Transcrevo daqui este excelente texto:
A História contada por burlões e traficantes
Excerto de "A Indústria do Holocausto" de Norman FinkelsteinReivindicar o carácter único do Holocausto é intelectualmente estéril e moralmente indigno e no entanto eles persistem em fazê-lo. Pergunta-se: porquê? Em primeiro lugar, porque um sofrimento que seja único confere direitos únicos. O mal inigualável do Holocausto, segundo Jacob Neusner, não só coloca os judeus numa posição à parte, como também lhes dá «um direito sobre os outros». Para Edward Alexander, o carácter único do Holocausto é um «capital moral»; os judeus devem «reivindicar a soberania» sobre «esta propriedade valiosa». [...] Este dogma também conferiu carta branca a Israel: como os não judeus estão sempre prontos a matar os judeus, estes têm todo o direito de se proteger, sempre que achem adequado. Qualquer expediente a que os judeus possam recorrer, mesmo a agressão e a tortura, constitui legítima autodefesa. Deplorando a «lição do Holocausto» do eterno ódio dos gentios, Boas Evron observa que «é realmente equivalente a uma paranóia deliberadamente construída. (...) Esta mentalidade (...) desculpa à partida qualquer tratamento desumano em relação aos não judeus, porque a mitologia que prevalece é a de que 'todos colaboraram com os nazis na destruição dos judeus' e portanto tudo é permitido aos judeus na sua relação com os outros povos.»
Parte do CAPÍTULO 2A HISTÓRIA CONTADA POR BURLÕES E TRAFICANTES
«A CONSCIÊNCIA do Holocausto» observa Boas Evron, «o respeitado escritor israelita, é na realidade «uma doutrinação oficial, propagandística, um chorrilho de chavões e uma perspectiva falsa do mundo, cujo verdadeiro objectivo não é de modo algum compreender o passado, mas manipular o presente.» Em si, o holocausto nazi não está ao serviço de nenhum desígnio político. Tanto pode gerar criticas como apoio à política israelita. Porém, refractada através de um prisma ideológico, «a memória do extermínio nazi» acabou por servir - nas palavras de Evron - «como um instrumento poderoso nas mãos da liderança israelita e dos judeus no estrangeiro». O holocausto nazi passou a ser o Holocausto.Dois dogmas centrais enquadram a ideia do Holocausto: 1) O Holocausto constitui um acontecimento histórico categoricamente único; 2) O Holocausto constitui o clímax de um ódio irracional e eterno dos não judeus pelos judeus. Nenhum destes dogmas esteve presente em qualquer discurso público antes da guerra de Junho de 1967; e, embora se tenham tornado as peças essenciais da literatura do Holocausto, eles não figuram sob forma alguma em nenhum trabalho científico sério sobre o holocausto nazi. Por outro lado, ambos os dogmas se apoiam em tradições arraigadas do judaísmo e do sionismo.Depois da Segunda Guerra Mundial, o holocausto nazi não era visto como um acontecimento exclusivamente respeitante aos judeus - e muito menos único, sob o ponto de vista histórico. Os meios judaicos americanos em especial esforçavam-se por colocá-lo num contexto universalista. No entanto, depois da guerra de Junho, a Solução Final nazi foi radicalmente reenquadrada. «A primeira e mais importante alegação a surgir da guerra de 1967 e a tomar-se emblemática do judaísmo americano», recorda Jacob Neusner, foi que «o Holocausto (...) foi único, sem paralelo na história humana». Num estudo esclarecedor, o historiador David Stannard ridiculariza «a pequena indústria dos hagiógrafos do Holocausto, que defendem o carácter único da experiência judaica com toda a energia e engenho dos zelotas ideológicos». Bem vistas as coisas, o dogma do carácter único não faz sentido.Ao nível mais básico, todos os acontecimentos históricos são únicos; quanto mais não seja por razões de tempo e lugar, e todos os acontecimentos históricos assumem características distintas, assim como características comuns a outros acontecimentos históricos. A anomalia do Holocausto é que o seu carácter único é considerado absolutamente decisivo. Que outro acontecimento histórico haverá, cabe perguntar, que seja essencialmente considerado em função da sua categoria única? Normalmente, as características distintivas do Holocausto são isoladas de forma a colocar-se o acontecimento numa categoria totalmente à parte. Nunca se toma claro, porém, por que razão os muitos aspectos comuns a outros acontecimentos devem ser vistos, comparativamente, como triviais.Todos os que escrevem sobre o Holocausto afirmam que é único, mas poucos ou nenhum explicam porquê. Sempre que alguém refuta empiricamente um argumento a favor do seu carácter único, logo surge novo argumento contrário. Os resultados, segundo Jean-Michel Chaumont, são uma multiplicidade de argumentos em conflito uns com os outros e anulando-se entre si: «O conhecimento não se acumula. Pelo contrário, para reforçar um argumento anterior, volta-se sempre ao zero.» Por outras palavras: o carácter único é um dado adquirido na ideia do Holocausto a tarefa definida é prová-lo, já que negá-lo equivale a negar o Holocausto. Talvez o problema esteja na premissa e não na prova. Mesmo que o Holocausto fosse único, que importância teria isso? De que forma alteraria a nossa compreensão sabermos que o holocausto nazi não foi a primeira, mas a quarta ou quinta catástrofe numa série de outras catástrofes comparáveis?A aquisição mais recente na corrida ao carácter único do Holocausto é o livro de Steven Katz - The Holocaust in Historical Context. Citando cerca de 5000 títulos no primeiro volume dos três que estão projectados para este estudo, Katz analisa toda a história humana para provar que «o Holocausto é fenomenologicamente único porque nunca antes nenhum Estado tinha decidido, quer em termos de intenções, quer como política realizada, aniquilar fisicamente todos os homens, mulheres e crianças pertencentes a determinado povo». Clarificando a sua tese, Katz explica: [...] «Um acontecimento histórico com características distintas é um acontecimento histórico distinto». Para evitar confusões, Katz insiste na explicação, dizendo que usa o termo fenomenologicamente «num sentido não-husserliano, não-shutzeano, não-scheleriano, não-heideggeriano, não-merleau-pontyano». Tradução: A tarefa de Katz é um disparate fenomena1. Mesmo que a tese central de Katz fosse comprovada, coisa que não acontece, isso apenas demonstraria que o Holocausto tinha em si características distintas. O contrário seria de admirar. Chaumont depreende que o estudo de Katz é na realidade «ideologia» mascarada de «ciência.Pouca diferença separa a afirmação do carácter único do Holocausto do argumento segundo o qual. o Holocausto não pode ser apreendido racionalmente. Se o Holocausto não tem precedentes na história, coloca-se acima dela e portanto não é possível a história compreendê-lo. O Holocausto é único por ser inexplicável e é inexplicável porque é único.Classificada por Novick como a «sacralização do Holocausto», esta mistificação é regularmente alimentada por Elie Wiesel. Para este autor, observa Novick com razão, o Holocausto é efectivamente uma religião do «mistério». Por conseguinte, Wiesel apregoa que. o Holocausto «conduz ao obscuro», «nega todas as respostas», «situa-se fora da história, e está mesmo para além dela», «é refractário ao conhecimento e à descrição», «não pode ser explicado nem visualizado», «nunca poderá ser entendido ou transmitido», assinala uma «destruição da história» e uma «mutação à escala cósmica». Só o sobrevivente-sacerdote (leia-se: só Wiesel) está apto a vislumbrar o seu mistério. E no entanto, o mistério do Holocausto, confessa Wiesel, «não é comunicável»; «Nem sequer podemos falar sobre ele». Assim, pela quantia habitual de 25.000 dólares (além da limusina com motorista), Wiesel explica nas suas conferências que o «segredo» da verdade de Auschwitz «reside no silêncio».A compreensão racional do Holocausto equivale, nesta perspectiva, a negá-lo. Porque a racionalidade leva-nos a negar o carácter único e o mistério do Holocausto. E comparar o Holocausto com os sofrimentos de outros povos constitui, para Wiesel, uma «traição total à história judaica». Há anos, um jornal nova-iorquino parodiava em parangonas: «Michael Jackson e 60 milhões de outras vítimas morrem num holocausto nuclear». A página das cartas de leitores reproduzia um protesto indignado de Wiesel: «Como ousam classificar de Holocausto algo que aconteceu ontem? Só houve um Holocausto (...). Nas suas memórias, Wiesel, provando que a realidade pode superar a ficção, censura Shimon Peres por este se referir «sem hesitação aos "dois holocaustos" do século xx: Auschwitz e Hiroxima. Não o devia fazer.» Um dos chavões preferidos de Wiesel afirma que «a universalidade do Holocausto reside no seu carácter único». Mas se é incomparavelmente e incompreensivelmente único, como poderá ter uma dimensão universal?O debate sobre o carácter único do Holocausto é estéril. O certo é que a reivindicação desse carácter único acabou por constituir uma forma de «terrorismo intelectual» (Chaumont). Os que recorrem aos métodos comparativos normais na investigação académica têm de começar por tomar mil e uma precauções para não serem acusados de «banalizar o Holocausto».Um corolário da afirmação do carácter único do Holocausto é que constituiu um mal único. Por mais terríveis que sejam os sofrimentos dos outros não se lhe podem igualar. Os que defendem o carácter único do Holocausto recusam em geral esta implicação, mas os seus protestos não convencem ninguém.Reivindicar o carácter único do Holocausto é intelectualmente estéril e moralmente indigno e no entanto eles persistem em fazê-lo. Pergunta-se: porquê? Em primeiro lugar, porque um sofrimento que seja único confere direitos únicos. O mal inigualável do Holocausto, segundo Jacob Neusner, não só coloca os judeus numa posição à parte, como também lhes dá «um direito sobre os outros». Para Edward Alexander, o carácter único do Holocausto é um «capital moral»; os judeus devem «reivindicar a soberania» sobre «esta propriedade valiosa».Com efeito, o carácter único do Holocausto – esta «reivindicação» em relação aos outros, este «capital moral» - representa para Israel um álibi precioso. «A singularidade dos sofrimentos dos judeus», afirma o historiador Peter Baldwin, «reforça as reivindicações morais e emocionais que Israel pode chamar a si (...) perante as outras nações.» Assim, segundo Nathan Glazer, o Holocausto, que apontava para o «peculiar carácter distintivo dos judeus», deu-lhes «o direito de se considerarem especialmente ameaçados e especialmente dignos de todos os esforços no sentido da sua sobrevivência.». Para citar um exemplo típico, todos os relatos sobre a decisão de Israel de desenvolver armas nucleares evocam o espectro do Holocausto. Como se, a não ser assim, Israel não tivesse recorrido ao nuclear!Há ainda outro factor. A reivindicação do carácter único do Holocausto é uma reivindicação do carácter único dos judeus. O que tomou o Holocausto único não foram os sofrimentos dos judeus mas o facto de os judeus sofrerem. Ou: o Holocausto é especial porque os judeus são especiais. Por isso, Ismar Schorsch, chanceler do Seminário Teológico Judaico, ridiculariza a reivindicação do carácter único do Holocausto como «uma versão secular de mau gosto sobre a Eleição». Elie Wiesel não é tão veemente sobre a singularidade dos judeus como sobre a do Holocausto. «Tudo em nós é diferente.» Os judeus são «ontologicamente» excepcionais. Ponto culminante de um ódio milenar dos gentios em relação aos judeus, o Holocausto não só atestou o sofrimento único dos judeus, como o seu carácter único.Durante a Segunda Guerra Mundial e depois dela, relata Novick, «quase ninguém no seio do governo [americano] - e praticamente ninguém fora dele, judeu ou não - teria compreendido que se falasse do "abandono dos judeus"». Deu-se o contrário depois de Junho de 1967. «O silêncio do mundo», a «indiferença do mundo», o «abandono dos judeus»; estes termos tornaram-se recorrentes no «discurso do Holocausto».Recuperando um preceito sionista, o sistema do Holocausto apresenta a Solução Final de Hitler como o clímax de um ódio milenar dos não judeus contra os judeus. Estes pereceram porque os gentios, quer fossem criminosos, quer colaboradores passivos, os queriam mortos. «O mundo livre e "civilizado"», segundo Wiesel, entregou os judeus «ao carrasco. Havia os que matavam - os homicidas - e havia os que ficaram em silêncio». As provas históricas de um impulso assassino dos não judeus são nulas. O esforço ingente de Daniel Goldhagen para provar uma variante desta alegação em Hitler's Willing Executioners pouco mais foi do que cómico. No entanto, a sua utilidade política é considerável. Por sinal, note-se que na realidade a teoria do «anti-semitismo eterno» leva água ao moinho do anti-semitismo. Como afirma Acendt em The Origins of Totalitarianism, «é um dado adquirido que esta doutrina foi adoptada pelos anti-semitas convictos; dá-lhes o melhor álibi possível para todos os horrores. É verdade que a humanidade tem insistido, há mais de 2000 anos, em matar judeus, pelo que as matanças dos ditos são uma ocupação normal, e até humana, e o ódio aos judeus é justificado sem necessidade de argumentos. O aspecto mais surpreendente desta explicação é que tem sido adoptada por muitos historiadores imparciais e por um número ainda maior de judeus.»Adoptado pela indústria do Holocausto, o dogma sobre o ódio eterno dos não judeus tem servido para justificar a necessidade de um Estado judaico e para explicar a hostilidade em relação a Israel. O Estado judaico é a única salvaguarda contra o próximo (inevitável) surto de anti-semitismo homicida; inversamente, o anti-semitismo homicida está por trás de todos os ataques e até das manobras defensivas contra o Estado judaico. Para explicar as criticas a Israel, a ficcionista Cynthia Ozick tem uma resposta pronta: «O mundo quer erradicar os judeus. (...) O mundo sempre quis erradicar os judeus.» Se todo o mundo quer a morte dos judeus, realmente é de admirar estarem ainda vivos - e, ao contrário de grande parte da humanidade, não propriamente a morrer de fome.Este dogma também conferiu carta branca a Israel: como os não judeus estão sempre prontos a matar os judeus, estes têm todo o direito de se proteger, sempre que achem adequado. Qualquer expediente a que os judeus possam recorrer, mesmo a agressão e a tortura, constitui legítima autodefesa. Deplorando a «lição do Holocausto» do eterno ódio dos gentios, Boas Evron observa que «é realmente equivalente a uma paranóia deliberadamente construída. (...) Esta mentalidade (...) desculpa à partida qualquer tratamento desumano em relação aos não judeus, porque a mitologia que prevalece é a de que 'todos colaboraram com os nazis na destruição dos judeus' e portanto tudo é permitido aos judeus na sua relação com os outros povos.»No sistema do Holocausto, não só é impossível erradicar o anti-semitismo dos gentios, como ele é sempre irracional. Goldhagen, indo mais longe que os sionistas clássicos, sem falar dos dados científicos correntes, apresenta um anti-semitismo «que nada tem a ver com os judeus reais», «não constituindo fundamentalmente uma reacção a qualquer avaliação objectiva dos actos dos judeus» e «independente da natureza e actos dos judeus». Uma patologia mental dos gentios, cujo «domínio» é «o espírito». Impelidos por «argumentos irracionais», os anti-semitas, segundo Wiesel, «ressentem-se da simples existência dos judeus.» Como nota ironicamente o sociólogo John Murray Cuddihy, «não só o que os judeus fazem ou não fazem não tem nada a ver com o anti-semitismo, como qualquer tentativa de explicar o anti-semitismo através de qualquer responsabilidade dos judeus é em si um exemplo de anti-semitismo». Não se defende, como é evidente, que o anti-semitismo seja aceitável, nem se atribui aos judeus a culpa pelos crimes de que foram alvo, mas o anti-semitismo desenvolve-se num contexto histórico específico, com todo um jogo de interesses cruzados. «Uma minoria talentosa, bem organizada e bastante bem sucedida pode suscitar conflitos derivados de tensões objectivas entre grupos», salienta Ismar Schorsch, embora esses conflitos estejam «às vezes envoltos em estereótipos anti-semíticos.»A essência irracional do anti-semitismo gentio infere-se indutivamente da essência irracional do Holocausto. A Solução Final de Hitler carecia simplesmente de racionalidade - era «o mal pelo mal», a matança em massa «sem objectivos»; marcou o culminar do anti-semitismo gentio; portanto o anti-semitismo gentio é essencialmente irracional. Tomadas separadamente ou em conjunto, estas proposições não resistem ao exame mais superficial. No entanto, politicamente o argumento é muito útil.Ao conferir inocência total aos judeus, o dogma do Holocausto iliba Israel e os judeus americanos de qualquer censura legítima. A hostilidade árabe, a hostilidade afro-americana, «não são fundamentahnente uma reacção a qualquer avaliação objectiva dos actos dos judeus» (Goldhagen). Considere-se o que diz Wiesel sobre as perseguições aos judeus: «Durante dois mil anos (...) sempre fomos ameaçados. (...) Porquê? Por coisa nenhuma.» Sobre a hostilidade árabe contra Israel: «Por sermos o que somos e por aquilo que a nossa pátria de Israel representa - o cerne das nossas vidas, o sonho dos nossos sonhos - quando os nossos inimigos tentam destruir-nos, fazem-no tentando destruir Israel.» Sobre a hostilidade dos negros em relação aos judeus americanos: «Os que se inspiram em nós não nos agradecem, antes nos atacam. Estamos numa situação muito difícil. Voltamos a ser bodes expiatórios de todos os outros. (...)Ajudámos os negros; sempre os ajudámos. (...) Tenho pena deles. Deviam aprender uma coisa connosco: gratidão. Nenhum povo no mundo conhece a gratidão tanto como nós; sempre fomos gratos.» Sempre castigados, sempre inocentes: é este o fardo dos judeus.O dogma sobre o ódio eterno dos gentios também justifica o dogma complementar do carácter único do Holocausto. Se o Holocausto marcou o clímax de um ódio milenar dos gentios aos judeus, a perseguição aos não judeus no Holocausto foi simplesmente acidental e meramente episódica, em termos históricos. Portanto, de todos os pontos de vista, os sofrimentos dos judeus durante o Holocausto foram únicos.Finalmente, os sofrimentos dos judeus foram únicos porque os judeus são únicos. O Holocausto foi único porque não foi racional. Em última análise, na sua origem esteve uma paixão irracional, quase inumana. O mundo gentio odiava os judeus por inveja, despeito: ressentimento. O anti-semitismo, segundo Nathan e Ruth Ann Perlmutter, resultou da «inveja e ressentimento dos não judeus por os judeus rivalizarem com os cristãos no mercado. (...) Os gentios, numerosos e menos competentes, invejavam os judeus, que eram em menor número e mais capazes.» Ainda que negativamente, o Holocausto confirmava pois que os judeus eram os eleitos. Por serem melhores, ou mais bem sucedidos, os judeus foram alvo da ira dos não judeus, que acabaram por massacrá-los.Num aparte breve, Novick pergunta-se: «O que seria o discurso sobre o Holocausto na América» se Elie Wiesel não fosse o seu «principal intérprete»? A resposta não é difícil: antes de Junho de 1967 a mensagem universalista de Bruno Bettelheim, sobrevivente dos campos de concentração, encontrava eco junto dos judeus americanos. Depois da guerra de Junho foi preterida em favor de Wiesel. A importância de Wiesel está em função da sua utilidade ideológica. O carácter único dos sofrimentos dos judeus/o carácter único dos judeus, a culpa permanente dos gentios/a inocência dos judeus, a defesa incondicional de Israel/a defesa dos interesses judaicos. Elie Wiesel é o Holocausto.
