sexta-feira, maio 30, 2008

Lembrando uma figura maior da luta dos colonizados

Aquino de Bragança foi uma figura maior, com quem tive o privilégio de privar algum tempo, quer na qualidade de seu aluno ou de convidado para "aulas especiais".
Desapareceu no acidente que vitimou também Samora Machel, mas o seu contributo para a compreensão dos fenómenos do colonialismo e do pós colonialismo, levavam-no a cavalgar ondas de liberdade e de nos proporcionar inquietações que só ele tinha a autoridade moral e política para apresentar à luz do dia.
Despojado de qualquer interesse material, vivendo do seu salário de professor em Moçambique, mas privando com todos os dirigentes da Frelimo, foi até à morte conselheiro especial de Samora Machel.

Cito -o de cor :

"É preciso, para ser marxista, pôr tudo em dúvida, incluindo o marxismo", ou

"É indispensável ler as obras de Salazar, ele foi provavelmente o último grande patriota português", ou ainda

"É preciso, é indispensável começar a discutir o que será a sociedade moçambicana após Machel" ( isto em 77, quando Samora estava vivo, de saúde, e dirigindo a Frelimo e o Estado com mão de iluminado!"

Aquino dizia estas coisas e provocava verdadeiros choques nas suas aulas na U. Eduardo Mondlane ou no Centro de Estudos Africanos, em Maputo, em 1977...

Agora descobri aqui um texto interessante que partilho convosco:

"Porque falar do Aquino de Bragança (AB)?
Jacques Depelchin (2008-04-19)
Neste primeiro número do Pambazuka News em língua portuguesa, Jacques Depelchin fala-nos de um intelectual orgânico como Aquino de Bragança,num ensaio biográfico e apaixonante.Num contexto em que a globalização deixa cada vez menos espaço para pensar fora dos paradigmas ditados pelo sistema, é crucial lembrar uma personalidade que conseguiu fazer da sua vida um exemplo de fidelidade à politica emancipativa, sem cair, como gostava repetir, no Marxismo de cartilhas. Não era o único, houve outros, como por exemplo, Mário Pinto de Andrade, que se lançaram no projecto de libertação da África colonizada por Portugal, decididos à não cair na armadilha (quer dizer submissão) às regras dos partidos comunistas das metrópoles dos colonizadores.A grande paixão politica e intelectual do AB era de sempre procurar respostas singulares aos desafios não só do momento, mas também do futuro. Queria fazer do CEA não só uma instituição dedicada à resolver os problemas imediatos de Moçambique, como, por exemplo, a falta de quadros, mas também procurar aliados em zonas, países que pudessem apoiar num processo de emancipação que ele considerava crucial para África Austral, mas também do mundo inteiro. Partilhava a ideia (que se podia ler num cartaz daquela época) que o Apartheid era crime contra a humanidade. Para ele o projecto emancipativo necessitava romper com hábitos de pensar que a humanidade era só aquela que vinha directamente do iluminismo ou de qualquer outra ideologia que tratava os Africanos e dentro deles, sobretudo os mais pobres, camponeses, operários, crianças, mulheres. BREF, como costumava dizer, a obrigação/fidelidade era de ser solidário com os discriminados/danados da Terra. O projecto emancipativo, pertencia ao mundo inteiro e tinha que ser entendido como tendo a sua origem nos primórdios da humanidade; não podia ser mantido refém de qualquer modo de teorização ou de conivência politica e/ou ideologica. Neste sentido, ele pertencia aos que pensavam que o comunismo não pertencia ao modelo que surgiu nos últimos séculos, mas sim aos que sempre viveram, sem equívocos, com base nos princípios de solidariedade. Numa altura em que a cooperação Sul-Sul não se tinha tornada moda, ele convidou um estudante Brasileiro (1981-84) para vir pesquisar (para doutoramento) sobre a historia de Moçambique. Um dos frutos desta visão saiu em 2007 com a publicação do livro de Valdemir Zamparoni: De Escravo a Cozinheiro: Colonialismo e racismo em Moçambique (EDUFBA/CEAO, Salvador, Brasil). Seremos capazes de continuar nos seus traços fora das cartilhas de historia? Descartilhando a historia da África para que seja fiel a historia da humanidade?Sou anti-anti-comunistaAssim se definia politicamente Aquino de Bragança. Ele nasceu em Goa onde, aos 15 anos de idade, tornou-se membro dum dos múltiplos partidos comunistas. Em 1948 seguiu para Moçambique, enquanto o seu amigo Pio Pinto parou em Mombasa. Em 1949 vai para França, onde encontrara Marcellino dos Santos, futuro grande amigo.

O neo-capitalismo angolano

O seguinte artigo foi publicado pelo jornal de Angola, na edição de 25 de Fevereiro de 2008 e transcrito num blogue não identificado:

