sexta-feira, maio 02, 2008

O gráu zero da Política


A Assembleia da República votou hoje, e aprovou, um voto de reconhecido agradecimento a um dos homens que em Portugal mais se notabilizou no combate à democracia e no apoio a todas as iniciativas reaccionárias. É verdade! Ao louvar o Cónego Melo, os deputados que comem o pão da democracia que lhes mete na boca o povo deste País, não tiveram um resquício de vergonha ou de pudor, apoiando desta forma quem sempre desdenhou da democracia e dos valores da tolerância e civilidade!

Além da minha vergonha e do meu repúdio deixo aqui um pequeno texto recolhido de santeiro.blogspot.com/2008 :

A morte lava mais branco

Autor: Carlos Esperança

O funeral do cónego Eduardo Melo, da Sé de Braga, deu origem a uma importante concentração fúnebre.Uns foram para ter a certeza de que ficam livres de uma testemunha incómoda, outros para prestar homenagem a um homem que não hesitaria em defender a Igreja à bomba.Não foi a devoção que o celebrizou, foi o poder que o tornou temido e respeitado. A estátua que lhe fizeram não foi uma homenagem às ave-marias que rezou, às missas que disse ou à frequência com que sacava do breviário. Foi a paga dos favores que fez, das cumplicidades que teceu, do poder que detinha. Não era homem para andar de hissope em punho a aspergir beatas que arfavam lubricamente à sua volta antes da Revolução de Abril, era um homem de acção. Do futebol à política. Do salazarismo ao MDLP.O cónego Eduardo Melo pode não ter sido o responsável pelo assassínio do padre Max, cuja morte ficou impune embora se saiba a origem dos explosivos.Na morte teve a acompanhá-lo o inevitável presidente da Câmara, Mesquita Machado, o Governador Civil e um secretário de Estado, além de gente anónima que aproveitou os autocarros gratuitos para ir a Braga.O bem-aventurado cónego, que nunca renegou a sedução por Salazar e o aborrecimento pela democracia, foi a enterrar quatro dias antes do 25 de Abril que tanto detestava. Se Deus existisse tê-lo-ia deixado viver até ao 28 de Maio. Era uma data mais grata à sua alma de fascista, uma consolação para quem nunca se adaptou à democracia

A direita trauliteira e os boatos


Que a direita trauliteira deita mão de todos os expedientes, por mais sujos, para confundir, não constitui uma novidade,
Que alguns incáutos fiquem aterrorizados , não espanta,
Que os próceres da "defesa da família e dos bons costumes" não tenham gostado da descolonização, está à vista,
Que o exército da A. do Sul, os mercenários e torcionários da Pide se tenham reunido em Johanesburgo para acertar estratégias fosse contra Portugal descolonizador, fosse contra os jovens países, isso era o seu destino e a sua tarefa,
Mas que, passados 34 anos, em Portugal, um sociólogo com responsabilidades na comunicação social, tenha feito eco desta porcaria aqui ao lado e que, através dela, se tivesse atrevido a verter o seu veneno sobre a figura do Almirante Rosa Coutinho a quem tanto devem não só os colonos de Angola como afinal todos os povos de Angola, é que constitui não só uma vergonha como um atentado ao pudor e à inteligência.
O sociólogo é o António Barreto e já pediu no Público, umas pífias desculpas ao Almirante, tão injustamente insultado, ao ouvir o coro de protestos que levantou tal falta de escrúpulos.
É claro para todos que se trata de um papel forjado e cujo conteúdo não pode merecer mais do que directo caixote do lixo!
Como esfarrapada "desculpa" pelo erro afirma o sociólogo que nunca viu qq desmentido do conteúdo : Haja paciência ! Então um papel com esta credibilidade quer factual, quer de conteúdo ou ainda tendo como "origem" o Século de Johanesburg, pode merecer um momento de crédito ?
Uma porcaria, é o que é!

Manuela Ferreira Leite, about

Diz Mira Amaral:
«os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos anteriores governos de Guterres» e mostraram «total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada».
«Estes senhores [o actual Governo do PS] pelo menos enunciaram-na», acrescentou.
Mira Amaral criticou a operação de venda de créditos do Estado feita por Manuela Ferreira Leite para ter um défice inferior a três por cento em 2003, defendendo que «isso devia ter sido um empréstimo e não uma receita» inscrita no orçamento porque onerou os orçamentos futuros.
De acordo com o ex-ministro do Trabalho e da Indústria de Cavaco Silva, o que se fez foi «contabilidade criativa» e «martelar os défices».
Mira Amaral disse ainda que a situação do País «não se transforma com visão contabilística».
Se pegarmos num responsável empresarial, só porque é sério ou porque tem ar de mau, e o transformarmos» em presidente executivo ou presidente do conselho de administração «o que é acontece? Daqui a um ano está falida», ilustrou. »(TSF online --- 30 de Abril 08)

Iraque, Abril 2008

50 mortos neste mês !
Quantos estropiados?
Os EEUU estão metidos, como sempre disse, no maior sarilho da sua história.
Ainda os vamos ver a pedir ao Irão que os ajude a resolver o problema !
O seu aliado na zona, Israel, apenas os levará para mais fundo!

quarta-feira, abril 30, 2008

O pior uso das varandas


Em Roma a direita trauliteira ganhou as eleições mediante vários expedientes largamente experimentados. Mas, desmemoriados, foram a correr à varanda sem se lembrarem dos azares do passado ....





O post em directo, 14:03h

Estou a ver a RTP1 em directo a entrevistar o reu Avelino Ferreira Torres que mostra além da habitual argumentação de qualidade, uma gravata linda com bandeiras norte-americanas.
Lindo de morrer !

A pôr as manguinhas de fora

A esquálida figura, além de fazer de pitonisa àcerca do futuro a trilhar pelo governo na proteção dos valores do déficit, vai pondo as manguinhas de fora, ora quanto à democracia na Madeira, ora no outro déficit de conhecimento da política, que mandou descobrir entre a juventude, parece que ou não leu bem os resultados do tal estudo, ou então não percebeu o que lá está:

1. “De um ponto de vista quer absoluto quer comparativo, os portugueses evidenciam atitudes de baixo envolvimento com a política. A relação entre a idade e o grau de importância dada à (e interesse na) política é curvilinear, ou seja, menor entre os muito jovens e entre os mais velhos. Contudo, as diferenças entre os jovens adultos e o resto da população activa são reduzidas, o que faz com que, comparando exclusivamente, no contexto europeu, os indivíduos com idades entre os 18 e os 29 anos, as atitudes de envolvimento político dos jovens adultos portugueses escapem, do ponto de vista da sua intensidade, aos últimos lugares europeus.”
2.“Do ponto de vista dos comportamentos participativos, os jovens adultos também não se distinguem particularmente do resto da população activa, ao passo que os indivíduos com menos de 18 anos não se distinguem particularmente dos indivíduos com 65 anos ou mais. Esta curvilinearidade na relação entre a participação e a idade é expectável, mas os níveis de disponibilidade para a participação e de participação real dos mais jovens podem ser vistos como sendo comparativamente elevados tendo em conta a sua posição no ciclo de vida.”
Da próxima vez que a nossa Imprensa o abordar talvez valha a pena perguntar-lhe afinal em que estudo é que se baseou para desta forma inusitada atacar a juventude e os seus conhecimentos da política....

terça-feira, abril 29, 2008

O Inferno, o Paraíso e o Futuro - Parte 2

Parece que eu não estava completamente fora da questão no post anterior....e

...aproveitando a tradução daqui, confesso que já não surpreende a dimensão do problemas e as suas consequências sobre os mais carenciados.

