quinta-feira, julho 28, 2005

A Nova Constituição do Iraque

Repescado do Ponte Europa, com o devido crédito ao Carlos Esperança, vou juntando as pérolas deste rosário porque quero voltar a este assunto, tal como merece.

"A nova Constituição terá por base a lei islâmica - um monstruoso conjunto de prescrições religiosas que retira às mulheres os direitos que tinham conquistado em 1959, reconhecidos por Saddam, no campo do casamento, divórcio e heranças. A obrigação de respeitar os «princípios democráticos» e os «direitos fundamentais» foi postergada pelo projecto constitucional já divulgado, que assume que «o islão é a religião oficial do Estado, a principal fonte de legislação e nenhuma lei pode entrar em contradição com o Islão».Enfim, as sentenças de Maomé em vias de transitarem em julgado. Fonte: Diário de Notícias de 27-07-2005."

Deixo hoje apenas um pequeno apontamento:
Tal como noutros lugares do Mundo, a intervenção no Médio Oriente de que a invasão do Iraque é só mais um episódio grotesco, vai colocar no poder as forças mais reaccionárias e retrógradas.
Que para se perpetuarem no poder vão segregando contradições insoluveis com o seu próprio povo.
Mas no mundo árabe há ainda outra questão que baralha os dados, turva a visão e corta muitas das escapatórias aos oprimidos: A religião e a lei corânica.
A mistura já se tem revelado explosiva. Ainda não entenderam?

3 comentários:

VDF disse...

Também era demais que tivesse por base a lei evangelista do Bush.
Não que lhe faltasse vontade. Aliás, há algum tempo atrás, um artigo do NYRB dizia que a igreja evangélica a que pertence o Bush tinha mandado para o Iraque e outros países islâmicos grupos de evangelizadores para pregar a cristianíssima religião. Não sei se continuam por lá, se já desistiram. Mas seria uma boa ideia que mandassem mais, muitos mais, que isso é gente que não falta lá pelos EUA. E teríamos assim um diálogo inter-religioso de base capaz de ser um precioso auxiliar dos esforços de SS Bento.

Anónimo disse...

Que ideia peregrina (pilgrim)!

Carlos Esperança disse...

Desde já os meus agradecimentos pela amabilidade da citação.

Quanto ao Iraque, e não só, temos pontos de vista comuns e partilhamos as mesmas apreensões.