O capitalismo angolano entre o presente e o futuro
O velho Marx dizia (cito de cor): - "Historicamente, o capitalismo nasceu com as mãos sujas de sangue". A frase pode parecer exagerada, mas basta lembrar os desenvolvimentos das revoluções burguesas na Europa para confirmá-lo. Para aqueles que acham que "ler muito atrapalha as ideias", recomendo um western qualquer, para apreciarem como nasceu o grandioso capitalismo americano.Como é que o capitalismo angolano está a nascer? Qual o seu futuro imediato? Nos outros países, há livros sobre o surgimento do capitalismo e como se formaram as grandes famílias burguesas que até hoje controlam o respectivo poder. Por todas as razões, ainda é cedo para surgir um livro desses acerca da burguesia angolana nascente. Seja como for, gostaria de deixar aqui alguns contributos para algum estudioso que esteja interessado em escrevê-lo.Com efeito, acho que já é possível, pelo menos, identificar os passos principais que a burguesia angolana emergente seguiu para se transformar, gradualmente, naquilo que é hoje: um grupo altamente restrito e endinheirado, com um apetite incontrolável e uma forte tendência para o exibicionismo e a arrogância, que está mais preocupado com os seus negócios do que com os problemas da sociedade, possuidor de um discurso nacionalista, mas que confunde cultura nacional com o "Caldo do Poeira" e, além disso, não hesita em aliar-se a interesses estrangeiros, para melhor prosperar.Como aconteceu em outros países pós-coloniais, a formação dessa classe (ou é melhor dizer grupo?) teve (tem) de ser feita à sombra e com o apoio do Estado. Os raros capitalistas que sobreviveram à aventura socialista de 1975 eram de origem europeia ou seus descendentes; de resto, mais ninguém herdou nada de ninguém, pelo que, quando a aventura socialista foi dada por encerrada, só havia uma forma de enriquecer: via Estado.Assim, o primeiro passo foi lançar mão da estratégia das comissões. O segundo foi adquirir o património estatal a preços irrisórios. O terceiro foi a especulação cambial, enquanto durou a taxa de câmbio "administrativa". O quarto foi usar informação privilegiada. O quinto foi utilizar as posições ocupadas no aparelho administrativo para fazer negócios consigo mesmo, assim como exigir participações em projectos apresentados por terceiros, pedir propinas para viabilizar esses projectos ou, pura e simplesmente, desviá-los e fazê-los em nome próprio ou de "testas-de-ferro".Talvez com a excepção da especulação cambial, as outras "ferramentas de capitalização", digamos assim, continuam a ser utilizadas. Graças a elas, formou-se um grupo restrito, mas poderoso, que estende os seus tentáculos a praticamente todas as áreas de actividade.O capitalismo angolano não poderia nascer de outra maneira. Do ponto de vista histórico, não há capitalismo higiénico. Daí, por conseguinte, as histórias de vigarices, trapaças, tráfico de influências e outras, que circulam nas conversas de bar, nas tertúlias, nos encontros familiares, nas farras ou nos óbitos (é aí onde os angolanos fazem a política real e não nas instâncias de tipo ocidental que, como todos os outros países periféricos, fomos forçados a adoptar).Entretanto, a fase de acumulação primitiva de capital por parte do grupo que controla o poder efectivo em Angola está virtualmente concluída. Dois sinais apontam nesse sentido: a criação do Banco Angolano de Desenvolvimento – que é, assumidamente, uma tentativa política e financeira de criar uma classe empreendedora nacional alargada e com critérios mais ou menos democráticos e racionais, uma vez que o núcleo dominante da burguesia emergente está praticamente formado – e a entrega da gestão dos seus negócios, por parte desse núcleo, aos seus filhos e sobrinhos, muitos deles cursados no exterior, em especialidades escolhidas "estrategicamente".O que esperar, assim, do futuro imediato do capitalismo angolano? A avaliar pela "pose" dessa nova geração – entre os 30 e 40 anos de idade – que começa a gerir os negócios dos seus antecessores, não estou muito optimista. Jovens cuja primeira ambição é ser milionários, que andam todos os dias de fato preto, gravata encarnada e óculos escuros, gostam de "estilar" de Hummer e acham que a juventude angolana é só aquela que sabe o que é "tchilar" e frequenta o Miami Beach fazem-me ficar preocupado com os meus filhos mais novos e os meus (futuros) netos.
João Melo

quinta-feira, maio 29, 2008

Chamem a polícia !

A Galp, a Repsol, a Cepsa, a Nynas e a BP foram multadas por cartelização durante mais de dez anos dos preços do betume em Espanha; segundo a RTP, transcrevo o seguinte:


Bruxelas aplica multa de 8,6 milhões de euros à Galp Energia
Bruxelas infligiu no total uma multa de 183 milhões de euros às cinco empresas envolvidas na concertação de preços



A Comissão Europeia aplicou uma multa de 8,6 milhões de euros à Galp Energia por concertação de preços no mercado de betume para asfalto em Espanha, anunciou o executivo comunitário em comunicado.

Bruxelas infligiu no total uma multa de 183 milhões de euros às cinco empresas envolvidas na concertação de preços: BP, Repsol, Cepsa, Nynas e Galp.
A Comissão Europeia argumenta que entre 1991 e 2002, estas empresas partilharam o mercado do betume para asfalto em Espanha e concertaram os preços.
A BP foi a primeira empresa a divulgar as informações relativas à prática de cartelização no âmbito do estatuto de clemência dado por Bruxelas a quem cooperar neste tipo denúncia, tendo por isso obtido imunidade, pelo que lhe viu perdoada a multa no valor de 66 milhões de euros.


( fantástica clemência! digo eu !)

A comissária europeia da Concorrência, Neelie Kroes, afirmou ser "inaceitável que as empresas tenham enganado os consumidores, as autoridades e os contribuintes espanhóis por quase 12 anos, através da partilha do mercado de betume para asfalto". "

A Comissão não tolerará este tipo de actividades ilegais, que tem como consequência prejudicar os consumidores, e nós continuaremos a aplicar sanções severas aos infractores", afirmou.

Em 2001, último ano da infracção, que durou cerca de 12 anos, o valor do mercado de betume para asfalto foi de 286 milhões de euros. O inquérito da Comissão Europeia foi iniciado em Outubro de 2002 e resolvido depois por um pedido de imunidade apresentado pela BP.

Entre 1991 e 2002, os membros do cartel estabeleceram as partes do mercado, repartiram os volumes de venda e os clientes e acompanharam os acordos de partilha do mercado ao trocarem informações comerciais sensíveis. Procediam ainda ao pagamento de indemnizações uns aos outros nos casos em que houvesse desvios em relação aos acordos de partilha de mercado e tinham acordos sobre a variação de preços do betume e o momento a partir do qual os novos preços se aplicavam. As discussões sobre a partilha de mercado ocorriam anualmente para definir os termos para o ano seguinte.

Galp Energia sabia da existência do cartel, mas nunca participou e vai recorrer da multa A Galp Energia reconhece que a empresa teve conhecimento em 1994 do cartel dos betumes para asfalto em Espanha mas nunca participou nele, considerando a multa da Comissão Europeia desproporcionada, razão pela qual vai recorrer para o Tribunal Europeu.

