quinta-feira, dezembro 18, 2008

Querem regressar ao tempo da Inquisição ?

A miséria intelectual agora dá-lhes para se refugiarem nas Ordens dos Jesuitas do Sec XV e XVI, travestidos em prosélitos da fé!
Estes professores andam a fumar que tipo de oregãos?
Querem ser tratados como atrasados mentais e ao serviço dos poderosos que pagam Colégios Planaltos e Opus Dei?: Esqueçam a publicidade...dizem!
Já só falta uma inquisiçãozinha para compor o ramalhete da falta de vergonha.
O PCP aliado ao pior da ICR! Ao que ainda iremos assistir?

7 comentários:

Fartinho da Silva disse...

Acho que o senhor ainda não percebeu bem o que se passa no "ensino"...!

Deixei o ensino público, há um pouco mais de dois anos, passando para o privado porque no colégio me ofereciam o seguinte:

- o professor estuda e ensina;
- o aluno estuda e aprende;
- os pais educam.

Parece tudo óbvio, mas no "ensino" público todas estas óbvias funções estão completamente baralhadas graças ao conceito de "escola" pós-moderna. Este tipo de "escola" não passa de um centro de entretenimento e guarda de crianças e jovens.

No colégio onde tenho trabalhado como verdadeiro professor, os pais pagam 450€ de propinas mensais pelo serviço base, se quiserem que o seu filho almoce pagam mais x, se quiserem que o seu filho tenha música, pagam mais y, et., etc.

No colégio onde tenho trabalhado, os alunos têm aulas apenas da parte da manhã, para que possam estudar durante a tarde.

No colégio onde trabalho se o aluno tiver duas negativas no final do 1º período é convidado a matricular-se na "escola" pública.

No colégio onde tenho trabalhado se o aluno faltar ao respeito a alguém dentro do recinto escolar, os pais são convidados a matricular o aluno na "escola" pública.

O colégio onde tenho trabalho tem estado sistematicamente no top ten do ranking dos exames nacionais do 12º ano.

No colégio onde tenho trabalhado as filas de espera para inscrição aumentam todos os anos.

No colégio onde tenho trabalhado, os professores são na sua grande maioria oriundos da "escola" pública.

No colégio onde tenho trabalhado, os professores não se preocupam com burocracia, esse trabalho é feito por administrativos, os professores não se preocupam com as questões sociais, esse trabalho é feito por uma empresa em outsourcing, os professores não se preocupam com os problemas psicológicos, esse trabalho é feito por especialistas dessa área através de uma consultora.

No colégio onde tenho trabalhado, os alunos são educados e trabalhadores.

No colégio onde tenho trabalhado, os professores têm um vencimento cerca de 33% mais alto que o vencimento correspondente no "ensino" público!

Quanto o MFerrer se vir obrigado a pagar 450€ mensais para que os seus filhos tenham um verdadeiro ensino e para que os seus filhos possam frequentar uma verdadeira escola, talvez o MFerrer perceba que o mundo soviético em que somos todos iguais termniou há muito tempo.

Os professores, que o MFerrer queira ou não, não são funcionários públicos, não são administrativos, não são entertainers, não são psicólogos, não são sociólogos, etc, etc.

Para o país ter professores de qualidade tem que lhes oferecer privilégios, quer o MFerrer queira quer não! É a vida!

E se o Estado não resolver este problema, o mercado resolverá! O problema é que quem não tem dinheiro, terá que se contentar com a "escola" das brincadeiras, da indisciplina, da violência (todos os dias em quase todas as "escolas" públicas), da papelada, e dos professores que não conseguem trabalhar nos melhores colégios privados do país, que por agora são muito poucos.

Por isso MFerrer, pare de pensar como se vivesse na antiga União Soviética. Esse tempo não voltará tão cedo. Os professores mais jovens experimentarão o "ensino" público verificarão que não tem qualquer interesse e ficarão até mudar para outro lado. É a vida.

Odiana disse...

Peço desculpa,mas será possível que me explique porque é que odeia tanto os professores?! Não consigo descobrir o que possa ter feito de mal até hoje. Tenho-me limitado a cumprir o meu dever o melhor que sei ao longo de 20 anos. Trato os meus alunos com respeito, ensinando e aprendendo com eles. Tudo o que lhes desejo, quando terminam a escolaridade e saem da escola é que sejam felizes a fazer aquilo que mais gostam.Quando me encontram,anos mais tarde, é uma festa. Não consigo entender esta sua raiva tão grande para comigo. O que me passa pela cabeça é que o senhor deve ter tido apenas péssimos professores e, neste caso, sinto por si e por todos os que estão à sua volta. Atentamente. Leonor Bravo

MFerrer disse...