Pode ser então que ,ao descer tão baixo, a crise venha a apresentar soluções que agora não se vislumbram :



Crise sistémica global: Quatro grandes tendências para o periodo 2008-2013
por GEAB
Ao aproximar-se do cerne da crise sistémica global que, segundo o LEAP/E2020, corresponderá ao segundo semestre de 2008, doravante já é possível apreender melhor as grandes tendências que definirão as taxas de câmbio, o comércio mundial e as dinâmicas regionais num prazo de cinco anos. Com efeito, algumas das principais características da fase dita de "decantação" da crise começam a delinear-se. O LEAP/E2020 decidiu portanto apresentar neste GEAB Nº 24 suas primeiras antecipações sobre estas grandes tendências no horizonte 2011/2013. Estas antecipações são certamente úteis para os investidores individuais que desejarem ter uma certa visibilidade a médio prazo. Elas podem igualmente ser muito particularmente pertinentes para as empresas exportadores e as autoridades económicas e financeiras que têm necessidade de tal visibilidade para elaborar suas decisões estratégicas, num momento em que se afunda o conjunto das referências e das certezas que fundamentaram a economia e as finanças mundiais destas últimas décadas. Nestas últimas semanas foi possível constatar até que ponto os operadores económicos e financeiros do planeta estão desnorteados enquanto as instituições encarregadas de regular os mercados ou de enquadrar a evolução económica mundial vêm a sua impotência manifestar-se a plena luz. Neste GEAB Nº 24 desenvolvemos quatro tendências particularmente representativas da fase de impacto da crise sistémica global tais como se vão revelar entre meados de 2008 e o horizonte 2011/2013. Pela primeira vez a nossa equipe começa a estar em condições de dar indicações precisas sobre as tendências a 3/5 anos. Elas são completadas nomeadamente por "Recomendações estratégicas" neste número do Global Europe Anticipation Bulletin.


Crise financeira mundial – Poupadores e investidores capturados na armadilha com US$10.000 mil milhões de "activos fantasmas"
Crise dos activos denominados em US dólares – Fim de 2008: A Reserva Federal dos EUA e sua rede de "Primary Dealers" em luta pela sua sobrevivência institucional e financeira.
Crise das taxas de câmbio- Horizonte 2011/2013: Perturbação duradoura da hierarquia mundial das taxas de câmbio.
Crise social mundial – Das revoltas da fome aos 25 milhões de desempregados da Muito Grande Depressão estado-unidense


Cada uma desta crises sectoriais é em simultâneo a ilustração da amplitude histórica da crise sistémica global e a confirmação de que nós não estamos senão no princípio da sua fase de impacto uma vez que as protecções desaparecem umas após as outras anunciando automaticamente novos agravamentos da situação. É o processo "em espiral", como descreveu o LEAP/E2020 nos números anteriores do GEAB, característico desta crise sistémica global. Para este comunicado público, o LEAP/E2020 escolheu apresentar uma parte do primeiro ponto sobre a Crise financeira mundial: Poupadores e investidores capturados na armadilha com US$10.000 mil milhões de "activos fantasmas". Crise financeira mundial – Poupadores e investidores capturados na armadilha com US$10.000 mil milhões de "activos fantasrmas" Se o vosso banqueiro vos induziu a investir nos US$10.000 mil milhões de activos fantasmas que assombram o planeta financeiro, então provavelmente já perdeu tudo mesmo que ainda não o saiba . E não são os responsáveis das finanças do G7 e da assembleia geral do FMI, reunida em 11, 12 e 13 de Abril último, que vão alterar grande coisa. Todos eles estão perfeitamente impotentes face à crise em curso. Com o pano de fundo da redução do pessoal e da venda das suas reservas de ouro a fim de colmatar o seu défice, o FMI encarna doravante o naufrágio das instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial para regular a economia do planeta. As conclusões dos trabalhos das reuniões de meados de Abril ilustram aliás a incapacidade de agir em conjunto dos actores agrupados no seio do FMI e dos seus diferentes ramos: de um lado, as instituições públicas desejam melhor enquadrar as actividades bancárias para evitar futuras catástrofes financeiras como aquelas que agora conhecemos: de outro, os bancos preferem contentar-se com promessas de melhores comportamentos. E o único resultado tangível é a inacção a curto e médio prazo: a crise actual continuará a agravar-se enquanto os debates prosseguirão no FMI. Aliás, mesmo em termos conceptuais, o FMI está ultrapassado. Assim, segundo nossos peritos, o montante de 1.000 mil milhões de dólares de perdas financeiras acumuladas pela crise actual é irrisório . São da ordem dos 10.000 mil milhões de dólares as perdas que doravante será preciso aguardar nos próximos dois anos . Dito de outra forma, esperamos que vários grandes bancos mundiais sejam engolidos neste redemoinho assim como numerosas empresas com modelos económicos frágeis ou demasiado dependentes do consumidor americano .

