sexta-feira, novembro 18, 2005

Quem é que fica deste lado?

Provavelmente vêm aí tempos em que à nascença nos coloquem um chip comportamental, vacinal, reprogamável de trinta em trinta dias, por down-load automático, sempre que tocarmos num puxador de porta, sairmos à rua ou fizermos zapping.
Evitam-se bichas para o IRS, irritações com a porteira, a existência de tribunais, de advogados e de polícias.
Talvez até um dia se acabe mesmo com os exércitos e as bombas.
Mas até lá, desculpem, vou estar de acordo com o Miguel Sousa Tavares. Completamente!
Quero lá saber das relações homo.
Não preciso que mas esfreguem na cara.
Prefiro as outras e, se possível, com alguma privacidade!
Perdi uns leitores?
Eles também eram pouquinhos!

3 comentários:

flor disse...

Caro, MF

Li e reli o seu texto e confesso que não o compreendo. Explique-me lá porque razão é que os chips com que possamos vir, ou não, a nascer fazem com que esteja de acordo com o artigo escrito e publicado pelo MST?
Quantas vezes é que o Homem-ao-mar já colocou a questão sobre o jornalismo sério? Julgo que o artigo de MST não passa de um artigo inútil ( de mau gosto) sobre aquilo que ele pensa da homosexualidade. A verdade é que eu não estou minimamente interessada em saber a posição desse sr sobre o assunto. Agora não acho razoável que "manipule", "distorça" e "ficcione" sobre um acontecimento passado numa escola, com um propósito menos sério. (audiências?! "armar-se em pintas, tipo: eu cá sou bom...")

MST diz o seguinte: «Voltando à escola das miúdas "reprimidas", o que eu penso é que os restantes alunos têm a liberdade correspondente à delas, que é a de não quererem saber nem terem de assistir às demonstrações da sua inclinação sexual.»

Mas MST julga que os leitores não se informaram e não ficaram a saber que os colegas( os tais que estavam muito incomodados)em conjunto com a Associação de Estudantes tomaram a defesa das suas colegas? Isto sim é que era preciso dignificar e escrever.
Já estou a ver o cabeçalho dos joranis com uma notícia pela positiva :-)

MF disse...

Cara Flor,
Mantenho relativamente ao MST o mesmo espírito crítico que sempre tive. E discordarei sempre que isso me pareça razoável.
A discussão sobre as miúdas da ref escola também, parece-me, não deve ser vista à luz de alguns comentários ( se foram os mesmos que vi) de colegas seus que as defendiam enquanto alunas da escola que eventualmente estivessem a ser discriminadas. Claro que quem sou eu para discriminar seja quem for!?
O que acho é que a inclinação sexual de cada um é do seu foro privado e não deve ser arma de exibição. Apenas isso.
Acho que uma escola não é o local para se exibirem afectos com carácter sexual.
E não posso nem quero detalhar o referido caso visto não o conhecer. Estou a falar de um ponto de vista "teórico".
Eu sei que esta é matéria sensível e que eu talvez não seja a main stream dado que já vi cenas de público exibicionismo que acho ofendem qualquer pessoa, por serem cenas íntimas!
Sem querer envenenar esta nossa discussão pergunto se conhece Bruxelas. A Grande Place à noite?
Aquilo é normal ou é só para agredir os "outros", quaisquer que sejam?
Mas se estiver enganado acredite que é de boa fé!

MF disse...

Ainda a propósito, deixo aqui o comentário do marsalgado.blogspot.com que me parece ir ao encontro do que já escrevi.
Vocês me dirão. Se acharem que vale a pena:
Sexta-feira, Novembro 18:
EXIBICIONISMOS: Desde que a notícia saiu, salvo erro há 4 ou 5 dias, acompanhei a evolução. Refiro-me ao caso das miúdas que trocaram carícias numa escola e que foram "discriminadas" pelo director ( espero que não tenham sido lapidadas, como na Nigéria). Tenho neste momento em psicoterapia duas mulheres que gostam de mulheres ( feitas e com profissões, digamos, de prestígio) e que têm um problema: sentem que não podem trocar um beijo com as suas namoradas nem levá-las a casamentos e baptizados. O mundo não é bem como Miguel Sousa Tavares ( hoje, no Público) diz que é. Mas num ponto - e essencial - ele tem razão, e passo a justificar porquê:
Tinha eu 17 anos meti-me no CITAC, o grupo de teatro universitário de Coimbra que se podia frequentar sem ter o cartão do PCP ( o outro era o TEUC). Lá conheci a E., três anos mais velha, loura natural e inteligente. Quando estavamos em minha casa, numa divisão que era o meu espaço, ficavamos por vezes junto à janela. Ora, essa janela dava para o jardim de uma vizinha, velha e amarga, que um dia se foi queixar aos meus pais que eu e a E. exibiamos comportamentos menos próprios. Os meus pais falaram comigo ( julgo que foi a minha mãe só, não tenho a certeza) e eu resolvi o assunto. Passamos a fazer exactamente o mesmo , só que com a janela fechada. Devo dizer que até evoluímos, pois que a privacidade faz muito bem às relações pessoais.


posted by FNV on 11:24 AM