Professora Leonor Bravo,
Bravo!
Dou-lhe os parabens por dois motivos: Primeiro pela correcção da resposta. Depois, pelo facto de ter assinado o comentário.
Temos opiniões diferentes está mais do que visto.
Deixe que me dirija a si com toda a franqueza e educação.
Tive como toda a gente bons e menos bons professores, a todos os níveis.
Vivo rodeado deles e de netos, todos em EPs!
Sei o que é a vida de um professor sério e honesto. Daqueles que visam absolutamente o bem da Escola Pública e dos seus alunos.
Não tenha dúvidas.
É que nada me move contra a classe dos Professores, dito desta maneira. No entanto parece-me que a Leonor também não concordará com as arruaças e a falta de respeito pelas hierarquias e pelo corporativismo atávico que não se importa que 50% dos alunos sejam enviados para a sarjeta da sociedade, para a marginalidade e para a delinquência ao fim de menos de 9 anos de escolaridade, que o contribuinte pagou com língua de palmo. Isto, desculpe, não é odiar os professores. Isto é reclamar para os nossos jovens um tratamento igual ao que é proporciobnado em muitos países. Os jovens são difíceis e os pais são desatentos? Concordo completamente. Mas isso não é álibi para a desmotivação dos professores nem para eles sairem para as ruas a insultar a Ministra e o 1ª Ministro. A menos que isto se tenha transformado numa república das banannas por via das acções de rua do PCP.
Provavelmente teremos mais em comum do que pensa quando reage desta forma às minhas indignações!
Atentamente
MFerrer

Manuel disse...

Oh bloguezinho deprimente!
Anime-se homem!
É Natal!

Odiana disse...