Portanto, e o LEAP/E2020 deseja mais uma vez insistir neste ponto, a natureza do problema financeiro actual é ao mesmo tempo muito simples de definir e muito difícil de apreender correctamente: há actualmente no planeta de 10 milhões de milhões de dólares que não têm senão uma existência fictícia; e os grandes bancos vão doravante tentar desembaraçarem-se deles a preço de liquidação a fim de limitar as suas perdas . Mas mesmo a estes preços de liquidação ainda serão armadilhas pois estes activos já não têm qualquer valor real e não recuperarão qualquer valor . Eles são como "activos fantasmas" ("ghost assets") que não se chegam a "encarnar" nos activos reais. O essencial destes "activos fantasmas" é compostos por empréstimos hipotecários estado-unidenses, por dólares dos EUA, Títulos do Tesouro dos EUA e em geral activos denominados na divisa americana, mas também activos denominados em libras esterlinas . Eles foram criados ex-nihilo na euforia financeira destes últimos dez anos pelos "aprendizes de feiticeiros" da Wall Street, da City e das grandes praças financeiras mundiais . Lembrem-se! Foi o período já remoto em que todo o mundo se extasiava com o "milagre" da nova finança que permitia criar uma "economia financeira" igual a 1000 vezes a economia mundial real . Pois bem, desde há alguns meses, os felizes beneficiários destas riquezas infinitas virtuais tentam em vão encontrar-lhes uma encarnação bem tangível . Ora, o conjunto dos mercados de activos afunda-se ou dá lugar a bolhas tão frágeis como efémeras: imobiliário, energia, títulos do tesouro americano, dólares, acções, alimentar, ... E estas imensas massas financeiras virtuais giram a uma velocidade crescente ao redor do planeta à procura de um investimento rentável, de uma encarnação durável... em vão. Este fenómeno cria movimentos tectónicos de altas e baixas rápidas (algumas semanas) de bolhas de activos (quando nestas últimas décadas as bolhas duravam pelo menos alguns anos), criando de facto uma alta generalizada dos preços a aproximando-se a cada dia mais um pouco da sua lógica última: a inflação galopante... quando unicamente o medo de ver o valor de todos os activos afundar, inclusive a moeda de referência, reina no assunto. As "fabulosas" reservas em divisas ou Títulos do Tesouro americano da China, do Japão, do Reino Unido e outros fazem parte desta coorte de "activos fantamas". E eles vão assombrar durante numerosos anos os balanços dos bancos, as perdas dos investidores e os pesadelos dos banqueiros centrais. A forma colectiva favorita destes "activos fantasmas", quando eles não chegam a se encarnar, chama-se inflação. Assim, para o LEAP/E2020, a inflação real nos Estados Unidos (incluindo alimentação, energia, ...) vai ultrapassar os 10% em média anual a partir do segundo semestre de 2008 ; ela ultrapassará os 5% na Europa; e aproximar-se-á dos 20% na China. Nos países em desenvolvimento, muito ligados às variações da divisa americana, ela vai literalmente "explodir" sob múltiplos constrangimentos: energia, alimentação, debilidades das divisas... (artigo completo no GEAB Nº 24 – por assinatura).

segunda-feira, abril 28, 2008

O Inferno, o Paraíso e o Futuro

Retirado, com a devida vénia do TantasBroncas, aqui fica um texto do Eça e meia dúzia alinhavos com que me coso:

Holocausto. O que terá provocado o ódio dos alemães ao judeu ?
Cartas de Inglaterra - O Israelismo (Eça de Queiroz)"
O Holocausto, o genocídio dos judeus pelos alemães existiu, ninguém o pode negar. Apenas se pode discutir o total número de vítimas . Mas o que terá provocado esse ódio dos alemães ao judeu ?


Escreve Eça de Queiroz :
«Mas que diremos do movimento na Alemanha? Que em 1880, na sábia e tolerante Alemanha, depois de Hegel, de Kant e de Schopenhauer, com os professores Strauss e Hartmann, vivos e trabalhando, se recomece uma campa
nha contra o judeu, o matador de Jesus, como se o imperador Maximihiano estivesse ainda, do seu acampamento de Pádua, decretando a destruição da lei rabínica e ainda pregasse em Colónia o furioso Grão de Pimenta, geral dos dominicanos –, é facto para ficar de boca aberta todo um longo dia de Verão.
Porque enfim, sob formas civilizadas e constitucionais (petições, meetings, artigos de revista, panfletos, interpelações), é realmente a uma perseguição de judeus que vamos assistir, das boas, das antigas, das manuelinas, quando se deitavam à mesma fogueira os livros do rabino e o próprio rabino, exterminando assim economicamente, com o mesmo feixe de lenha, a doutrina e o doutor.»
«Mas o mais extraordinário ainda é a atitude do Governo alemão: interpelado, forçado a dar a opinião oficial, a opinião de Estado sobre este rancor obsoleto e repentino da Alemanha contra o judeu, o Governo declara apenas com lábio escasso e seco «que não tenciona parara alterar a legislação relativamente aos israelitas».
«Deixa a colónia judaica em presença da irritação da grossa população germânica — e lava simplesmente as suas mãos ministeriais na bacia de Pôncio Pilatos. Não afirma sequer que há-de fazer respeitar as leis que protegem o judeu, cidadão do império; tem apenas a vaga tenção, vaga como a nuvem da manhã, de as não alterar por ora!»
O motivo do ódio anti-semítico
« O motivo do furor anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colónia judaica, colónia relativamente pequena, apenas composta de quatrocentos mil judeus; mas que pela sua actividade, a sua pertinácia, a sua disciplina, está fazendo uma concorrência triunfante à burguesia alemã.
A alta finança e o pequeno comércio estão-lhe igualmente nas mãos: é o judeu que empresta aos estados e aos príncipes, é a ele que o pequeno proprietário hipoteca as terras. Nas profissões liberais absorve tudo: é ele o advogado com mais causas e o médico com mais clientela: se na mesma rua há dois tendeiros, um alemão e outro judeu, o filho da Germânia ao fim do ano está falido, o filho de Israel tem carruagem! Isto tornou-se mais frisante depois da guerra: e o bom alemão não pode tolerar este espectáculo do judeu engordando, enriquecendo, reluzindo, enquanto ele, carregado de louros, tem de emigrar para a América à busca de pão.»
A ostentação judaica
«Mas se a riqueza do judeu o irrita, a ostentação que o judeu faz da sua riqueza enlouquece-o de furor. E, neste ponto, devo dizer que o Alemão tem razão. A antiga legenda do israelita, magro, esguio, adunco, caminhando cosido com a parede, e coando por entre as pálpebras um olhar turvo e desconfiado – pertence ao passado.
O judeu hoje é um gordo. Traz a cabeça alta, tem a pança ostentosa e enche a rua. É necessário vê-los em Londres, em Berlim, ou em Viena: nas menores coisas, entrando em um café ou ocupando uma cadeira de teatro, têm um ar arrogante e ricaço, que escandaliza. A sua pompa espectaculosa de Salomões "parvenus" ofende o nosso gosto contemporâneo, que é sóbrio. Falam sempre alto, como em país vencido, e em um restaurante de Londres ou de Berlim nada há mais intolerável que a gralhada semítica. Cobrem-se de jóias, todos os arreios das carruagens são de ouro, e amam o luxo grosso. Tudo isto irrita.
Mas o pior ainda na Alemanha é o hábil plano com que fortificam a sua prosperidade e garantem o luxo, tão hábil que tem um sabor de conspiração: na Alemanha, o judeu, lentamente, surdamente, tem-se apoderado das duas grandes forças sociais – a Bolsa e imprensa. Quase todas as grandes casas bancárias da Alemanha, quase todos os grandes jornais, estão na posse do semita. Assim, torna-se inatacável. De modo que não só expulsa o alemão das profissões liberais, o humilha com a sua opulência rutilante e o traz dependente pelo capital; mas, injúria suprema, pela voz dos seus jornais, ordena-lhe o que há-de fazer, o que há-de pensar, como se há-de governar e com que se há-de bater!
Tudo isto ainda seria suportável se o judeu se fundisse com a raça indígena. Mas não. O mundo judeu conserva-se isolado, compacto, inacessível e impenetrável. As muralhas formidáveis do Templo de Salomão, que foram arrasadas, continuam a pôr em torno dele um obstáculo de cidadelas. Dentro de Berlim há uma verdadeira Jerusalém inexpugnável: aí se refugiam com o seu Deus, o seu livro, os seus costumes, o seu Sabbath, a sua língua, o seu orgulho, a sua secura, gozando o ouro e desprezando o cristão. Invadem a sociedade alemã, querem lá brilhar e dominar, mas não permitem que o alemão meta sequer o bico do sapato dentro da sociedade judaica.
Só casam entre si; entre si, ajudam-se regiamente, dando-se uns aos outros milhões – mas não favoreceriam com um troco um alemão esfomeado; e põem um orgulho, um coquetismo insolente em se diferençar do resto da nação em tudo, desde a maneira de pensar até à maneira de vestir. Naturalmente, um exclusivismo tão acentuado é interpretado como hostilidade – e pago com ódio.»
E Eça continua, aconselha também o que teriam que fazer os alemães usando a mente e o músculo , para combater a hegemonia judaica. Isto foi escrito cerca de 60 anos antes do Holocausto, e se tievesse lido e assimilado por uns e outros, talvez o tivesse evitado ! Aconselha-se a leitura do texto completo.
Publicada por João Manuel Soares


