sábado, novembro 12, 2005

Os cursos profissionais que todos pedem...


À volta de Lisboa proliferam as habitações sociais, na maioria superpovoadas de imigrantes africanos.
Aí, as escolas mais "atentas" deram início, há anos, a cursos profissionalizantes, destinados à inserção no mundo do trabalho, de jovens já fora da idade da escolaridade obrigatória, mas com várias carências nos aproveitamentos obtidos.
A realização desses cursos visa a rápida colocação dos jovens em locais de trabalho, para o que as escolas e os seus docentes se multiplicam, nas respectivas áreas, na procura de locais para que os seus alunos iniciem estágios em empresas locais.
Trabalho árduo e dedicado desses professores.
A semana passada, em Vialonga( 15 km de Lisboa), que tem há muitos anos uma forte percentagem de população negra e onde as Escolas gozam de grande respeito, o Restaurante "O Cherne" recusou qualquer estágio a miúdos negros e não teve dúvidas, nem receio, em fazê-lo explicitamente.
Professores e alunos entenderam a mensagem.
Isto numa terra onde as escolas não são assaltadas ou vandalizadas.
Onde existe uma paz social invejável, se comparada com outros bairos à volta de Lisboa!
O que torna absolutamente revoltante este racismo e esta exclusão.
Mas que um dia vai transformar desempregados em assaltantes, jovens excluídos em ondas de tumúltos, miúdos em incendiários.
Ninguém aguenta a frieza e o cinismo da sociedade que lhes deu uma casa, na periferia da grande cidade, onde estão autorizados a morrer de fome.
Todos exigem mais carpinteiros, cozinheiros, e canalizadores. Onde estão as empresas que os vão empregar?

1 comentário:

flor disse...

Obrigada MF por denunciar esta situação. Sabemos todos que há algumas escolas neste país onde os professores e a comunidade escolar se envolvem de forma a não só ensinar os seus alunos, como também a inseri-los no mercado de trabalho. Olhando para o que está a acontecer noutros países da europa, tiro o chapeu a esta e a outra escolas.
O que terão os sindicatos de professores a dizer sobre este assunto? Dia 18 deste mês vão realizar mais uma greve... não é isto que os move. Não são estas exclusões sociais que os fazem protestar...E a comunicação social? Essa guarda o seu tempo para as histórias em que os excluidos, os que passam fome e aqueles que estão fora da sociedade ameaçam os professores e as escolas.Assim já poderão dizer que a profissão é de risco.