas.
É portanto ele o mentiroso, ou o jornalista do JN inventou a proposta ?
O futuro vai encarregar-se de nos esclarecer.
O episódio é apenas a parte do gato que está escondido!
domingo, dezembro 25, 2005
O inominável nomeado

| Este blog tem-se pautado por manter uma certa higiene.Quase que a temos conseguido.Lamento informar que somos forçados a meter a mão na massa e a chamar os bois pelos nomes.Já perceberam que desta vez vou falar do Ribeiro e Castro que já pelo seu nome me parece vir de excelentes famílias. E o homem, tem-nos insultado a inteligência e a História com frases de carroceiro, de pároco analfabeto. Por acaso? Não meus caros. Não é por acaso. Ele está apenas a posicionar-se instintivamente na corrida aos despojos que julga irem ficar no terreno da batalha das presidenciais. Está a empurrar o Cavaco Silva para as teses do perigo da esquerda no poder. E de certa forma tem razão: Com este orçamento comunitário e a possibilidade de fazer renascer a débil economia portuguesa, o governo de Sócrates tem mesmo que optar por uma de duas políticas: Ou avança com reformas populares, cria emprego e oportunidades, moderniza a administração e a justiça ou então prossegue a política dos governos da direita em Portugal que desbarataram milhões a fazer de conta que governavam e a reforçar as grandes fortunas no País! Aí, o inominável, surge qual anunciador das tragédias passadas e a avisar-nos das que o futuro prepara. Empurra assim o Cavaco para que seja ele o arauto da "resistência" às medidas do governo! Tudo o resto, o terrorismo, os regimes fascistas, o imperialismo, as intervenções no Panamá, no Líbano, na Somália, no Haiti, Guernica, o Iraque, o Afeganistão, a Guerra do Ópio, o Apartheid, o assassínio de P. Lumumba, o Incêndio do Reichstag, a noite de cristal, Guantanamo, a deriva fascista nos EUA, são apenas "cenários" em que a tenebrosa figura se movimenta. Há muito que a direita, todas as direitas, sempre e assim continuarão, limita-se a considerar os seus contrários como perigosos terroristas. A palavra pode até ter evoluído. Já foram anarquistas. Antes eram maçons. Revoltosos. Escravos fugidos. Comunistas. Sindicalistas. Republicanos. Foras-da-lei. Tudo lhes tem servido para justificar os seus crimes e para considerar ilegal toda a acção libertadora! Daí o conceito de guerras justas! A estes canalhas é preciso dar caça! |
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Já Bocage não sou...
| Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste da facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno. Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos por taça escura De zelos infernais letal veneno: Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades: Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades Num dia em que se achou mais pachorrento. Manuel Maria Barbosa du Bocage, 1765-1805 (ler mais) |
terça-feira, dezembro 20, 2005
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Morales Aima Presidente eleito

Já a esperneante direita se antecipa nas dores do império.
Olhando d'entre a selva boliviana uma lança num lampejo
Muitos, cem Vietnames!: Che, um último desidério
De olhos já cerrados, mas agora eu vejo!
Não é que um índio, filho de índio e pai de outros tais, concorreu às eleições democráticas na Bolívia e ganhou-as?
As ondas de choque vão percorrer as espinhas e as pernitas da bem pensante e democrática direita neo-neo-neo-con! Mundo fora.
Vamos a contas?
Brasil - Venezuela - Cuba - Chile - Bolívia
O sonho do Che afinal era não só possível, como necessário
Diz o El Pais de Madrid:
Morales, por su parte, ha apuntado como prioridades de su Gobierno la lucha contra el narcotráfico y la reclamación de los derechos del Estado sobre el gas.
“Ni la cocaína ni el narcotráfico son parte de la cultura boliviana, menos de la cultura de los quechuas y aymaras”, ha afirmado en una rueda de prensa en la sede de la federación que agrupa a los productores de coca del país.
Pero, ha matizado, la política antidroga no puede centrarse en “cero coca, ni cero cocalero”; “eso tiene que cambiar”, ha añadido Morales.
Es sin embargo el otro aspecto de su discurso el que más ha preocupado a la comunidad internacional, y singularmente a los círculos económicos españoles. La petrolera española Repsol YPF (quinta en tamaño de Europa) controla un tercio de las reservas de gas natural de Bolivia (son las segundas en importancia de la compañía), y es el principal inversor empresarial en ese país (1.200 millones de dólares). Hoy ha caído un 2,3% en la Bolsa de Madrid.
Morales ha dejada clara su intención de incrementar el control estatal sobre las reservas de gas del país, reduciendo el papel de las multinacionales como Repsol o la estadounidense Exxon Mobil. El presidente de la petrolera española, Antonio Brufau, ha felicitado por su victoria a Morales, transmitiéndole por teléfono su “deseo de trabajar juntos por el bien de Bolivia”.
As prioridades da RTP
A RTP, paga com o nosso dinheiro, abriu hoje o noticiário com uma notícia/comentário/reportagem sobre uma prática tribal nas profundezas da África cuja crueldade e animalidade só se pode explicar por acompanhar o obscurantismo religioso.Até aqui tudo bem.Mas colocar a aprovação do Orçamento da UE e a fatia conseguida pelo Governo, para Portugal, lá para o meio do noticiário e com perguntas provocatórias dirigidas ao Freitas do Amaral, é que me parece pelo menos ridículo.É que se trata de um orçamento que excede as nossas melhores expectativas e que terá que ser criteriosamente utilizado visto que não haverá outro igual.Por essa Europa fora prossegue a análise ao pormenor deste assunto mas em Portugal a nossa televisão comporta-se com indiferença e desdém acerca do que vai determinar a nossa vida nos próximos 7 anos...