Agora os alinhavos com que me coso:
Em vista da enorme pressão seja mediática e ou militar, o certo é que somos todos os dias confrontados com dois tipos de maquinações. As que têm origem nos Think Tanks / Universidades e Fundações Norte Americanas e os factos relacionados com as actividades de Israel seja no plano militar seja através do controlo que exerce na economia mundial e em especial na Norte Americana.
Que pensar dos mesmos que especulam nos Mercados de Futuros, fazendo disparar os preços de Todas as matérias-primas e nomeadamente dos bens alimentares e dos que, de facto, disparam sobre civis da Faixa de Gaza e dos campos de refugiados do Líbano?
Qual a dimensão desta acumulação de capital especulativo capaz de pôr de rastos um País, um Continente, todo o Planeta, enviando os seus habitantes, over night, para as portas do Inferno, usando das mais eficazes armas jamais produzidas ou um simples email, a partir, claro está, de um desses Paraísos, sem fiscalidade ?
Que Futuro é este que vamos legar às novas gerações ?

domingo, abril 27, 2008

Debaixo d'olho !

A esquálida figura que dirá ela agora sobre a vontade que deu aos médicos oftalmologistas de começarem a operar os olhos aos velhinhos cá da gente?
Assim os do Portugal profundo, das cidades e vilas do interior? Da Madeira do seu amigalhaço?
É que, segundo afirmaram em audiência concedida à pressa, eles não querem perder mais tempo !
Já bastam os anos em que trabalhando apenas da parte da manha ( estes acentos que às vezes não saiem ! ) não conseguem dar vazão a tanto olho. Agora querem concorrer com o Grande Caimão e que lhes está a roubar a clientela lá do consultório!
Desde que lhes paguem outro salário que o que recebem é só para as consultas da parte da manha. ( outra vez !)
Tá mal.
Mas volto ao início: Que vai dizer o homem? Ele que tanto se debruça sobre o nosso bem estar ?

PSD, 21:30h

Depois de ouvir, Marco António, AJJardim, Santana Lopes e por fim o inefável Marcelo...bem,
Eh!Eh!Eh!

sexta-feira, abril 25, 2008

O homem acerta pouco e mal

Por não poder estar mais de acordo:

Texto de Miguel Sousa Tavares (Expresso 19/04/2008)
Cavaco no estrangeiro
«Os relatos da longa visita de Cavaco Silva à Madeira - uma semana inteira, que a agenda divulgada está longe de justificar - deixaram-me a estranha sensação de que o Presidente está de visita a um país estrangeiro: uma espécie de Palop, só que um Palop muito especial onde pagamos um alto preço por a bandeira nacional ainda flutuar onde o governo local consente.A visita começou mal antes mesmo de começar. Primeiro, porque foi antecedida de uma outra da segunda figura do Estado - essa anémona política que é Jaime Gama - que resolveu entronizar o dr. Jardim como símbolo supremo da vida democrática: o presidente do Parlamento nacional propondo como exemplo alguém que trata o parlamento regional como um lugar onde coabitam um bando de eunucos às suas ordens e “um bando de loucos” que se atreve a pôr em causa os ensinamentos do querido líder. Depois, porque antes mesmo de embarcar, já Cavaco tinha feito divulgar um comunicado anunciando ao que ia: elogiar a ‘obra’ do dito líder. E, enfim, porque, à partida, já o Presidente sabia que a sua agenda era determinada pelo dr. Jardim e de acordo com os seus desejos: estava afastado da Assembleia Regional, para que os “loucos” não envergonhassem a Região; estava afastado das traseiras da obra de sucesso do querido líder, onde entre 20 a 30% da população vivem abaixo do limiar de pobreza e em condições que deveriam obrigar o Presidente da República a perguntar alto e bom som para onde foi o dinheiro, além dos túneis e viadutos para encher o olho; e, finalmente, porque apenas lhe era consentido - e ele aceitou - receber a oposição representada no parlamento regional em “encontros informais”, no hotel onde Sua Excelência se hospedava, tal qual como receberia amigos ou conhecidos locais. E Cavaco Silva - o “sr. Silva” de Alberto João Jardim - aceitou tudo isto, muito mais do que é normal aceitar numa visita ao estrangeiro.A visita de Cavaco à Madeira é uma nódoa que não sairá tão cedo, um momento de vergonha e capitulação que veio manchar uma Presidência até aqui pacífica, louvada e isenta de riscos. Mas, na primeira vez em que tinha de correr riscos políticos e assumir-se como representante primeiro da nação portuguesa, Cavaco Silva mostrou a massa de que é feito. E deixou muitas saudades de Presidentes com coragem e capazes de distinguir aquilo que, às vezes, é essencial e de que não há forma de fugir. Tivemos dois desses: Eanes e Mário Soares. Cavaco não tem esse instinto democrático inato: é um democrata por educação, não por natureza. Já o sabíamos, mas foi penoso ter de o recordar e logo a pretexto desta fantochada interminável e menor que é a longa chantagem de trinta anos que o dr. Jardim exerce sobre os órgãos de soberania e a política portuguesa.O que eu gostava que um Presidente da República do meu país fosse fazer à Madeira era que, em lugar de se juntar ao coro dos elogios à ‘obra’ do dr. Jardim, tivesse um elogio para os portugueses que, trabalhando e pagando impostos ao longo de trinta anos, contribuíram para que a ‘obra’ se fizesse e para que o dr. Jardim fosse sucessivamente reeleito à conta disso. Que tivesse a coragem de resgatar a dívida de gratidão que a Madeira tem para com Portugal e que tem sido paga pelo dr. Jardim com intermináveis insultos e provocações, como se fosse nosso dever pagar e calar em troca do privilégio de a Madeira continuar portuguesa. Gostava que o Presidente explicasse aos madeirenses que ser português não é o resultado de uma conta de merceeiro, em que se pesa o deve e o haver e em que se reivindicam todos os direitos e se exige isenção de todos os deveres. E que, a continuar por este caminho, chegará o dia em que os portugueses vão exigir, não a “autonomia sem limites” de que falava o infeliz Luís Filipe Menezes, mas sim a independência da Madeira: a independência declarada por Portugal, entenda-se; não a independência declarada pela Madeira. Que chegará o dia em que os portugueses se vão perguntar por que é que hão-de continuar a sustentar o poder, os negócios e o exibicionismo mediático daquelas figuras patibulares que esperavam Cavaco no aeroporto do Funchal. A mim, se me perguntarem se quero continuar a pagar impostos para sustentar esta ‘autonomia’ da Madeira, representada e usufruída por aquela gente, eu respondo já que não. Que vão à vida deles e que arranjem quem lhes pague as contas, porque a mim nunca me pagaram para ser português nem eu aceitaria.Cavaco Silva deveria ter mais cuidado, mais sensibilidade política e mais noção de Estado ao afirmar que “nenhum português contesta hoje a autonomia regional”. Qual autonomia: a que custa 60, a que custa 90 ou a que custa 120 milhões por ano?Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim “engraçadíssimo”. Não lhe acho mesmo piada nenhuma. Portugal já não é, felizmente, aquela tristíssima gente que vimos nas reportagens televisivas desta semana à espera da comitiva dos drs. Cavaco e Jardim. Aquilo é o Portugal no seu pior - inculto, ignaro, subserviente perante o poder, mendicante, reverente, alimentado a ‘sopas de cavalo cansado’ e vendendo o voto por um chafariz. E também não sou sensível àqueles supostos esgares de humor de Cavaco Silva, debitando banalidades grandiloquentes, quando desce ao ‘povo’, protegido por um eterno esquadrão de gorilas que jamais dispensa. Acho tudo aquilo uma fantochada, o Américo Tomás revisitado num país que eu desejo para sempre defunto e sepultado.Esta viagem de Cavaco à Madeira serviu para me explicar, se eu não soubesse já, a razão pela qual jamais votei ou votarei neste homem. Porque, ao contrário do que ele parece pensar, não é o cargo que está ao serviço dele, mas ele que deveria estar ao serviço do cargo. E não esteve.»