terça-feira, abril 22, 2008
segunda-feira, abril 21, 2008
Para acabar de vez com os soluços !
Como naqueles filmes a preto e branco, onde os actores maus se distinguiam dos bons caracteres, pela profundidade e escuridão das olheiras e pelo andar cambaleante, assim a SIC acaba de prevenir urbit et orbi que M.F.Leite se prepara para anunciar a sua corrida à liderança do psd ( ex-ppd-psd para os mais distraídos).
A mãe do deficit renasce das cinzas e é atirada de novo ao lume. Quer queira, quer não! Tem de ser ela. Apesar das olheiras.
É já apregoada como se duma D. Sebastiona se tratasse. Ou ela ou o Inferno !
Enredo absolutamente medonho, em todo o caso, para uma longa lista de figurantes que estavam em palco a aproveitar o sol. Baixo é certo , mas todavia sol ! Para estes, a confirmar-se o cenário, vão ser apenas pragas do Egipto em vez do mel e do leite ( fora o trocadilho, está bem de ver !)
Mas, para nós os tais que pagamos impostos, parece ser hora de apertar bem a bolsa que a donzela é farta de maneiras para no-lo gastar.
Já tínhamos o pai do monstro no poleiro de cima. Faltava agora a responsável pelos desmandos efectivos no domínio das Finanças e da Educação ( lembram-se ?)
Um susto ! Pum !
A mãe do deficit renasce das cinzas e é atirada de novo ao lume. Quer queira, quer não! Tem de ser ela. Apesar das olheiras.
É já apregoada como se duma D. Sebastiona se tratasse. Ou ela ou o Inferno !
Enredo absolutamente medonho, em todo o caso, para uma longa lista de figurantes que estavam em palco a aproveitar o sol. Baixo é certo , mas todavia sol ! Para estes, a confirmar-se o cenário, vão ser apenas pragas do Egipto em vez do mel e do leite ( fora o trocadilho, está bem de ver !)
Mas, para nós os tais que pagamos impostos, parece ser hora de apertar bem a bolsa que a donzela é farta de maneiras para no-lo gastar.
Já tínhamos o pai do monstro no poleiro de cima. Faltava agora a responsável pelos desmandos efectivos no domínio das Finanças e da Educação ( lembram-se ?)
Um susto ! Pum !
O frio aço pelas costas
Ainda o rei era vivo e ameaçava os putativos coroáveis com a prorrogação de reinado já o aço frio percorria as costas dos menos avisados e dos corredores de menor fôlego.
Melhor ainda, como na época do cio, os machos marcam o terreno:
O vice-presidente da bancada, em tão boa hora encabeçada por Santana Lopes, discreto apoiante de Menezes mas, entretanto, na sombra duma amnésia generalizada, Patinha Antão acaba de mandar às malvas a fidelidade ao chefe directo, e à outra banda "il capo de tuti capi", o enjoado Menezes.
Aço frio e de dois gumes. Zás, zás !
Patinha Antão, então ?
Melhor ainda, como na época do cio, os machos marcam o terreno:
O vice-presidente da bancada, em tão boa hora encabeçada por Santana Lopes, discreto apoiante de Menezes mas, entretanto, na sombra duma amnésia generalizada, Patinha Antão acaba de mandar às malvas a fidelidade ao chefe directo, e à outra banda "il capo de tuti capi", o enjoado Menezes.
Aço frio e de dois gumes. Zás, zás !
Patinha Antão, então ?
sexta-feira, abril 18, 2008
De ex-Lider a D. Sebastião ?
Ou o efeito boomerang, espera ele. Será?
Para já demitiu-se estrondosamente.
A ver vamos se se recandidata ou não.
Para já demitiu-se estrondosamente.
A ver vamos se se recandidata ou não.
E o mau tempo deu nisto
Mau Tempo: Maioria dos distritos com aviso Laranja
Quase todos os distritos de Portugal continental e o arquipélago da Madeira estão hoje com aviso Laranja, atendendo à continuação da chuva, vento e ondulação fortes, segundo o Instituto de Meteorologia (IM).
...a previsão que fiz foi só de um Tsunamizito...
Quase todos os distritos de Portugal continental e o arquipélago da Madeira estão hoje com aviso Laranja, atendendo à continuação da chuva, vento e ondulação fortes, segundo o Instituto de Meteorologia (IM).
...a previsão que fiz foi só de um Tsunamizito...
The Good Book

Uma excitante semana nos estados Unidos.
Segundo o NY Post foi a leilão um filme a preto e branco de apenas 15m em que MMonroe "contracena" com um desconhecido e que a cena íntima é classificada, na tão religiosa América, como "anti-natural sex act".
Vendeu-se por 1,5M US$, o que já foi considerado "natural", e o comprador jura que não nos revelará as tórridas imagens:
- An illicit copy of the steamy, still-FBI-classified reel - 15 minutes of 16mm film footage in which the original blond bombshell performs oral sex on an unidentified man - was just sold to a New York businessman for $1.5 million, said Keya Morgan, the well-known memorabilia collector who discovered the film and brokered its purchase.
The footage appears to have been shot in the 1950s. When it came to light in the mid-'60s, then-FBI Director J. Edgar Hoover had his agents spend two weeks futilely trying to prove that Monroe's sex partner was either John F. Kennedy or Robert F. Kennedy, according to declassified agency documents and interviews, Morgan said.
The silent black-and-white flick shows Monroe on her knees in front of a man whose face is just out of the shot.
The footage appears to have been shot in the 1950s. When it came to light in the mid-'60s, then-FBI Director J. Edgar Hoover had his agents spend two weeks futilely trying to prove that Monroe's sex partner was either John F. Kennedy or Robert F. Kennedy, according to declassified agency documents and interviews, Morgan said.
The silent black-and-white flick shows Monroe on her knees in front of a man whose face is just out of the shot.
Na impossibilidade de vos mostrar a MM de joelhos, e atendendo à visita religiosa em curso, posso mostrar-vos a Bíblia que ela usava nos momentos de maior recolhimento.
quinta-feira, abril 17, 2008
quarta-feira, abril 16, 2008
O Estado dos Estados Unidos da América
As 10 mais importantes coisas a saber sobre o candidato John McCain e que provavelmente poderá mergulhar o mundo numa confusão irremediável :
http://pol.moveon.org/mccain10
10 things you should know about John McCain (but probably don't):
1-John McCain voted against establishing a national holiday in honor of Dr. Martin Luther King, Jr. Now he says his position has "evolved," yet he's continued to oppose key civil rights laws.
2-According to Bloomberg News, McCain is more hawkish than Bush on Iraq, Russia and China. Conservative columnist Pat Buchanan says McCain "will make Cheney look like Gandhi."
3-His reputation is built on his opposition to torture, but McCain voted against a bill to ban waterboarding, and then applauded President Bush for vetoing that ban.
4-McCain opposes a woman's right to choose. He said, "I do not support Roe versus Wade. It should be overturned."
5-The Children's Defense Fund rated McCain as the worst senator in Congress for children. He voted against the children's health care bill last year, then defended Bush's veto of the bill.
6-He's one of the richest people in a Senate filled with millionaires. The Associated Press reports he and his wife own at least eight homes! Yet McCain says the solution to the housing crisis is for people facing foreclosure to get a "second job" and skip their vacations.
7-Many of McCain's fellow Republican senators say he's too reckless to be commander in chief. One Republican senator said: "The thought of his being president sends a cold chill down my spine. He's erratic. He's hotheaded. He loses his temper and he worries me."
8-McCain talks a lot about taking on special interests, but his campaign manager and top advisers are actually lobbyists. The government watchdog group Public Citizen says McCain has 59 lobbyists raising money for his campaign, more than any of the other presidential candidates.
9-McCain has sought closer ties to the extreme religious right in recent years. The pastor McCain calls his "spiritual guide," Rod Parsley, believes America's founding mission is to destroy Islam, which he calls a "false religion." McCain sought the political support of right-wing preacher John Hagee, who believes Hurricane Katrina was God's punishment for gay rights and called the Catholic Church "the Antichrist" and a "false cult."
10-He positions himself as pro-environment, but he scored a 0—yes, zero—from the League of Conservation Voters last year.
Já estou a ver as saudades que podemos vir a ter do Bush :-((
http://pol.moveon.org/mccain10
10 things you should know about John McCain (but probably don't):
1-John McCain voted against establishing a national holiday in honor of Dr. Martin Luther King, Jr. Now he says his position has "evolved," yet he's continued to oppose key civil rights laws.
2-According to Bloomberg News, McCain is more hawkish than Bush on Iraq, Russia and China. Conservative columnist Pat Buchanan says McCain "will make Cheney look like Gandhi."
3-His reputation is built on his opposition to torture, but McCain voted against a bill to ban waterboarding, and then applauded President Bush for vetoing that ban.
4-McCain opposes a woman's right to choose. He said, "I do not support Roe versus Wade. It should be overturned."
5-The Children's Defense Fund rated McCain as the worst senator in Congress for children. He voted against the children's health care bill last year, then defended Bush's veto of the bill.
6-He's one of the richest people in a Senate filled with millionaires. The Associated Press reports he and his wife own at least eight homes! Yet McCain says the solution to the housing crisis is for people facing foreclosure to get a "second job" and skip their vacations.
7-Many of McCain's fellow Republican senators say he's too reckless to be commander in chief. One Republican senator said: "The thought of his being president sends a cold chill down my spine. He's erratic. He's hotheaded. He loses his temper and he worries me."
8-McCain talks a lot about taking on special interests, but his campaign manager and top advisers are actually lobbyists. The government watchdog group Public Citizen says McCain has 59 lobbyists raising money for his campaign, more than any of the other presidential candidates.
9-McCain has sought closer ties to the extreme religious right in recent years. The pastor McCain calls his "spiritual guide," Rod Parsley, believes America's founding mission is to destroy Islam, which he calls a "false religion." McCain sought the political support of right-wing preacher John Hagee, who believes Hurricane Katrina was God's punishment for gay rights and called the Catholic Church "the Antichrist" and a "false cult."
10-He positions himself as pro-environment, but he scored a 0—yes, zero—from the League of Conservation Voters last year.
Já estou a ver as saudades que podemos vir a ter do Bush :-((
terça-feira, abril 15, 2008
The Vatican States of America
O Papa visita a América em completo desalinho, em guerra, à beira de um desastre económico e a discutir qual o candidato mais próximo de Deus e das armas para novo presidente.
O insuspeito American Spectator diz desta visita :
"...Plus ca change, plus c'est la meme chose. The Corinthians sound remarkably American. And as you survey the Mainstream Media (MSM) coverage about Pope Benedict, who is visiting America this week, what comes through again and again is that much of the MSM is already weary of hearing what it has never yet heard.Many come to bury Benedict, not to praise him, let alone listen to him. Their minds are made up. Like the Far Side cartoon about what we say and what dogs hear, much of the press coverage will consist of TV spots which will consist pretty much of regurgitations of The American Media Narrative on Benedict: "Benedict blah blah blah Hitler Youth blah blah blah God's Rottweiler blah blah blah inflexible blah blah blah homosexuality, divorce, women priests blah blah blah Vatican crackdown, etc. blah blah."...
Já nem o autor acredita nos media americanos....para serem suficientemente papistas !
O insuspeito American Spectator diz desta visita :
"...Plus ca change, plus c'est la meme chose. The Corinthians sound remarkably American. And as you survey the Mainstream Media (MSM) coverage about Pope Benedict, who is visiting America this week, what comes through again and again is that much of the MSM is already weary of hearing what it has never yet heard.Many come to bury Benedict, not to praise him, let alone listen to him. Their minds are made up. Like the Far Side cartoon about what we say and what dogs hear, much of the press coverage will consist of TV spots which will consist pretty much of regurgitations of The American Media Narrative on Benedict: "Benedict blah blah blah Hitler Youth blah blah blah God's Rottweiler blah blah blah inflexible blah blah blah homosexuality, divorce, women priests blah blah blah Vatican crackdown, etc. blah blah."...
Já nem o autor acredita nos media americanos....para serem suficientemente papistas !
Depois do Acordo, o Dilúvio
Contra o tremendismo das posições reaccionárias dos que querem ficar orgulhosamente sós, aqui transcrevo com a devida vénia :
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Meu desacordo crítico com os críticos do Acordo
por MAURO DE SALLES VILLAR *
As variedades do português de Portugal e do Brasil são muito próximas. Apesar disso, somos o único caso de língua ocidental com duas ortografias oficiais. Atente-se, porém, para o fato de que países com óbices muito maiores em suas variedades linguísticas resolveram esse gênero de problema há muito tempo.Segundo dados do Linguasphere Register of the World’s Languages and Speech Communities, o espanhol é falado por cerca de 450 milhões de pessoas (inclusive translíngües, ou seja, falantes que aprenderam duas ou mais línguas geneticamente semelhantes ou um ou mais dialetos ou variantes de sua própria língua) em 19 países, onde é língua oficial. Quarta língua mais falada do mundo, são inúmeras as suas variantes, mas os seus utentes seguem um padrão escrito comum, uniforme. Só há uma forma oficial de grafá-la.O francês é língua de cerca de 125 milhões de pessoas (inclusive translíngües) na Europa, África, América Central e Oceania. É língua oficial de 26 países. Sua ortografia é arcaísta, refletindo preocupações etimologizantes baseadas na grafia legal do francês medieval, codificado no século XVII pela Academia Francesa. É extensa a lista das suas variedades dialetais, mas só há uma forma de escrever o francês padrão em todo o mundo.O inglês é primeira língua de cerca de 1 bilhão de pessoas (inclusive uma maioria de bilíngües); é língua oficial de 47 países e a segunda língua de diversas centenas de milhões de usuários, sendo utilizada como meio de comunicação fundamental da comunidade internacional. Apesar da grande dificuldade que representa a sua pronúncia (sem regras, com grupos consonantais que podem ser pronunciados de maneiras totalmente diversas) e das diferenças entre a língua padrão da Grã-Bretanha e as formas dialetais mais importantes (Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul), "o desejo de uniformidade é tão grande que as variantes populares não são bem-vindas", anota o autor do verbete dictionary da Encyclopaedia Britannica. Há algumas diferenças gramaticais, mas o inglês é considerado uma língua una, sendo o seu padrão ortográfico basicamente o mesmo para todos, com pequenas divergências (por exemplo, centre / center, connexion / connection, gaol / jail, gaoler / jailer, kerb / curb, tyre / tire, waggon / wagon, -our / -or etc.). Além disso, a imprensa, as viagens, a música, as agências de notícias e concorrentes afins, registra o lexicógrafo, vêm contribuindo para estreitar os usos.