"A Galp Energia sabia em 1994 da existência do cartel, mas nunca colaborou com ele, vendendo sempre acima do que estava estipulado", afirmou à Lusa o porta-voz da empresa Tiago Villas-Boas. "O cartel impunha unilateralmente à Galp Energia uma quota de 48.000 toneladas/ano, num mercado de aproximadamente 1,5 milhões de toneladas/ano [...]", refere a petrolífera em comunicado. "A Galp Energia nunca participou no cartel e, desde sempre, manteve uma politica comercial autónoma [...]", acrescentou. A Galp Energia considerou hoje "totalmente desproporcionada" a condenação e multa de 8,6 milhões de euros que lhe foi aplicada pela Comissão Europeia por cartelização de preços e garantiu que vai recorrer da decisão. A Comissão Europeia anunciou hoje, em comunicado, a aplicação de uma multa de 8,6 milhões de euros à Galp Energia por concertação de preços no mercado de betume para asfalto em Espanha. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp Energia rejeita a acusação e afirma estar a aguardar "que o texto completo da decisão [da Comissão Europeia] lhe seja transmitido para interpor o competente recurso junto do Tribunal de Primeira Instância das Comunidades Europeias". A empresa presidida por Ferreira de Oliveira frisa que "nunca teve qualquer condenação por conduta anti-concorrencial", mas revela que, a partir do momento em que foi notificada da acusação (em Setembro de 2006), "cautelarmente fez nas suas contas (...) provisões financeiras adequadas para fazer face a esta contingência". "O cumprimento das regras de defesa de concorrência é um imperativo" da actuação da Galp nos mercados onde está presente, reforça a empresa.

Ainda bem que assim é. Fico completamente esclarecido e descansado.

Sob investigação por fraude e evasão fiscal

Segundo o DN e outros orgão de informação, as Finanças e o Ministério Público andaram em Empresas e escritórios propriedade de Horácio Roque e de Joe Berardo, em busca de provas relativas a um processo de fraude e evasão fiscal com intervenção de empresas e contas em off-shores.

Depois, agradecia que me avisassem no caso de alguém ir preso.

Como sou um bocado distraído, às vezes não apanho o resto da história e fico sempre ansioso sobre um eventual erro judicial...

Tudo é possível!

terça-feira, maio 27, 2008

Só uma política conjunta da energia faz sentido

Manuel Pinho acaba de solicitar uma reunião urgente, dos Ministros da Economia, a Bruxelas.
Este é o princípio e a finalidade última da UE. Definição de políticas comuns.
Não faz sentido que a periferia tenha que manter os portos para servir a grande indústria do in-land e seja prejudicada pela sua situação geográfica versus a demografia e o centralismo industrial ou a proximidade dos mercados do Leste.
A propósito do Leste que é grande produtor de energia, qual a razão porque os nossos parceiros mais próximos desse gigante - a Rússia - já têm acordos preferenciais sobre a energia e Portugal continua aqui na cauda ocidental à espera de milagres vindos da Venezuela, de Angola e do Brasil?
O tecido produtivo europeu tem as suas características climáticas, geográficas, históricas e de desenvolvimento diferenciado, mas tem que haver uma política comum sobre a energia, os transportes, a saúde, a segurança social e a defesa.
É completamente injusto que a Austria ou a Polónia para exportar para o Leste precise apenas de uma estrada e Portugal tenha que investir em todo um complexo portuário e ter mão -de-obra disponível para servir as trocas comerciais do in-land.

Ele há cada apoio!


Acabo de ouvir na TSF a declaração de apoio de Ribau Esteves, conhecido entre os amigos como o Rapaz Ribau, a Pedro Santana Lopes.

A PSL ! Pela dedicação, arrojo e espirito de luta ( estou a citar de cor, tal o meu nervosismo ) que demonstra ter.

Já me tinham contado da dedicação que cada membro do anterior consulado de Menezes manifestava entre si, não esperava é que tivessem facas tão afiadas...

Se este apoio não liquidar mesmo PSL, o homem merece uma estátua ! Digo eu.

segunda-feira, maio 26, 2008

Um salto em frente...ou no abismo!


Debato-me entre a vontade de denunciar todo o horror provocado pela construção deficiente de edifícios escolares na China e a de querer evitar que este luto terrível sirva argumentos a quem os não merece, para atacar a RPC, nação que nasce do colonialismo inglês e do imperialismo americano e japonês. Não me esqueço disto tudo. No entanto...
Há limites abaixo dos quais não coloco a minha consciência.

De facto verifica-se hoje que muitas escolas chinesas simplesmente desapareceram da Terra. Esboroaram-se literalmente! Enterrando em vida muitos milhares de crianças pequeninas.
Como horror parecia-me que bastava:

- Seriam talvez edifícios velhos, pensava eu, provavelmente feitos sem ser para aquela finalidade, dizia para comigo. Possivelemente em terrenos mal escolhidos...

Infelizmente estava errado e estou revoltado com um sistema que permitiu/organizou que as coisas se passassem do seguinte modo:

Como se sabe, aos casais chineses só é permitido terem um filho para dele cuidarem o melhor possível e que os apoiará na velhice. Esta é a política de Segurança Social para as massas.

Ora esta "política" é perversa. O que ela promove é a proletarização do campesinato a qq preço.

Os pais, prevendo a própria velhice, investem aquilo que têm, e o que não têm, na educação dos filhos, na esperança que se tornem em verdadeiros Certificados de Aforro com pernas e braços para trabalhar. Em vista dos magros recursos que o campo proporciona, e verificando que só se enviarem os filhos para uma escola, seja barata ou mesmo gratuíta ( isso não sei! ) podem garantir algum sustento na velhice, deixam os filhos na terra, entregues seja a quem for, e partem para os grandes aglomerados a venderem a sua força de trabalho, sem fins-de-semana, sem férias, sem contrato de trabalho, sem formação profissional. Vão constituir um exército de voluntários que apenas desejam sobreviver, até que o filho único seja capaz de os manter na velhice.
Declaro que nunca tinha percebido esta política e o seu alcance maquiavélico. Acho que nunca nada semelhante tinha sido tentado nesta área e com estes efeitos.

