segunda-feira, dezembro 05, 2005

Uma Dívida de Gratidão

Ora o Luis Grave dá hoje notícia duma "imensa gratidão". A não perder:
"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.

Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.
Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...
E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.
E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...
# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM

1 comentário:

LdV Contribuinte disse...

Cavaco impune não é nenhuma surpresa!
A cópia do processo disciplinar instaurado ao professor Cavaco Silva, por Alfredo de Sousa como reitor da Universidade Nova, que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo deprofessor universitário, EXISTE. Esse processo disciplinar foi ARQUIVADO administrativamente pelo ministro Deus Pinheiro mas também foi ARQUIVADO politicamente pelos eleitores e contribuintes que fecharam os olhos a este abuso de confiança da parte de um servidor do Estado. Parece que apenas Alfredo de Sousa tinha o rigor e a coragem de insistir no cumprimento de um dever de profissionalismo. Cavaco diz que não é um politico profissional, que foi um simples funcionário público (ainda não cumpridor). Também Alfredo de Sousa foi funcionário público. Se tivessemos mais Alfredos de Sousa e menos Cavacos na função pública, talvez a produtividade da nossa economia não andasse pelas ruas da amargura.
E agora o desexemlar funcionário Cavaco vai para Presidente da República para poder divulgar o seu desexemplo a partir de Belém! Contribuintes de olhos fechados que mais rigor podem exigir ?