Agradeço ter dispensado algum do seu tempo a responder-me. Mas de facto ando abismada com alguma raiva que circula pelos blogs e pela imprensa em relação aos professores. Tenho dúvidas que todos aqueles que fizeram parte das manifestações, nas quais também eu estive presente, sejam arruaceiros. A maioria dos professores da escola que agora frequento e de outras que já frequentei são pessoas que merecem a minha admiração e respeito, pois sei o quanto trabalham. Quanto ao facto de 50% dos alunos serem enviados para a sarjeta não estou a ver que sejam os professores a mandá-los para lá. O exemplo que lhe vou contar agora não é único, só que é recente. Este ano só tenho turmas de CEF e sou DT de uma dessas turmas. Tenho um aluno que vai às aulas e não leva, normalmente, material. Forneço-lhe eu o material (canetas, folhas, cartolinas etc.), tudo pago do meu bolso, apenas para ele não ter desculpas. Durante aulas inteiras é ver-me insistindo com ele para realizar os exercícios ou colaborar nos trabalhos de grupo e o aluno simplesmente nada faz. Para além disso, resolve faltar dias inteiros, pois de manhã não lhe apetece levantar-se e por lá fica. Tenho contactado frequentemente com a encarregada de educação a dar-lhe conta de tudo o que se passa. A mãe diz que não é capaz de o convencer a levantar-se para vir para a escola. Por vontade dela ele já teria anulado a matrícula, mas tem sido com a minha insistência que ele continua a frequentar a escola.A psicóloga da escola (nesta escola há uma que não chega para as encomendas) já falou com ele. Só que estou a ver que mais dia menos dia ele acabará por deixar de vir ou então ultrapassará o número limite de faltas. Sinceramente
que não sei o que fazer mais.
Será que me é capaz de dizer o que se pode fazer em casos destes? É que, os casos que eu conheço de abandono escolar são estes. Nós agastamos-nos a pensar nestas situações e eles e os pais simplesmente não fazem o mínimo esforço para se ajudarem a si próprios. Quanto aos contribuintes, pode ter a certeza que eu contribuo sem qualquer dúvida. Já da contribuição de outros portugueses tenho as minhas dúvidas.
Este não foi o meu álibi para ter participado nas manifestações, mas sim o facto de reconhecer que esta avaliação não vai realmente reconhecer o mérito. Como lhe disse, sou professora há 20 anos e apenas tenho dois atestados médicos (penso que um de 2 e outro de 3 dias, porque estive deveras doente). Geralmente tento aguentar e manter-me de pé até ao fim-de-semana para não ter de faltar. Mas, às vezes, não consigo (sou humana) e caio na cama com febre e lá tenho de faltar dois ou três dias por ano lectivo.Cumpro com todas as tarefas que me são confiadas. Vou a todas as reuniões. Quero que os meus alunos aprendam e estejam na escola, dentro da sala de aula. Respeito-os e não lhes exijo mais do que exijo a mim própria. Entro às 8:30 e às 8:00 já estou dentro da sala de aula. Quando toca já tenho a sala arrumada e preparada para começar os trabalhos (eles entram às pinguinhas, alguns resolvem passear-se pela sala, dão voltinhas até decidirem sentar-se, quando sabem que a regra estabelecida é entrar, sentar e começar a retirar o material das mochilas para trabalhar. Quando não cumprem esta regras assinalo-o na minha ficha de observação. Eles sabem disso, mas não lhes importa). Iniciamos as actividades e há sempre 3 ou 4 que fazem tudo menos trabalhar. O que fazer com alunos destes que não se envolvem em qualquer tipo de trabalho? É trabalho de Grupo? É trabalho Individual? É ver um filme? É ver um documentário? É fazer um relatório? É ler uma notícia? É observar uma imagem e comentá-la? É criar um blog e colocar lá o que vamos aprendendo? É desenhar? TUDO UMA SECA! O que se pode fazer mais?! Juro que não sei. O que é certo é que continuo ano após ano sem desistir. Colaboro nas actividades da escola, preparo visitas de estudo para que os alunos tenham acesso a locais que eu sei que nunca frequentarão fora da escola, dou apoio individualizado em horas que a escola tem para esse efeito, apronto a documentação toda que me é exigida a tempo e horas, frequento formação que sinto que me irá ajudar na minha prática lectiva (em horário pós-laboral), tento manter-me actualizada comprando livros tanto da minha área como de outras áreas, pois tenho uma sede imensa de aprender. Há uns três anos, sentindo que as novas tecnologias motivavam os alunos, investi num projector multimédia que utilizo nas minhas aulas muito antes do ME falar em quadros interactivos dos quais, até hoje, continuo à espera. A única coisa que não fiz, por opção, foi tirar mestrados ou doutoramentos. Preferi dedicar-me à escola. Certamente que me esqueci aqui de referir muitas outras coisas. Em princípio não devia temer esta avaliação, não é? Só que esta avaliação não me garante absolutamente nada. faça eu o que fizer não irei ascender, tão cedo, a um novo patamar. Possivelmente irei ter um bom, se calhar até um muito bom, mas ... para que é que eu quero isso?! Se não houver vaga no meu departamento (as tais "cotas")vou ficar sempre no mesmo sítio, pois já não tenho nada para subir (estou no 6º escalão). Há muitos outros aspectos nesta avaliação que não fazem sentido, mas já me alonguei e estou a ocupar um espaço que não é o meu, pelo que peço que me perdoe por este facto. Atentamente Leonor Bravo

Fartinho da Silva disse...

Esta sua expressão: "Dou-lhe os parabens por dois motivos: Primeiro pela correcção da resposta. Depois, pelo facto de ter assinado o comentário."

revela em muito as suas contradições, dá os parabéns à professora por assinar o seu nome ao contrário... de si.

Esta então: "Os jovens são difíceis e os pais são desatentos? Concordo completamente. Mas isso não é álibi para a desmotivação dos professores"

não consigo perceber de todo. Quer dizer que para si, o professor tem que aturar a má educação e até a violência de quem o deveria respeitar?

A sua estranha forma de tentar ligar o PCP aos professores é algo tão difícil de perceber, mas tão parecido com a cassete oficial do Partido Socialista que apenas me fez sorrir, se o seu objectivo é fazer sorrir os outros parabéns.

oscar carvalho disse...

1 - Uma das mais velhas mistificações em matéria de recursos humanos: devemos manter satisfeitos os colaboradores para que estes sejam mais produtivos. (Demagogia de quem nunca coordenou pessoas, e as infantiliza)
Motivação não é satisfação.
2 - Os bons professores deviam ser os primeiros a desejar a avaliação de desempenho, e sinceramente não entendo como uma profissão que deveria dar o exemplo de aceitação de novos métodos, de aceitação do novo, de descoberta, adopta posições de intransigente imobilismo.
Também nada me move contra os senhores,(familiares do "métier" sabem-no!) mas acho inadmissível a triste figura que a maioria de vós tem feito, e que é um péssimo exemplo para os jovens que dizem querer educar.
Nada me move contra as pessoas, mas continuarei a exigir que o governo do meu país avalie todos os colaboradores que eu, com os meus impostos, ajudo a pagar o salário.
Senhora Ministra, não desista!