quinta-feira, abril 24, 2008

Comunicado com Argolinha

Santana Lopes, o menino, o guerreiro, o das várias pensões de reforma, a quem o Jardim chama mais "uma criatura", acaba de nos resurpreender: É candidato, contra todos os outros, à corrida à liderança do PPD-PSD.

Nota : O tal Marco António, de Gaia, já comenta este acontecimento como "indesejável"
Temos novela !

A Insustentável Leveza de ser democrata, mesmo !


Alberto João Jardim, o tal da insuperável dimensão democrática, acaba de nos explicar que só será candidato ...caso haja um consenso.

Para os mais distraídos: Que vai a eleições se lhe garantirem a vitória, antecipadamente, mesmo !
Isto para nosso divertimento, claro !

Partido Sem Desenvolvimento com Argolinha


São todos testemunhas de como tenho evitado comentar sofregamente a desmenorreia que a tudo avassala;

Não faltam testemunhos da minha frugalidade na "apreciação" dos mais candentes episódios com argolinha.

De tudo a que assistimos, incomodados, tenho dado pouca nota e nenhum comentário.

Faltam-me adjectivos onde me sobram espantos. Careço de palavras para tanto estoicismo:
São demasiados personagens para um só romance.
É como nas listas telefónicas: Falta-me o enredo.
Não desenvolvem !

O desemprego e a acumulação desmedida

Ângelo Correia, segundo o Absorto, carrega o fardo de pelo menos 14 empregos onde desenvolve, a par das sua permanentes comentações na TV, uma actividade extenuante, sem contar com a intrigalhada que se lhe reconhece...

Não seria já tempo de se limitar a meia dúzia os empregos possíveis, e a penalizar com impostos puros e duros esta desmedida afronta aos descamisados, de quem, aliás, ele se permite falar.
Não se pode fazer uma Lei sobre estes desmandos?
Acho que seria higiénico que todos os membros de direcção de orgãos políticos fossem não só obrigados a publicitar anualmente o que ganham, mas donde lhes vem.

Nota : Cônsul do Reino Hachemita da Jordânia ! ( Sempre tive as maiores dúvidas àcerca destes reinos criados pelo colonialismo inglês...)


EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL - ACTUAL
• Presidente do C.A. da Lusitaniagás-Compª do Gás do Centro, S.A.

• Presidente do C.A. da TEJO-Ambiente, S.A.
• Presidente da Comissão Executiva da Fomentinvest SGPS, S.A.
• Administrador da Fundação Ilidio Pinho
• Administrador da Compª de Seguros Global e Global Vida, S.A.
• Administrador da Ecoambiente
• Administrador da EcoProgresso
• Administrador da Compª Portuguesa de Higiene, S.A. (PHARMA)
• Consultor da Philips Portuguesa, S.A.
• Presidente da Assembleia Geral da Ferpinta SPPS
• Membro do Conselho Consultivo da Roland, Berger & Partner, Lda.
• Membro do Conselho Consultivo da DVH-FBO (Portugal)
• Presidente da Direcção da Câmara de Comércio e Industria Árabe Portuguesa
• Consul Honorário do Reino Hachemita da Jordânia em Portugal

Da Impunidade de que gozam alguns

Ana Gomes vai inquietar desta vez alguém no Ministério Público com estas denúncias ?

Ou no Banco de Portugal ?
Ou no Tribunal de Contas ?

Ou a Impunidade continua a grassar ( pode ser também graçar ! ) ??

terça-feira, abril 22, 2008

Capa e contra-capa

Ou o o disco riscado:
Diz a inefável TSF-on-line :

Carlos Carreiras critica actuação de Ferreira Leite à frente da distrital do PSD Lisboa

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
• CARLOS CARREIRAS
Ferreira Leite «não engrandeceu» o PSD/Lisboa
Carlos Carreiras, o presidente da distrital do PSD de Lisboa, uma das maiores do país, não confia nas capacidades de liderança de Manuela Ferreira Leite e afirma, sem especificar, que quando a ex-ministra liderou a distrital gerou situações que «não engrandeceram» ninguém.
( 14:52 / 22 de Abril 08 )
Em declarações à TSF, Carlos Carreiras, o presidente da distrital do PSD de Lisboa, lança dúvidas sobre a capacidade de liderança de Manuela Ferreira Leite afirmando, sem especificar, que quando a ex-ministra esteve à frente da distrital de Lisboa gerou situações muito negativas.Embora não concretize as situações as quais se refere, Calos Carreira , diz que está à espera que ainda surjam mais candidaturas na corrida à sucessão de Menezes. «Não é por Ferreira Leite, mas pelas pessoas por quem está rodeada e o que ela permitiu acontecer internamente no PSD», critica o social-democrata, afirmando que «essas situações que se geraram não engrandecem nenhuma organização de homens e de mulheres».Carlos Carreira, apesar de dizer que Manuela Ferreira Leite deixou uma imagem muito negativa na passagem pela distrital de Lisboa, não quis concretizar à TSF que situação foi essa.Quanto a uma possível recandidatura de Luís Filipe Menezes, o presidente da distrital do PSD de Lisboa, uma das maiores do país, está convencido que Menezes «tem condições» para se apresentar de novo nas directas.

