quinta-feira, junho 03, 2010

Na morte de um Homem, não da sua memória!

"É com enorme pesar que vos comunicamos o falecimento do nosso associado, o Militar de Abril almirante António Alva da Rosa Coutinho.
Elemento fundamental da Armada no MFA, Rosa Coutinho foi sempre coerente com os seus ideais, deixando marca significativa nas missões que desempenhou, nomeadamente na Junta de Salvação Nacional, no Conselho da Revolução e na presidência da Junta Governativa de Angola"

Associação 25 de Abril

5 comentários:

picanochao disse...

OH! SR.MFERRER, EU RECONHEÇO QUE SOU CHATO, E FAZ-ME FALTA SEMPRE, OUVIR OUTRA OPINIÃO... DIGA-ME DE SUA JUSTIÇA, PORQUE É QUE NÓS, BRAVOS LUSITANOS, COM 5OO ANOS DE COLONIZAÇÃO, FOMOS, EMPURRADOS, ENXOVALHADOS, PRESSIONADOS, E POR FIM OBRIGADOS, A ENTREGAR AS COLÓNIAS, QUANDO, PRECISAMENTE QUEM NOS OBRIGOU, NÃO ENTREGA AS DELES... U.S.A., FRANÇA, INGLATERRA, ESPANHA, TODOS ELES TEM COLÓNIAS...? E O SR. PELOS VISTOS, DEFENDEU A NOSSA MUI AMADA PÁTRIA, NUMA DELAS...

MFerrer disse...

Vamos combinar uma coisa?
Eu não sou a medida das coisas nem tenho a mania de ter apenas certezas; Aliás, ao lado de algumas, vou acumulando na vida já longa, um acervo substancial de ignorâncias...
Assente este ponto, que me parece fundamental para uma conversa, vamos a ela:
Porquê?
O seu comentário permite uma resposta ponto por ponto. Pelo menos sobre esta traumática colonização e descolonização.
Sabe?, É impossível discutir uma, e esquecer a outra,como está bem de ver.
Como discutir o regime feudal na Europa sem falar da queda do império romano?
Como entender a independência dos EUA sem falar no colonialismo inglês?
Ou de Cuba, sem o conflito de interesses entre a Espanha e os EUA?
Depois, o colonialismo português em África é um facto histórico muito recente e o que se enfabula sobre a chamada "presença" de 500 anos, é uma lenda que serviu o regime saído do 28 de Maio(que visto numa perspectiva puramente "nacionalista", pode ter sido estúpido e imobolista mas, por instinto, defendia aquilo que pensava ser o "interesse" nacional). Infelizmente reside aí outra gigantesca confusão e um embuste sem tamanho...
Para ver a dimensão do embuste é preciso fazer uma pergunta simples e que o Sr. afinal também formula, mesmo sem querer.
Qual a explicação para que a conferência de Berlim em 1884...(favor ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Berlim)tenha permitido a Portugal, país sem população, sem indústria, com 90% de analfabetos, que tinha perdido por traição da própria coroa a colónia do Brasil..., que estava falido,que não tinha exército nem marinha, que era governado por incapazes (lembro o ministro das colónias que mandou avançar a corveta para Nova Lisboa...),um país sem crédito internacional, sem diplomacia, com uma monarquia de fantochada,...(continua no comentário seguinte)

MFerrer disse...

Cont.:
Como foi então possível que a Conferência de Berlim desse "autorização" para Portugal colonizar em África territórios tão vastos e tão ricos como Angola e Moçambique?
( o resto, era desinteressante e apenas daria prejuizo...)?
Esta pergunta que nunca é formulada nos compêndios da História, constitui o prólogo do drama que se nos deparou e que nos "obrigou" a colonizar um pouco mais ( não podíamos fazer menos, nem mais...) aqueles territórios, onde até à data apenas tinhamos presença em alguns entrepostos comerciais de fraquíssima expressão, comercial,política, militar, social, cultural, ou económica.???
Nunca, até então houve moeda local, bancos, alfândegas, educação, ou presença do Estado.
Tudo o resto é má publicidade para enganar as pessoas!
Lembro que em Moçambique até 1948 a moeda era a libra esterlina e que todas as empresas com mais de 100 trabalhadores eram de capital inglês ou sul-africano..., incluindo o único banco, o Standard Bank com sede em Johanesburg...
Isto do lado do colonizador.
Do lado do colonizado a coisa é ainda pior: A sineta tocava às 17:00 em Lourenço Marques para os negros abandonarem a cidade dos brancos ...até 1956...salvo erro!
Se a situação dos trabalhadores era insuportável na Metrópole, o que dizer do Regulamento do Trabalho Indígena, de 1939?
Conhece? Vale a pena perceber a luta armada contra a presença portuguesa, atravás da leitura de tal peça legislativa!
O Sr. não faz ideia. Aliás ninguém faz ideia do que seria sentir na pele a colonização da administração(?) portuguesa.
Sobre a derrocada das colónias, só a ignorância ou uma estupidez monstruosa é que continua a não perceber a encruzilhada da História, a impossibilidade de dirigir o processo uma vez derrubado o fascismo em Portugal, os interesses dos grandes países, e afinal, quem é que herdou essas colónias!?
A resposta está nas suas perguntas.
O Sr. tem inteligência para perceber isto.
Continuar a dizer às novas gerações que tínhamos um império de colónias em paz e desenvolvimento, que apenas por maldade dos negros, ou dos comunistas, fomos de lá corridos, é não querer perceber nada de nada!
Agora faço eu as perguntas, ok?:
Quem é que beneficiou com Cahora-Bassa?
Quem é que explora o petróleo em Angola?
Quem é que é dono dos diamantes na Lunda?
Quem é que integrou a British Comonweath após a independência?
De quem são as grandes obras a decorrer em Angola?
O pipe-line, que leva todo o petróleo da Beira para a ex-Rodésia, hoje Zimbabwé, pertence a que família real?
O carvão do Moatize é explorado por que país?
Qual a nacionalidade dos novos colonos-agricultores em Moçambique?
Terminando este longo post que fará a fineza de ler, termino reafirmando a minha oposição ao colonialismo português, que nunca defendi. Na minha opinião deveria era ter terminado há décadas... A minha presença em Moçambique até 1994 explica-se com trabalho para o governo moçambicano na qualidade de português livre e democrata!
Quando considerei que não valia a pena lá continuar, regressei com uma mala, tal como tinha lá chegado.
Mas muito mais rico por dentro!
Devo ao governo moçambicano grande parte da minha experiência profissional e ter comprovado na prática os malefícios do colonialismo português, o que era de nossa iniciativa e mais os fretes que fizemos ao imperialismo que o Sr. também refere na sua pergunta, que agradeço por me permitir regressar também ao meu passado.
Obrigado, portanto!

picanochao disse...

QUERIA DIZER, A POSSE DO PIPE-LINE?

MFerrer disse...

O que disse é o que lá está:
"O pipe-line, que leva todo o petróleo da Beira para a ex-Rodésia, hoje Zimbabwé, pertence a que família real?"

Tem a resposta ou preciso de dizer?