Na China não há um chinês, mas diversas línguas (ou dialetos, na dependência do lingüista que as estuda). Quando um chinês usa o wu ou o yüeh para falar com outro chinês da área do hakka, do min ou do mandarim, eles em geral não se entendem. Para os seus ouvidos, essas línguas soam, uma em relação a outra, mais ou menos como para nós o francês em relação ao espanhol, o português ao romeno, o italiano ao catalão, ou o espanhol ao rético ou ao provençal. Quem usa uma dessas línguas pode não ser capaz de entender o que o outro diz, quando lhe falam em outra dessas línguas, uma vez que há grande número de diferenças entre elas tanto na pronúncia quanto no vocabulário. Mas todos os chineses escrevem suas línguas utilizando uma mesma convenção que é comum a todos. Antes utilizavam o chinês literário para isso. No início do século XX, surgiu um programa de unificação da língua baseada no mandarim, de que resultou o moderno padrão chinês dito kuo yü ‘língua nacional’ ou p’u-t’ung-hua ‘língua comum’. Ortografia é a representação dos sons da linguagem por meio de símbolos escritos ou impressos. Ela é normativa, com prescrição de regras, mas as suas formas, apesar de sempre dependerem de uma história pregressa, são convencionais. Por isso, pode ser modificada, modernizada e utilizada por grupos dialetais diferentes dentro de uma língua – da mesma forma que os alfabetos podem servir a línguas diferentes de uma mesma família ou até a línguas de famílias diversas.Vejam-se os seguintes exemplos. O árabe é hoje a língua utilizada total ou prevalentemente em 21 países por cerca de 250 milhões de pessoas, informa o citado Linguasphere. Claro que estas não se expressam no mesmo árabe. A língua falada divide-se num bom número de diferentes dialetos, que se grupam basicamente em três grandes áreas, uma oriental, uma ocidental e uma central. É fácil de imaginar a sua diversidade. Isso não obstante, a língua oficial dos meios de comunicação de massa em todo o mundo árabe é uma só, escrita do mesmo modo (o árabe moderno unificado ou comum), compreensível em todos os países islamitas ou onde o árabe seja falado, e por todos os seus leitores. E a escrita árabe é também utilizada pelo urdu e pelo persa; o turco e o malaio usaram-na por longo período, e até o espanhol, no passado, foi transcrito em caracteres arábicos.A escrita cuneiforme, inventada pelos sumérios, foi adotada por assírios, babilônios, persas, elamitas, hititas etc., servindo de registro para variadas línguas basicamente diferentes, por vezes nem indo-européias nem semíticas (o churrita, por exemplo). Na escrita devanágari, escrevem-se o sânscrito, o hindi, o marata e o nepáli, assim como algumas línguas não indo-européias. Os exemplos seriam variadíssimos, mas vou deter-me por aqui.Se tantos e tão diversos povos, com óbices lingüísticos tão maiores do que os nossos, conseguiram grafar as suas línguas por um padrão único, por que não Brasil e Portugal, com usos tão próximos?Sou absolutamente favorável a um acordo e espanto-me de que não tenhamos sido capazes de resolver essa questão debatida há tanto tempo. Também tenho objeções pessoais ao presente Acordo, mas ele foi o único passo efetivo conseguido em praticamente quase cem anos de parlamentações sobre uma ortografia comum. O seu texto atual resolve algumas questões e não soluciona a contento outras, mas foi aquilo a que se logrou chegar em 1990, sob o peso da saraivada de críticas e dos mais diversos pontos de vista de gente que era especialista no assunto e de outros nem tão especialistas assim. Acordado o texto que aí está, fica aberto o caminho para aperfeiçoamentos conjuntos futuros, alguns dos quais até já propostos em fases anteriores das discussões e que não puderam se integrar ao texto atual assinado. O caso do acento das proparoxítonas é um deles. A proposta de sua extinção foi derrubada pela ironia de uma frase bem achada, algo como no meio do jardim havia um cágado (ou coisa que o valha). O ridículo fez submergir a sugestão diante da dúvida sobre o seu sentido real em que se acharia quem a lesse sem o acento. Mas as coisas se passariam exatamente assim? Essa é uma frase solta no ar, sem contexto. Em inglês, o sentido de uma sentença ingênua do tipo there is a big cock in my little box só pode ser percebida exatamente se o seu contexto, do mesmo modo, for conhecido. Sem isso, como saber se se estaria a falar de animais e caixinhas ou de outras coisas? O inglês, aliás, nem seria preciso lembrar, é uma língua sem acentos, em que se precisa conhecer a pronúncia de cada palavra antes de articulá-la. Daí a célebre história do vocábulo ghoti aventado por Bernard Shaw, que se poderia ler fish se seu gh soasse como o gh de laugh, seu o soasse como o de women, e seu ti tivesse o som que tem em palavras como notion. Os dicionários e vocabulários ingleses registram sempre a pronúncia ou as pronúncias, no caso de haver mais de uma, de cada entrada e isso nunca foi obstáculo para que um bilhão de pessoas falem e se entendam em inglês.A questão do hífen é outro problema cuja solução foi proposta, mas soou demasiado revolucionária para aquela época. Voltou-se atrás e ele continua a ser um descomunal problema para quem escreve. Isto, todavia, são questões contornáveis no futuro e o que precisamos é pôr em movimento a locomotiva do Acordo. Parodiando o mesmo Bernard Shaw, poder-se-ia dizer que Portugal e o Brasil são dois países separados pela mesma língua, no que tange à ortografia. Todos concordamos que o atual Acordo não se consubstancia numa consecução perfeita, não deve ser considerado o ideal ortográfico último do português. É, porém, como disse, o primeiro passo conseguido num século de tentativas de aproximação e parlamentações baldadas. Foi o que foi possível fazer-se. Ir mais longe naquele momento, no dizer de Lindley Cintra, seria criar novos problemas. Comecemos então mais humildemente, para procurarmos aprimoramentos depois de vencida a inércia imobilista. Quando foi que aperfeiçoar a grafia da nossa língua comum seria dilapidar algum patrimônio cultural? A ortografia é uma convenção e deve ser sempre retocada, aprimorada. As alterações hoje propostas talvez não cheguem nem a 5% da língua como um todo, o que é muito pouco.E como anda a lusofonia? Segundo o Linguasphere, o português é a sétima língua mais falada do mundo, com 200 milhões de usuários. É língua oficial em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Moçambique etc. Mas em São Tomé e Príncipe, que tem cerca de 130 mil habitantes, e em Cabo Verde, com cerca de 450 mil, a língua materna e dominante não é o português, mas sim o crioulo. O mesmo ocorre, em sua variedade local, na Guiné-Bissau, que, além do seu crioulo específico, utiliza também outros idiomas africanos, falados pela maioria da população. Em Moçambique, talvez 30% da população hoje estejam falando o português, mas esse país aderiu à Commonwealth em novembro de 1995. Além disso, à francofonia aderiram a Guiné-Bissau (dezembro de 1979), São Tomé e Príncipe (dezembro de1995) e Cabo Verde (dezembro de 1996). Em Macau, menos de 3% da população são lusófonos. O peso maior do uso de nossa língua, portanto, permanece com o Brasil, Angola, com 11 milhões e meio de habitantes, e Portugal, hoje com pouco mais de 10 milhõesCelso Cunha registrou no seu Língua portuguesa e realidade brasileira (Rio, Tempo Brasileiro, 1970) que o objetivo da unificação ortográfica é preservar a “unidade superior da língua portuguesa”. Não estamos interessados nisso? Ou seremos incapazes de nos entender para dar o passo necessário em direção à unificação ortográfica da língua, providência há tanto tempo levada a efeito por outros povos com maiores problemas lingüísticos?Não fazem sentido as conhecidas insurgências contra o processo de encaminhamento de solução à incômoda dicotomia ortográfica, pois representantes dos Governos das Repúblicas de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, reunidos em São Tomé, assinaram, em 25 de Julho de 2004, uma resolução segundo a qual o Acordo Ortográfico da Língua passaria a vigorar com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa – facto que já se deu. O que ainda se está a discutir? Se iremos mais uma vez roer a corda e descumpri-lo? Já vimos esse filme em 1945 e ele não é bom. Seremos nós, portugueses e filhos culturais dos portugueses, realmente incapazes de nos organizar numa questão nem tão intransponível assim?*
Mauro de Salles Villar é co-autor do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Filologia
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Meu desacordo crítico com os críticos do Acordo
por MAURO DE SALLES VILLAR *
As variedades do português de Portugal e do Brasil são muito próximas. Apesar disso, somos o único caso de língua ocidental com duas ortografias oficiais. Atente-se, porém, para o fato de que países com óbices muito maiores em suas variedades linguísticas resolveram esse gênero de problema há muito tempo.Segundo dados do Linguasphere Register of the World’s Languages and Speech Communities, o espanhol é falado por cerca de 450 milhões de pessoas (inclusive translíngües, ou seja, falantes que aprenderam duas ou mais línguas geneticamente semelhantes ou um ou mais dialetos ou variantes de sua própria língua) em 19 países, onde é língua oficial. Quarta língua mais falada do mundo, são inúmeras as suas variantes, mas os seus utentes seguem um padrão escrito comum, uniforme. Só há uma forma oficial de grafá-la.O francês é língua de cerca de 125 milhões de pessoas (inclusive translíngües) na Europa, África, América Central e Oceania. É língua oficial de 26 países. Sua ortografia é arcaísta, refletindo preocupações etimologizantes baseadas na grafia legal do francês medieval, codificado no século XVII pela Academia Francesa. É extensa a lista das suas variedades dialetais, mas só há uma forma de escrever o francês padrão em todo o mundo.O inglês é primeira língua de cerca de 1 bilhão de pessoas (inclusive uma maioria de bilíngües); é língua oficial de 47 países e a segunda língua de diversas centenas de milhões de usuários, sendo utilizada como meio de comunicação fundamental da comunidade internacional. Apesar da grande dificuldade que representa a sua pronúncia (sem regras, com grupos consonantais que podem ser pronunciados de maneiras totalmente diversas) e das diferenças entre a língua padrão da Grã-Bretanha e as formas dialetais mais importantes (Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul), "o desejo de uniformidade é tão grande que as variantes populares não são bem-vindas", anota o autor do verbete dictionary da Encyclopaedia Britannica. Há algumas diferenças gramaticais, mas o inglês é considerado uma língua una, sendo o seu padrão ortográfico basicamente o mesmo para todos, com pequenas divergências (por exemplo, centre / center, connexion / connection, gaol / jail, gaoler / jailer, kerb / curb, tyre / tire, waggon / wagon, -our / -or etc.). Além disso, a imprensa, as viagens, a música, as agências de notícias e concorrentes afins, registra o lexicógrafo, vêm contribuindo para estreitar os usos.
Na China não há um chinês, mas diversas línguas (ou dialetos, na dependência do lingüista que as estuda). Quando um chinês usa o wu ou o yüeh para falar com outro chinês da área do hakka, do min ou do mandarim, eles em geral não se entendem. Para os seus ouvidos, essas línguas soam, uma em relação a outra, mais ou menos como para nós o francês em relação ao espanhol, o português ao romeno, o italiano ao catalão, ou o espanhol ao rético ou ao provençal. Quem usa uma dessas línguas pode não ser capaz de entender o que o outro diz, quando lhe falam em outra dessas línguas, uma vez que há grande número de diferenças entre elas tanto na pronúncia quanto no vocabulário. Mas todos os chineses escrevem suas línguas utilizando uma mesma convenção que é comum a todos. Antes utilizavam o chinês literário para isso. No início do século XX, surgiu um programa de unificação da língua baseada no mandarim, de que resultou o moderno padrão chinês dito kuo yü ‘língua nacional’ ou p’u-t’ung-hua ‘língua comum’. Ortografia é a representação dos sons da linguagem por meio de símbolos escritos ou impressos. Ela é normativa, com prescrição de regras, mas as suas formas, apesar de sempre dependerem de uma história pregressa, são convencionais. Por isso, pode ser modificada, modernizada e utilizada por grupos dialetais diferentes dentro de uma língua – da mesma forma que os alfabetos podem servir a línguas diferentes de uma mesma família ou até a línguas de famílias diversas.Vejam-se os seguintes exemplos. O árabe é hoje a língua utilizada total ou prevalentemente em 21 países por cerca de 250 milhões de pessoas, informa o citado Linguasphere. Claro que estas não se expressam no mesmo árabe. A língua falada divide-se num bom número de diferentes dialetos, que se grupam basicamente em três grandes áreas, uma oriental, uma ocidental e uma central. É fácil de imaginar a sua diversidade. Isso não obstante, a língua oficial dos meios de comunicação de massa em todo o mundo árabe é uma só, escrita do mesmo modo (o árabe moderno unificado ou comum), compreensível em todos os países islamitas ou onde o árabe seja falado, e por todos os seus leitores. E a escrita árabe é também utilizada pelo urdu e pelo persa; o turco e o malaio usaram-na por longo período, e até o espanhol, no passado, foi transcrito em caracteres arábicos.A escrita cuneiforme, inventada pelos sumérios, foi adotada por assírios, babilônios, persas, elamitas, hititas etc., servindo de registro para variadas línguas basicamente diferentes, por vezes nem indo-européias nem semíticas (o churrita, por exemplo). Na escrita devanágari, escrevem-se o sânscrito, o hindi, o marata e o nepáli, assim como algumas línguas não indo-européias. Os exemplos seriam variadíssimos, mas vou deter-me por aqui.Se tantos e tão diversos povos, com óbices lingüísticos tão maiores do que os nossos, conseguiram grafar as suas línguas por um padrão único, por que não Brasil e Portugal, com usos tão próximos?Sou absolutamente favorável a um acordo e espanto-me de que não tenhamos sido capazes de resolver essa questão debatida há tanto tempo. Também tenho objeções pessoais ao presente Acordo, mas ele foi o único passo efetivo conseguido em praticamente quase cem anos de parlamentações sobre uma ortografia comum. O seu texto atual resolve algumas questões e não soluciona a contento outras, mas foi aquilo a que se logrou chegar em 1990, sob o peso da saraivada de críticas e dos mais diversos pontos de vista de gente que era especialista no assunto e de outros nem tão especialistas assim. Acordado o texto que aí está, fica aberto o caminho para aperfeiçoamentos conjuntos futuros, alguns dos quais até já propostos em fases anteriores das discussões e que não puderam se integrar ao texto atual assinado. O caso do acento das proparoxítonas é um deles. A proposta de sua extinção foi derrubada pela ironia de uma frase bem achada, algo como no meio do jardim havia um cágado (ou coisa que o valha). O ridículo fez submergir a sugestão diante da dúvida sobre o seu sentido real em que se acharia quem a lesse sem o acento. Mas as coisas se passariam exatamente assim? Essa é uma frase solta no ar, sem contexto. Em inglês, o sentido de uma sentença ingênua do tipo there is a big cock in my little box só pode ser percebida exatamente se o seu contexto, do mesmo modo, for conhecido. Sem isso, como saber se se estaria a falar de animais e caixinhas ou de outras coisas? O inglês, aliás, nem seria preciso lembrar, é uma língua sem acentos, em que se precisa conhecer a pronúncia de cada palavra antes de articulá-la. Daí a célebre história do vocábulo ghoti aventado por Bernard Shaw, que se poderia ler fish se seu gh soasse como o gh de laugh, seu o soasse como o de women, e seu ti tivesse o som que tem em palavras como notion. Os dicionários e vocabulários ingleses registram sempre a pronúncia ou as pronúncias, no caso de haver mais de uma, de cada entrada e isso nunca foi obstáculo para que um bilhão de pessoas falem e se entendam em inglês.A questão do hífen é outro problema cuja solução foi proposta, mas soou demasiado revolucionária para aquela época. Voltou-se atrás e ele continua a ser um descomunal problema para quem escreve. Isto, todavia, são questões contornáveis no futuro e o que precisamos é pôr em movimento a locomotiva do Acordo. Parodiando o mesmo Bernard Shaw, poder-se-ia dizer que Portugal e o Brasil são dois países separados pela mesma língua, no que tange à ortografia. Todos concordamos que o atual Acordo não se consubstancia numa consecução perfeita, não deve ser considerado o ideal ortográfico último do português. É, porém, como disse, o primeiro passo conseguido num século de tentativas de aproximação e parlamentações baldadas. Foi o que foi possível fazer-se. Ir mais longe naquele momento, no dizer de Lindley Cintra, seria criar novos problemas. Comecemos então mais humildemente, para procurarmos aprimoramentos depois de vencida a inércia imobilista. Quando foi que aperfeiçoar a grafia da nossa língua comum seria dilapidar algum patrimônio cultural? A ortografia é uma convenção e deve ser sempre retocada, aprimorada. As alterações hoje propostas talvez não cheguem nem a 5% da língua como um todo, o que é muito pouco.E como anda a lusofonia? Segundo o Linguasphere, o português é a sétima língua mais falada do mundo, com 200 milhões de usuários. É língua oficial em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Moçambique etc. Mas em São Tomé e Príncipe, que tem cerca de 130 mil habitantes, e em Cabo Verde, com cerca de 450 mil, a língua materna e dominante não é o português, mas sim o crioulo. O mesmo ocorre, em sua variedade local, na Guiné-Bissau, que, além do seu crioulo específico, utiliza também outros idiomas africanos, falados pela maioria da população. Em Moçambique, talvez 30% da população hoje estejam falando o português, mas esse país aderiu à Commonwealth em novembro de 1995. Além disso, à francofonia aderiram a Guiné-Bissau (dezembro de 1979), São Tomé e Príncipe (dezembro de1995) e Cabo Verde (dezembro de 1996). Em Macau, menos de 3% da população são lusófonos. O peso maior do uso de nossa língua, portanto, permanece com o Brasil, Angola, com 11 milhões e meio de habitantes, e Portugal, hoje com pouco mais de 10 milhõesCelso Cunha registrou no seu Língua portuguesa e realidade brasileira (Rio, Tempo Brasileiro, 1970) que o objetivo da unificação ortográfica é preservar a “unidade superior da língua portuguesa”. Não estamos interessados nisso? Ou seremos incapazes de nos entender para dar o passo necessário em direção à unificação ortográfica da língua, providência há tanto tempo levada a efeito por outros povos com maiores problemas lingüísticos?Não fazem sentido as conhecidas insurgências contra o processo de encaminhamento de solução à incômoda dicotomia ortográfica, pois representantes dos Governos das Repúblicas de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, reunidos em São Tomé, assinaram, em 25 de Julho de 2004, uma resolução segundo a qual o Acordo Ortográfico da Língua passaria a vigorar com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa – facto que já se deu. O que ainda se está a discutir? Se iremos mais uma vez roer a corda e descumpri-lo? Já vimos esse filme em 1945 e ele não é bom. Seremos nós, portugueses e filhos culturais dos portugueses, realmente incapazes de nos organizar numa questão nem tão intransponível assim?*
Mauro de Salles Villar é co-autor do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Filologia
segunda-feira, abril 14, 2008
Um Tsunami de disparates obscenos
Nas últimas horas o país está ser varrido por uma onda de obscenidades de proporções bíblicas:
Alberto João trata por "bando de loucos" a Assembleia eleita pelos madeirenses e, perante a qual em última análise, deve responder.