Digo eu : Credo !

Com a devida vénia : O Holocausto

Transcrevo daqui este excelente texto:

A História contada por burlões e traficantes
Excerto de "A Indústria do Holocausto" de Norman FinkelsteinReivindicar o carácter único do Holocausto é intelectualmente estéril e moralmente indigno e no entanto eles persistem em fazê-lo. Pergunta-se: porquê? Em primeiro lugar, porque um sofrimento que seja único confere direitos únicos. O mal inigualável do Holocausto, segundo Jacob Neusner, não só coloca os judeus numa posição à parte, como também lhes dá «um direito sobre os outros». Para Edward Alexander, o carácter único do Holocausto é um «capital moral»; os judeus devem «reivindicar a soberania» sobre «esta propriedade valiosa». [...] Este dogma também conferiu carta branca a Israel: como os não judeus estão sempre prontos a matar os judeus, estes têm todo o direito de se proteger, sempre que achem adequado. Qualquer expediente a que os judeus possam recorrer, mesmo a agressão e a tortura, constitui legítima autodefesa. Deplorando a «lição do Holocausto» do eterno ódio dos gentios, Boas Evron observa que «é realmente equivalente a uma paranóia deliberadamente construída. (...) Esta mentalidade (...) desculpa à partida qualquer tratamento desumano em relação aos não judeus, porque a mitologia que prevalece é a de que 'todos colaboraram com os nazis na destruição dos judeus' e portanto tudo é permitido aos judeus na sua relação com os outros povos.»
Parte do CAPÍTULO 2A HISTÓRIA CONTADA POR BURLÕES E TRAFICANTES
«A CONSCIÊNCIA do Holocausto» observa Boas Evron, «o respeitado escritor israelita, é na realidade «uma doutrinação oficial, propagandística, um chorrilho de chavões e uma perspectiva falsa do mundo, cujo verdadeiro objectivo não é de modo algum compreender o passado, mas manipular o presente.» Em si, o holocausto nazi não está ao serviço de nenhum desígnio político. Tanto pode gerar criticas como apoio à política israelita. Porém, refractada através de um prisma ideológico, «a memória do extermínio nazi» acabou por servir - nas palavras de Evron - «como um instrumento poderoso nas mãos da liderança israelita e dos judeus no estrangeiro». O holocausto nazi passou a ser o Holocausto.Dois dogmas centrais enquadram a ideia do Holocausto: 1) O Holocausto constitui um acontecimento histórico categoricamente único; 2) O Holocausto constitui o clímax de um ódio irracional e eterno dos não judeus pelos judeus. Nenhum destes dogmas esteve presente em qualquer discurso público antes da guerra de Junho de 1967; e, embora se tenham tornado as peças essenciais da literatura do Holocausto, eles não figuram sob forma alguma em nenhum trabalho científico sério sobre o holocausto nazi. Por outro lado, ambos os dogmas se apoiam em tradições arraigadas do judaísmo e do sionismo.Depois da Segunda Guerra Mundial, o holocausto nazi não era visto como um acontecimento exclusivamente respeitante aos judeus - e muito menos único, sob o ponto de vista histórico. Os meios judaicos americanos em especial esforçavam-se por colocá-lo num contexto universalista. No entanto, depois da guerra de Junho, a Solução Final nazi foi radicalmente reenquadrada. «A primeira e mais importante alegação a surgir da guerra de 1967 e a tomar-se emblemática do judaísmo americano», recorda Jacob Neusner, foi que «o Holocausto (...) foi único, sem paralelo na história humana». Num estudo esclarecedor, o historiador David Stannard ridiculariza «a pequena indústria dos hagiógrafos do Holocausto, que defendem o carácter único da experiência judaica com toda a energia e engenho dos zelotas ideológicos». Bem vistas as coisas, o dogma do carácter único não faz sentido.Ao nível mais básico, todos os acontecimentos históricos são únicos; quanto mais não seja por razões de tempo e lugar, e todos os acontecimentos históricos assumem características distintas, assim como características comuns a outros acontecimentos históricos. A anomalia do Holocausto é que o seu carácter único é considerado absolutamente decisivo. Que outro acontecimento histórico haverá, cabe perguntar, que seja essencialmente considerado em função da sua categoria única? Normalmente, as características distintivas do Holocausto são isoladas de forma a colocar-se o acontecimento numa categoria totalmente à parte. Nunca se toma claro, porém, por que razão os muitos aspectos comuns a outros acontecimentos devem ser vistos, comparativamente, como triviais.Todos os que escrevem sobre o Holocausto afirmam que é único, mas poucos ou nenhum explicam porquê. Sempre que alguém refuta empiricamente um argumento a favor do seu carácter único, logo surge novo argumento contrário. Os resultados, segundo Jean-Michel Chaumont, são uma multiplicidade de argumentos em conflito uns com os outros e anulando-se entre si: «O conhecimento não se acumula. Pelo contrário, para reforçar um argumento anterior, volta-se sempre ao zero.» Por outras palavras: o carácter único é um dado adquirido na ideia do Holocausto a tarefa definida é prová-lo, já que negá-lo equivale a negar o Holocausto. Talvez o problema esteja na premissa e não na prova. Mesmo que o Holocausto fosse único, que importância teria isso? De que forma alteraria a nossa compreensão sabermos que o holocausto nazi não foi a primeira, mas a quarta ou quinta catástrofe numa série de outras catástrofes comparáveis?A aquisição mais recente na corrida ao carácter único do Holocausto é o livro de Steven Katz - The Holocaust in Historical Context. Citando cerca de 5000 títulos no primeiro volume dos três que estão projectados para este estudo, Katz analisa toda a história humana para provar que «o Holocausto é fenomenologicamente único porque nunca antes nenhum Estado tinha decidido, quer em termos de intenções, quer como política realizada, aniquilar fisicamente todos os homens, mulheres e crianças pertencentes a determinado povo». Clarificando a sua tese, Katz explica: [...] «Um acontecimento histórico com características distintas é um acontecimento histórico distinto». Para evitar confusões, Katz insiste na explicação, dizendo que usa o termo fenomenologicamente «num sentido não-husserliano, não-shutzeano, não-scheleriano, não-heideggeriano, não-merleau-pontyano». Tradução: A tarefa de Katz é um disparate fenomena1. Mesmo que a tese central de Katz fosse comprovada, coisa que não acontece, isso apenas demonstraria que o Holocausto tinha em si características distintas. O contrário seria de admirar. Chaumont depreende que o estudo de Katz é na realidade «ideologia» mascarada de «ciência.Pouca diferença separa a afirmação