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Um representante de todos os idiotas
E se, de repente, cada ministro fizesse nomeações de filhos de amigos, de afilhados de ex-ministros, de primas de compadres?
Onde estaríamos?
Qual a credibilidade a dar a tais actuações no quadro do emagrecimento das despesas do Estado?
E se, ao arrepio das motivações de redução das despesas com pessoal e do melhor aproveitamento de quadros que, embora competentes, são excedentários, alguns ministros se comportassem como se fossem surdos ou como se nós fossemos todos mentecaptos ?
É que a filha do ex-ministro António Monteiro, de seu nome Maria Monteiro, acaba de ser nomeada por Freitas do Amaral para as funções de Adida de Imprensa na Embaixada em Londres onde vai auferir uma remuneração de cerca de 2000 contos por mês.
Sem discutir a competência da jovem ou da necessidade de um adido nessa Embaixada – coisas aliás que mereceriam outro post – resta-nos apreciar a “justificação” com que Freitas do Amaral nos brinda e devolver-lhe o tratamento de débeis mentais que nos atribui a todos.
Também não sei que mérito pode alguém retirar do facto de ser o representante oficial dum País habitado por idiotas e cretinos!
Eis a famosa explicação(?):
“Em relação à referência que me é feita na coluna Sobe e Desce, na pág. 23 do PÚBLICO de sabádo 10, gostaria de esclarecer o seguinte:
1) Não é verdade que a dra. Maria Monteiro seja “assessora de imprensa de Freitas do Amaral”: ela é, sim, consultora técnica na área da informação do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem sido, aliás, alfobre de grande número dos nossos conselheiros e adidos de imprensa no estrangeiro;
2) Não é verdade que a decisão de nomear a dra. Maria Monteiro para Londres tenha sido tomada “agora”, e “depois” de o ministro ter anunciado uma revisão do regime legal de designação de conselheiros e adidos técnicos. Essa é a aparência. A realidade é outra: a decisão referida, como várias outras, foi tomada antes do Verão; a decisão de estabelecer um novo regime legal sobre a matéria (para vigorar a partir de 2006) só foi tomada pelo Governo em Setembro e anunciada em Outubro na AR; mas só agora, em Dezembro, o Ministério das Finanças pôde descongelar a verba para o caso de Londres. Daí a confusão (decerto involuntária) da sra. jornalista: fiando-se nas aparências, acabou por criticar injustamente.”
DIOGO FREITAS DO AMARAL
Ministro dos Negócios Estrangeiros
Onde estaríamos?
Qual a credibilidade a dar a tais actuações no quadro do emagrecimento das despesas do Estado?
E se, ao arrepio das motivações de redução das despesas com pessoal e do melhor aproveitamento de quadros que, embora competentes, são excedentários, alguns ministros se comportassem como se fossem surdos ou como se nós fossemos todos mentecaptos ?
É que a filha do ex-ministro António Monteiro, de seu nome Maria Monteiro, acaba de ser nomeada por Freitas do Amaral para as funções de Adida de Imprensa na Embaixada em Londres onde vai auferir uma remuneração de cerca de 2000 contos por mês.
Sem discutir a competência da jovem ou da necessidade de um adido nessa Embaixada – coisas aliás que mereceriam outro post – resta-nos apreciar a “justificação” com que Freitas do Amaral nos brinda e devolver-lhe o tratamento de débeis mentais que nos atribui a todos.
Também não sei que mérito pode alguém retirar do facto de ser o representante oficial dum País habitado por idiotas e cretinos!
Eis a famosa explicação(?):
“Em relação à referência que me é feita na coluna Sobe e Desce, na pág. 23 do PÚBLICO de sabádo 10, gostaria de esclarecer o seguinte:
1) Não é verdade que a dra. Maria Monteiro seja “assessora de imprensa de Freitas do Amaral”: ela é, sim, consultora técnica na área da informação do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem sido, aliás, alfobre de grande número dos nossos conselheiros e adidos de imprensa no estrangeiro;
2) Não é verdade que a decisão de nomear a dra. Maria Monteiro para Londres tenha sido tomada “agora”, e “depois” de o ministro ter anunciado uma revisão do regime legal de designação de conselheiros e adidos técnicos. Essa é a aparência. A realidade é outra: a decisão referida, como várias outras, foi tomada antes do Verão; a decisão de estabelecer um novo regime legal sobre a matéria (para vigorar a partir de 2006) só foi tomada pelo Governo em Setembro e anunciada em Outubro na AR; mas só agora, em Dezembro, o Ministério das Finanças pôde descongelar a verba para o caso de Londres. Daí a confusão (decerto involuntária) da sra. jornalista: fiando-se nas aparências, acabou por criticar injustamente.”