O mesmo deu ordens para que não seja recebido naquela casa o Presidente da República , em visita oficial ao arquipélago.
O mesmo Presidente, agora sem solenidade, fica à porta e calado !
Gomes da Silva insulta uma profissional da imprensa e não ouvimos dessa mesma imprensa qualquer solidariedade.
LF Meneses vai ao Portugal profundo, aos lares de idosos, afirmar que o primeiro ministro anda a tratar de barragens em vez de investir no interior.
Ribau Esteves apoia Gomes da Silva e desanca na honestidade de jornalistas, comentadores e ainda na vida privada da referida jornalista.
Agora acabo de saber que António Cluny, perguntado se deveríamos estar presentes nos Jogos Olímpicos parece que comparou a situação na China com a Espanha, O Tibete com o País Basco e os monjes budistas com a ETA...:
TSF/DN — Se a decisão fosse sua, Portugal participaria nos Jogos Olímpicos de Pequim?
António Cluny — Não vejo problemas. Por essa ordem de ideias teríamos de estar a pensar, se houvesse Jogos Olímpicos em Espanha, na situação no País Basco. E esse raciocínio pode fazer-se em muitos outros sítios do mundo (…).
Agora, os Sindicatos que ontem cantavam vitórias e prometiam mais e mais vinganças, estão sob o fogo dos seus associados que afirmam que pelos vistos quem ganhou foi a Ministra. Que o acordo de ontem era afinal o que MLR queria ! Afinal...
Deve andar tudo de cabeça perdida !!!
Alberto João trata por "bando de loucos" a Assembleia eleita pelos madeirenses e, perante a qual em última análise, deve responder.
O mesmo deu ordens para que não seja recebido naquela casa o Presidente da República , em visita oficial ao arquipélago.
O mesmo Presidente, agora sem solenidade, fica à porta e calado !
Gomes da Silva insulta uma profissional da imprensa e não ouvimos dessa mesma imprensa qualquer solidariedade.
LF Meneses vai ao Portugal profundo, aos lares de idosos, afirmar que o primeiro ministro anda a tratar de barragens em vez de investir no interior.
Ribau Esteves apoia Gomes da Silva e desanca na honestidade de jornalistas, comentadores e ainda na vida privada da referida jornalista.
Agora acabo de saber que António Cluny, perguntado se deveríamos estar presentes nos Jogos Olímpicos parece que comparou a situação na China com a Espanha, O Tibete com o País Basco e os monjes budistas com a ETA...:
TSF/DN — Se a decisão fosse sua, Portugal participaria nos Jogos Olímpicos de Pequim?
António Cluny — Não vejo problemas. Por essa ordem de ideias teríamos de estar a pensar, se houvesse Jogos Olímpicos em Espanha, na situação no País Basco. E esse raciocínio pode fazer-se em muitos outros sítios do mundo (…).
Agora, os Sindicatos que ontem cantavam vitórias e prometiam mais e mais vinganças, estão sob o fogo dos seus associados que afirmam que pelos vistos quem ganhou foi a Ministra. Que o acordo de ontem era afinal o que MLR queria ! Afinal...
Deve andar tudo de cabeça perdida !!!
domingo, abril 13, 2008
Bifes de Atum
O que é que me faria reabrir este blog?
Confirmarem-se algumas das previsões que aqui entrevi?
Isso não. As previsões são isso mesmo, evitáveis razões futuras. Não !
É que fui totalmente ultrassado pelo desempenho da esquálida figura.
Não apenas deixou os seus no apiadeiro, como anda a fazer de conta que está equidistante dos partidos.
Estará mesmo?
Agora, quando a janela da Assembleia Reg. da Madeira se lhe fecha com estrondo na cara, o que dirá ?
Parecia um bom local para um daqueles discursos entre a circunstância e as visões das bolas de cristal.
Faria como habitualmente um discurso entre a carne e o peixe... na terra dos bifes de atum.
Mas, um dos seus, acaba de o atirar para o meio da rua. Borda fora!
Assim é fácil acertar nas previsões !
Confirmarem-se algumas das previsões que aqui entrevi?
Isso não. As previsões são isso mesmo, evitáveis razões futuras. Não !
É que fui totalmente ultrassado pelo desempenho da esquálida figura.
Não apenas deixou os seus no apiadeiro, como anda a fazer de conta que está equidistante dos partidos.
Estará mesmo?
Agora, quando a janela da Assembleia Reg. da Madeira se lhe fecha com estrondo na cara, o que dirá ?
Parecia um bom local para um daqueles discursos entre a circunstância e as visões das bolas de cristal.
Faria como habitualmente um discurso entre a carne e o peixe... na terra dos bifes de atum.
Mas, um dos seus, acaba de o atirar para o meio da rua. Borda fora!
Assim é fácil acertar nas previsões !
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Os crimes e os alibis
Em necessitado socorro dos agravados muçulmanos, seguidores do profeta, surge hoje uma voz de cuja independência não me cabe duvidar. É verdade. Do alto da sua imensa compreensão do mundo e dos homens, vem, donde devia vir, a paladina inteligência e a oportunidade do comentário: -"Compreendo muito bem a ofensa sentida e sofrida na sua fé, pelos árabes, e pela razão da blasfémia cometida" E não vem apenas apoiar os ofendidos. Mostra uma indesfarsável satisfação pelos resultados obtidos. Até os encoraja a prosseguirem a caminho da absoluta desgraça que iniciaram. Ao ver este quadro, eu que sofro de irreprimível sensibilidade para entrever os mais delicados actos de altruismo e de comiseração para com os fracos e desvalidos, eu, dizia, lembrava-me das vezes que os criminosos indicavam a Poirot o melhor caminho para que se enganasse completamente na busca dos verdadeiros culpados! Só que desta vez a indicação, o comentário, saiu da boca de J. W. Bush !
A religião dos outros e o seu sangue
Compreendo o impulso destruidor dos que nada têm a perder. Sempre assim foi. Não é da política, nem da razão, nem sequer da religião do que falo. É da lei da física que fala da acção e da reacção. A compreensão do mundo, por via dos que dele nada têm, é proporcional à discriminação social de que padecem. Aliás, organizada. Vejamos então: Quem se manifesta e em que Países isso ocorre? - Nos que reservam às suas populações os mais baixos níveis de escolaridade, de saúde e de vida. - Naqueles onde a discriminação é mais gritante e onde as diferenças sociais se medem aos milhões de dólares. - E em todos onde a super-estrutura religiosa concorre em intolerância com o poder instituído. Barril de petróleo a barril de petróleo. Depois, nos outros, a intolerância religiosa, seja ela qual for, assume a "independência" e passa a ter vida própria: Substitui-se aos comandos civis e proclama decretos, declara guerras e até as inicia. As potências ocidentais e coloniais que dividiram a Irlanda, os Balcãs, a Palestina, o Médio Oriente e a África e que, ao longo de gerações, condenaram povos inteiros aos martírios das separações, às mais sangrentas humilhações, que utilizaram a seu favor as intolerâncias religiosas e que as a(r)maram, que esperavam? As mesmas potências que perpetuaram no poder as famílias de déspotas e de angariadores de fundos que eles mesmos, uma e outra vez, voltavam a reinvestir nos bancos dos Senhores, de que estavam à espera? Aqueles que recorrentemente foram trocando cada prisioneiro, cada assassínio, cada mártir, por um punhado de dólares mais, esperavam colher os frutos da tolerância e da racionalidade? Este é o caldo de cultura que foi longamente apurado pelas potências exploradoras e coloniais. O poder anti-democrático foi justificado pela religião que serviu, como uma luva. Mas infelizmente há mais: Na origem destes acontecimentos, está um acto espontâneo ou uma maquinação? Os cartoonistas desataram de repente a fazer, todos, caricaturas do profeta, por sua alta recriação, ou estamos perante um fenómeno totalmente encomendado, destinado a “justificar” às populações das democracias, as novas matanças, as novas divisões e a defesa do seu bem estar social? As novas intervenções, ou, o que é o mesmo, o actual preço do barril do petróleo?: - Todas as noites, milhares de TVs vão mostrar-nos como são antipáticos, feios, barbudos, intolerantes e mal vestidos, esses que se manifestam ofendidos em nome de um Deus, que não é o nosso e que, mostram-nos, exige vingança! Às próximas cruzadas prevejo grande afluência. De um lado e de outro. Aos simples está, de facto, reservado um lugar em todos os cemitérios.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Os tiros nos pés
Solta a matilha, beiças nos cornetins, têmporas a latejar, aí está aberta a caça ao Governo:
Ontem era a fantástica história das armas da ETA.
Hoje, a recondução do Constâncio no cargo de Governador do Banco de Portugal.
Amanhã não sabemos.
O que sabemos é que os tamborzinhos da independente imprensa tomou os freios nos dentes e já lhe cheira à carniça do governo. Do próprio Sócrates.
Ontem exigiam explicações sobre uma atoarda. Hoje, tentam tolher os gestos ao governo de maioria.
Não vai ser por aí, senhores: Têm primeiro que derrubar o Governo e encontrar para isso a “tal” justificação do não funcionamento regular das instituições.
Nisto, confesso, são especialistas!
Veja-se como funciona esta oposição!
Ontem era a fantástica história das armas da ETA.
Hoje, a recondução do Constâncio no cargo de Governador do Banco de Portugal.
Amanhã não sabemos.
O que sabemos é que os tamborzinhos da independente imprensa tomou os freios nos dentes e já lhe cheira à carniça do governo. Do próprio Sócrates.
Ontem exigiam explicações sobre uma atoarda. Hoje, tentam tolher os gestos ao governo de maioria.
Não vai ser por aí, senhores: Têm primeiro que derrubar o Governo e encontrar para isso a “tal” justificação do não funcionamento regular das instituições.
Nisto, confesso, são especialistas!
Veja-se como funciona esta oposição!
segunda-feira, janeiro 23, 2006
A cor do dinheiro
| Cavaco ganhou e foi a todas as janelas - como prevíramos - e agradeceu a todos. Aos mais amigos e aos adversários. À Maria. Agradeceu até ao Marques Mendes e ao Ribeiro e Castro. Lívido, mas agradeceu. Só faltou agradecer a quem o financiou: Esqueceu-se do povo simples e anónimo que terá financiado quase cinco milhões de euros. Se, por um lado, percebo a fina percepção dos pobres para vislumbrar uma boa aplicação financeira, já acho mal este esquecimento, tratando-se de dinheiro emprestado a um professor de finanças... |
O desprezo da família
| O incompreendido Cavaco continua a receber os protestos da maior consideração e estima um pouco por todo o lado. O inefável jornal Le Figaro, arauto da direita, parece pouco entusiasmado com o respeitável passado construtivo de CS e, menos ainda, do papel que desempenhou na destruição da educação em Portugal, no lamentável período em que teve poder executivo : "En vingt ans, même si le niveau de vie général a bien augmenté, même si l'on a construit tous les ponts ou autoroutes possibles ici et là, on a bel et bien oublié l'investissement primordial, celui qui fait toute la différence entre le tiers-monde et le monde développé : l'école. Le réveil est brutal. La croissance portugaise, qui jusqu'en 2000 côtoyait celles de l'Espagne ou de l'Irlande, est aujourd'hui plate comme une limande. Le moral des Portugais, au plus bas, est inversement proportionnel à la montée du chômage et suit le feuilleton des délocalisations d'usines portugaises vers l'Afrique du Nord ou l'Asie" |
( Ler tudo)
Agora, em que batalhas se(nos) vai envolver?
As gargalhadas de Deus
Tornados, primeiro, no riso da Europa e depois no escárnio do Mundo aqui fica o que de nós diz a inteligência internacional. Melhor, dizia. Antes da eleição. Agora estão pelo chão de tanto se rirem:
Portugal busca salvador
Las mujeres le estrujan por la calle, los jóvenes gritan a voz en cuello "otra vez, otra vez, el pueblo portugués quiere a Cavaco otra vez" y "Cavaco ve adelante, eres nuestro presidente". Cuando llega la comitiva de los Audi y BMW, decenas de jubilados con banderitas de tela, una tuna femenina y la máquina municipal del PSD local estallan en ovaciones y cánticos de alegría. Así se vive, más o menos, el efecto Cavaco Silva en Portugal: como si de repente Dios bajara de los cielos.
( Ler tudo)
Portugal busca salvador
Las mujeres le estrujan por la calle, los jóvenes gritan a voz en cuello "otra vez, otra vez, el pueblo portugués quiere a Cavaco otra vez" y "Cavaco ve adelante, eres nuestro presidente". Cuando llega la comitiva de los Audi y BMW, decenas de jubilados con banderitas de tela, una tuna femenina y la máquina municipal del PSD local estallan en ovaciones y cánticos de alegría. Así se vive, más o menos, el efecto Cavaco Silva en Portugal: como si de repente Dios bajara de los cielos.