do carácter único do Holocausto do argumento segundo o qual. o Holocausto não pode ser apreendido racionalmente. Se o Holocausto não tem precedentes na história, coloca-se acima dela e portanto não é possível a história compreendê-lo. O Holocausto é único por ser inexplicável e é inexplicável porque é único.Classificada por Novick como a «sacralização do Holocausto», esta mistificação é regularmente alimentada por Elie Wiesel. Para este autor, observa Novick com razão, o Holocausto é efectivamente uma religião do «mistério». Por conseguinte, Wiesel apregoa que. o Holocausto «conduz ao obscuro», «nega todas as respostas», «situa-se fora da história, e está mesmo para além dela», «é refractário ao conhecimento e à descrição», «não pode ser explicado nem visualizado», «nunca poderá ser entendido ou transmitido», assinala uma «destruição da história» e uma «mutação à escala cósmica». Só o sobrevivente-sacerdote (leia-se: só Wiesel) está apto a vislumbrar o seu mistério. E no entanto, o mistério do Holocausto, confessa Wiesel, «não é comunicável»; «Nem sequer podemos falar sobre ele». Assim, pela quantia habitual de 25.000 dólares (além da limusina com motorista), Wiesel explica nas suas conferências que o «segredo» da verdade de Auschwitz «reside no silêncio».A compreensão racional do Holocausto equivale, nesta perspectiva, a negá-lo. Porque a racionalidade leva-nos a negar o carácter único e o mistério do Holocausto. E comparar o Holocausto com os sofrimentos de outros povos constitui, para Wiesel, uma «traição total à história judaica». Há anos, um jornal nova-iorquino parodiava em parangonas: «Michael Jackson e 60 milhões de outras vítimas morrem num holocausto nuclear». A página das cartas de leitores reproduzia um protesto indignado de Wiesel: «Como ousam classificar de Holocausto algo que aconteceu ontem? Só houve um Holocausto (...). Nas suas memórias, Wiesel, provando que a realidade pode superar a ficção, censura Shimon Peres por este se referir «sem hesitação aos "dois holocaustos" do século xx: Auschwitz e Hiroxima. Não o devia fazer.» Um dos chavões preferidos de Wiesel afirma que «a universalidade do Holocausto reside no seu carácter único». Mas se é incomparavelmente e incompreensivelmente único, como poderá ter uma dimensão universal?O debate sobre o carácter único do Holocausto é estéril. O certo é que a reivindicação desse carácter único acabou por constituir uma forma de «terrorismo intelectual» (Chaumont). Os que recorrem aos métodos comparativos normais na investigação académica têm de começar por tomar mil e uma precauções para não serem acusados de «banalizar o Holocausto».Um corolário da afirmação do carácter único do Holocausto é que constituiu um mal único. Por mais terríveis que sejam os sofrimentos dos outros não se lhe podem igualar. Os que defendem o carácter único do Holocausto recusam em geral esta implicação, mas os seus protestos não convencem ninguém.Reivindicar o carácter único do Holocausto é intelectualmente estéril e moralmente indigno e no entanto eles persistem em fazê-lo. Pergunta-se: porquê? Em primeiro lugar, porque um sofrimento que seja único confere direitos únicos. O mal inigualável do Holocausto, segundo Jacob Neusner, não só coloca os judeus numa posição à parte, como também lhes dá «um direito sobre os outros». Para Edward Alexander, o carácter único do Holocausto é um «capital moral»; os judeus devem «reivindicar a soberania» sobre «esta propriedade valiosa».Com efeito, o carácter único do Holocausto – esta «reivindicação» em relação aos outros, este «capital moral» - representa para Israel um álibi precioso. «A singularidade dos sofrimentos dos judeus», afirma o historiador Peter Baldwin, «reforça as reivindicações morais e emocionais que Israel pode chamar a si (...) perante as outras nações.» Assim, segundo Nathan Glazer, o Holocausto, que apontava para o «peculiar carácter distintivo dos judeus», deu-lhes «o direito de se considerarem especialmente ameaçados e especialmente dignos de todos os esforços no sentido da sua sobrevivência.». Para citar um exemplo típico, todos os relatos sobre a decisão de Israel de desenvolver armas nucleares evocam o espectro do Holocausto. Como se, a não ser assim, Israel não tivesse recorrido ao nuclear!Há ainda outro factor. A reivindicação do carácter único do Holocausto é uma reivindicação do carácter único dos judeus. O que tomou o Holocausto único não foram os sofrimentos dos judeus mas o facto de os judeus sofrerem. Ou: o Holocausto é especial porque os judeus são especiais. Por isso, Ismar Schorsch, chanceler do Seminário Teológico Judaico, ridiculariza a reivindicação do carácter único do Holocausto como «uma versão secular de mau gosto sobre a Eleição». Elie Wiesel não é tão veemente sobre a singularidade dos judeus como sobre a do Holocausto. «Tudo em nós é diferente.» Os judeus são «ontologicamente» excepcionais. Ponto culminante de um ódio milenar dos gentios em relação aos judeus, o Holocausto não só atestou o sofrimento único dos judeus, como o seu carácter único.Durante a Segunda Guerra Mundial e depois dela, relata Novick, «quase ninguém no seio do governo [americano] - e praticamente ninguém fora dele, judeu ou não - teria compreendido que se falasse do "abandono dos judeus"». Deu-se o contrário depois de Junho de 1967. «O silêncio do mundo», a «indiferença do mundo», o «abandono dos judeus»; estes termos tornaram-se recorrentes no «discurso do Holocausto».Recuperando um preceito sionista, o sistema do Holocausto apresenta a Solução Final de Hitler como o clímax de um ódio milenar dos não judeus contra os judeus. Estes pereceram porque os gentios, quer fossem criminosos, quer colaboradores passivos, os queriam mortos. «O mundo livre e "civilizado"», segundo Wiesel, entregou os judeus «ao carrasco. Havia os que matavam - os homicidas - e havia os que ficaram em silêncio». As provas históricas de um impulso assassino dos não judeus são nulas. O esforço ingente de Daniel Goldhagen para provar uma variante desta alegação em Hitler's Willing Executioners pouco mais foi do que cómico. No entanto, a sua utilidade política é considerável. Por sinal, note-se que na realidade a teoria do «anti-semitismo eterno» leva água ao moinho do anti-semitismo. Como afirma Acendt em The Origins of Totalitarianism, «é um dado adquirido que esta doutrina foi adoptada pelos anti-semitas convictos; dá-lhes o melhor álibi possível para todos os horrores. É verdade que a humanidade tem insistido, há mais de 2000 anos, em matar judeus, pelo que as matanças dos ditos são uma ocupação normal, e