DIOGO FREITAS DO AMARAL
Ministro dos Negócios Estrangeiros
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Um debate político não é uma aula

| Alguém terá que dizer ao Cavaco Silva que não basta repetir banalidades estatísticas, fora de um contexto, para passar por bom governante ou por bom economista. Coisas que já sabemos ele não é! O Jerónimo de Sousa estava mal vestido, mal sentado e a referir-se a medo ao Cavaco. Umas vezes como professor Cavaco. Outras como Sr. Dr. Cavaco. Gaguejou de mais. Mas sempre com uma reverência que não lhe conhecia. Talvez por ter sido mal aconselhado em termos económicos, como transpareceu. Não devia ter aceite aquele rosário de benfeitorias sem lembrar que por exemplo por cada emprego ganho no tempo de Cavaco, se perderam dois e saiu ainda um emigrante de Portugal para dar lugar a um imigrante... A esquerda assim está a dar o flanco quando seria fácil desfazer aquele pedante ! Tinha que o combater na arena política e dizer-lhe na cara que ele não vai tratar da economia do País nem do investimento. O homem está a enganar simplesmente os incautos que julgam possível milagres económicos em esforço, sem horas extras e sem trabalho. |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
A tragédia por uma unha negra!

Hoje, em Chicago, e apesar de toda a tecnologia aplicada no transporte aéreo em geral, e da extrema segurança que rodeia actualmente aquele meio de transporte nos aeroportos dos EUA.
Com imensa sorte, o acidente teve apenas uma vítima. Desgraçadamente para a infeliz família que passava na auto-estrada onde o avião acabou por parar...
O que dirão os defensores da permanência da Portela dentro da cidade de Lisboa quando isto pode acontecer. E que lamentavelmente acontece!
Qual a responsabilidade que irão assumir quando um avião se desfizer no meio de Lisboa?
Ou nessa altura vão apelar ao governo que continue a jogar a roleta russa dos voos rasantes sobre a 2ª circular?
Cavaco Silva é o boneco do ventríloquo Arrebenta
O IzNoGood faz o seguinte resumo do debate de há pouco:
"Vêm aí milhões de imigrantes!
E os portugueses que se cuidem.
Votem em mim."
assim falou Cavaco Silva há pouco!
"Vou propor reuniões com o Parlamento, o Governo e vou fazer comunicações ao País para propor novas leis sobre a Justiça"
disse Cavaco!
Nada disse sobre todo o resto. Fugiu como o diabo da cruz de tudo quanto fosse comprometer-se com o País. Ou com as alternativas de políticas que têm sido seguidas pelos consecutivos governos de direita.
Que Alah tenha piedade dos que vão sofrer a continuidade dessas políticas.......caso Cavaco seja eleito !
Einxalá!"
E descobriu-se que afinal o Cavaco não é mais do que o "boneco" do ventríloquo Arrebenta
"Vêm aí milhões de imigrantes!
E os portugueses que se cuidem.
Votem em mim."
assim falou Cavaco Silva há pouco!
"Vou propor reuniões com o Parlamento, o Governo e vou fazer comunicações ao País para propor novas leis sobre a Justiça"
disse Cavaco!
Nada disse sobre todo o resto. Fugiu como o diabo da cruz de tudo quanto fosse comprometer-se com o País. Ou com as alternativas de políticas que têm sido seguidas pelos consecutivos governos de direita.
Que Alah tenha piedade dos que vão sofrer a continuidade dessas políticas.......caso Cavaco seja eleito !
Einxalá!"
E descobriu-se que afinal o Cavaco não é mais do que o "boneco" do ventríloquo Arrebenta
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Uma Dívida de Gratidão
Ora o Luis Grave dá hoje notícia duma "imensa gratidão". A não perder:
"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.
Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.
Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...
E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.
E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...
# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM
"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.
Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.
Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...
E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.
E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...
# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM
Justiça Insólita
Por
João Paulo Guerra, in Diário Económico:
Aconteceu em Beja. Um inquérito judicial relativo a uma queixa por assédio andou cinco anos em bolandas no tribunal. Até aqui, nada de extraordinário.
Cinco anos não são nada na lista de espera da justiça.
Excêntrico foi que, às tantas, a própria queixosa, que exerce a profissão de advogada, chegou a ser nomeada defensora oficiosa do acusado.
Isto sim já é um facto mais desusado, embora não inverosímil.
Insólito seria o desfecho do caso - o processo foi deitado para o lixo por uma funcionária da limpeza -, não fosse passar-se tudo isto em Portugal.
O caso do processo de Beja que acabou no lixo nem sequer é inédito em Portugal.
Já aconteceu outro tanto com peças de processos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e até mesmo com papelada da Procuradoria-geral da República.
Neste País, em matéria de justiça, já aconteceu ou pode acontecer tudo.
Tudo menos a admissão de um erro judicial.
Por mais excentricidades que venham a público, não há nada que atinja uma sentença ou o juiz que a proferiu, o magistrado que dirigiu o inquérito ou o polícia que investigou. (...)
No comments, please!
João Paulo Guerra, in Diário Económico:
Aconteceu em Beja. Um inquérito judicial relativo a uma queixa por assédio andou cinco anos em bolandas no tribunal. Até aqui, nada de extraordinário.
Cinco anos não são nada na lista de espera da justiça.
Excêntrico foi que, às tantas, a própria queixosa, que exerce a profissão de advogada, chegou a ser nomeada defensora oficiosa do acusado.
Isto sim já é um facto mais desusado, embora não inverosímil.