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Um traidor à janela
| Afinal, como suspeitava e escrevera, os desempregados votaram nos banqueiros, os minimamente assalariados votaram no candidato da direita, os reformados das pensões de miséria deram o voto ao representante dos pensionistas dos milhares de euros, as mulheres, senhores, foram dar o voto como outras vão a Fátima. De rastos! Por uma unha negra. Por uma mão cheia de votos. A ironia da democracia, e do estado dela nas sociedades mediatizadas, é que os descamisados correm o risco de serem levados na propaganda, no paga dois e leva três, no viaja agora e paga em prestações. E, quer queiram quer não, preparem-se para pagar as diversas facturas. A dos banqueiros, a dos industriais dos salários em atraso, a dos fundos europeus delapidados, a do tal monstro do serviço público, que tem um pai e mãe. A factura das corporações e dos media que lhe fizeram a eleição à medida. Faz lembrar a velha rábula do incendiário bombeiro. No dia 17 escrevi aqui que ele tinha escolhido o leito dos traidores e que nele se ia deitar. Não foi preciso esperar nada. Ontem à noite, depois do susto apanhado, veio reiterar o apoio ao Governo que odeia, e prometer os tais consensos alargados quando e sempre que possíveis... Assim uma espécie de corporativismo libertário. Ou a quadratura do círculo. PS- A um senhor Sousa Novais que escolheu este blog para escarrador da sua revanche, sempre lhe digo que nem a vitória foi uma cabazada, nem era a esquerda que seleccionava os eleitores. Está a tentar branquear a História. Essa é velha! Tenha vergonha, digo-lhe eu. Quem escolhia os eleitores, era o regime que desapareceu às mão da esquerda. Custe muito ou custe pouco! Eram eles que impediam o voto a quem não sabia ler ou tivesse menos do que a 4ª classe. Perdão, não era bem assim, no caso das mulheres tinham que ter mesmo o antigo 5º ano do liceu! Era assim como uma Madeira em tamanho familiar. Ou crês ou morres. Ou votas em mim e tens emprego, ou vais para a miséria. E era preciso apresentar atestado de bom comportamento civil e militar. E fazer declaração de rejeição do comunismo... Também não votavam os emigrantes nem os imigrantes. Nem os colonizados. E, se por acaso, alguém fosse conotado com outras “ideias” ficava sem emprego e sem carteira profissional. Não sabia, ou está a fazer-se de imbecil? Dono do 25 de Abril? Este blog? Valha-o Deus! Porque será que a direita trauliteira invoca o 25 de Abril só e para espernear que ele não é da esquerda? Até lhes posso dar alguma razão. Porque foi um golpe de estado feito pela classe militar e colonialista assustada com o espectro de mais derrotas militares. Mas isso é outra história que não pretendo atrapalhar mais o delicado tecido cerebral do seu Novais. Mas raras vezes têm a coragem de clamar pelo 24 de Abril que é o seu paraíso perdido |
terça-feira, janeiro 17, 2006
O traidor e as janelas
| Cavaco Silva se vier a ser eleito pela ignorância do povo e pela mais descarada demagogia e populismo de direita, depara-se com um inevitável conflito. Ou talvez não. O homem, uma vez eleito, teria que resolver a seu favor um conflito insanável consigo e com a História: Ou nega tudo quanto trejurara durante a campanha eleitoral em matéria de “estabilidade” e de “cooperação institucional” e, para salvar a face, vai enfrentar o Parlamento democraticamente eleito ou, suprema ironia, faz de morto e descompromete-se dos seus apoiantes que o subvencionam e o esperam utilizar como arma de retaliação contra a democracia, os direitos, as liberdades e a justiça. Ser pago pela alta burguesia ainda colonialista, incapaz de competir em economia aberta, e andar a cantar a Grândola Vila Morena, comporta os germes da putrefacção da democracia ou dele próprio. Em qualquer dos casos o papel que lhe está reservado é o do traidor: a uns ou a outros. Aos eleitores, caídos muitos deles no conto do vigário, ou aos insuportáveis patrocinadores, proponentes da vigarice! Dada a tradição que por aí ainda vigora sobre o tratamento a dar a traidores, quer-me parecer que seria avisado mandar pregar as janelas dos palácios... |
quarta-feira, dezembro 28, 2005
| Só uma perguntinha se fazem o favor: - Alguém poderá indagar junto do candidato Cavaco Silva o que é uma Empresa estrangeira em Portugal ? À luz da livre circulação de pessoas e de capitais dentro da UE ? Uma empresa para ser considerada estrangeira tem quanto de capital estrangeiro ? 5, 10, 15, 20, 40, 49. 51% ou tem mesmo que ser todo estrangeiro? Ou é só pelo apelido? A sede pode ser na Guiana Francesa? Ou no off-shore da Madeira? Exemplos?: a cimenteira Secil vendeu por 420m de euros a Enersis, a uma multinacional australiana; a Galp encontra-se encalhada numa participação gigantesca da ENI; A VW de Palmela que incorpora quase 60 % de produção nacional ?; O Casino Estoril é ou não propriedade de um cidadão chinês? O franchising da MacDonalds é ou não estrangeiro? A Burger King ? A Zara ? De que é que aquela luminária financeira está a falar? |

| A Subserviência do ex-colono Regressado de um período, longo, de "cooperação" com a esperança saída da derrocada do império e da sua substituição por outra "ordem", tive muitas oportunidades de observar os arrivistas que não só se tornavam subservientes, se aculturavam, e suprema ironia, passaram a reclamar do seu País de origem aquilo que ele ou não podia dar, ou nem sequer possuía.Refiro aqueles que vivendo presentemente em Moçambique ou em Angola consideram necessária à sua assimilação ao caldo da cultura dominante ( ou da classe dominante, para ser mais exacto), para o que lançam mão do descrédito de Portugal e das suas instituições. As suas vítimas preferidas são, ou a Cahora Bassa ou a TAP. É como se transportassem o colonialismo, às costas, através dos tempos, para se exibirem como seus permanentes antagonistas.Não percebem que o ridículo de andar a passear fantasmas e a insultar a sua memória - por pior que seja - não pode branquear o oportunismo dos que ali se apoderaram dos factores de produção e os colocaram ao seu serviço.Nunca encontrei um anti-português ou um anti-Portugal tão fervoroso e devotado como um branco arrivista e que pretendia tornar-se mais negro que o Kioko mais escuro ou o mais retinto dos Zulus. Vestiam, falavam e até escreviam como um dos assimilados negros. E isto só acontecia, claro, com os portugueses ou com os ex-portugueses. Os outros cooperantes, italianos, búlgaros, cubanos, chineses, ingleses, etc, esses mantinham a sua identidade e espírito crítico para com o que os rodeava.Casos houve, na Universidade em que o professor, doutra nacionalidade, interpelava os ex-portugueses sem entender o extremismo das suas posições anti-Portugal!O longo braço do colonialismo está ainda presente e a fazer das suas! |
terça-feira, dezembro 27, 2005
? É isto que os Media querem para PR ?
Ainda há poucos dias, numa visita à classe mais reaccionária de emigrantes portugueses no Brasil, Cavaco, entusiasmado com o poder que lhe vaticinam e prometem, gaguejava uma sua primeiríssima decisão tão logo fosse empossado: Um departamento, uma secretaria para o Emigrante português que fiacaria na Presidência da República, sob sua custódia e supervisão.
A sala com 300 ou 400 convivas, veio abaixo. Genial ideia, disseram!
Para que é que serviria tal estorvo? Para concorrer com o Governo e seus Departamentos legalmente em funções? Claro!
Para desautorizar o Governo e fazer constar que não tem nem atenção aos assuntos dos emigrantes, nem capacidade para lidar com tais detalhes governativos.
Foi assim como, se convidado para um jantar, desse receitas de culinária à dona da casa!
Pois não houve um só desses jornais e rádios que fazem "forums" por dá-cá-aquela-palha, que tivesse uma palavrinha de crtítica ao iluminado candidato! Não senhor! Ficaram mudos e quedos perante o ataque às instituições da República e ao atirar da Constituição para o lixo!
Mas hoje é diferente e ainda mais divertido: Agora o homem propõe descaradamente a criação duma secretaria de Estado para Acompanhar as Empresas Estrangeiras no País - acção da esfera exclusiva do Governo, diz a Constituição.
Perante a celeuma que provocou, Cavaco veio já desmentir que tivesse dito tais coisas.
É portanto ele o mentiroso, ou o jornalista do JN inventou a proposta ?
O futuro vai encarregar-se de nos esclarecer.
O episódio é apenas a parte do gato que está escondido!
A sala com 300 ou 400 convivas, veio abaixo. Genial ideia, disseram!
Para que é que serviria tal estorvo? Para concorrer com o Governo e seus Departamentos legalmente em funções? Claro!
Para desautorizar o Governo e fazer constar que não tem nem atenção aos assuntos dos emigrantes, nem capacidade para lidar com tais detalhes governativos.
Foi assim como, se convidado para um jantar, desse receitas de culinária à dona da casa!
Pois não houve um só desses jornais e rádios que fazem "forums" por dá-cá-aquela-palha, que tivesse uma palavrinha de crtítica ao iluminado candidato! Não senhor! Ficaram mudos e quedos perante o ataque às instituições da República e ao atirar da Constituição para o lixo!
Mas hoje é diferente e ainda mais divertido: Agora o homem propõe descaradamente a criação duma secretaria de Estado para Acompanhar as Empresas Estrangeiras no País - acção da esfera exclusiva do Governo, diz a Constituição.
Perante a celeuma que provocou, Cavaco veio já desmentir que tivesse dito tais coisas.
É portanto ele o mentiroso, ou o jornalista do JN inventou a proposta ?
O futuro vai encarregar-se de nos esclarecer.
O episódio é apenas a parte do gato que está escondido!
domingo, dezembro 25, 2005
O inominável nomeado

| Este blog tem-se pautado por manter uma certa higiene.Quase que a temos conseguido.Lamento informar que somos forçados a meter a mão na massa e a chamar os bois pelos nomes.Já perceberam que desta vez vou falar do Ribeiro e Castro que já pelo seu nome me parece vir de excelentes famílias. E o homem, tem-nos insultado a inteligência e a História com frases de carroceiro, de pároco analfabeto. Por acaso? Não meus caros. Não é por acaso. Ele está apenas a posicionar-se instintivamente na corrida aos despojos que julga irem ficar no terreno da batalha das presidenciais. Está a empurrar o Cavaco Silva para as teses do perigo da esquerda no poder. E de certa forma tem razão: Com este orçamento comunitário e a possibilidade de fazer renascer a débil economia portuguesa, o governo de Sócrates tem mesmo que optar por uma de duas políticas: Ou avança com reformas populares, cria emprego e oportunidades, moderniza a administração e a justiça ou então prossegue a política dos governos da direita em Portugal que desbarataram milhões a fazer de conta que governavam e a reforçar as grandes fortunas no País! Aí, o inominável, surge qual anunciador das tragédias passadas e a avisar-nos das que o futuro prepara. Empurra assim o Cavaco para que seja ele o arauto da "resistência" às medidas do governo! Tudo o resto, o terrorismo, os regimes fascistas, o imperialismo, as intervenções no Panamá, no Líbano, na Somália, no Haiti, Guernica, o Iraque, o Afeganistão, a Guerra do Ópio, o Apartheid, o assassínio de P. Lumumba, o Incêndio do Reichstag, a noite de cristal, Guantanamo, a deriva fascista nos EUA, são apenas "cenários" em que a tenebrosa figura se movimenta. Há muito que a direita, todas as direitas, sempre e assim continuarão, limita-se a considerar os seus contrários como perigosos terroristas. A palavra pode até ter evoluído. Já foram anarquistas. Antes eram maçons. Revoltosos. Escravos fugidos. Comunistas. Sindicalistas. Republicanos. Foras-da-lei. Tudo lhes tem servido para justificar os seus crimes e para considerar ilegal toda a acção libertadora! Daí o conceito de guerras justas! A estes canalhas é preciso dar caça! |
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Já Bocage não sou...
| Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste da facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno. Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos por taça escura De zelos infernais letal veneno: Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades: Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades Num dia em que se achou mais pachorrento. Manuel Maria Barbosa du Bocage, 1765-1805 (ler mais) |
terça-feira, dezembro 20, 2005
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Morales Aima Presidente eleito

Já a esperneante direita se antecipa nas dores do império.
Olhando d'entre a selva boliviana uma lança num lampejo
Muitos, cem Vietnames!: Che, um último desidério
De olhos já cerrados, mas agora eu vejo!
Não é que um índio, filho de índio e pai de outros tais, concorreu às eleições democráticas na Bolívia e ganhou-as?
As ondas de choque vão percorrer as espinhas e as pernitas da bem pensante e democrática direita neo-neo-neo-con! Mundo fora.
Vamos a contas?
Brasil - Venezuela - Cuba - Chile - Bolívia
O sonho do Che afinal era não só possível, como necessário
Diz o El Pais de Madrid:
Morales, por su parte, ha apuntado como prioridades de su Gobierno la lucha contra el narcotráfico y la reclamación de los derechos del Estado sobre el gas.
“Ni la cocaína ni el narcotráfico son parte de la cultura boliviana, menos de la cultura de los quechuas y aymaras”, ha afirmado en una rueda de prensa en la sede de la federación que agrupa a los productores de coca del país.
Pero, ha matizado, la política antidroga no puede centrarse en “cero coca, ni cero cocalero”; “eso tiene que cambiar”, ha añadido Morales.
Es sin embargo el otro aspecto de su discurso el que más ha preocupado a la comunidad internacional, y singularmente a los círculos económicos españoles. La petrolera española Repsol YPF (quinta en tamaño de Europa) controla un tercio de las reservas de gas natural de Bolivia (son las segundas en importancia de la compañía), y es el principal inversor empresarial en ese país (1.200 millones de dólares). Hoy ha caído un 2,3% en la Bolsa de Madrid.
Morales ha dejada clara su intención de incrementar el control estatal sobre las reservas de gas del país, reduciendo el papel de las multinacionales como Repsol o la estadounidense Exxon Mobil. El presidente de la petrolera española, Antonio Brufau, ha felicitado por su victoria a Morales, transmitiéndole por teléfono su “deseo de trabajar juntos por el bien de Bolivia”.
As prioridades da RTP
A RTP, paga com o nosso dinheiro, abriu hoje o noticiário com uma notícia/comentário/reportagem sobre uma prática tribal nas profundezas da África cuja crueldade e animalidade só se pode explicar por acompanhar o obscurantismo religioso.Até aqui tudo bem.Mas colocar a aprovação do Orçamento da UE e a fatia conseguida pelo Governo, para Portugal, lá para o meio do noticiário e com perguntas provocatórias dirigidas ao Freitas do Amaral, é que me parece pelo menos ridículo.É que se trata de um orçamento que excede as nossas melhores expectativas e que terá que ser criteriosamente utilizado visto que não haverá outro igual.Por essa Europa fora prossegue a análise ao pormenor deste assunto mas em Portugal a nossa televisão comporta-se com indiferença e desdém acerca do que vai determinar a nossa vida nos próximos 7 anos...
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Um representante de todos os idiotas
E se, de repente, cada ministro fizesse nomeações de filhos de amigos, de afilhados de ex-ministros, de primas de compadres?
Onde estaríamos?
Qual a credibilidade a dar a tais actuações no quadro do emagrecimento das despesas do Estado?
E se, ao arrepio das motivações de redução das despesas com pessoal e do melhor aproveitamento de quadros que, embora competentes, são excedentários, alguns ministros se comportassem como se fossem surdos ou como se nós fossemos todos mentecaptos ?
É que a filha do ex-ministro António Monteiro, de seu nome Maria Monteiro, acaba de ser nomeada por Freitas do Amaral para as funções de Adida de Imprensa na Embaixada em Londres onde vai auferir uma remuneração de cerca de 2000 contos por mês.
Sem discutir a competência da jovem ou da necessidade de um adido nessa Embaixada – coisas aliás que mereceriam outro post – resta-nos apreciar a “justificação” com que Freitas do Amaral nos brinda e devolver-lhe o tratamento de débeis mentais que nos atribui a todos.
Também não sei que mérito pode alguém retirar do facto de ser o representante oficial dum País habitado por idiotas e cretinos!
Eis a famosa explicação(?):
“Em relação à referência que me é feita na coluna Sobe e Desce, na pág. 23 do PÚBLICO de sabádo 10, gostaria de esclarecer o seguinte:
1) Não é verdade que a dra. Maria Monteiro seja “assessora de imprensa de Freitas do Amaral”: ela é, sim, consultora técnica na área da informação do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem sido, aliás, alfobre de grande número dos nossos conselheiros e adidos de imprensa no estrangeiro;
2) Não é verdade que a decisão de nomear a dra. Maria Monteiro para Londres tenha sido tomada “agora”, e “depois” de o ministro ter anunciado uma revisão do regime legal de designação de conselheiros e adidos técnicos. Essa é a aparência. A realidade é outra: a decisão referida, como várias outras, foi tomada antes do Verão; a decisão de estabelecer um novo regime legal sobre a matéria (para vigorar a partir de 2006) só foi tomada pelo Governo em Setembro e anunciada em Outubro na AR; mas só agora, em Dezembro, o Ministério das Finanças pôde descongelar a verba para o caso de Londres. Daí a confusão (decerto involuntária) da sra. jornalista: fiando-se nas aparências, acabou por criticar injustamente.”
DIOGO FREITAS DO AMARAL
Ministro dos Negócios Estrangeiros
Onde estaríamos?
Qual a credibilidade a dar a tais actuações no quadro do emagrecimento das despesas do Estado?
E se, ao arrepio das motivações de redução das despesas com pessoal e do melhor aproveitamento de quadros que, embora competentes, são excedentários, alguns ministros se comportassem como se fossem surdos ou como se nós fossemos todos mentecaptos ?