até humana, e o ódio aos judeus é justificado sem necessidade de argumentos. O aspecto mais surpreendente desta explicação é que tem sido adoptada por muitos historiadores imparciais e por um número ainda maior de judeus.»Adoptado pela indústria do Holocausto, o dogma sobre o ódio eterno dos não judeus tem servido para justificar a necessidade de um Estado judaico e para explicar a hostilidade em relação a Israel. O Estado judaico é a única salvaguarda contra o próximo (inevitável) surto de anti-semitismo homicida; inversamente, o anti-semitismo homicida está por trás de todos os ataques e até das manobras defensivas contra o Estado judaico. Para explicar as criticas a Israel, a ficcionista Cynthia Ozick tem uma resposta pronta: «O mundo quer erradicar os judeus. (...) O mundo sempre quis erradicar os judeus.» Se todo o mundo quer a morte dos judeus, realmente é de admirar estarem ainda vivos - e, ao contrário de grande parte da humanidade, não propriamente a morrer de fome.Este dogma também conferiu carta branca a Israel: como os não judeus estão sempre prontos a matar os judeus, estes têm todo o direito de se proteger, sempre que achem adequado. Qualquer expediente a que os judeus possam recorrer, mesmo a agressão e a tortura, constitui legítima autodefesa. Deplorando a «lição do Holocausto» do eterno ódio dos gentios, Boas Evron observa que «é realmente equivalente a uma paranóia deliberadamente construída. (...) Esta mentalidade (...) desculpa à partida qualquer tratamento desumano em relação aos não judeus, porque a mitologia que prevalece é a de que 'todos colaboraram com os nazis na destruição dos judeus' e portanto tudo é permitido aos judeus na sua relação com os outros povos.»No sistema do Holocausto, não só é impossível erradicar o anti-semitismo dos gentios, como ele é sempre irracional. Goldhagen, indo mais longe que os sionistas clássicos, sem falar dos dados científicos correntes, apresenta um anti-semitismo «que nada tem a ver com os judeus reais», «não constituindo fundamentalmente uma reacção a qualquer avaliação objectiva dos actos dos judeus» e «independente da natureza e actos dos judeus». Uma patologia mental dos gentios, cujo «domínio» é «o espírito». Impelidos por «argumentos irracionais», os anti-semitas, segundo Wiesel, «ressentem-se da simples existência dos judeus.» Como nota ironicamente o sociólogo John Murray Cuddihy, «não só o que os judeus fazem ou não fazem não tem nada a ver com o anti-semitismo, como qualquer tentativa de explicar o anti-semitismo através de qualquer responsabilidade dos judeus é em si um exemplo de anti-semitismo». Não se defende, como é evidente, que o anti-semitismo seja aceitável, nem se atribui aos judeus a culpa pelos crimes de que foram alvo, mas o anti-semitismo desenvolve-se num contexto histórico específico, com todo um jogo de interesses cruzados. «Uma minoria talentosa, bem organizada e bastante bem sucedida pode suscitar conflitos derivados de tensões objectivas entre grupos», salienta Ismar Schorsch, embora esses conflitos estejam «às vezes envoltos em estereótipos anti-semíticos.»A essência irracional do anti-semitismo gentio infere-se indutivamente da essência irracional do Holocausto. A Solução Final de Hitler carecia simplesmente de racionalidade - era «o mal pelo mal», a matança em massa «sem objectivos»; marcou o culminar do anti-semitismo gentio; portanto o anti-semitismo gentio é essencialmente irracional. Tomadas separadamente ou em conjunto, estas proposições não resistem ao exame mais superficial. No entanto, politicamente o argumento é muito útil.Ao conferir inocência total aos judeus, o dogma do Holocausto iliba Israel e os judeus americanos de qualquer censura legítima. A hostilidade árabe, a hostilidade afro-americana, «não são fundamentahnente uma reacção a qualquer avaliação objectiva dos actos dos judeus» (Goldhagen). Considere-se o que diz Wiesel sobre as perseguições aos judeus: «Durante dois mil anos (...) sempre fomos ameaçados. (...) Porquê? Por coisa nenhuma.» Sobre a hostilidade árabe contra Israel: «Por sermos o que somos e por aquilo que a nossa pátria de Israel representa - o cerne das nossas vidas, o sonho dos nossos sonhos - quando os nossos inimigos tentam destruir-nos, fazem-no tentando destruir Israel.» Sobre a hostilidade dos negros em relação aos judeus americanos: «Os que se inspiram em nós não nos agradecem, antes nos atacam. Estamos numa situação muito difícil. Voltamos a ser bodes expiatórios de todos os outros. (...)Ajudámos os negros; sempre os ajudámos. (...) Tenho pena deles. Deviam aprender uma coisa connosco: gratidão. Nenhum povo no mundo conhece a gratidão tanto como nós; sempre fomos gratos.» Sempre castigados, sempre inocentes: é este o fardo dos judeus.O dogma sobre o ódio eterno dos gentios também justifica o dogma complementar do carácter único do Holocausto. Se o Holocausto marcou o clímax de um ódio milenar dos gentios aos judeus, a perseguição aos não judeus no Holocausto foi simplesmente acidental e meramente episódica, em termos históricos. Portanto, de todos os pontos de vista, os sofrimentos dos judeus durante o Holocausto foram únicos.Finalmente, os sofrimentos dos judeus foram únicos porque os judeus são únicos. O Holocausto foi único porque não foi racional. Em última análise, na sua origem esteve uma paixão irracional, quase inumana. O mundo gentio odiava os judeus por inveja, despeito: ressentimento. O anti-semitismo, segundo Nathan e Ruth Ann Perlmutter, resultou da «inveja e ressentimento dos não judeus por os judeus rivalizarem com os cristãos no mercado. (...) Os gentios, numerosos e menos competentes, invejavam os judeus, que eram em menor número e mais capazes.» Ainda que negativamente, o Holocausto confirmava pois que os judeus eram os eleitos. Por serem melhores, ou mais bem sucedidos, os judeus foram alvo da ira dos não judeus, que acabaram por massacrá-los.Num aparte breve, Novick pergunta-se: «O que seria o discurso sobre o Holocausto na América» se Elie Wiesel não fosse o seu «principal intérprete»? A resposta não é difícil: antes de Junho de 1967 a mensagem universalista de Bruno Bettelheim, sobrevivente dos campos de concentração, encontrava eco junto dos judeus americanos. Depois da guerra de Junho foi preterida em favor de Wiesel. A importância de Wiesel está em função da sua utilidade ideológica. O carácter único dos sofrimentos dos judeus/o carácter único dos judeus, a culpa permanente dos gentios/a inocência dos judeus, a defesa incondicional de Israel/a defesa dos interesses judaicos. Elie Wiesel é o Holocausto.