Continuava enganado e não sabia quanto.

O pior estava para vir. Aqui chegado, o Estado Chinês, o que é o mesmo dizer o PCC, verifica que não tem escolas suficientes para acolher todas as crianças e deita-se a construir à pressa e por todo o lado as tais escolas para suporte desta política de massas.

Mas, como há dois tipos de cidadãos: Os membros do Partido - onde dizem que é difícil entrar - e as grandes massas, há também dois tipos de escolas. Umas, construídas por profissionais, com bons projectos e acabamentos, professores escolhidos e demais mordomias e, há as outras, de construção rápida, em regime de voluntariado, por pessoal não especializado, todos os prisioneiros que foi possível arrebanhar, com um mínimo de materiais, sem vistorias ou licenças de habitabilidade.

Não é preciso dizer-vos que as primeiras são para os membros da classe dirigente ( seja ela qual for ! ) e que as segundas, servem para os filhos dos operários das grandes fábricas nas imensas cidades, sem direitos ou regalias de qq espécie, prisioneiros do sistema montado sobre a sua carne...

Mas um terramoto abalou todo o sistema e deixou a nu a revoltante realidade: As escolas dos filhos dos membros do Partido não caíram e continuam de pé. As dos filhos dos operários transformaram-se nos seus túmulos! às dezenas de milhares!

Por muita consideração que se tenha pelos avanços conseguidos pelos comunistas , em apenas duas ou três gerações, ele há políticas tão perversas que só podem merecer o maior desprezo e repulsa. E os seus autores e responsáveis deveriam ser julgados em Nuremberga! Por crimes contra a Humanidade!
Os fins não justificam todos os meios.
Na foto acima pode ver-se, em primeiro plano, o monte de ruínas a que ficou reduzida a escola.
À esquerda, a creche para os filhos dos dirigentes e ao fundo, à direita, um hotel. Ambos em bom estado.
Poderia continuar este post com o rol das fábricas que também abateram sobre os operários e falando da "competição" que é necessário fazer aos produtos que de lá vêm. Fica para depois que estou enojado!

domingo, maio 25, 2008

A tijela meia-cheia de socialismo!

Não me disseram. Eu ouvi, no meu rádiozinho a pilhas, o Santana Lopes a chamar "socialista de meia-tijela" ao Sócrates.

Ora, se por um lado achei mal..., por outro, fiquei com a ideia que o padecimento de que o Santana se queixa é de que não está satisfeito com esta medida de socialismo.

Acha pouco!


Queria mais!

A tijela cheia!

Mais perto, mais curtos e mais baratos!

Quero apenas acrescentar a isto a minha opinião sobre a única resposta possível, ao nosso nível, e duma forma nacional, sem irracionalidades de esquerdismos de fim-de-semana, visto que estes vão passar a ser mais perto, mais curtos e mais baratos:
"...E, nestas cotações, os preços à saída das refinarias da Galp são tão competitivas no mercado europeu que as suas concorrentes com postos de abastecimento em Portugal (Repsol, BP, etc) se abastecem na Galp e só trazem uma parte ínfima de produtos finais das refinarias espanholas ou francesas.

"Se todas as companhias com postos de abastecimento em Portugal se abastecem sobretudo na Galp, nada as obrigando a isso, é simplesmente porque a refinadora portuguesa é competitiva nas componentes produto+distribuição. E, depois, aplicando idênticas margens de comercialização (que são reduzidas e praticamente insignificantes no valor do custo final, podendo ir até próximo do zero no caso dos hipermercados que vendem combustíveis não para lucro mas como chamariz de outras vendas), acabam por vir para o mercado com os mesmos preços, mais dia menos dia, pois os produtos aparecem ao consumidor com os mesmos dois ónus brutais: o custo do crude e os impostos sobre combustíveis.

O problema gordo, na alta dos preços dos combustíveis que sofrem os consumidores, está na sua tributação fiscal que se soma à alta da matéria-prima. Sendo o ISP uma tributação percentual, ela sobe com os aumentos dos preços. ( Aqui discordo do Tunes visto que julgo saber que o ISP é um valor fixo e não percentual. Mas aceito contribuições para meu esclarecimento) E o IVA vai subindo também de valor pois incide sobre o valor do produto após ser tributado pelo ISP. Hoje, a tributação fiscal representa mais de metade do preço pago pelo consumidor. E não pára de aumentar consoante o crude aumenta e aumenta a gasolina e congéneres. Enviesar o problema, dirigindo-o para as companhias distribuidoras, no "caso da campanha" para apenas uma delas, é "tirar da chuva" a única solução, que é possível porque é política, e que está na mão do governo e que reside em rever os seus crescentes "lucros chorudos" cada vez que os preços do petróleo aumenta, agravando a crise, em vez de contribuir para o seu amortecimento. Assim, objectivamente, este "malhar na Galp" é uma graça que se tem para com as companhias concorrentes da Galp e serve de guarda-vento ao governo, um dos grandes beneficiários com a presente crise (em termos de receita fiscal, quanto mais subirem os preços, mais sobe o valor colectado).

Não somos produtores de petróleo no nosso país. Não temos meios de influenciar os preços e a escalada altista do crude. Não podemos impor às companhias refinadoras e distribuidoras que se afastem da competitividade perante cotações internacionais dos derivados, muito menos que se prestem a "dumping", distribuindo abaixo do custo. Se não aguentamos o efeito devastador dos actuais e previsíveis preços finais, o que podemos fazer para evitar o apocalipse no mercado dos combustíveis?"


Pois o que se deve fazer é mesmo reduzir os consumos! ( e, se aventureirismos populistas , decidirem de outra forma, será por pouco tempo!: A redução dos consumos de combustíveis em Portugal é inevitável. Pode é acontecer por duas vias : Ou somos voluntários, ou vamos abrir falência. A escolha é de cada um.

sábado, maio 24, 2008

The Great American Desasterous Democracy

A concorrente "democrata", Hillary Clinton, de cabecinha perdida, mais os seus midle-american-class, em vista de propostas firmes de Obama e ,em desespero, teve o arrojo de se pronunciar sobre um eventual "acidente" que não permitisse a Obama continuar a corrida contra o conservador McCain.