É que a filha do ex-ministro António Monteiro, de seu nome Maria Monteiro, acaba de ser nomeada por Freitas do Amaral para as funções de Adida de Imprensa na Embaixada em Londres onde vai auferir uma remuneração de cerca de 2000 contos por mês.
Sem discutir a competência da jovem ou da necessidade de um adido nessa Embaixada – coisas aliás que mereceriam outro post – resta-nos apreciar a “justificação” com que Freitas do Amaral nos brinda e devolver-lhe o tratamento de débeis mentais que nos atribui a todos.
Também não sei que mérito pode alguém retirar do facto de ser o representante oficial dum País habitado por idiotas e cretinos!
Eis a famosa explicação(?):
“Em relação à referência que me é feita na coluna Sobe e Desce, na pág. 23 do PÚBLICO de sabádo 10, gostaria de esclarecer o seguinte:
1) Não é verdade que a dra. Maria Monteiro seja “assessora de imprensa de Freitas do Amaral”: ela é, sim, consultora técnica na área da informação do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem sido, aliás, alfobre de grande número dos nossos conselheiros e adidos de imprensa no estrangeiro;
2) Não é verdade que a decisão de nomear a dra. Maria Monteiro para Londres tenha sido tomada “agora”, e “depois” de o ministro ter anunciado uma revisão do regime legal de designação de conselheiros e adidos técnicos. Essa é a aparência. A realidade é outra: a decisão referida, como várias outras, foi tomada antes do Verão; a decisão de estabelecer um novo regime legal sobre a matéria (para vigorar a partir de 2006) só foi tomada pelo Governo em Setembro e anunciada em Outubro na AR; mas só agora, em Dezembro, o Ministério das Finanças pôde descongelar a verba para o caso de Londres. Daí a confusão (decerto involuntária) da sra. jornalista: fiando-se nas aparências, acabou por criticar injustamente.”
DIOGO FREITAS DO AMARAL
Ministro dos Negócios Estrangeiros
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Um debate político não é uma aula

| Alguém terá que dizer ao Cavaco Silva que não basta repetir banalidades estatísticas, fora de um contexto, para passar por bom governante ou por bom economista. Coisas que já sabemos ele não é! O Jerónimo de Sousa estava mal vestido, mal sentado e a referir-se a medo ao Cavaco. Umas vezes como professor Cavaco. Outras como Sr. Dr. Cavaco. Gaguejou de mais. Mas sempre com uma reverência que não lhe conhecia. Talvez por ter sido mal aconselhado em termos económicos, como transpareceu. Não devia ter aceite aquele rosário de benfeitorias sem lembrar que por exemplo por cada emprego ganho no tempo de Cavaco, se perderam dois e saiu ainda um emigrante de Portugal para dar lugar a um imigrante... A esquerda assim está a dar o flanco quando seria fácil desfazer aquele pedante ! Tinha que o combater na arena política e dizer-lhe na cara que ele não vai tratar da economia do País nem do investimento. O homem está a enganar simplesmente os incautos que julgam possível milagres económicos em esforço, sem horas extras e sem trabalho. |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
A tragédia por uma unha negra!

Hoje, em Chicago, e apesar de toda a tecnologia aplicada no transporte aéreo em geral, e da extrema segurança que rodeia actualmente aquele meio de transporte nos aeroportos dos EUA.
Com imensa sorte, o acidente teve apenas uma vítima. Desgraçadamente para a infeliz família que passava na auto-estrada onde o avião acabou por parar...
O que dirão os defensores da permanência da Portela dentro da cidade de Lisboa quando isto pode acontecer. E que lamentavelmente acontece!
Qual a responsabilidade que irão assumir quando um avião se desfizer no meio de Lisboa?
Ou nessa altura vão apelar ao governo que continue a jogar a roleta russa dos voos rasantes sobre a 2ª circular?
Cavaco Silva é o boneco do ventríloquo Arrebenta
O IzNoGood faz o seguinte resumo do debate de há pouco:
"Vêm aí milhões de imigrantes!
E os portugueses que se cuidem.
Votem em mim."
assim falou Cavaco Silva há pouco!
"Vou propor reuniões com o Parlamento, o Governo e vou fazer comunicações ao País para propor novas leis sobre a Justiça"
disse Cavaco!
Nada disse sobre todo o resto. Fugiu como o diabo da cruz de tudo quanto fosse comprometer-se com o País. Ou com as alternativas de políticas que têm sido seguidas pelos consecutivos governos de direita.
Que Alah tenha piedade dos que vão sofrer a continuidade dessas políticas.......caso Cavaco seja eleito !
Einxalá!"
E descobriu-se que afinal o Cavaco não é mais do que o "boneco" do ventríloquo Arrebenta
"Vêm aí milhões de imigrantes!
E os portugueses que se cuidem.
Votem em mim."
assim falou Cavaco Silva há pouco!
"Vou propor reuniões com o Parlamento, o Governo e vou fazer comunicações ao País para propor novas leis sobre a Justiça"
disse Cavaco!
Nada disse sobre todo o resto. Fugiu como o diabo da cruz de tudo quanto fosse comprometer-se com o País. Ou com as alternativas de políticas que têm sido seguidas pelos consecutivos governos de direita.
Que Alah tenha piedade dos que vão sofrer a continuidade dessas políticas.......caso Cavaco seja eleito !
Einxalá!"
E descobriu-se que afinal o Cavaco não é mais do que o "boneco" do ventríloquo Arrebenta
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Uma Dívida de Gratidão
Ora o Luis Grave dá hoje notícia duma "imensa gratidão". A não perder:
"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.
Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.
Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...
E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.
E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...
# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM
"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.
Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.
Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...
E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.
E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...
# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM
Justiça Insólita
Por
João Paulo Guerra, in Diário Económico:
Aconteceu em Beja. Um inquérito judicial relativo a uma queixa por assédio andou cinco anos em bolandas no tribunal. Até aqui, nada de extraordinário.
Cinco anos não são nada na lista de espera da justiça.
Excêntrico foi que, às tantas, a própria queixosa, que exerce a profissão de advogada, chegou a ser nomeada defensora oficiosa do acusado.
Isto sim já é um facto mais desusado, embora não inverosímil.
Insólito seria o desfecho do caso - o processo foi deitado para o lixo por uma funcionária da limpeza -, não fosse passar-se tudo isto em Portugal.
O caso do processo de Beja que acabou no lixo nem sequer é inédito em Portugal.
Já aconteceu outro tanto com peças de processos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e até mesmo com papelada da Procuradoria-geral da República.
Neste País, em matéria de justiça, já aconteceu ou pode acontecer tudo.
Tudo menos a admissão de um erro judicial.
Por mais excentricidades que venham a público, não há nada que atinja uma sentença ou o juiz que a proferiu, o magistrado que dirigiu o inquérito ou o polícia que investigou. (...)
No comments, please!
João Paulo Guerra, in Diário Económico:
Aconteceu em Beja. Um inquérito judicial relativo a uma queixa por assédio andou cinco anos em bolandas no tribunal. Até aqui, nada de extraordinário.
Cinco anos não são nada na lista de espera da justiça.
Excêntrico foi que, às tantas, a própria queixosa, que exerce a profissão de advogada, chegou a ser nomeada defensora oficiosa do acusado.
Isto sim já é um facto mais desusado, embora não inverosímil.
Insólito seria o desfecho do caso - o processo foi deitado para o lixo por uma funcionária da limpeza -, não fosse passar-se tudo isto em Portugal.
O caso do processo de Beja que acabou no lixo nem sequer é inédito em Portugal.
Já aconteceu outro tanto com peças de processos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e até mesmo com papelada da Procuradoria-geral da República.
Neste País, em matéria de justiça, já aconteceu ou pode acontecer tudo.
Tudo menos a admissão de um erro judicial.
Por mais excentricidades que venham a público, não há nada que atinja uma sentença ou o juiz que a proferiu, o magistrado que dirigiu o inquérito ou o polícia que investigou. (...)
No comments, please!
domingo, dezembro 04, 2005
Grande Entrevista ao Cavaco Silva
Do Great, great, great ,great e great Portuguese Disater recebemos com pedido de divulgação este modesto contributo para o esclarecimento da grei:
Domingo, Dezembro 04, 2005
GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (11ª. PArte) - "OPUS DEI"(Continuação)
K.R.A. – Professor, gostaria de que falássemos hoje da… "Obra"…
C.S. – Minha senhora, a minha obra está à vista de todos os Portugueses, está descrita na minha auto-biografia, é percorrida todos os dias, pelo cidadão comum!...
K.R.A. – … Professor, tente perceber… Eu gostaria de que falássemos hoje sobre a… Opus Dei.
C.S. – (silêncio) Minha senhora…
K.R.A. – Professor, digamos…, posso começar por lhe perguntar: desde há quanto tempo é que o senhor conhece o General Ramalho Eanes?
C.S. – E eu posso responder-lhe que... (risos) foram as nossas esposas que se conheceram primeiro. Isto é um facto que a maioria dos Portugueses desconhece, mas que eu tenho o maior gosto em revelar aqui: a Drª. Maria Cavaco Silva e a Drª. Manuela Eanes encontraram-se, pela primeira vez, nos Grandes Armazéns do Chiado e no Grandella, onde iam comprar tecidos para chulear em casa. Posso mesmo dizer-lhe que muita da intimidade entre ambas se iniciou, justamente, agarradas ao mesmo rolo de tecido, a pensarem no que é que aquelas mãos de fada poderiam transformar aquela cambraia, aquelas chitas e aqueles "macramés" informes. Era, posso mesmo dizer-lhe, o equivalente ao Choque Tecnológico da altura... (risos). E mal sabiam elas, que, muito brevemente, viriam a ser, uma, a Primeira-Dama de Portugal; a outra, a esposa do Primeiro-Ministro (risos).
K.R.A. – Como o Professor se deve lembrar, o General Ramalho Eanes é a cabeça da sua Comissão de Honra. Ele acabou por receber um grau académico conferido por uma universidade espanhola atida à Opus Dei, a Universidade de Navarra, e muito recentemente, esteve no Museu de Arte Contemporânea, de Serralves, numa sessão evocativa do Bem-aventurado Josemaría, onde "relacionou o pensamento do Bem-aventurado Josemaría com as bases duradouras de uma sociedade a serviço do homem." Uma sociedade, que, do ponto de vista dele, levava a uma consolidação das Nações, através do "ímpeto dos homens que constroem a História"... O Professor não acha estranho que uma figura que assim se expõe, publicamente, com aquilo que é considerado uma SEITA dentro da Igraja Católica Apostólica Romana, subitamente apareça, na cena pública portuguesa, como o seu apoiante número 1?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor, queria apenas que me esclarecesse se tem conhecimento das conotações entre Ramalho Eanes e esta Sociedade Secreta, que, passo a citar, "actua ocultamente, com um máximo de opacidade nos seus assuntos", como reconheceu o Tribunal Federal Suíço, com sede em Lausanne".... O Professor não receia que o seu tão referido silêncio se coadune, justamente, com esta intervenção OPACA, mas persistente, na sociedade, tão persistente que só cessa quando alcança os seus objectivos?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor…
C.S. – Peço-lhe desculpa… dá-me licença para que faça um pequena chamada através do meu telemóvel?...
K.R.A. – Com certeza, Professor, mas relembro-lhe que estamos, em directo, perante vários milhões de Portugueses…
C.S. – (murmura umas quantas palavras ao telemóvel e desliga)
K.R.A. – E, Professor?…
C.S. – (pausa)… minha senhora, não estou aconselhado a pronunciar-me mais sobre esse assunto…
K.R.A. – Voltemos então à nossa pergunta. O Professor disse que o vosso relacionamento mais íntimo começou através das respectivas esposas, num armazém de bainhas e tecidos, entretanto, já malogradamente ardido…
C.S. – Exactamente, elas são duas senhoras muito habilidosas de mãos, aliás, julgo já lhe ter dito que a minha esposa... é ela mesma que confecciona os seus próprios vestidos..., aliás..., ela até tinha uma costureira que imitava os modelos que ela via, em Paris… A senhora já imaginou quanto não se poupava, em Portugal, com a minha esposa a reproduzir, cá, os modelos caríssimos, que via no Faubourg Saint-Honoré, ou na Avenue Montaigne?...
K.R.A. – Portanto, o vosso relacionamento, digamos, mais íntimo, vem por via feminina?...
C.S. – Sim, quer eu, quer o General Ramalho Eanes, pertencemos a uma Associação dos Casais de Nossa Senhora do Rosário…
K.R.A. – … que consiste em?...
C.S. – Trata-se de uma associação de casais bem formados, capazes de rir, sofrer, de amar, de… enfim… criar, em conjunto, uma "piedade sólida e activa, sobressair no estudo, sentir firmes desejos de apostolado profissional", e poder levar os outros a formarem aquilo, que, atrever-me-ia a afirmá-lo…, seja… "uma elite tecnocrática"…, capaz de conduzir Portugal aos caminhos da Confiança, do Progresso e Economia de Sucesso.
K.R.A. – O Professor sabe que a Opus Dei foi, recentemente, humilhada publicamente, ao ser considerada pelo Parlamento Belga uma organização sectária, a par da Igreja de Cientologia, das Testemunhas de Jeová, e da Igreja Universal do Reino de Deus…
C.S. – Desconhecia, minha senhora... Como sabe, evito ler jornais, para além do "Financial Times"… Mas deixe-me que lhe diga: já aqui falámos da Bélgica, e a Bélgica não é um exemplo a seguir, já que é um Estado que também apoia várias coisas… enfim… contra a Natureza, como os tais casamentos de homens invertidos, mulheres que se prostituem, e tantas outras coisas que, Deus me perdoe, prefiro continuar a ignorar…O mais que lhe posso dizer é que, se for eleito, como espero, não desenvolverei em Portugal um modelo como o belga.
K.R.A. – Em contrapartida, o Professor considera normal que o General Ramalho Eanes tenha proferido, perante uma sala cheia, palavras de louvor a Balaguer, como as seguintes: "Se não desejasse ele também o impossível, se não fosse insaciável a sua sede de perfeição absoluta, se não quisesse estar com o Pai, bem servindo os homens, como poderia ele ousar, ou melhor, atrever-se, à originalidade desafiante da sua pregação"?... O Professor repita ao homem da rua este discurso, e pergunte-lhe o que ele pensa dele…
C.S. – Minha senhora… desconhecia essas palavras…
K.R.A. – Pois essas palavras estão presentes, e acessíveis, para quem as queira ler, num "site" oficial da … enfim… da "OBRA".
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Com certeza não desconhece que, nos Anos 70, após o gigantesco escândalo da falência do Banco Ambrosiano, intimamente ligado ao Instituto das Obras Religiosas, o Banco Central do Vaticano, que, consta, entre outras instituições, financiava directamente o Partido Italiano da Democracia Cristã e o sindicato polaco "Solidariedade", do aparecimento de um seus directores, misteriosamente enforcado, em Londres, numa das pontes do Tamisa, da fuga do Cardeal Marcinkus, Presidente do Instituto das Obras Religiosas, para a inviolabilidade diplomática e religiosa do Estado do Vaticano, do espantoso escândalo, que foi a descoberta das ramificações entre o Banco Central da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e a Loja Maçónica P2, a Máfia e a "Cosa Nostra", entre outros… não desconhece que, depois de tudo isto, que já não era pouco, a Opus Dei, sociedade de banqueiros e gente difusa da Alta Finança, foi chamada a intervir financeiramente, de modo a que o Vaticano pudesse não entrar numa situação de bancarrota técnica…
C.S. – Sim, minha senhora, eu estava a acabar o meu doutoramento em Oxford, mas não liguei muito ao assunto, desculpe que lhe diga, os Órgãos de Comunicação Social… enfim… são muito dados a certos exageros…
K.R.A. – …exageros que vão ao ponto de afirmar que o custo desta injecção de capitais, por parte da ultra-conservadora Opus Dei, foi a liquidação sumária do recém-eleito Cardeal de Veneza, o Papa João Paulo I, e a sua imediata substituição por um Cardeal polaco, o candidato da OBRA, o polaco Karol Woytila, por sua vez, a face visível de um poder ainda mais oculto e assumidamente Opus Dei, o Cardeal alemão, Ratzinguer…
C.S. – … Uma pessoa muito interessante e bondosa, o nosso Papa Bento XVI, que, posso revelar-lhe em primeira mão, constituirá a minha primeira visita oficial e de Estado, quando, como espero, seja eleito Presidente da República, em Janeiro de 2006. Posso dizer-lhe que foi a coisa que eu imediatamente prometi à minha esposa, a Drª. Maria Cavaco Silva…
K.R.A. – Não o espanta que a canonização de Escrivá Balaguer tenha sido a mais rápida da História da Igreja, assente num milagre que, supostamente, teria feito, graças à cura miraculosa de cancro da freira Concepcion Boullón Rubio, prima de um ministro de Franco ligado ao Opus Dei, aliás, um dos 12 ministros Opus Dei, do derradeiro governo de Franco, que contava com 17 membros?...