Insólito seria o desfecho do caso - o processo foi deitado para o lixo por uma funcionária da limpeza -, não fosse passar-se tudo isto em Portugal.
O caso do processo de Beja que acabou no lixo nem sequer é inédito em Portugal.
Já aconteceu outro tanto com peças de processos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e até mesmo com papelada da Procuradoria-geral da República.
Neste País, em matéria de justiça, já aconteceu ou pode acontecer tudo.
Tudo menos a admissão de um erro judicial.
Por mais excentricidades que venham a público, não há nada que atinja uma sentença ou o juiz que a proferiu, o magistrado que dirigiu o inquérito ou o polícia que investigou. (...)
No comments, please!
domingo, dezembro 04, 2005
Grande Entrevista ao Cavaco Silva
Do Great, great, great ,great e great Portuguese Disater recebemos com pedido de divulgação este modesto contributo para o esclarecimento da grei:
Domingo, Dezembro 04, 2005
GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (11ª. PArte) - "OPUS DEI"(Continuação)
K.R.A. – Professor, gostaria de que falássemos hoje da… "Obra"…
C.S. – Minha senhora, a minha obra está à vista de todos os Portugueses, está descrita na minha auto-biografia, é percorrida todos os dias, pelo cidadão comum!...
K.R.A. – … Professor, tente perceber… Eu gostaria de que falássemos hoje sobre a… Opus Dei.
C.S. – (silêncio) Minha senhora…
K.R.A. – Professor, digamos…, posso começar por lhe perguntar: desde há quanto tempo é que o senhor conhece o General Ramalho Eanes?
C.S. – E eu posso responder-lhe que... (risos) foram as nossas esposas que se conheceram primeiro. Isto é um facto que a maioria dos Portugueses desconhece, mas que eu tenho o maior gosto em revelar aqui: a Drª. Maria Cavaco Silva e a Drª. Manuela Eanes encontraram-se, pela primeira vez, nos Grandes Armazéns do Chiado e no Grandella, onde iam comprar tecidos para chulear em casa. Posso mesmo dizer-lhe que muita da intimidade entre ambas se iniciou, justamente, agarradas ao mesmo rolo de tecido, a pensarem no que é que aquelas mãos de fada poderiam transformar aquela cambraia, aquelas chitas e aqueles "macramés" informes. Era, posso mesmo dizer-lhe, o equivalente ao Choque Tecnológico da altura... (risos). E mal sabiam elas, que, muito brevemente, viriam a ser, uma, a Primeira-Dama de Portugal; a outra, a esposa do Primeiro-Ministro (risos).
K.R.A. – Como o Professor se deve lembrar, o General Ramalho Eanes é a cabeça da sua Comissão de Honra. Ele acabou por receber um grau académico conferido por uma universidade espanhola atida à Opus Dei, a Universidade de Navarra, e muito recentemente, esteve no Museu de Arte Contemporânea, de Serralves, numa sessão evocativa do Bem-aventurado Josemaría, onde "relacionou o pensamento do Bem-aventurado Josemaría com as bases duradouras de uma sociedade a serviço do homem." Uma sociedade, que, do ponto de vista dele, levava a uma consolidação das Nações, através do "ímpeto dos homens que constroem a História"... O Professor não acha estranho que uma figura que assim se expõe, publicamente, com aquilo que é considerado uma SEITA dentro da Igraja Católica Apostólica Romana, subitamente apareça, na cena pública portuguesa, como o seu apoiante número 1?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor, queria apenas que me esclarecesse se tem conhecimento das conotações entre Ramalho Eanes e esta Sociedade Secreta, que, passo a citar, "actua ocultamente, com um máximo de opacidade nos seus assuntos", como reconheceu o Tribunal Federal Suíço, com sede em Lausanne".... O Professor não receia que o seu tão referido silêncio se coadune, justamente, com esta intervenção OPACA, mas persistente, na sociedade, tão persistente que só cessa quando alcança os seus objectivos?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor…
C.S. – Peço-lhe desculpa… dá-me licença para que faça um pequena chamada através do meu telemóvel?...
K.R.A. – Com certeza, Professor, mas relembro-lhe que estamos, em directo, perante vários milhões de Portugueses…
C.S. – (murmura umas quantas palavras ao telemóvel e desliga)
K.R.A. – E, Professor?…
C.S. – (pausa)… minha senhora, não estou aconselhado a pronunciar-me mais sobre esse assunto…
K.R.A. – Voltemos então à nossa pergunta. O Professor disse que o vosso relacionamento mais íntimo começou através das respectivas esposas, num armazém de bainhas e tecidos, entretanto, já malogradamente ardido…
C.S. – Exactamente, elas são duas senhoras muito habilidosas de mãos, aliás, julgo já lhe ter dito que a minha esposa... é ela mesma que confecciona os seus próprios vestidos..., aliás..., ela até tinha uma costureira que imitava os modelos que ela via, em Paris… A senhora já imaginou quanto não se poupava, em Portugal, com a minha esposa a reproduzir, cá, os modelos caríssimos, que via no Faubourg Saint-Honoré, ou na Avenue Montaigne?...
K.R.A. – Portanto, o vosso relacionamento, digamos, mais íntimo, vem por via feminina?...