É verdade. Afirmou que só continuava na corrida que já perdeu, porque no caso do seu colega de partido ser assassinado,... ela estaria disposta a continuar !

Parece mentira, mas é verdade. Assassinado! Ela põe essa hipótese, já em Junho.

Não sei o que admirar mais, se a capacidade de antecipação , se a falta de escrúpulos!

É ver:

"The Washington Post leads with Hillary Clinton sticking her foot in her mouth big-time by mentioning the June 1968 assassination of Robert Kennedy as a reason she's not ending her nearly hopeless campaign for the Democratic nomination. The other papers front or tease the story as well. The Los Angeles Times leads with a new poll indicating that California voters favor Barack Obama over Republican John McCain in a general election. The New York Times leads with the sentencing of 270 illegal immigrants rounded up in a raid on an Iowa meatpacking plant.
Hillary Clinton apologized for her assassination statement within hours of making it. The WP emphasizes the notion that the morbid remark undercuts speculation that Clinton wants to wind up on a joint ticket with Obama. The NYT credits the New York Post for first reporting the gaffe and notes the speed with which outraged comments piled up on the Internet. The Times also notices that Clinton made almost this exact same statement to Time magazine back in March. "
Esta a América dos direitos e das liberdades que querem impor ao mundo!

E é ler as reacções por todo o lado:
""My Husband Did Not Wrap Up The Nomination" Until June ... "Bobby Kennedy Was Assassinated In June" ... THE REACTION: Clinton Regrets If Comments Were Misunderstood... NYT: "Inexcusable Outburst" Followed By "One Of Those Tedious Non-Apology Apologies"... Time: "Strange And Tasteless"... Andrew Sullivan: Clinton Just Imploded... Howard Fineman: "A Campaign That Probably Needs To Be Put Out Of Its Misery Real Soon"... WATCH: Olbermann On Clinton: 'You Invoked A Nightmare'...

(actualizado)

Um debate ? Aquilo ?

Pode ter sido uma feira de vaidades, uma mostra de poucas ou nenhumas ideias, até a preparação para um velório. Mas, acreditar que algum daqueles concorrentes poderia ganhar o "Elo mais fraco", só por mero acaso e por cambão televisivo-eleitoral.
Entre os que nos fazem o frete, e os que que nos pedem que o façamos, a ausência de qualquer ideia positiva para o País é confrangedora.
E como não sabem o que lhe fazer, propõem desfazer-se do Estado ! Boa ideia! É o princípio que nos ensinam sobre o que fazer quando o leite está azedo: Vai fora!
Uma ideia positiva será enviá-los de volta ao lugar que a História lhes reservou: O caixote do lixo!

sexta-feira, maio 23, 2008

Afinal estas não são as primeiras mortes de imigrantes moçambicanos na RSA


Segundo o Jornal Vertical de Maputo, edição por fax, a Liga dos Direitos Humanos, na sequência dos últimos e terríveis acontecimentos de que foram vítimas imigrantes moçambicanos, enviou uma carta ao Alto Comissário da RSA em Moçambique, de que reporto o seguinte:

"A Liga dos Direitos Humanos de Moçambique repudia e condena a acção macabra dos sul-africanos depois da trágica história da morte de moçambicanos na África do Sul, em pleno período pós-Apartheid, por agentes que estavam a treinar cães-polícias, utilizando para tal, nos seus testes, imigrantes encontrados em situação ilegal, não podemos tolerar que mais mortes se repitam, sob o olhar impávido e sereno das autoridades do seu país e há que encontrar e responsabilizar os autores destes actos"

Neste momento, toda a sociedade moçambicana é percorrida por um sentimento de profunda indignação seja pelos acontecimentos em si mesmo, seja pelo facto de tanto terem sofrido às mãos dos agentes do Apartheid, quando Moçambique apoiou totalmente a luta pelo derrube daquele odioso regime, tendo sofrido desde acções de guerra, a actos de puro terrorismo e de assassinato de muitos civis inocentes.

Loira, Loira, Loira!

Do alto da autoridade política e civil que lhe reconhecemos, a D. Teresa Caeiro, ilustre deputada do CDS-PP, vem hoje fazer coro com os descontentes da política do governo PS e vejam lá, queixa-se da falta de socialismo e, do excesso dele. Isto tudo na mesma crónica:


Margem Direita
Cumprir Abril


Esta penosa caminhada para a ‘sociedade socialista’ levou ao triunfo do politicamente correcto e da irresponsabilidade. ( para além das participações em governos variados, o que é o PP fez de relevante em 30 anos? Paradas militares, compra de fragatas, de tanques e de submarinos? Visitas a feirantes? )
As estafadas comemorações do 25 de Abril proporcionam uma excelente oportunidade para repor alguma lucidez. Ano após ano, ouve-se um coro de carpideiras repetir ‘ad nauseam’ que falta 'cumprir Abril'. Mas convém perguntar: qual Abril? O Abril do PCP, que nos teria transformado numa ‘democracia avançada’ à semelhança de Cuba e da Coreia do Norte? Ou o ‘Abril’ inspirado pelos Grandes timoneiros Mao e Hoxha que nos teria conduzido ao ‘progresso dos povos’? Confesso o meu conforto com o falhanço destas utopias. (Quer dizer que mete simploriamente no mesmo saco as tentativas totalitárias, irresponsáveis e isolacionistas e os esforços para o estabelecimento de uma democracia representativa e ocidental ! Não é sério, não corresponde à História e esquece as tentativas de golpes da direita trauliteira!)
Quanto aos defensores da nossa atávica Constituição, que ainda hoje se propõe ‘abrir caminho para uma sociedade socialista’, não compreendo porque tanto se queixam. Esse socialismo português saldou-se no triunfo do ensino igualitário, pseudo-inclusivo, sem vestígio de critérios como o mérito e a disciplina. Um ensino que culminou na mediocridade generalizada e no episódio da ‘peixona’ (ou ‘pachona’; a doutrina divide-se). ( Ah! agora já se entende, caiu-lhe a máscara, e estamos a falar do que realmente a incomoda: A Educação. E como é curioso que a extrema direita seja tão simétrica com a extrema esquerda em Portugal!. De facto e tal como os sindicatos corporativistas e reaccionários, o que a D. quer, é atacar a Educação, como baluarte da democracia. Senão, vejamos como prossegue. Ela está contra um ensino igualitário, que tenda para a inclusão e, por fim, ataca o mérito e culpa de indisciplina, o socialismo? Sim senhora, temos deputada! Um ensino medíocre, diz ela. Então em que ficamos? Era um ensino socializante, estatizado, igualitário e em triunfo e, agora já não presta? Bom, bom, era o ensino de meia dúzia de filhos família no tempo do Estado Novo? Continuo a achar curiosa a utilização despudorada da mesma argumentação, pela esquerda, quando o governo manda os professores trabalharem, darem aulinhas, não faltarem, imporem disciplina pelo exemplo de conduta e darem-se ao respeito. E queixa-se, coitada, da mediocridade do ensino actual que absolutamente desconhece na sua dimensão - cerca de 100 vezes mais alunos do que no tal tempo do leite e do mel - e na dedicação de muitos milhares de professores que continuam a acreditar ser possível romper este ciclo vicioso do sub-desenvolvimento - desemprego - abandono escolar - sub-desenvolvimento.)Mas continua:
O socialismo português rejeitou o sector privado e o rigor na gestão por objectivos. Por isso, somos confrontados com listas de espera tais que os utentes do nosso Serviço Nacional de Saúde são enviados em excursões para serem operados às cataratas. ( Em duas geniais linhas de franco desnorte exige mais privatizações que diz terem sido rejeitadas pelo PS e ataca o SNS que sempre foi coutada de caça corporativa de médicos e de farmácias !) Abril acabou por ‘cumprir’ um SNS que é ‘universal’ na exacta medida em que os portugueses têm de viajar pelo Universo para acederem, em vida, aos cuidados de Saúde. ( A ausência de memória rivaliza com a da vergonha! Pois não é verdade que foram os médicos que impediram a formação de mais médicos? E qual a lista de espera quando o PS chegou ao Governo? E que apoio recebeu na AR para as medidas da sua redução?)
Esta penosa caminhada para a 'sociedade socialista' levou ao triunfo do politicamente correcto e da irresponsabilidade; dos direitos sem deveres;do esbanjamento de recursos distribuídos sem critério; da criação ‘fraterna’ de subsídio-dependências;de uma Administração Pública que foi sendo insuflada na proporção inversa à da sua eficiência. Levou, também, ao triunfo de uma ideologia adversa à criação de riqueza, à liberdade de escolha e ao crivo da qualidade. ( Espera, espera aí, que esta tirada merece um bocado de atenção. Politicamente correcto teria sido não bulir com os médicos, os professores, os juizes e outras corporações sentadas à mesa do OGE! Quanto ao esbanjamento de recursos, a diferença do défice ao tempo do governo em que participou o seu alquebrado partido e o do actual governo, fala por si ,e ela devia ter metido a viola no saco. Os tais subsídios que odeia são o do complemento para idosos, que necessitem!, e para o leite das crianças de colo. E finalmente, lambe onde mais lhe doi: que a riqueza só se cria em regimes neo-neo-conservadores e liberais onde circulem livremente o crak e os cheques-ensino!)
Quem cresceu em liberdade, agradece, sentidamente, a todos os que defenderam este valor inestimável. ( Mais faltaria, é a custo, sei, mas tem mesmo de ser! ) Abril deveria ser um ponto de partida, ideologicamente descomplexado, para se prosperar e viver em liberdade numa sociedade equitativa. ( gosto do ideologicamente descomplexado, é da minha formação gostar de certos descomplexos, mas já desconfio daquela súbita vontade de prosperar em completa liberdade, para a qual nada fez, diga-se!) Desde 1974 que 'convergimos' – na terminologia de José Sócrates – no sentido de uma sociedade asfixiada, subjugada e condicionada. ( Lá lhe fugiu o pé para a esquerdalhada!! ) O ensino sucumbiu ao ‘eduquês’, o empreendedorismo a más políticas fiscais, a economia a um keynesianismo inconsequente, as expectativas à frustração. ( Ora lá volta o Ensino que ela, mais a esquerda garganeira, garantem não funcionar, e, a tal política fiscal sem motor de arranque, deve ser a cobrança de muitos milhões de Euros, tranquilamente esquecidos nos tais governos simples, bons e liberais! ) As famílias sucumbiram a tudo isto. ( Credo! As famílias? Quem foi o danado que lhes meteu os plasmas em casa e lhes emprestou dinheiro pelo telefone? Querem ver que foi a política do socialismo? Ou foram os seus padrinhos neo-neo-liberais?) Brevemente teremos tantos anos de democracia como de ditadura e eis que 'convergimos' com coisa nenhuma.
( Em aritmética não está mal. Pior, e a necessitar de umas explicações em colégio privado, é mais na área da percepção da realidade. É que no tempo do seu desarticulado governo a convergência com a Europa fazia-se de facto em contra-mão, e para trás!)

No coração da democracia

Retirado daqui eis uma preocupante denúncia:


Segundo uma reportagem do Washington Post de 5.ª feira, o principal estratega da campanha de McCain, Charles R. Black Jr, é um conhecido lobysta de Washington.Durante cinco anos, na década de 80, trabalhou para Jonas Savimbi, tendo dele recebido milhões de dólares.Além de Savimbi, C. R. Black Jr. teve na sua carteira de clientes grandes personalidades da corrupção internacional, como Ferdinand Marcos, ex-Presidente das Filipinas, Mobutu Sese Seco, ex-Presidente do Zaire e Siad Barre, ex-presidente da Somália.
Diz-me com quem andas...

