terça-feira, junho 21, 2005

AS GREVES QUE FALTOU DIVULGAR

Isto de andar por fora tem as suas desvantagens. Avisam-me agora duma série de greves todas da maior relevância e que não me lembrava de terem sido divulgadas. Querem ver?
Lembram-se da greve marcada pelos sindicatos dos professores para comemorar a anulação da lei de bases do ensino levada a cabo pelo governo da direita?
Vem-vos à ideia a greve organizada pelos mesmos atrás mencionados a combater as arremetidas do governo da direita contra o ensino laico, público e obrigatório?
Façam um esforço!
Quem esqueceu as greves contra as declarações de que Portugal era um país de religião oficial católica?
E da greve em luta pelo ensino da educação sexual nas escolas? Lembram-se dessa?
Já agora a que combatia o absentismo dos professores?
E a da maravilhosa ideia, felizmente combatida com arrojo pelos sindicatos contra o cheque ensino. Como na América. Para que cada família tivesse a oportunidade de escolher a escola pública - paga por todos nós - onde melhor os seus filhos, os filhos dos seus amigos, os afilhados dos seus compadres e por aí fora, tivessem o direito de frequentar?
A greve referida ao desinteresse dos pais pelos trabalhos da escola?
Esqueceram a greve contra a marcação destes mesmos exames cuja realização foi determinada ainda pelo anterior governo da direita?
Lembram-se certamente da greve contra a presença de mais de 5000 professores com horário zero e de outros tantos fixados a trabalhos nos próprios sindicatos?
Quem já esqueceu as várias greves pela manutenção do ensino nocturno para trabalhadores, extinto duma penada pelo governo da direita?
Ocorre-vos de certeza a luta, nas ruas, as passeatas, as bandeiras desfraldadas e os milhares de manifestantes organizados pelos sindicatos para que não entrasse em vigor a extraordinária decisão do ministro Justino, de largo alcance social de fixar um preço máximo para os livros escolares? Medida absolutamente exemplar e merecedora da atenção do comité do prémio Nobel da economia. De facto após a publicação desta medida, todos os livros e manuais escolares passaram a ter esse preço: o máximo possível. Melhor é difícil. Desta lembram-se de certeza!
Quem ignora o combate insano destes sindicatos contra o abandono escolar e a favor da fixação dos docentes nas escolas?
Ainda bem que não perderam nenhuma destas !
A mim, que estou fora, foi como se tivessem caído da prancha. Não dei conta.

1 comentário:

Carlos Esperança disse...

Fui professor do ensini primário durante 10 anos, já lá vão mais 44.

Fui delegado sindical mais de uma década, até abandonar o serviço activo.

Subscrevo este post sem qualquer objecção.