C.S. – Sim, quer eu, quer o General Ramalho Eanes, pertencemos a uma Associação dos Casais de Nossa Senhora do Rosário…
K.R.A. – … que consiste em?...
C.S. – Trata-se de uma associação de casais bem formados, capazes de rir, sofrer, de amar, de… enfim… criar, em conjunto, uma "piedade sólida e activa, sobressair no estudo, sentir firmes desejos de apostolado profissional", e poder levar os outros a formarem aquilo, que, atrever-me-ia a afirmá-lo…, seja… "uma elite tecnocrática"…, capaz de conduzir Portugal aos caminhos da Confiança, do Progresso e Economia de Sucesso.
K.R.A. – O Professor sabe que a Opus Dei foi, recentemente, humilhada publicamente, ao ser considerada pelo Parlamento Belga uma organização sectária, a par da Igreja de Cientologia, das Testemunhas de Jeová, e da Igreja Universal do Reino de Deus…
C.S. – Desconhecia, minha senhora... Como sabe, evito ler jornais, para além do "Financial Times"… Mas deixe-me que lhe diga: já aqui falámos da Bélgica, e a Bélgica não é um exemplo a seguir, já que é um Estado que também apoia várias coisas… enfim… contra a Natureza, como os tais casamentos de homens invertidos, mulheres que se prostituem, e tantas outras coisas que, Deus me perdoe, prefiro continuar a ignorar…O mais que lhe posso dizer é que, se for eleito, como espero, não desenvolverei em Portugal um modelo como o belga.
K.R.A. – Em contrapartida, o Professor considera normal que o General Ramalho Eanes tenha proferido, perante uma sala cheia, palavras de louvor a Balaguer, como as seguintes: "Se não desejasse ele também o impossível, se não fosse insaciável a sua sede de perfeição absoluta, se não quisesse estar com o Pai, bem servindo os homens, como poderia ele ousar, ou melhor, atrever-se, à originalidade desafiante da sua pregação"?... O Professor repita ao homem da rua este discurso, e pergunte-lhe o que ele pensa dele…
C.S. – Minha senhora… desconhecia essas palavras…
K.R.A. – Pois essas palavras estão presentes, e acessíveis, para quem as queira ler, num "site" oficial da … enfim… da "OBRA".
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Com certeza não desconhece que, nos Anos 70, após o gigantesco escândalo da falência do Banco Ambrosiano, intimamente ligado ao Instituto das Obras Religiosas, o Banco Central do Vaticano, que, consta, entre outras instituições, financiava directamente o Partido Italiano da Democracia Cristã e o sindicato polaco "Solidariedade", do aparecimento de um seus directores, misteriosamente enforcado, em Londres, numa das pontes do Tamisa, da fuga do Cardeal Marcinkus, Presidente do Instituto das Obras Religiosas, para a inviolabilidade diplomática e religiosa do Estado do Vaticano, do espantoso escândalo, que foi a descoberta das ramificações entre o Banco Central da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e a Loja Maçónica P2, a Máfia e a "Cosa Nostra", entre outros… não desconhece que, depois de tudo isto, que já não era pouco, a Opus Dei, sociedade de banqueiros e gente difusa da Alta Finança, foi chamada a intervir financeiramente, de modo a que o Vaticano pudesse não entrar numa situação de bancarrota técnica…
C.S. – Sim, minha senhora, eu estava a acabar o meu doutoramento em Oxford, mas não liguei muito ao assunto, desculpe que lhe diga, os Órgãos de Comunicação Social… enfim… são muito dados a certos exageros…
K.R.A. – …exageros que vão ao ponto de afirmar que o custo desta injecção de capitais, por parte da ultra-conservadora Opus Dei, foi a liquidação sumária do recém-eleito Cardeal de Veneza, o Papa João Paulo I, e a sua imediata substituição por um Cardeal polaco, o candidato da OBRA, o polaco Karol Woytila, por sua vez, a face visível de um poder ainda mais oculto e assumidamente Opus Dei, o Cardeal alemão, Ratzinguer…
C.S. – … Uma pessoa muito interessante e bondosa, o nosso Papa Bento XVI, que, posso revelar-lhe em primeira mão, constituirá a minha primeira visita oficial e de Estado, quando, como espero, seja eleito Presidente da República, em Janeiro de 2006. Posso dizer-lhe que foi a coisa que eu imediatamente prometi à minha esposa, a Drª. Maria Cavaco Silva…
K.R.A. – Não o espanta que a canonização de Escrivá Balaguer tenha sido a mais rápida da História da Igreja, assente num milagre que, supostamente, teria feito, graças à cura miraculosa de cancro da freira Concepcion Boullón Rubio, prima de um ministro de Franco ligado ao Opus Dei, aliás, um dos 12 ministros Opus Dei, do derradeiro governo de Franco, que contava com 17 membros?...
C.S. – Minha senhora, o reconhecimento das boas pessoas não me espanta…
K.R.A. – … um homem colérico e rancoroso, o Santo dos Muito Ricos, cuja estátua, espante-se, Professor, já foi discretamente colocada, ao lado de homens que distinguiram pela piedade, pelo amor do próximo e dos mais desfavorecidos, na fachada da Basílica de São Pedro, a mesma basílica planeada por Bramante e Miguel Ângelo…
C.S. – Minha senhora, a minha área, como sabe, são as Finanças Públicas, não a Arquitectura…
K.R.A. – O Professor já pensou que a sua táctica de candidato presidencial, ou melhor, a táctica de candidato presidencial das PESSOAS SEM ROSTO, que por detrás de si se ocultam, passa por muitas das estratégicas tipicamente associadas com as manobras de sombra e bastidores da Opus Dei, os candidatos que se movem na penumbra, SEM FACE e no SILÊNCIO, até alcançarem os patamares pretendidos, e poderem depois exercer, de forma exemplar, os seus desígnios?...
