segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Os crimes e os alibis

Em necessitado socorro dos agravados muçulmanos, seguidores do profeta, surge hoje uma voz de cuja independência não me cabe duvidar. É verdade. Do alto da sua imensa compreensão do mundo e dos homens, vem, donde devia vir, a paladina inteligência e a oportunidade do comentário: -"Compreendo muito bem a ofensa sentida e sofrida na sua fé, pelos árabes, e pela razão da blasfémia cometida" E não vem apenas apoiar os ofendidos. Mostra uma indesfarsável satisfação pelos resultados obtidos. Até os encoraja a prosseguirem a caminho da absoluta desgraça que iniciaram. Ao ver este quadro, eu que sofro de irreprimível sensibilidade para entrever os mais delicados actos de altruismo e de comiseração para com os fracos e desvalidos, eu, dizia, lembrava-me das vezes que os criminosos indicavam a Poirot o melhor caminho para que se enganasse completamente na busca dos verdadeiros culpados! Só que desta vez a indicação, o comentário, saiu da boca de J. W. Bush !

10 comentários:

Sofocleto disse...

-"Compreendo muito bem a ofensa sentida e sofrida na sua fé, pelos árabes, e pela razão da blasfémia cometida"

-"Sobretudo porque sou eu, e a minha administração, que estamos por trás desta nova achega ao nosso bem elaborado plano denominado «Choque de Civilizações.»"

G.W.B.

A. Cabral disse...

O que ele diz, ela desdiz ...

smartins disse...

Tal como a grande maioria dos assuntos, nem tudo ao mar nem tudo à terra. Há limites, mas também há aproveitamento.
PS. Os resultados já (finalmente) sairam.

luis santos disse...

Caríssim(a)o,

O "Atrium - Media e Cidadania" vai mudar.
De agora em diante está aqui: http://www.atrium.wordpress.com
Peço desculpa pelo transtorno.
Obrigado.

luis

Francisca disse...

Com a lata que tem, o homem bem podia abrir um negócio e ferro velho.
Pffff.

Arrebenta disse...

A Rainha da Sucata

Andam por aí umas vozes em sobressalto com o que se escreve na Net, e, à cabeça, com a crescente influência das temáticas, abordadas nos “blogues”, sobre a Opinião Pública Nacional. Cumpre-me aqui dizer que sou novo nos “blogues”, e suficientemente antigo, na Opinião Pública. E como me estou, à cabeça, aparentemente – depois, verão que não... – zenitalmente borrifando para os “blogues”, vou, pois, começar pela Opinião Pública.

Ora, em qualquer país pretendido civilizado, a Opinião Pública não é mais do que um misto de emoção e raciocínio difuso, que leva a que as sociedades exerçam, em conjunto, as suas auto-análises, os seus direitos espontâneos de aprovação e desagrado, e uma necessária catarse colectiva, fruto dos sabores e dissabores do Rumo da História.
Os períodos de Opressão e de Distensão medem-se, pois, pelo vigor e maturidade que essa Opinião Pública manifestar.
Na sua coluna de despedida do “Diário Digital”, Clara Ferreira Alves, criatura que nunca frequentei, nem sequer sabia que escrevia, mas que, naquele panorama do Ridículo Nacional, apenas me fazia, de quando em vez, sorrir, entre as suas apalhaçadas oscilações entre o negro azeviche e o louro caniche, dizia eu, centra-se, num dado momento da sua despedida, sobre a perniciosa influência dos blogues na tradicional “Imprensa Impressa”: de acordo com ela, “A Blogosfera é um saco de gatos, que mistura o óptimo com o rasca, e (as vírgulas atrás são todas minhas) acabou por se tornar num magistério da opinião (d)os jornais”, os quais nunca foram sacos de gatos, sempre souberam recolher o óptimo, e nunca constituíram um prolongamento do magistério dos Interesses Ocultos Predominantes.

É óbvio que em todos os jornais, como em todos os "blogues", como em todos os programas de televisão de carácter rasca, -- terríveis eixos do mal --, “existe e vegeta um colunista ambicioso, ou desempregado, (as vírgulas continuam a ser minhas), ou um mero espírito ocioso e rancoroso”, que pode ser vário, como os nomes de Satã.
“Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, [publicando] agora as ejaculações”, as quais deveriam continuar a ser privadas, porque o exercício da cobrição, que tantas vezes levou a que um mau texto aparecesse nas parangonas da Crítica, fruto de uma noite mais ou menos bem passada, ou de uma jantarada em lugar eminente, poderia, e deveria, pelos mais elementares deveres do Pudor, nunca ultrapassar a atmosférica fronteira do Secreto e do Invisível. Para mais, parece que, nos blogues, escancarada janela rasgada sobre o Tudo, já não existe aquela claustrofóbica sensação das escassas três ou quatro janelinhas, onde a iluminação da Crítica Impressa revelava ao profano o pouco que se fazia, e, logo, podia aspirar a existir. Parece que nos blogues, dizia eu, se fala agora abertamente de tudo e de todos, e não apenas dos amigos, dos que nos assalariaram o texto, ou dos que nos pagaram para sermos gerentes da sua irremediável Insignificância.

Compreende-se a angústia da Clarinha: com a ascensão dos “blogues” e o declínio dos jornais, anuncia-se também o fim do monopólio das palas postas nos olhos dos burros, e daqueles que tinham o exclusivo poder de as pôr.
Clara Ferreira Alves manifesta-se inquieta pelo seu Presente, e teme pelo seu Futuro. Mais acrescento eu que o que está em jogo é, sobretudo, o seu PASSADO e o de todos os que se lhe assemelham, porque a Cabala, que, durante décadas, tão habilmente geriram, se está agora a desmantelar por todos os lados.

Nos “blogues”, nada mais existe do que quem diariamente fale de tudo e todos, sem defender quaisquer sistemas que não os da prevalência do Excelente sobre o Medíocre, do Livre sobre o Encomendado, e, sobretudo, quem o faça GRATUITAMENTE, ou seja, por mero Dever Cívico, por vontade de intervir, por caturrice, ou tão-só pela amistosa gratidão de poder Partilhar.

É verdade que com os “blogues”, poderá estar em jogo o fim da Palavra Comprada, e já estar a vislumbrar-se o início da Era da Palavra Livre e Particular, o Reino da Palavra Gratuita. Talvez seja isso a Comunicação Global. Em breve, também aí se fará a separação do Trigo do Joio, e passará a vencer quem melhor escrever e mais for lido, dispensando-se as tradicionais encomendas das almas.

Penso, publico, sou lido, e logo existo. Tudo o resto é vão.

Ah, e isto não é um texto para resposta, sobretudo qualquer tipo de resposta, como dizia o Vasco Pulido Valente, que metesse “na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo.

Muito obrigado.”

http://braganza-mothers.blogspot.com/

Paulo Alves disse...

Exacto. O caminho é o aperto de mãos.

Biranta disse...

É caso para dizer: "Deus nos livre de compreensões dessas". Tarrenego!

Jaime disse...

Ora do Bush não gosto, mas gosto dos filmes do Poirot. :-)

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

Princesinha disse...

bom blog..
bons textos...

sou nova aqui...

se puder venha ao meu blog, leia o meu texto e comente...

cumprimentos