Os bolos de Bacalhau são de Direita ou de Esquerda ?


Temos assistido a um certo debate, muito amplificado pelos media de serviço, àcerca das muitas "maldades" da ASAE.


Ora é o CDS que arrepela os cabelos, já esparços convenhamos, outras, e as mais das vezes, é a dita Esquerda que se contorce com as afrontas à livre iniciativa, afinal... de tão fartos resultados...


Curioso é verificar como os interesses se colam às ideologias com mais pudor do que à memória.


Esta semana a ASAE encerrou para obras, nada menos de quatro padarias em Lisboa , por falta de higiene e dirão alguns que se trata de prejudicar os pobres cuja alimentação se baseia naquele produto. Posso até concordar que uma vez que são pobres...mais vale um pão na mão que dois a voar! Questões de sensibilidade!


Mas não, nada se ouviu! Ficaram todos calados. Ou me engano muito ou, afinal, a inspecção é mesmo importante e alguns já o descobriram.


E também o coro de lamentações não se fez ouvir sobre a apreensão de 150 Toneladas de bacalhau vermelho e "empoado" prontinho para chegar à mesa dos consumidores em fartas travessas de bolinhos do dito. E eu confesso a minha dependência por tal iguaria!


Desta vez tenho esperança que só espíritos de péssimo paladar e entranhas de ferro é que se vão manifestar contra estas actividades.


Ou continuo a ter demasiadas expectativas ?


Com "fieis amigos destes" quem precisa de inimigos?

quarta-feira, maio 21, 2008

A invenção do trabalho temporário e do outsourcing

Isto é um pedaço da entrevista a Jean-Yves Loude, antropólogo, estudioso do esclavagismo e autor do livro "Lisboa, na cidade negra" e que descobri aqui:

"Os escravos negros trabalhavam para os seus senhores, a quem davam o seu salário quotidiano, ficando apenas com uma parte ínfima. Alguns senhores alugavam os seus escravos ao dia, à semana ou ao mês. O aluguer era considerada uma actividade muito rentável. Os escravos circulavam nas ruas, mas com o único objectivo de rentabilizar ao máximo o seu trabalho, com vista ao lucro do seu senhor ou de quem o alugava. Eram frequentemente considerados dóceis e obedientes, pois viviam, sobretudo no início deste sistema, sob a ameaça permanente do envio para as forjas ou para as minas, consideradas como um castigo".

Esta invenção do outsourcing decorre daquela outra, não menos esclarecedora do papel da exploração pura e simples, e da acumulação primitiva de capital, inventada pelos roceiros portugueses no Brasil os quais, quando verificaram que a alimentação dos escravos era cara e difícil de conseguir em projectos de monocultura, lhes deram "autorização" para em certos dias, fazer uma lavra para sua própria alimentação...
Por outras palavras, ou produziam a própria comida ou morriam de fome! O senhor deixava de dar garantias da própria continuidade do acto esclavagista!
A única garantia era a do trabalho não remunerado!
Esta separação entre trabalho não remunerado - quando trabalhavam para o senhor - e a parte dedicada à sua sobrevivência, equivale à análise que séculos depois Marx fez do trabalho necessário e da "mais valia".
Só que os esclavagistas portugueses tinham séculos de experiência e perceberam então que podiam ficar com toda a mais valia produzida se "dessem de barato" umas horas para os escravos acorrerem às suas necessidadesse e se manterem vivos...
!Não sei porque é que os africanos não se mostram mais reconhecidos por terem podido participar em tantas "descobertas" socio-económicas !
Ingratidões!

África do Sul


Quando um amigo meu visitou, há muitos anos e por razões da sua profissão, a A. do Sul, manteve contactos com muito branco convencidíssimo que o Apartheid era mesmo para ser perpetuado. Até diziam, para viverem mais tranquilos, terem Israel do seu lado, com bombas nucleares.

O meu amigo indignava-se facilmente. Disse-lhes que isso não era problema, visto que o ANC também tinha uma bomba! Como? Tem sim, e quando rebentar, vocês cuidem-se que vai ser um daqueles estrondos! Nah! Isso não pode ser, disseram mais nervosos, e queriam saber do facto mais pormenores. Ele disse-lhes então que o que ia rebentar seria o próprio apartheid. Acharam graça e devolveram-no à origem, acompanhado de risos e de troças.

Agora que o Apartheid já rebentou e as reformas na A. do Sul não se realizaram, as terras não foram devolvidas às populações, enfim, não houve uma descolonização, nem se evitou a reprodução do caldo de cultura racista e de exploração mais evidente, a população sem rumo nem norte, enganada pelo facto de agora o inimigo ser também, da SUA PRÓPRIA COR, decide transformar os imigrantes em bodes expiatórios de todos os males, a falta de casa, de trabalho, a prostituição galopante, o HIV, a miséria, afinal tão miséria como no tempo do Botha.

A História repete-se ignobilmente. Os pobres revoltam-se contra outros mais pobres ainda.

Pergunto-me como será no futuro, quando repararem no erro e decidirem atacar as cidades fortificadas, blindadas e guardadas quer dos seus dirigentes, bem instalados, quer dos brancos que mantiveram todos os privilégios pós-apartheid? Quanto sangue vai correr então? Que bomba vai detonar na A. do Sul?