C.S. – Minha senhora, os rostos dos meus apoiantes são todos conhecidos, o General Ramalho Eanes, o Dr. Mota Amaral, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da maior Instituição Bancária Portuguesa, o Millennium-BCP…
K.R.A. – Tudo pessoas fortemente afastadas da Opus Dei…
C.S. – Exactamente, minha senhora, e, como eu, supra-partidárias, e longe de serem políticos profissionais…
K.R.A. – Deixe-me interrompê-lo e recordar-lhe que a estratégia da OBRA se move particularmente bem numa sociedade em que os sectores económicos estejam privatizados. Os tecnocratas do Opus Dei são as pedras deste xadrez do poder. Por vezes, os negócios correm mal e há que sacrificar um peão. Nesses casos, a responsabilidade é sempre assumida a título individual e a Opus nunca é beliscada. Isso não lhe faz lembrar o modo como se procedia à substituição dos seus ministros, durante o Período de 1985-1995?... Quando algo corria mal, não era sempre o elo mais fraco que era sacrificado?...
C.S. – Minha senhora, que exagero…
K.R.A. – Pois, Professor, a estranha rivalidade que move Mário Soares contra o General Ramalho Eanes, talvez tenha aqui uma estranha e imprevista explicação, mais pragmática e evidente, se tomarmos como dado que, ao contrário do Rei de Espanha, D. Juan Carlos, o político mais respeitável do Espaço Ibérico, que imediatamente afastou da sua vizinhança o seu ex-preceptor, Opus Dei, o General Ramalho Eanes teria entreaberto as portas para a entrada da Seita no território português…C.S. – Minha senhora…
K.R.A. – … e mais lhe posso dizer, Professor, que haja já quem tenha entrevisto, nesta disputa do Poder Presidencial, uma tentativa da Opus Dei para, depois de ter eleito um Papa, começar a ganhar terreno no espaço político laico, nomeadamente, nos países da Europa Meridional…Não acha que a recente história dos crucifixos nas paredes das escolas foi uma armadilha muitíssimo bem montada para o atrair para um terreno onde poderá ser rapidamente eliminado?...
C.S. – Minha senhora, que eu saiba…
K.R.A. – Independentemente de o Professor o saber, ou não, pode ser que alguém, por detrás de si, tenha súbita, mas premeditadamente, decidido interromper uma série dinástica de Presidentes da República perto da Linhagem Maçónica, colocando no Poder um Presidente da República não-hostil à Opus Dei.Mas isso é um assunto que o Professor terá de rapidamente esclarecer com os Portugueses, ou seja, não é comigo, mas entre si e os cidadãos seus eleitores...
(Continua)
Domingo, Dezembro 04, 2005
GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (11ª. PArte) - "OPUS DEI"(Continuação)
K.R.A. – Professor, gostaria de que falássemos hoje da… "Obra"…
C.S. – Minha senhora, a minha obra está à vista de todos os Portugueses, está descrita na minha auto-biografia, é percorrida todos os dias, pelo cidadão comum!...
K.R.A. – … Professor, tente perceber… Eu gostaria de que falássemos hoje sobre a… Opus Dei.
C.S. – (silêncio) Minha senhora…
K.R.A. – Professor, digamos…, posso começar por lhe perguntar: desde há quanto tempo é que o senhor conhece o General Ramalho Eanes?
C.S. – E eu posso responder-lhe que... (risos) foram as nossas esposas que se conheceram primeiro. Isto é um facto que a maioria dos Portugueses desconhece, mas que eu tenho o maior gosto em revelar aqui: a Drª. Maria Cavaco Silva e a Drª. Manuela Eanes encontraram-se, pela primeira vez, nos Grandes Armazéns do Chiado e no Grandella, onde iam comprar tecidos para chulear em casa. Posso mesmo dizer-lhe que muita da intimidade entre ambas se iniciou, justamente, agarradas ao mesmo rolo de tecido, a pensarem no que é que aquelas mãos de fada poderiam transformar aquela cambraia, aquelas chitas e aqueles "macramés" informes. Era, posso mesmo dizer-lhe, o equivalente ao Choque Tecnológico da altura... (risos). E mal sabiam elas, que, muito brevemente, viriam a ser, uma, a Primeira-Dama de Portugal; a outra, a esposa do Primeiro-Ministro (risos).