C.S. – Minha senhora, o reconhecimento das boas pessoas não me espanta…
K.R.A. – … um homem colérico e rancoroso, o Santo dos Muito Ricos, cuja estátua, espante-se, Professor, já foi discretamente colocada, ao lado de homens que distinguiram pela piedade, pelo amor do próximo e dos mais desfavorecidos, na fachada da Basílica de São Pedro, a mesma basílica planeada por Bramante e Miguel Ângelo…
C.S. – Minha senhora, a minha área, como sabe, são as Finanças Públicas, não a Arquitectura…
K.R.A. – O Professor já pensou que a sua táctica de candidato presidencial, ou melhor, a táctica de candidato presidencial das PESSOAS SEM ROSTO, que por detrás de si se ocultam, passa por muitas das estratégicas tipicamente associadas com as manobras de sombra e bastidores da Opus Dei, os candidatos que se movem na penumbra, SEM FACE e no SILÊNCIO, até alcançarem os patamares pretendidos, e poderem depois exercer, de forma exemplar, os seus desígnios?...
C.S. – Minha senhora, os rostos dos meus apoiantes são todos conhecidos, o General Ramalho Eanes, o Dr. Mota Amaral, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da maior Instituição Bancária Portuguesa, o Millennium-BCP…
K.R.A. – Tudo pessoas fortemente afastadas da Opus Dei…
C.S. – Exactamente, minha senhora, e, como eu, supra-partidárias, e longe de serem políticos profissionais…
K.R.A. – Deixe-me interrompê-lo e recordar-lhe que a estratégia da OBRA se move particularmente bem numa sociedade em que os sectores económicos estejam privatizados. Os tecnocratas do Opus Dei são as pedras deste xadrez do poder. Por vezes, os negócios correm mal e há que sacrificar um peão. Nesses casos, a responsabilidade é sempre assumida a título individual e a Opus nunca é beliscada. Isso não lhe faz lembrar o modo como se procedia à substituição dos seus ministros, durante o Período de 1985-1995?... Quando algo corria mal, não era sempre o elo mais fraco que era sacrificado?...
C.S. – Minha senhora, que exagero…
K.R.A. – Pois, Professor, a estranha rivalidade que move Mário Soares contra o General Ramalho Eanes, talvez tenha aqui uma estranha e imprevista explicação, mais pragmática e evidente, se tomarmos como dado que, ao contrário do Rei de Espanha, D. Juan Carlos, o político mais respeitável do Espaço Ibérico, que imediatamente afastou da sua vizinhança o seu ex-preceptor, Opus Dei, o General Ramalho Eanes teria entreaberto as portas para a entrada da Seita no território português…C.S. – Minha senhora…
K.R.A. – … e mais lhe posso dizer, Professor, que haja já quem tenha entrevisto, nesta disputa do Poder Presidencial, uma tentativa da Opus Dei para, depois de ter eleito um Papa, começar a ganhar terreno no espaço político laico, nomeadamente, nos países da Europa Meridional…Não acha que a recente história dos crucifixos nas paredes das escolas foi uma armadilha muitíssimo bem montada para o atrair para um terreno onde poderá ser rapidamente eliminado?...
C.S. – Minha senhora, que eu saiba…
K.R.A. – Independentemente de o Professor o saber, ou não, pode ser que alguém, por detrás de si, tenha súbita, mas premeditadamente, decidido interromper uma série dinástica de Presidentes da República perto da Linhagem Maçónica, colocando no Poder um Presidente da República não-hostil à Opus Dei.Mas isso é um assunto que o Professor terá de rapidamente esclarecer com os Portugueses, ou seja, não é comigo, mas entre si e os cidadãos seus eleitores...
(Continua)
Domingo, Dezembro 04, 2005
GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (11ª. PArte) - "OPUS DEI"(Continuação)
K.R.A. – Professor, gostaria de que falássemos hoje da… "Obra"…
C.S. – Minha senhora, a minha obra está à vista de todos os Portugueses, está descrita na minha auto-biografia, é percorrida todos os dias, pelo cidadão comum!...
K.R.A. – … Professor, tente perceber… Eu gostaria de que falássemos hoje sobre a… Opus Dei.
C.S. – (silêncio) Minha senhora…
K.R.A. – Professor, digamos…, posso começar por lhe perguntar: desde há quanto tempo é que o senhor conhece o General Ramalho Eanes?
C.S. – E eu posso responder-lhe que... (risos) foram as nossas esposas que se conheceram primeiro. Isto é um facto que a maioria dos Portugueses desconhece, mas que eu tenho o maior gosto em revelar aqui: a Drª. Maria Cavaco Silva e a Drª. Manuela Eanes encontraram-se, pela primeira vez, nos Grandes Armazéns do Chiado e no Grandella, onde iam comprar tecidos para chulear em casa. Posso mesmo dizer-lhe que muita da intimidade entre ambas se iniciou, justamente, agarradas ao mesmo rolo de tecido, a pensarem no que é que aquelas mãos de fada poderiam transformar aquela cambraia, aquelas chitas e aqueles "macramés" informes. Era, posso mesmo dizer-lhe, o equivalente ao Choque Tecnológico da altura... (risos). E mal sabiam elas, que, muito brevemente, viriam a ser, uma, a Primeira-Dama de Portugal; a outra, a esposa do Primeiro-Ministro (risos).
K.R.A. – Como o Professor se deve lembrar, o General Ramalho Eanes é a cabeça da sua Comissão de Honra. Ele acabou por receber um grau académico conferido por uma universidade espanhola atida à Opus Dei, a Universidade de Navarra, e muito recentemente, esteve no Museu de Arte Contemporânea, de Serralves, numa sessão evocativa do Bem-aventurado Josemaría, onde "relacionou o pensamento do Bem-aventurado Josemaría com as bases duradouras de uma sociedade a serviço do homem." Uma sociedade, que, do ponto de vista dele, levava a uma consolidação das Nações, através do "ímpeto dos homens que constroem a História"... O Professor não acha estranho que uma figura que assim se expõe, publicamente, com aquilo que é considerado uma SEITA dentro da Igraja Católica Apostólica Romana, subitamente apareça, na cena pública portuguesa, como o seu apoiante número 1?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor, queria apenas que me esclarecesse se tem conhecimento das conotações entre Ramalho Eanes e esta Sociedade Secreta, que, passo a citar, "actua ocultamente, com um máximo de opacidade nos seus assuntos", como reconheceu o Tribunal Federal Suíço, com sede em Lausanne".... O Professor não receia que o seu tão referido silêncio se coadune, justamente, com esta intervenção OPACA, mas persistente, na sociedade, tão persistente que só cessa quando alcança os seus objectivos?...
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Professor…
C.S. – Peço-lhe desculpa… dá-me licença para que faça um pequena chamada através do meu telemóvel?...
K.R.A. – Com certeza, Professor, mas relembro-lhe que estamos, em directo, perante vários milhões de Portugueses…
C.S. – (murmura umas quantas palavras ao telemóvel e desliga)
K.R.A. – E, Professor?…
C.S. – (pausa)… minha senhora, não estou aconselhado a pronunciar-me mais sobre esse assunto…
K.R.A. – Voltemos então à nossa pergunta. O Professor disse que o vosso relacionamento mais íntimo começou através das respectivas esposas, num armazém de bainhas e tecidos, entretanto, já malogradamente ardido…
C.S. – Exactamente, elas são duas senhoras muito habilidosas de mãos, aliás, julgo já lhe ter dito que a minha esposa... é ela mesma que confecciona os seus próprios vestidos..., aliás..., ela até tinha uma costureira que imitava os modelos que ela via, em Paris… A senhora já imaginou quanto não se poupava, em Portugal, com a minha esposa a reproduzir, cá, os modelos caríssimos, que via no Faubourg Saint-Honoré, ou na Avenue Montaigne?...
K.R.A. – Portanto, o vosso relacionamento, digamos, mais íntimo, vem por via feminina?...
C.S. – Sim, quer eu, quer o General Ramalho Eanes, pertencemos a uma Associação dos Casais de Nossa Senhora do Rosário…
K.R.A. – … que consiste em?...
C.S. – Trata-se de uma associação de casais bem formados, capazes de rir, sofrer, de amar, de… enfim… criar, em conjunto, uma "piedade sólida e activa, sobressair no estudo, sentir firmes desejos de apostolado profissional", e poder levar os outros a formarem aquilo, que, atrever-me-ia a afirmá-lo…, seja… "uma elite tecnocrática"…, capaz de conduzir Portugal aos caminhos da Confiança, do Progresso e Economia de Sucesso.
K.R.A. – O Professor sabe que a Opus Dei foi, recentemente, humilhada publicamente, ao ser considerada pelo Parlamento Belga uma organização sectária, a par da Igreja de Cientologia, das Testemunhas de Jeová, e da Igreja Universal do Reino de Deus…
C.S. – Desconhecia, minha senhora... Como sabe, evito ler jornais, para além do "Financial Times"… Mas deixe-me que lhe diga: já aqui falámos da Bélgica, e a Bélgica não é um exemplo a seguir, já que é um Estado que também apoia várias coisas… enfim… contra a Natureza, como os tais casamentos de homens invertidos, mulheres que se prostituem, e tantas outras coisas que, Deus me perdoe, prefiro continuar a ignorar…O mais que lhe posso dizer é que, se for eleito, como espero, não desenvolverei em Portugal um modelo como o belga.
K.R.A. – Em contrapartida, o Professor considera normal que o General Ramalho Eanes tenha proferido, perante uma sala cheia, palavras de louvor a Balaguer, como as seguintes: "Se não desejasse ele também o impossível, se não fosse insaciável a sua sede de perfeição absoluta, se não quisesse estar com o Pai, bem servindo os homens, como poderia ele ousar, ou melhor, atrever-se, à originalidade desafiante da sua pregação"?... O Professor repita ao homem da rua este discurso, e pergunte-lhe o que ele pensa dele…
C.S. – Minha senhora… desconhecia essas palavras…
K.R.A. – Pois essas palavras estão presentes, e acessíveis, para quem as queira ler, num "site" oficial da … enfim… da "OBRA".
C.S. – (silêncio)
K.R.A. – Com certeza não desconhece que, nos Anos 70, após o gigantesco escândalo da falência do Banco Ambrosiano, intimamente ligado ao Instituto das Obras Religiosas, o Banco Central do Vaticano, que, consta, entre outras instituições, financiava directamente o Partido Italiano da Democracia Cristã e o sindicato polaco "Solidariedade", do aparecimento de um seus directores, misteriosamente enforcado, em Londres, numa das pontes do Tamisa, da fuga do Cardeal Marcinkus, Presidente do Instituto das Obras Religiosas, para a inviolabilidade diplomática e religiosa do Estado do Vaticano, do espantoso escândalo, que foi a descoberta das ramificações entre o Banco Central da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e a Loja Maçónica P2, a Máfia e a "Cosa Nostra", entre outros… não desconhece que, depois de tudo isto, que já não era pouco, a Opus Dei, sociedade de banqueiros e gente difusa da Alta Finança, foi chamada a intervir financeiramente, de modo a que o Vaticano pudesse não entrar numa situação de bancarrota técnica…
C.S. – Sim, minha senhora, eu estava a acabar o meu doutoramento em Oxford, mas não liguei muito ao assunto, desculpe que lhe diga, os Órgãos de Comunicação Social… enfim… são muito dados a certos exageros…
K.R.A. – …exageros que vão ao ponto de afirmar que o custo desta injecção de capitais, por parte da ultra-conservadora Opus Dei, foi a liquidação sumária do recém-eleito Cardeal de Veneza, o Papa João Paulo I, e a sua imediata substituição por um Cardeal polaco, o candidato da OBRA, o polaco Karol Woytila, por sua vez, a face visível de um poder ainda mais oculto e assumidamente Opus Dei, o Cardeal alemão, Ratzinguer…
C.S. – … Uma pessoa muito interessante e bondosa, o nosso Papa Bento XVI, que, posso revelar-lhe em primeira mão, constituirá a minha primeira visita oficial e de Estado, quando, como espero, seja eleito Presidente da República, em Janeiro de 2006. Posso dizer-lhe que foi a coisa que eu imediatamente prometi à minha esposa, a Drª. Maria Cavaco Silva…
K.R.A. – Não o espanta que a canonização de Escrivá Balaguer tenha sido a mais rápida da História da Igreja, assente num milagre que, supostamente, teria feito, graças à cura miraculosa de cancro da freira Concepcion Boullón Rubio, prima de um ministro de Franco ligado ao Opus Dei, aliás, um dos 12 ministros Opus Dei, do derradeiro governo de Franco, que contava com 17 membros?...
C.S. – Minha senhora, o reconhecimento das boas pessoas não me espanta…
K.R.A. – … um homem colérico e rancoroso, o Santo dos Muito Ricos, cuja estátua, espante-se, Professor, já foi discretamente colocada, ao lado de homens que distinguiram pela piedade, pelo amor do próximo e dos mais desfavorecidos, na fachada da Basílica de São Pedro, a mesma basílica planeada por Bramante e Miguel Ângelo…
C.S. – Minha senhora, a minha área, como sabe, são as Finanças Públicas, não a Arquitectura…
K.R.A. – O Professor já pensou que a sua táctica de candidato presidencial, ou melhor, a táctica de candidato presidencial das PESSOAS SEM ROSTO, que por detrás de si se ocultam, passa por muitas das estratégicas tipicamente associadas com as manobras de sombra e bastidores da Opus Dei, os candidatos que se movem na penumbra, SEM FACE e no SILÊNCIO, até alcançarem os patamares pretendidos, e poderem depois exercer, de forma exemplar, os seus desígnios?...
C.S. – Minha senhora, os rostos dos meus apoiantes são todos conhecidos, o General Ramalho Eanes, o Dr. Mota Amaral, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da maior Instituição Bancária Portuguesa, o Millennium-BCP…
K.R.A. – Tudo pessoas fortemente afastadas da Opus Dei…
C.S. – Exactamente, minha senhora, e, como eu, supra-partidárias, e longe de serem políticos profissionais…
K.R.A. – Deixe-me interrompê-lo e recordar-lhe que a estratégia da OBRA se move particularmente bem numa sociedade em que os sectores económicos estejam privatizados. Os tecnocratas do Opus Dei são as pedras deste xadrez do poder. Por vezes, os negócios correm mal e há que sacrificar um peão. Nesses casos, a responsabilidade é sempre assumida a título individual e a Opus nunca é beliscada. Isso não lhe faz lembrar o modo como se procedia à substituição dos seus ministros, durante o Período de 1985-1995?... Quando algo corria mal, não era sempre o elo mais fraco que era sacrificado?...
C.S. – Minha senhora, que exagero…
K.R.A. – Pois, Professor, a estranha rivalidade que move Mário Soares contra o General Ramalho Eanes, talvez tenha aqui uma estranha e imprevista explicação, mais pragmática e evidente, se tomarmos como dado que, ao contrário do Rei de Espanha, D. Juan Carlos, o político mais respeitável do Espaço Ibérico, que imediatamente afastou da sua vizinhança o seu ex-preceptor, Opus Dei, o General Ramalho Eanes teria entreaberto as portas para a entrada da Seita no território português…C.S. – Minha senhora…
K.R.A. – … e mais lhe posso dizer, Professor, que haja já quem tenha entrevisto, nesta disputa do Poder Presidencial, uma tentativa da Opus Dei para, depois de ter eleito um Papa, começar a ganhar terreno no espaço político laico, nomeadamente, nos países da Europa Meridional…Não acha que a recente história dos crucifixos nas paredes das escolas foi uma armadilha muitíssimo bem montada para o atrair para um terreno onde poderá ser rapidamente eliminado?...
C.S. – Minha senhora, que eu saiba…
K.R.A. – Independentemente de o Professor o saber, ou não, pode ser que alguém, por detrás de si, tenha súbita, mas premeditadamente, decidido interromper uma série dinástica de Presidentes da República perto da Linhagem Maçónica, colocando no Poder um Presidente da República não-hostil à Opus Dei.Mas isso é um assunto que o Professor terá de rapidamente esclarecer com os Portugueses, ou seja, não é comigo, mas entre si e os cidadãos seus eleitores...
(Continua)
Eleições no quintal do Império - 2
Apesar da brutal campanha de destabilização e de propaganda barata os venezuelanos vão hoje às urnas.
Tudo foi tentado pelos partidos da direita, quando se viram derrotados já nas sondagens, incluindo "denúncias" de que as máquinas electrónicas de voto podiam depois dizer quem tinha votado em quem.