Assim é que não fica, tenho a certeza!

domingo, maio 18, 2008

As Listas de Espera no SNS e na Educação

Refletindo melhor, afinal o problema é o mesmo e a solução também.
Na Educação, a lista de espera, constituída por outros tantos "abandonados e excluídos", pode ser resolvida pagando as aulas de substituição, como exigem os Sindicatos
No SNS as imensas listas de espera aguardam que um governo entre o popular e o distraído consagre mais dinheiro dos contribuintes para pagar outra vez aos Srs. Doutores... as operações de substituição, daquelas que eles não fizeram em tempo, no mesmo SNS.
Percebem?

sexta-feira, maio 16, 2008

Da Lamúria Nacional e da Comunicação Social

Isto de governar um País em que, do OGE apenas 18 ou 19% estão realmente disponíveis para fazer as reformas indispensáveis, estou agora convencido, é uma tarefa que um partido isoladamente e sério, deveria deixar aos outros. É que o restante orçamento já está completamente comprometido com salários, os juros da dívida ( sabiam que há juros ? ), os compromissos assumidos por governos anteriores, submarinos, helicópteros que não voam, etc.
E pela simples razão de que a factura a pagar pelas iniciadas reformas, não é compatível com qualquer conhecido nível de paciência. Ou de humilhação suportável.
E também não vale a pena mostrar entusiasmo e dedicação. Dizer aos portugueses que os males têm remédio e que o que é preciso é acreditar que podemos ser melhores, com trabalho e sacrifício, é pregar no deserto : Estamos de facto habituados a não querer nada, a não querer o que se tem e, a desprezar qualquer ideia de melhoria. Para tal trabalho temos a famosa Comunicação Social sempre disposta a esclarecer-nos !
Deve ser uma marca inculcada no cerebelo dos portugueses...Será?
Mas então o que dizer do êxito dos emigrantes? Do seu sentido de abnegação ? Mesmo, e em especial, em regimes de fraca democracia - aliás - nos outros, com instituições mais democráticas, a participação cívica dos emigrantes é menos que residual...
Então, em que ficamos?
A ladainha de choros, a reclamação de apoios do Governo para tudo e mais alguma coisa, agora sempre amplificada por uma comunicação social irresponsável e quase sempre a soldo do partido que se segue na fila dos nomeáveis, não constitui surpresa ou tem alguma originalidade:
Apenas no último mês e meio tomei nota das seguintes recusas de reformas, de exigências e de ameaças de greves avulsas:
- Os profs não querem o Estatuto do Aluno, nem o dos dos Docentes - Semelhantes ao existente na maioria dos países da UE e a Com. Social apoia, e amplifica os protestos.
- Os padres não querem a lei do divórcio - Igual à maioria existente nos outros países da UE e a CS empina-se toda e ouve toda a gente, desde as freiras ao homem do talho, ambos especialistas em assuntos da carne !
- Os taxistas exigem maior segurança e que o Estado, (nós, os contribuintes) lhes paguemos os seguros, o GPS e subsidiemos o gasóleo, e a CS idem , idem, mais os barbeiros e jardineiros.
- Os médicos oftalmologistas exigem - e parece que vão ter - um pagamento extra para começar a trabalhar a sério e a CS cala-se com medo deles ! É ver o caso do médico espanhol do Barreiro que fez 5 vezes mais operações numa semana que qq colega seu num ano ! O que disse a CS? nada! Viola no saco!
- Os advogados e juizes não querem qualquer alteração de nada: Acham que a justiça está bem, obrigado. E a CS faz banjas , uns contra os outros e ficamos na mesma. O PR, neutral e deitado no meio da disputa, manda perguntar ao TConstitucional se se pode alterar essa coisa da Justiça, dos tribunais e da lentidão.
- Os futebolistas sem salários, exigem a intervençao do Governo (nós, os contribuintes)
- Os agricultores querem receber subsídio à produção e à falta dela. De quem? De nós!
- Os partidos que aprovaram as leis do controlo alimentar não querem que elas se apliquem
- Sobre a lei do consumo do tabaco em locais públicos é o que se vê.
- Os combustíveis devem ser subsidiados ( nós, os contribuintes)
- Mas então os porta-vozes dos Contribuintes? - qq corporação enche os ouvidos da gente com a carga fiscal ! E a CS o que faz? Amplifica os descontentamentos.
- O governo começa a ratear pelos mais necessitados algumas migalhas. Deve ser chicoteado, seja pelo desperdício (Complemento de Inserção Social ou de velhice), seja por ser muito pouco...
- O governo faz a maior reforma no ensino superior onde havia mais de 1000 cursos disponíveis e sem utilidade prática, e o que é que acontece? : A CS vai a correr ouvir os eventuais prejudicados para tornar a medida impossível de cumprire amplificar os lamentos!
- Os pescadores exigem subsídio do governo ( os mesmos a pagar!! )
- O governo pela primeira vez vai apoiar a reprodução medicamente assistida. É pouco, e é tarde!
- As CM do Algarve fazem protocolos com Cuba e levanta-se o maior borburinho: Afinal há em Portugal bué de médicos prontinhos a trabalhar. Desde que nós paguemos mais e mais !
- O Governo legisla contra a violência doméstica e a morte das mulheres. Quem é que vem dizer que está mal? O bastonário da Ordem dos Advogados !
- O ministério da educação promove a integração das escolas na comunidade. Estão contra !
- Acordo ortográfico? Deus nos livre !
- Polícia Judiciária ? já é o terceiro em 5 anos? E o que é que isto tem a ver com o actual governo? Que se saiba apenas nomeou um! A CS o que disse? Melhor, o que é que faltou dizer?
- Acordos comerciais com o perigoso Chavez? Credo! Devemos é continuar a comprar petróleo nas democracias do Médio-Oriente , em Angola e na Argélia!
- Os deficientes das FA estão descontentes? Culpa do governo e a CS faz eco disso!
- A criminalidade desceu? . A CS deve ir à rua onde foi o último assalto , ouvir as mamanas e os barbeiros para contrariar essa perigosa ideia! Mais polícia!
- Mais polícia e mais Asae? Mas isto é um estado policial, ou quê?
- Não há investimento? Oiça-se o desempregado mais a jeito! É, definitivamente culpa do governo que não dá incentivos ( nós os contribuintes! ) suficientes .
- As fábricas d eaperta parafuso vão-se embora: culpa dos mesmos !
- Estamos é a tentar realizar mais um campeonato da bola ! Isso é que é mesmo porreta!
- Feira do Livro? O que é preciso é subsídios a fundo perdido, de preferência sem critério, para todos e viva a República! E a CS? Fica feliz!
Sei, este post é muito grande e chato. Não é bem para lerem, é mesmo para eu desopilar!