K.R.A. – Como o Professor se deve lembrar, o General Ramalho Eanes é a cabeça da sua Comissão de Honra. Ele acabou por receber um grau académico conferido por uma universidade espanhola atida à Opus Dei, a Universidade de Navarra, e muito recentemente, esteve no Museu de Arte Contemporânea, de Serralves, numa sessão evocativa do Bem-aventurado Josemaría, onde "relacionou o pensamento do Bem-aventurado Josemaría com as bases duradouras de uma sociedade a serviço do homem." Uma sociedade, que, do ponto de vista dele, levava a uma consolidação das Nações, através do "ímpeto dos homens que constroem a História"... O Professor não acha estranho que uma figura que assim se expõe, publicamente, com aquilo que é considerado uma SEITA dentro da Igraja Católica Apostólica Romana, subitamente apareça, na cena pública portuguesa, como o seu apoiante número 1?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor, queria apenas que me esclarecesse se tem conhecimento das conotações entre Ramalho Eanes e esta Sociedade Secreta, que, passo a citar, "actua ocultamente, com um máximo de opacidade nos seus assuntos", como reconheceu o Tribunal Federal Suíço, com sede em Lausanne".... O Professor não receia que o seu tão referido silêncio se coadune, justamente, com esta intervenção OPACA, mas persistente, na sociedade, tão persistente que só cessa quando alcança os seus objectivos?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor…
C.S. – Peço-lhe desculpa… dá-me licença para que faça um pequena chamada através do meu telemóvel?...
K.R.A. – Com certeza, Professor, mas relembro-lhe que estamos, em directo, perante vários milhões de Portugueses…
C.S. – (murmura umas quantas palavras ao telemóvel e desliga)
K.R.A. – E, Professor?…
C.S. – (pausa)… minha senhora, não estou aconselhado a pronunciar-me mais sobre esse assunto…
K.R.A. – Voltemos então à nossa pergunta. O Professor disse que o vosso relacionamento mais íntimo começou através das respectivas esposas, num armazém de bainhas e tecidos, entretanto, já malogradamente ardido…
C.S. – Exactamente, elas são duas senhoras muito habilidosas de mãos, aliás, julgo já lhe ter dito que a minha esposa... é ela mesma que confecciona os seus próprios vestidos..., aliás..., ela até tinha uma costureira que imitava os modelos que ela via, em Paris… A senhora já imaginou quanto não se poupava, em Portugal, com a minha esposa a reproduzir, cá, os modelos caríssimos, que via no Faubourg Saint-Honoré, ou na Avenue Montaigne?...
K.R.A. – Portanto, o vosso relacionamento, digamos, mais íntimo, vem por via feminina?...
C.S. – Sim, quer eu, quer o General Ramalho Eanes, pertencemos a uma Associação dos Casais de Nossa Senhora do Rosário…
K.R.A. – … que consiste em?...
C.S. – Trata-se de uma associação de casais bem formados, capazes de rir, sofrer, de amar, de… enfim… criar, em conjunto, uma "piedade sólida e activa, sobressair no estudo, sentir firmes desejos de apostolado profissional", e poder levar os outros a formarem aquilo, que, atrever-me-ia a afirmá-lo…, seja… "uma elite tecnocrática"…, capaz de conduzir Portugal aos caminhos da Confiança, do Progresso e Economia de Sucesso.
K.R.A. – O Professor sabe que a Opus Dei foi, recentemente, humilhada publicamente, ao ser considerada pelo Parlamento Belga uma organização sectária, a par da Igreja de Cientologia, das Testemunhas de Jeová, e da Igreja Universal do Reino de Deus…
C.S. – Desconhecia, minha senhora... Como sabe, evito ler jornais, para além do "Financial Times"… Mas deixe-me que lhe diga: já aqui falámos da Bélgica, e a Bélgica não é um exemplo a seguir, já que é um Estado que também apoia várias coisas… enfim… contra a Natureza, como os tais casamentos de homens invertidos, mulheres que se prostituem, e tantas outras coisas que, Deus me perdoe, prefiro continuar a ignorar…O mais que lhe posso dizer é que, se for eleito, como espero, não desenvolverei em Portugal um modelo como o belga.
K.R.A. – Em contrapartida, o Professor considera normal que o General Ramalho Eanes tenha proferido, perante uma sala cheia, palavras de louvor a Balaguer, como as seguintes: "Se não desejasse ele também o impossível, se não fosse insaciável a sua sede de perfeição absoluta, se não quisesse estar com o Pai, bem servindo os homens, como poderia ele ousar, ou melhor, atrever-se, à originalidade desafiante da sua pregação"?... O Professor repita ao homem da rua este discurso, e pergunte-lhe o que ele pensa dele…
C.S. – Minha senhora… desconhecia essas palavras…
K.R.A. – Pois essas palavras estão presentes, e acessíveis, para quem as queira ler, num "site" oficial da … enfim… da "OBRA".