Parece, essas máquinas foram até retiradas para que os tais cavalheiros se sujeitassem à vontade deleitoral.
Mas antes, já se diziam amedrontados pelos preparativos de defesa que o governo legítimo da Venzuela tem vindo a organizar contra outras ameaças do Império.
(Dá para entender que os pobres não têm o direito a defender-se, lá por aquelas bandas...)
Em vão: ameaçaram desistir das eleições e cumpriram a ameaça.
9,04% dos candidatos entregaram os respectivos documentos de desvinculação desta eleição.
É claro que a intoxicante TSF, também ao serviço da mesma orquestra de vendidos ao grande satã, ainda não parou hoje de lamentar a falta de democracia do governo Chavez e até encontrou um português ali imigrante que nem conseguiu dizer o que a TSF queria que dissesse:
Que havia uma fraude geral e que o sangue corria solto nas ruas de Caracas!
Chavez vai sair reforçado desta eleição e amplamente vitorioso!
Tudo foi tentado pelos partidos da direita, quando se viram derrotados já nas sondagens, incluindo "denúncias" de que as máquinas electrónicas de voto podiam depois dizer quem tinha votado em quem.
Parece, essas máquinas foram até retiradas para que os tais cavalheiros se sujeitassem à vontade deleitoral.
Mas antes, já se diziam amedrontados pelos preparativos de defesa que o governo legítimo da Venzuela tem vindo a organizar contra outras ameaças do Império.
(Dá para entender que os pobres não têm o direito a defender-se, lá por aquelas bandas...)
Em vão: ameaçaram desistir das eleições e cumpriram a ameaça.
9,04% dos candidatos entregaram os respectivos documentos de desvinculação desta eleição.
É claro que a intoxicante TSF, também ao serviço da mesma orquestra de vendidos ao grande satã, ainda não parou hoje de lamentar a falta de democracia do governo Chavez e até encontrou um português ali imigrante que nem conseguiu dizer o que a TSF queria que dissesse:
Que havia uma fraude geral e que o sangue corria solto nas ruas de Caracas!
Chavez vai sair reforçado desta eleição e amplamente vitorioso!
Ir buscar lã e voltar tosquiado
Tenho seguido com a maior surpresa os vídeos que os serviços de propaganda americanos têm mostrado das suas operações nas ruas de povoações no Iraque e no Afeganistão e sempre as considerei verdadeiras peças de propaganda, tais eram os erros operacionais que mostravam.
Ou era um monte de militares atrás de um muro, ou uma dúzia à volta de uma viatura, ou quatro e cinco a rebentarem uma porta de uma casa, ou a concentrarem-se à volta de um pequeno objectivo, após uma primeira explosão.
Seria possível que o exército mais bem treinado do mundo, os senhores infalíveis de táticas sem igual, ainda cometessem erros capitais? Verdadeiros suicídios, às cegas?
É que ,naquelas circunstâncias apresentadas, qualquer criança armada de um pequeno engenho, liquidava uma secção de "experimentados guerreiros yankies".
Parece que infelizmente para eles, tudo se confirma e que o palavreado acerca do melhor exército não passa de um discurso pré-funerário capaz de enganar distraídos mas incapaz de convencer qualquer grupo de "insurgentes" de que os americanos não se transformaram em soft- targets!
Um verdadeiro pesadelo em termos de guerrilha urbana e uma caricatura de acções de cerco e aniquilação.
O baixo nível de preparação evidenciado, a relação entre o número total de homens no terreno e os operacionais, a dispersão do território, a inadapatação de muitas das armas às condições de terreno e de clima, o peso da máquina de reabastecimento e de logística em geral, o seu transporte por estrada e autoestrada, ampliam as dificuldades para um exército de ocupação que se vê fustigado por uma guerrilha com motivações político-religiosas.
Um verdadeiro barril de pólvora e um inferno que não vejo como pode conduzir a outra coisa que não seja uma retirada vergonhosa.
Ou era um monte de militares atrás de um muro, ou uma dúzia à volta de uma viatura, ou quatro e cinco a rebentarem uma porta de uma casa, ou a concentrarem-se à volta de um pequeno objectivo, após uma primeira explosão.
Seria possível que o exército mais bem treinado do mundo, os senhores infalíveis de táticas sem igual, ainda cometessem erros capitais? Verdadeiros suicídios, às cegas?
É que ,naquelas circunstâncias apresentadas, qualquer criança armada de um pequeno engenho, liquidava uma secção de "experimentados guerreiros yankies".
Parece que infelizmente para eles, tudo se confirma e que o palavreado acerca do melhor exército não passa de um discurso pré-funerário capaz de enganar distraídos mas incapaz de convencer qualquer grupo de "insurgentes" de que os americanos não se transformaram em soft- targets!
Um verdadeiro pesadelo em termos de guerrilha urbana e uma caricatura de acções de cerco e aniquilação.
O baixo nível de preparação evidenciado, a relação entre o número total de homens no terreno e os operacionais, a dispersão do território, a inadapatação de muitas das armas às condições de terreno e de clima, o peso da máquina de reabastecimento e de logística em geral, o seu transporte por estrada e autoestrada, ampliam as dificuldades para um exército de ocupação que se vê fustigado por uma guerrilha com motivações político-religiosas.
Um verdadeiro barril de pólvora e um inferno que não vejo como pode conduzir a outra coisa que não seja uma retirada vergonhosa.
O salvador da pátria e o nevoeiro noticioso
A campanha do Cavaco faz-se acompanhar de engodos e armações para apanhar tolos.
No entanto, a pior não é a que tudo envolve num manto de mistério, de nevoeiro e de disfarce.
A pior é a mentira repetida "ad nausea":
TRATA-SE DE UM CANDIDATO SÉRIO E UM EXEMPLO DE TUDO E MAIS ALGUMA COISA, dizem.
Mas vejam lá estes enredos de meia-tigela mais próprios de novelas mexicanas ou de clubes de futebol:
ARTIMANHAS POLITICAS PARA ESCAPAR DA COMUNIÇÃO SOCIAL
Muitos meses antes de criar, em Novembro de 1994, o tabu quanto à sua sucessão, Cavaco Silva quis remodelar a sua casa em Lisboa. Antes de deixar a residência oficial de S. Bento. Talvez porque já soubesse que queria deixar S. Bento...
PERGUNTA 1: SABIA que o casal Cavaco Silva poderá não ter pago, na altura, todo o IVA dessa empreitada?
Orçamento inicial…………………3.552.881$00Total
(Com IVA)…………………...........4.121.342$00
Já pago…………………………….2.500.000$00=
Total em dívida..………………..1.161.342$00
Trabalhos a mais (Sem IVA)……..2.168.856$00
PERGUNTA2: Sabia que a Procuradoria Geral da República abriu, a 10 de Janeiro de 1995, um inquérito à empresa que fez obras na casa de Cavaco Silva?
O processo foi levantado com base na denúncia da contabilista da empresa, que acusou os administradores de fraude fiscal... E Cavaco Silva iria ser obrigatoriamente ouvido no âmbito desse processo por ter pago serviços sem pagamento de IVA...
PERGUNTA 3: Sabia que, precisamente, dias antes da Procuradoria Geral da República ter aberto o inquérito à empresa e antes que tudo fosse noticiado, o então primeiro-ministro entregou no Parlamento uma carta denunciando que a comunicação social estava a invadir a a sua vida privada? Repita-se: que a comunicação social estava a invadir a sua vida privada..
Entre os documentos anexos, estavam cartas trocadas entre Cavaco e o director do "Expresso" sobre uma investigação jornalística ao comportamento fiscal do primeiro-ministro.
O assessor de imprensa de Cavaco Silva contactou diversos jornalistas para lhes dar a conhecer da iniciativa. Na noite desse dia, a Lusa já dava conta das “queixas” do primeiro-ministro.
A iniciativa provocou um escarcéu tal que mais nenhum jornalista se preocupou com mais nada...Na manhã do outro dia, os jornais publicaram as notícias.
TSF SERVIU DE MOTE PARA O CARROCELA história foi contada tendo o primeiro-ministro como sujeito de todas as notícias. Cavaco Silva era sempre colocado como vítima e como vingador. Era um cidadão que apenas queria realizar as obras em sua casa e que fora vítima de uma investigação além dos limites do aceitável.
“A origem deste caso conta-se em poucas palavras”, escrevia-se no jornal “Público” ([1]). “Desde 1993 que o casal Cavaco Silva decidiu fazer obras na residência de três quartos e sala que desde há 27 anos ocupa na zona lisboeta de Campo de Ourique”. “Cavaco está farto das investigações jornalísticas à sua vida privada”, era o título no jornal “Diário de Notícias” ([2]). “Cavaco contra a investigação em obras particulares. Director do Expresso garante ‘comportamento exemplar’ “, sublinhava o jornal “A Capital” ([3]). O director do jornal “Expresso” considerou que “a questão estava a ser colocada ao contrário”, mas não desenvolveu muito o tema. “O grave disto tudo não é a investigação, mas a publicação de notícias que não foram cabalmente investigadas”, afirmou na altura José António Saraiva ouvido por outros jornalistas.
A TSF chamou o assunto para primeiro tema do noticiário.
Às oito horas da manhã, a voz nervosa de Francisco Sena Santos:“Uma pesquisa do Expresso sobre as obras na casa particular de Cavaco Silva deixa o primeiro-ministro indignado com métodos que considera intoleráveis de investigação jornalística”, começou o jornalista. “Cavaco pede ao Parlamento uma reflexão ampla sobre a privacidade das famílias de agentes políticos”. Sena Santos faz um resumo da carta “a que a TSF teve acesso”. E depois disso, passa a palavra para o jornalista que vai descrever os acontecimentos: “Uma carta motivada por uma investigação que não resultou – pelo menos até agora – em qualquer reportagem publicada. Vamos lá conferir, João Almeida, o que é que está na origem deste caso”.
COMENTADORES AO LADO DA QUESTAO:O debate continuou. A jornalista Diana Andringa é interpelada para comentar o caso. “Será que há alguma ultrapassagem de métodos jornalísticos aceitáveis neste caso?”, pergunta-lhe Sena Santos. A mesma notícia é repegada às oito e meia. E às nove horas. Tudo no mesmo tom.
( Não perca ! Continua)
No entanto, a pior não é a que tudo envolve num manto de mistério, de nevoeiro e de disfarce.
A pior é a mentira repetida "ad nausea":
TRATA-SE DE UM CANDIDATO SÉRIO E UM EXEMPLO DE TUDO E MAIS ALGUMA COISA, dizem.
Mas vejam lá estes enredos de meia-tigela mais próprios de novelas mexicanas ou de clubes de futebol:
ARTIMANHAS POLITICAS PARA ESCAPAR DA COMUNIÇÃO SOCIAL
Muitos meses antes de criar, em Novembro de 1994, o tabu quanto à sua sucessão, Cavaco Silva quis remodelar a sua casa em Lisboa. Antes de deixar a residência oficial de S. Bento. Talvez porque já soubesse que queria deixar S. Bento...
PERGUNTA 1: SABIA que o casal Cavaco Silva poderá não ter pago, na altura, todo o IVA dessa empreitada?
Orçamento inicial…………………3.552.881$00Total
(Com IVA)…………………...........4.121.342$00
Já pago…………………………….2.500.000$00=
Total em dívida..………………..1.161.342$00
Trabalhos a mais (Sem IVA)……..2.168.856$00
PERGUNTA2: Sabia que a Procuradoria Geral da República abriu, a 10 de Janeiro de 1995, um inquérito à empresa que fez obras na casa de Cavaco Silva?
O processo foi levantado com base na denúncia da contabilista da empresa, que acusou os administradores de fraude fiscal... E Cavaco Silva iria ser obrigatoriamente ouvido no âmbito desse processo por ter pago serviços sem pagamento de IVA...
PERGUNTA 3: Sabia que, precisamente, dias antes da Procuradoria Geral da República ter aberto o inquérito à empresa e antes que tudo fosse noticiado, o então primeiro-ministro entregou no Parlamento uma carta denunciando que a comunicação social estava a invadir a a sua vida privada? Repita-se: que a comunicação social estava a invadir a sua vida privada..
Entre os documentos anexos, estavam cartas trocadas entre Cavaco e o director do "Expresso" sobre uma investigação jornalística ao comportamento fiscal do primeiro-ministro.
O assessor de imprensa de Cavaco Silva contactou diversos jornalistas para lhes dar a conhecer da iniciativa. Na noite desse dia, a Lusa já dava conta das “queixas” do primeiro-ministro.
A iniciativa provocou um escarcéu tal que mais nenhum jornalista se preocupou com mais nada...Na manhã do outro dia, os jornais publicaram as notícias.
TSF SERVIU DE MOTE PARA O CARROCELA história foi contada tendo o primeiro-ministro como sujeito de todas as notícias. Cavaco Silva era sempre colocado como vítima e como vingador. Era um cidadão que apenas queria realizar as obras em sua casa e que fora vítima de uma investigação além dos limites do aceitável.
“A origem deste caso conta-se em poucas palavras”, escrevia-se no jornal “Público” ([1]). “Desde 1993 que o casal Cavaco Silva decidiu fazer obras na residência de três quartos e sala que desde há 27 anos ocupa na zona lisboeta de Campo de Ourique”. “Cavaco está farto das investigações jornalísticas à sua vida privada”, era o título no jornal “Diário de Notícias” ([2]). “Cavaco contra a investigação em obras particulares. Director do Expresso garante ‘comportamento exemplar’ “, sublinhava o jornal “A Capital” ([3]). O director do jornal “Expresso” considerou que “a questão estava a ser colocada ao contrário”, mas não desenvolveu muito o tema. “O grave disto tudo não é a investigação, mas a publicação de notícias que não foram cabalmente investigadas”, afirmou na altura José António Saraiva ouvido por outros jornalistas.
A TSF chamou o assunto para primeiro tema do noticiário.
Às oito horas da manhã, a voz nervosa de Francisco Sena Santos:“Uma pesquisa do Expresso sobre as obras na casa particular de Cavaco Silva deixa o primeiro-ministro indignado com métodos que considera intoleráveis de investigação jornalística”, começou o jornalista. “Cavaco pede ao Parlamento uma reflexão ampla sobre a privacidade das famílias de agentes políticos”. Sena Santos faz um resumo da carta “a que a TSF teve acesso”. E depois disso, passa a palavra para o jornalista que vai descrever os acontecimentos: “Uma carta motivada por uma investigação que não resultou – pelo menos até agora – em qualquer reportagem publicada. Vamos lá conferir, João Almeida, o que é que está na origem deste caso”.
COMENTADORES AO LADO DA QUESTAO:O debate continuou. A jornalista Diana Andringa é interpelada para comentar o caso. “Será que há alguma ultrapassagem de métodos jornalísticos aceitáveis neste caso?”, pergunta-lhe Sena Santos. A mesma notícia é repegada às oito e meia. E às nove horas. Tudo no mesmo tom.
( Não perca ! Continua)
sábado, dezembro 03, 2005
Ir às sortes

Se os jornais do Iraque, sob ocupação norteamericana, são diariamente pagos para produzirem notícias simpáticas ao invasor, quanto é que recebem esses jornalistas e comentadores portugueses para nos bombardearem com as vantagens da política do Bush?
E para apoiarem o envio de portugueses para tais aventuras?
Era só para lhes pedir um recibo para o IRS.
Depois fazem-se de vítimas quando perdem um dos botins de chincheiro.
sexta-feira, dezembro 02, 2005
O cheiro das greves
Aqui no Porto os lixeiros fizeram greve. Três dias.
A cidade ficou como se pode ver e cheirar.
Perdão, como se pode ver e cheirar, não é bem assim.
É mais fora da zona chique daBoavista, onde habita a classe política, os "industriais do norte" e as tias oxigenadas.
Na Boavista, onde também mora o Rui Rio, que foi quem mandou cortar 24% do ordendo aos malandros dos homens do lixo, verdadeira "racaille" da sociedade, não há lixo acumulado !
Verdade!
O Rui Rio contratou os serviços de uma empresa privada para limpar a zona dele.
À americana!
Contratou a tal empresa e o contribuinte paga!
Na zona da Boavista o cheiro da greve dos lixeiros é do melhor!
A cidade ficou como se pode ver e cheirar.
Perdão, como se pode ver e cheirar, não é bem assim.
É mais fora da zona chique daBoavista, onde habita a classe política, os "industriais do norte" e as tias oxigenadas.
Na Boavista, onde também mora o Rui Rio, que foi quem mandou cortar 24% do ordendo aos malandros dos homens do lixo, verdadeira "racaille" da sociedade, não há lixo acumulado !
Verdade!
O Rui Rio contratou os serviços de uma empresa privada para limpar a zona dele.
À americana!
Contratou a tal empresa e o contribuinte paga!
Na zona da Boavista o cheiro da greve dos lixeiros é do melhor!
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