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Com certeza não desconhece que, nos Anos 70, após o gigantesco escândalo da falência do Banco Ambrosiano, intimamente ligado ao Instituto das Obras Religiosas, o Banco Central do Vaticano, que, consta, entre outras instituições, financiava directamente o Partido Italiano da Democracia Cristã e o sindicato polaco "Solidariedade", do aparecimento de um seus directores, misteriosamente enforcado, em Londres, numa das pontes do Tamisa, da fuga do Cardeal Marcinkus, Presidente do Instituto das Obras Religiosas, para a inviolabilidade diplomática e religiosa do Estado do Vaticano, do espantoso escândalo, que foi a descoberta das ramificações entre o Banco Central da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e a Loja Maçónica P2, a Máfia e a "Cosa Nostra", entre outros… não desconhece que, depois de tudo isto, que já não era pouco, a Opus Dei, sociedade de banqueiros e gente difusa da Alta Finança, foi chamada a intervir financeiramente, de modo a que o Vaticano pudesse não entrar numa situação de bancarrota técnica…
C.S. – Sim, minha senhora, eu estava a acabar o meu doutoramento em Oxford, mas não liguei muito ao assunto, desculpe que lhe diga, os Órgãos de Comunicação Social… enfim… são muito dados a certos exageros…
K.R.A. – …exageros que vão ao ponto de afirmar que o custo desta injecção de capitais, por parte da ultra-conservadora Opus Dei, foi a liquidação sumária do recém-eleito Cardeal de Veneza, o Papa João Paulo I, e a sua imediata substituição por um Cardeal polaco, o candidato da OBRA, o polaco Karol Woytila, por sua vez, a face visível de um poder ainda mais oculto e assumidamente Opus Dei, o Cardeal alemão, Ratzinguer…
C.S. – … Uma pessoa muito interessante e bondosa, o nosso Papa Bento XVI, que, posso revelar-lhe em primeira mão, constituirá a minha primeira visita oficial e de Estado, quando, como espero, seja eleito Presidente da República, em Janeiro de 2006. Posso dizer-lhe que foi a coisa que eu imediatamente prometi à minha esposa, a Drª. Maria Cavaco Silva…
K.R.A. – Não o espanta que a canonização de Escrivá Balaguer tenha sido a mais rápida da História da Igreja, assente num milagre que, supostamente, teria feito, graças à cura miraculosa de cancro da freira Concepcion Boullón Rubio, prima de um ministro de Franco ligado ao Opus Dei, aliás, um dos 12 ministros Opus Dei, do derradeiro governo de Franco, que contava com 17 membros?...
C.S. – Minha senhora, o reconhecimento das boas pessoas não me espanta…
K.R.A. – … um homem colérico e rancoroso, o Santo dos Muito Ricos, cuja estátua, espante-se, Professor, já foi discretamente colocada, ao lado de homens que distinguiram pela piedade, pelo amor do próximo e dos mais desfavorecidos, na fachada da Basílica de São Pedro, a mesma basílica planeada por Bramante e Miguel Ângelo…
C.S. – Minha senhora, a minha área, como sabe, são as Finanças Públicas, não a Arquitectura…
K.R.A. – O Professor já pensou que a sua táctica de candidato presidencial, ou melhor, a táctica de candidato presidencial das PESSOAS SEM ROSTO, que por detrás de si se ocultam, passa por muitas das estratégicas tipicamente associadas com as manobras de sombra e bastidores da Opus Dei, os candidatos que se movem na penumbra, SEM FACE e no SILÊNCIO, até alcançarem os patamares pretendidos, e poderem depois exercer, de forma exemplar, os seus desígnios?...
C.S. – Minha senhora, os rostos dos meus apoiantes são todos conhecidos, o General Ramalho Eanes, o Dr. Mota Amaral, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da maior Instituição Bancária Portuguesa, o Millennium-BCP…
K.R.A. – Tudo pessoas fortemente afastadas da Opus Dei…
C.S. – Exactamente, minha senhora, e, como eu, supra-partidárias, e longe de serem políticos profissionais…
K.R.A. – Deixe-me interrompê-lo e recordar-lhe que a estratégia da OBRA se move particularmente bem numa sociedade em que os sectores económicos estejam privatizados. Os tecnocratas do Opus Dei são as pedras deste xadrez do poder. Por vezes, os negócios correm mal e há que sacrificar um peão. Nesses casos, a responsabilidade é sempre assumida a título individual e a Opus nunca é beliscada. Isso não lhe faz lembrar o modo como se procedia à substituição dos seus ministros, durante o Período de 1985-1995?... Quando algo corria mal, não era sempre o elo mais fraco que era sacrificado?...
C.S. – Minha senhora, que exagero…
K.R.A. – Pois, Professor, a estranha rivalidade que move Mário Soares contra o General Ramalho Eanes, talvez tenha aqui uma estranha e imprevista explicação, mais pragmática e evidente, se tomarmos como dado que, ao contrário do Rei de Espanha, D. Juan Carlos, o político mais respeitável do Espaço Ibérico, que imediatamente afastou da sua vizinhança o seu ex-preceptor, Opus Dei, o General Ramalho Eanes teria entreaberto as portas para a entrada da Seita no território português…C.S. – Minha senhora…
K.R.A. – … e mais lhe posso dizer, Professor, que haja já quem tenha entrevisto, nesta disputa do Poder Presidencial, uma tentativa da Opus Dei para, depois de ter eleito um Papa, começar a ganhar terreno no espaço político laico, nomeadamente, nos países da Europa Meridional…Não acha que a recente história dos crucifixos nas paredes das escolas foi uma armadilha muitíssimo bem montada para o atrair para um terreno onde poderá ser rapidamente eliminado?...
C.S. – Minha senhora, que eu saiba…
K.R.A. – Independentemente de o Professor o saber, ou não, pode ser que alguém, por detrás de si, tenha súbita, mas premeditadamente, decidido interromper uma série dinástica de Presidentes da República perto da Linhagem Maçónica, colocando no Poder um Presidente da República não-hostil à Opus Dei.Mas isso é um assunto que o Professor terá de rapidamente esclarecer com os Portugueses, ou seja, não é comigo, mas entre si e os cidadãos seus eleitores...
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